Tempestade Cerebral


… ver como os defensores dos pobres e oprimidos de outros tempos (malta de esquerdas radicais e pessoas muito devotas e caridosas) são os mais eficazes na tentativa de os expurgar, mal se lhes atravessam no caminho para além da teroização abstracta. Pior quando acumulam as condições e muito em especial quando evoluem… do radicalismo pagão para o fundamentalismo beato.

O senhor director engenheiro (ou equivalente) Agnelo assim o afirma numa patusca auto-crítica:

Dr. Guinote, em boa verdade, os funcionários públicos não pagam impostos.
O que na realidade se passa, é que aos funcionários públicos é deduzida uma parte, atualmente uma grande parte, do dinheiro dos impostos que lhes é atribuído a título de vencimento.

Admito… por uma vez alinho na crítica ao despesismo desnecessário com o que se paga a certos directores… mega-inchados.

 

Não é ao cinema, nem a novela da Globo ou TVI. Apenas gostaria que me fosse adaptado o novo conceito vencedor do ministro Relvas, esse portento nacional do spin.

Não confundir com adoptado.

Groupthink

The brainstorming myth.

Dados recolhidos aqui.

Os factos: numa série média-longa de 35 anos temos uma descida de votantes dos 91.7% para os 59,7% nas legislativas, tendo a abstenção quadriplicado.

A solução:

Para quando a coragem de dizer que temos, para além disso uma evolução demográfica desfavorável, que trará cada vemos menos votantes às urnas, pelo que não carecemos de tantos políticos, autarcas, deputados e governantes?

Para quando a coragem de dizer que há, no mundo lusófono, democracias em construção para onde poderiam partir, sem perda notória para o descalabro nacional, muitos daqueles que ocupam cargos em quantidade decidida administrativamente (porquê mais de 300 concelhos, 4000 freguesias? porque 230 deputados? porquês um número ignorado de assessores e consultores das dezenas de governantes?) e que poderiam ser reduzidos por forma a repor o rácio entre votantes (ou portugueses em exercício de funções) e políticos a sugar dos dinheiros de um Estado que não está em condições para alimentar uma classe profissional que depende, em exclusivo, desse mesmo Estado?

É que há um mundo de possibilidades além-Atlântico, todo um conjunto de jovens países onde a mão-de-obra política qualificada é ainda escassa e onde as práticas correntes não estranhariam a presença de tantos daqueles que, entre nós, só serviram para conduzir o país para a situação em que está, sendo que nem sequer o conseguem reconhecer, sucedendo-se num rotativismo que, apesar de tudo, seria um avanço em países onde nem isso ainda consegue existir?

Vamos, não sejais meninos da mamã, abandonai o regaço protector da pátria que tão miseravelmente tem sido por vós servida, espalhai as práticas da governança nacional pelos quatro cantos do mundo lusófono (ou outro, se vos aceitarem em qualquer democracia latino-americana, que o linguajar não é muito diverso), sede empreendedores, universalistas, façam-nos sentir orgulhosos por os vermos partir… e, se possível, não regressai antes de terem dados novos Portugais Políticos ao mundo!

A bem da Confusão, digo, Nação!

  • João Salgueiro:

Alguns bancos eram muito vulneráveis ao poder político

Será que o vice-versa não era verdade, atendendo às transferências directas do exercício político para os quadros da banca privada?

  • Mira Amaral:

A Função Pública tem um patrão falido

Por isso é que os funcionários vão ter de pagar o buraco do BPN para que este senhor, ao serviço de interesses estrangeiros, o compre por tuta-e-meia.

Hoje no Expresso temos uma prosa de Valter Lemos em defesa das Novas Oportunidade e atacando Nuno Crato por ter mandado fazer uma avaliação do projecto. Diz Valter Lemos que a Universidade Católica (leia-se a equipa de Roberto Carneiro que descobriu a elevação da auto-estima com único grande argumento em defesa das NO).

Não me interessa nada a disputa política, mas sim a conceptualização que Valter Lemos faz em torno das críticas à NO.

