Tele-Umbigo


Excelente banda sonora para uma extraordinária série televisiva, em especial se nos concentrarmos apenas na primeira série nos abstrairmos da tentativa de sequela e do filme que tentaram explorar o filão, tentação a que David Lynch devia ter resistido.

Afinal, todos tinham morto um pouco Laura Palmer…

Certamente que a maioria dos que por aqui passam não estão por aí além interessados nos meus gostos televisivos. Mas eu estou e portanto senti a relativa urgência de evocar aquela que se tornou a minha série  de culto favorita, no que a comédias diz respeito.

Enquanto ontem via um novo episódio deliciosamente sórdido do Little Britain na RTP2 (com o seu falso paraplégico, a sua Vicky Pollard adolescente de fato de treino colorido, com a professora de nutrição que odeia obesos) recordei-me da Royle Family, a família britânica mais portuguesa (universal?) que é possível encontrar em todo o universo televisivo.

Tudo é fabuloso na série, aquela que melhor imita um documentário sobre a condição familiar suburbana das sociedades ditas avançadas. A música inspirada dos Oasis a abrir, os extraordinários textos sobre o nada da existencial (que deixam o Seinfeld a léguas), uma interpretação notável e um universo que o Portugal Profundo reconhece, mesmo se não aparece nas revistas de sociedade ou faz títulos de jornais.

Porque passou ainda há pouco na RTP Memória um dos primeiros episódios e me fez dar um salto no tempo.

Provavelmente a melhor série dramática televisiva do século XX.  Por certo a melhor do final da minha adolescência e uma das melhores memórias dos anos 80.