Sim, a conceptualização… nada de (sor)risos malandros.

Porque Valter Lemos repete o argumento de ser o ciúme social uma das principais razões para as críticas feitas às NO.

Sim porque Valter Lemos e Luís Capucha (para além de lídimos exemplos de uma certa postura capilar)  são os principais representantes e arautos do conceito de ciúme social, um conceito inovador que ainda não entrou nos digest e reference handbooks da Teoria Social mas que para lá a passos largos.

O conceito é de uma desarmante e arrasadora simplicidade: as pessoas criticam as NO, porque nelas há quem consiga certificados de níveis de escolaridade de forma rápida e com base num processo que valida competências sem que existam produtos a comprovar, na prática, essa mesma competência. Os críticos das NO são, portanto, ciumentos da enorme escalada social que tais certificados (em papel) permitem aos certificados (pessoas).

O aspecto mais curioso desta teorização hiper-pós-moderna é que atribui esse ciúme social não pessoas sem certificação, que não têm o que as pessoas certificadas têm, mas sim a quem já percorreu o trajecto normal de certificação académica, obtendo-a em muitos casos com distinção. Ou seja, atribui a licenciados e doutorados um ciúme social pelo facto de milahres de pessoas passarem a dispor de um certificado da escolaridade obrigatória ou do 12º ano.

Isto é uma conceptualização que empurra os nossos paradigmas epistemológicos até aos seus limites, porque contraria toda a lógica que estamos a habituados a seguir, ou seja, que o ciúme ou inveja parte de quem não tem relativamente a quem tem algo.

Até ao momento, poderia acreditar-se que seria o ciúme social a ditar que algumas mentalidades tacanhas e traumatizadas pelo seu próprio passado desenvolvessem um projecto de obtenção de diplomas fast lane de modo a acederem ao patamar daqueles que sentiam ter ascendido a uma posição de privilégio, invejável.

Mas não, Valter Lemos conduz-nos num temerário trajecto com contornos ontológicos insuspeitados, em que o ciúme social funciona – penso estar a usar o termo correcto, mas hesito, porque este campo teórico é extremamente complexo e a terminologia muito sofisticada – às arrecuas: é quem tem algo que tem ciúme de quem não tinha e passou a ter, mesmo que esse algo nem se aproxime do que já tem.

Na sabedoria convencional, as críticas às NO seriam encaradas como uma forma de tentar perceber se os enormes quantitativos de dinheiro envolvidos no aparato certificador e propagandístico se justificam, se os seus efeitos na sociedade são mensuráveis, assim como na elevação do nível de vida (via melhoria da condição laboral) dos novos diplomados.

Mas no novo paradigma Lemucha (em homenagem aos seus criadores) as críticas às NO não passam de ciúmes de elitistas licenciados e doutorados que querem manter o povo na ignorância e detestam que sejam obtidos certificados de 9º e 12º ano à paletes, pois agora estes certificados são todos coloridos e impressos com belos equipamento a laser e vistosos logotipos, enquanto antes os certificados equivalentes eram em vetustas folhas de papel azul pautado e carimbados com um selo branco que mal se via.

O mundo pula e avança, como o sonho de uma criança. Valter Lemos compreende isso. Os ciumentos sociais, não!

-

Nota final: a ilustração que acompanha a proa de Valter Lemos, só por si, de um sarcasmo demolidor.

Filomena Martins no DN:

Com protestos já apenas pontuais dos professores, este deixou de ser o Nogueira que derrubou uma ministra e pôs outra na algibeira, mobilizou 200 mil professores e saiu ao caminho de José Sócrates em verdadeiras emboscadas.

Miguel Sousa Tavares no Expresso:

Mas sabe-se o que aconteceu: a tentativa de impor a avaliação aos professores, esbarrou contra 300.000 nas ruas de Lisboa, toda a imprensa e toda a oposição.

A primeira é directora-adjunta do DN, o segundo é articulista com grande cotação na praça e bem remunerado pela Impresa. Em qualquer dos casos substituem (por ignorância?) ou distorcem (por má-fé?) factos por delírios pessoais. Confesso a minha inveja: gostava de ser pago para escrever parvoíces e livrar-me sempre incólume, em especial no caso do MST.

Para a semana aguarda-se um qualquer outro escriba com o mesmo tipo de pancada (Helena Garrido, Leonel Moura, Emídio Rangel?) escrever que foi meio milhão a desfilar pela Avenida da Liberdade, enquanto um milhão estacionava na 5 de Outubro.

O estado de generalizada impunidade pelo dito disparatado, pela imputação despropositada, pelo arrolamento de factos inventados não se limita ao Alberto João.

… em prol do Centrão. O problema é que grande parte destes 47 são co-responsáveis pelo estado a que chegámos e eu acredito que se achariam facilmente 48 notáveis a apelas a algo novo.

… se não destacasse este documento da Fenprof nomeadamente quanto a duas passagens:

Surge agora uma nova peça, de uma violência enorme, o projecto de despacho para a organização do próximo ano lectivo – a que a FENPROF já teve acesso por via indirecta – e que prevê alterações significativas às regras de elaboração dos horários dos docentes, bem como ao cálculo do número de horas de crédito atribuído às escolas para se organizarem e funcionarem.

O documento em causa, que surge agora (desde há uma semana, dia 29 de Dezembro, que o divulguei aqui), não contém nenhuma extrema novidade, apenas confirmando que nada do que se insinuou ser possível depois do acordo de há um ano teve concretização, apenas se agravando ainda mais o que já existia.

Só nesse particular, e por evidente sinal de alguma desconformidade emocional, é que se entende que se chegue a evocar o memorando de entendimento de Abril de 2008 (mas não o rasgaram? afinal eram bom como o acordo?) como algo a recordar com saudade e a própria MLRodrigues seja relembrada a uma luz positiva por comparação à sorridente Isabel Veiga Alçada.

Nele, são retiradas algumas balizas estabelecidas no âmbito do memorando de entendimento, em Abril de 2008, e Isabel Alçada, que se declarou preocupada com o horários dos professores, avança com um documento que, a concretizar-se, é bastante mais negativo do que o imposto por Lurdes Rodrigues.

.. não é, amigo Reitor, o sistema anglo-saxónico, da liberdade de escolha, que é a salvação e o caminho para o Paraíso educacional dos pobrezinhos?

Working-class revolution not reaching ‘posh’ universities

Does your social class decide if you go to university?

Ao longo do dia fiz diversos trajectos de carro e fui ouvindo diversos noticiários sobre o tema do desemprego. Confesso que as primeiras vezes que ouvi as declarações de Valter Lemos me ia escangalhando a rir com aquela de alguém como ele (tão pressuroso com os estudos tipo-OCDE) questionar o rigor das estatísticas do Eurostat (que usa os dados oficiais do INE e não os vai buscar a Marte).

A partir da terceira vez fiquei algo anojado, até porque – afinal e por muito mal que anda a nossa coisa pública – esta criatura continua a fazer parte de um governo.

Governo aponta constantes oscilações e revisões nos dados do Eurostat sobre o desemprego em Portugal

(…)

A posição do executivo foi transmitida aos jornalistas pelo secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Valter Lemos, depois de o Eurostat ter revisto em, alta a taxa de desemprego em Portugal.

Entre maio e junho, o Eurosat reviu em alta para um máximo de 11 por cento e confirmou que a taxa de desemprego em julho recuou para 10,8 por cento.

Falando aos jornalistas após a inauguração de uma creche do grupo Auchan na Amadora, em que esteve presente o primeiro ministro, José Sócrates, “o número do desemprego no segundo trimestre de 2010 é de 10,6 por cento, que foi divulgado pelo INE ainda há bem pouco tempo”.

“Esse é o número oficial do desemprego em Portugal”, salientou o secretário de Estado, antes de se referir às sucessivas revisões que o Eurostat tem feito em relação às suas próprias estimativas.

“As estimativas hoje avançadas pelo Eurostat, que revê em alta as estimativas que já tinha feito para esse segundo trimestre – e que dá um número de queda para o mês de julho de 10,8 por cento – representa uma divergência em relação aos dados do INE”, apontou o membro do Governo.

Para Valter Lemos, a explicação dessas alterações das revisões do eurostat “terá de ser perguntada ao próprio Eurostat ou ao INE”.

“Os números que o Eurostat tem dado para o desemprego em Portugal têm mudado todos os meses. Todos os meses o Eurostat tem corrigido as estimativas que tem apresentado. Aliás, a estimativa agora corrigida corrigiu a estimativa de junho do ano passado”, observou ainda Valter Lemos.

No entanto, o secretário de Estado negou estar a levantar dúvidas sobre a relação entre esta entidade da União Europeia e o Estado Português.

Em Setembro o pessoalo desenrasca-se como for possível. Tipo duodécimos.

Escolas abrem sem regulamentos internos adaptados ao novo Estatuto do Aluno

Então e ninguém fala dos regulamentos que é preciso adaptar para os mega-agrupamentos? Alguém já notou que, só com base na resolução nº 44 do Conselho de Ministros, há uma série de vazios e buracos legislativos que terão de ser as escolas a preencher, inovando soluções inexistentes na legislação em vigor?

Vai ser uma risota quando começar a dar problemas com os procedimentos para constituição dos novos Conselhos Gerais (de novo transitórios ou definitivos?) e depois o procedimento concursal para mega-director.

O melhor é ir encomendando bastantes baldes de pipocas…

Deixem de nomear grupos de trabalho da treta:

Isabel Alçada quer melhorar gestão de recursos no ensino

São já duas as entidades criadas para a optimização dos recursos educativos.

Depois da criação de um grupo de trabalho para propor e implementar medidas de gestão e execução orçamental na educação, o Governo acaba de constituir a CORE – Comissão para a Optimização dos Recursos Educativos. É mais uma medida do Governo para melhorar a gestão dos recursos do sistema educativo e apertar o cerco à despesa no sector da Educação.

No despacho, publicado ontem em Diário da República e assinado pela ministra da Educação, pode ler-se que esta é uma comissão, presidida por Carlos Alberto Pinto Ferreira, de “carácter eminentemente técnico”, que deverá concluir o seu trabalho dentro de três anos, ou seja, no final desta legislatura. O objectivo é, além de acompanhar a evolução do sistema educativo, propor medidas de política educativa e elaborar estudos técnicos para melhorar a qualidade do ensino, sempre com as palavras “optimização” e “eficácia” no horizonte.

Querem outra sugestão gratuita?

Em vez de despejarem computadores e quadros interactivos nas escolas conforme lhes apeteceu, perguntassem quantos é que faziam mesmo falta.

Ou então quantos seria possível colocar a funcionar em rede, antes da poeira ganhar três dedos de altura.

Número de portugueses a formar professores em Angola devia aumentar dez vezes, defende Cavaco Silva

O Presidente da República defendeu hoje que o número de professores portugueses em Angola no âmbito do programa Saber Mais devia aumentar dez vezes, considerando que o seu trabalho “é da maior importância” para os dois países.
Actualmente, o projecto Saber Mais, de formação de professores angolanos, envolve 20 docentes portugueses – oito em Benguela, 12 no Namibe – mas tem-se deparado com problemas de alojamento que dificultam a sua expansão.

20 x 10 = a…… alguém me chama um guterrinho?

Outro artigo do despacho 11120-B/2010 que está a provocar alguma celeuma é o 7º. Escreve-se nele:

Desempenho de cargos e outras funções de natureza pedagógica
1 — As funções de coordenação, orientação, supervisão pedagógica e avaliação do desempenho são exercidas pelos seguintes docentes:
a) Em termos exclusivos, pelos docentes posicionados no 4.º escalão ou superior, detentores, preferencialmente, de formação especializada;
b) Em casos excepcionais, devidamente fundamentados, pelos docentes posicionados no 3.º escalão desde que detentores de formação especializada.

Isto mais não é do que a adaptação, decorrente do fim do regime dos titulares, do que está no ECD, em particular do artigo 35º.

Em si, isto nada tem de inesperado. É certo e sabido.

Na prática significa que, a partir de agora, numa primeira e superficial leitura, o(a)s Directore(a)s não estão limitados a nomear titulares para os cargos de coordenador de departamento, estando o leque de escolhas mais aberto.

O que nem todos são capazes de estar a ver totalmente, excepto onde a megalomania concentracionária do ME já está a fazer estragos, é que isto tem implicações práticas na potencial substituição de um enorme número de coordenadores de departamento de escolas que estejam a passar pelo processo de mega-agrupamento.

Quem se alegrou com a perda do cargo por parte de directores, subdirectores e adjuntos, agora pode também alegrar-se com a perda do cargo por parte de muitos coordenadores de departamento pois em cada mega-agrupamento pelo menos metade deles perde o lugar, não para ser substituído, mas sim porque passou a existir um mega-departamento.

Ou seja, também ao nível das chamadas chefias intermédias o processo de mega-agrupar vai fazer vítimas em grande quantidade. E, desculpem-me o cinismo, há quem só tenha reparado nisso quando lhe bateram à porta e lhe disseram que agora é o Joaquim ou a Maria da outra escola que vão passar a ser os mega-coordenadores.

Como é óbvio, num processo destes, misturado com a nomeação de múltiplas CAP onde a luta pelo futuro poder se vai fazer sentir até ranger as unhas dos pés, o processo de renomeação das chefias pode vir a ser a doer, mas a doer a valer.

Em especial porque, se isto avançar mesmo a eito, à CAP seguir-seá a escolha de um(a) nova(a) mega-director(a) que, por sua vez, pode renomear de novo todos os ocupantes destes cargos ao fim de um número variável de meses.

Como todos devem calcular, isto vai fazer novas maravilhas maravilhosas pelo já bastante degradado ambiente nas escolas, agrupamentos e megas.

Quanto à operacionalidade dos mega-departamentos – já bastante disfuncional com os agrupamentos actuais que têm 30, 40 50 ou mais docentes – é melhor não falarmos para já, porque é preciso termos algo para nos rirmos muito em Setembro.

Vamos lá assumir as coisas com clareza: o Ramiro afirma que não quer ter polémicas públicas comigo porque isso não é bom para a luta dos professores.

Mas depois faz mais um daqueles textos enviesados, em que há quem diz, alguém… etc, etc, não nomeando a quem se refere.

Diz o Ramiro, por vezes, outras não, que aprecia o meu trabalho, mas que eu me alimento de guerras blogosféricas para assumir notoriedade, mas que depois o meu blogue representa o pior da classe docente nos seus comentários.

Percebo… eu para comentar lá tenho de me registar obrigatoriamente no blogger e ainda por cima fico sujeito a censura prévia. São opções. A cada um as suas.

E por falar em opções, assumidas de forma clara, eu discordo frontalmente disto:

Bastou a ameaça da criação de mega-agrupamentos para que os críticos do decreto-lei 75/2008 passassem a considerar que o novo modelo de gestão afinal é bom, tem grandes potencialidades e o conselho geral é um órgão democrático, com autonomia e por aí fora.

Este parágrafo é absolutamente mistificador quanto à posição de, estando o 75/2008 em vigor, usar o que ele tem que pode ajudar a combater o desvario dos mega-agrupamentos. Julgo que ou o Ramiro anda a ler mal o que eu escrevo ou então distorce voluntariamente as posições alheias para fazer da sua incoerência, coerência.

E discordo ainda mais frontalmente da atitude subjacente a isto:

Os mega-agrupamentos vão para a frente perante a passividade e alheamento dos professores porque estes não estão dispostos a baterem-se por um modelo de gestão que de democracia não tem nada. E fazem muito bem em ficar quietos. Era o que faltava os professores preocuparem-se com o futuro profissional dos directores!

Porque a mim o que me preocupa não é o futuro profissional dos directores enquanto grupo – sendo que existem excelentes directores no activo – mas sim o destino das escolas em que trabalhamos.

O que o Ramiro – será por falta de presença no terreno? – parece não entender é que os directores e os presidentes dos conselhos gerais podem ser a última linha de defesa contra a completa cilindragem do que resta de bom ambiente de trabalho nas escolas.

Eu percebo que ele não entenda – na prática, no quotidiano diário, sem ser em tese – a diferença entre ter uma liderança de proximidade que, mesmo má, se pode enfrentar nos olhos e uma liderança distante, exercida por interposto comissário.

Percebo que ele ache que, afinal, os professores do ensino não-superior até tinham um estatuto muito favorável… afinal tinham privilégios que os do politécnico e do superior não tinham… eu até entendo isso.

Mas, ao aceitar sacrificar todos os directores sem excepção, esta posição significa a completa rendição dos professores em nome de questiúnculas e invejas pessoais.

Se há directores que merecem ir borda fora?

Há!

Mas será que são eles que vão?

Será que a evolução do modelo para os mega-agrupamentos, mega-departamentos e mega-tudo não é a promoção da indiferenciação, despersonalização e desumanização completa da Educação, prejudicando em primeiro lugar o trabalho com os alunos?

Será que ao Ramiro basta que isto sirva para poupar dinheiro porque a Pátria está em perigo?

E como se conjuga a defesa da apatia com o apelo ao reacender da luta que faz em outro post, paredes-meias com o anterior?

Eu sei que há quem ache que sou demasiado explícito nestas posições e discordâncias, que deveria aceitar pactos de silêncio e uma espécie de tratado de Tordesilhas nestas coisas, mas não está no meu feitio olhar, ver e fingir que não vi ou li.

Dizem-me que não vale a pena… isto está perdido, descansa um bocado, não te exponhas, mostra-te consensual, acomoda-te, faz-te a um convite, a um lugarzinho.

Não consigo, pá!

… que o obriguem a continuar, em especial num dia em que até foi à casa-mater. Ainda por cima para dizer estas coisas que são em forma de coiso e também do seu contrário.

Porque efectivamente, ou não, as faltas só aumentaram em casos pontuais, nomeadamente no caso dos alunos que faltaram. No caso dos que não faltaram, as faltas não aumentaram.

É o que parece, numa primeira abordagem. Ou não. Depende. Do que o Ministério pensa, porque o Ministério tem cérebro. Pelo menos em casos pontuais. Nos outros, parece que falta. Ou não.

Realce ainda para o facto do ME saber das faltas pelos parceiros. Quais? Os preferenciais ou os outros?

Provas de recuperação não levaram a aumento de faltas, diz secretário de Estado

O secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura, rejeitou hoje a ideia de que a existência de provas de recuperação tenha levado a um aumento das faltas dadas pelos alunos, admitindo que isso tenha acontecido apenas em casos pontuais.

“O Ministério da Educação não pensa assim e isso não lhe foi transmitido pelos parceiros”, disse à Lusa o governante, no final da cerimónia de entrega de prémios das Competições Nacionais de Ciência que decorrem até quinta-feira na Universidade de Aveiro (UA).

Alexandre Ventura admite, no entanto, que, em alguns casos, o facto de haver provas de recuperação se tornou um “factor de desmotivação acrescida”, referindo-se às chamadas “situações de fim de linha”.

No princípio da linha não há problemas porque o comboio ainda vai a ganhar balanço.

Eu continuo a achar que o SE Ventura fala esquisito. Mas é uma opinião. Daqui a pouco já aparece aquele comentador de serviço a dizer que não, que eu é que errei a leitura paleográfica das declarações.

O secretário geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou esta sexta-feira que todas as preocupações que os professores levaram à reunião com o ministério foram positivamente respondidas e terão consequência no próximo regulamento sobre avaliação de desempenho, noticia a Lusa.

Para o concurso que hoje se inicia, é de salientar o facto de, no respectivo Aviso de Abertura, já não constar qualquer referência à consideração da avaliação para efeitos de graduação profissional, factor que, como a FENPROF tem vindo a exigir e a esmagadora maioria dos professores a defender, não deverá ser considerado já neste concurso.

A FENPROF manteve durante o dia de ontem (12/04/2010), na sequência do que já acontecera na semana passada, um contacto quase permanente com o Ministério da Educação no sentido de ser prorrogada, por mais um ano, a norma que permite a não consideração da avaliação de desempenho como factor de graduação profissional para efeitos de concurso. Posteriormente, no âmbito da negociação para revisão do regime de concursos, a FENPROF pretende eliminar a influência da avaliação de desempenho, definitivamente, naquele regime.

O Ministério da Educação (ME) está a obrigar os docentes a “cometer um crime”, denunciou ontem o secretário-geral da Federação Nacional de Professores. Segundo Mário Nogueira, este será um dos argumentos na base das acções judiciais que a Fenprof tenciona interpor para travar o concurso para a colocação de professores contratados, que decorre até à próxima sexta-feira.

Em reacção às declarações da ministra da Educação, que reafirmou sábado, em Évora, que a avaliação de desempenho vai contar para o concurso de colocação de professores, o líder da Fenprof afirmou que «a teimosia retira a lucidez às pessoas», concluindo que a actuação de Isabel Alçada está «ao nível do que durante quatro anos e meio foi feito pela sua antecessora».

É o que me desperta a leitura de uma peça de Clara Viana sobre a melhor forma de organizar uma sala de aula. Pelos vistos uma tríade formada pelo director de um Instituto Superior, um coreógrafo e um designer julgam ter achado o ovo de Colombo da gestão de uma sala de aula, bastando para isso mudar mesas e cadeiras.

Mudando a sala de aula, podem mudar-se comportamentos

Quando se juntam as mesas em quadrado, muda-se também a hierarquia entre os alunos. Deixa de existir a divisão entre indisciplinados nos lugares de trás e “marrões” nas filas da frente. Como está agora, a sala de aula é “um espaço antinatural”
(…)
Diogo Teixeira, o coreógrafo João Fiadeiro e o designer José Luís Azevedo estão convictos de que é possível mudar este estado de coisas e que para tal não são precisos mais meios do que aqueles que os professores e alunos já têm à mão. Basta querer fazer. Esse é o desafio que estão a lançar aos docentes do ensino básico e secundário. O primeiro passo aconteceu na segunda-feira, com o workshop Reinventar a sala de aula.

Até podem ter razão em algumas situações, mas o mais divertido é que já há muito que, em muitas escolas, em muitas salas, se trabalha de outra forma, com outra disposição das mesas e cadeiras, gerindo o espaço com alguma maleabilidade.

Há situações em que a disposição em quadrado ou em U funciona e outras em que não. Há casos em que as tradicionais filas se revelam pouco funcionais e outras em que até funcionam.

Tudo depende dos contextos, circunstâncias, dimensão e características das turmas.

Mas uma coisa eu diria a quem tem da sala de aula uma visão anacrónica: comigo os indisciplinados  (isto partindo do princípio que há alunos disciplinados e não apenas crianças e jovens com condutas socialmente alternativas) até estão  geralmente à frente, para poderem ficar ali mais perto de mim e com maior dificuldade em se distrair.

E eu raramente estou na tal posição estática, junto ao quadro. E como eu, muitos outros.

Desde que depois não apareça ninguém a dizer que, desse modo, os bons alunos – parece que há quem ainda viva no tempo da velha terminologia marrona - ficam prejudicados no seu desempenho com a sua situação mais afastada…

Porque há sempre críticas para tudo…

Mas voltando ao essencial, eu diria que esta reinvenção da roda acontece pela enésima vez. Parece que alguém descobriu o fogo e decidiu fazer um workshop sobre isso.

Interessante mesmo era um workshop sobre o carácter inovador das ideias requentadas.

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