Tédio


Comecei a ler as instruções made in Cambridge para hoje à tarde.

Recomendo para todas as pessoas com distúrbios na área da agitação permanente e da insónia galopante. O problema é que o efeito é demasiado rápido e pode ficar-se com a luz acesa toda a noite e só a EDP é que agradece.

E continuo com 95% das instruções por ler. Se o fizer ao almoço ainda acabo com a cara no ovo estrelado.

Não há greves, demissões, quedas abruptas dos e nos mercados, nem sei se há sequer briefings.

Esta normalidade entedia-me.

Uma série de treinadores falhados e analistas centenários a explicar porque o Benfica perdeu ou não ganhou. A TVI24 costuma ganhar em matéria de cromos.

… para ver mais testes. Amanhã logo se vê.

Para continuar a discutir pela enésima vez as mesmas coisas. Amanhã logo se vê.

Beijos e abraços, conforme.

Isso de acabar o mundo não se podia antecipar? O Seguro aprovava…

Não estou a falar do fenómeno das pessoas lindonas e gostosas por tudo e nada. No outro dia acho que uma senhora com 112 anos, uma desdentadura digna de Guiness (livro ou cerveja) e um bigode à cossaco recebia elogios qual Ava sem Adão.

Mas não é isso que aqui me ocupa.

Ocupa-me o facto de, sem ter mexido um dedo, me ter visto metido numa série de grupos de professores em luta por isto e aquilo. E vocês sabem o quanto não me pelo por uma luta. Mas tudo bem, desde que seja virtual aceito-me minimamente gregário. O que me espantou foi a profusão de declarações de vitória e de vamo-nos a eles e de não desistimos nunca, que me fez quase pensar estar num balneário de equipa de futebol, felizmente sem a parte dos odores e tudo o mais. A menos que seja feminina. A equipa.

Mas é verdade. Acho que é o local ideal para um tipo do Sporting estar, mesmo em tempo de pré-época. O problema é que anda por lá sempre uma espécie de Luís Filipe Vieira a incitar a tudo e mais alguma coisa. E eu não aprecio muito ser incitado.

Isso e notar que quem há uns anos gozava com a superficialidade dos blogues agora promove estas coisas, em forma de bem preparado sucedâneo espontâneo.

A vida dá destas voltas. A luta também.

Agora até já prometem plataformas. Só espero que se lembrem de colocar água na piscina antes de atirarem os laikes, que são coisas frágeis e resistem mal ao impacto com a realidade.

está prenhe de luta, cuidado co’as águas.

Estou aqui de prancha à espera e… flat.

… dos portugueses se unirem para superar a crise, nhónhónhó, nhónhónhó

Desperta um entusiasmo equivalente à mensagem de Natal do Seguro, só que aqui alimenta mais idas de hermeneutas às televisões…

Cavaco Silva: as cinco últimas mensagens de Ano Novo

Presidente da República fala hoje ao país

Aquilo não é uma secreta, é o Kaos do Olho Vivo. Aliás, do Zé das Socas.

 

Cartada de outro naipe. Pouco nobre.

– tantos anos em falta. E acumulam-se.

Desculpem, mas isto só mede a pilinha, desculpem, a opinião dos passarinhos que cantam em 140 bicadas, esquecendo-se que são uma minoria bastante minoritária no reino animal.

Twitómetro mede popularidade dos candidatos a primeiro-ministro

A ferramenta medidora está aqui e como se percebe Jerónimo de Sousa será o próximo PM.

Isto parece, em matéria de monolitismo discursivo, um congresso do PC dos anos 80, só que transmitido em non-stop por três canais.

Verdade se diga que quem precisa de um dia específico para decidir em quem (não) vota…

Pascal Não Previu A Pressão Dos Mercados

Acho que é – mesmo evitando ao máximo – das conversas de Verão, aquela conversa mole, carregadinha de lugares-comuns, coisas que ficam entre o provérbio para toda as estações e o horóscopo da Maya ou o oráculo da Dica da Semana.

Vai daí e estou com vontade de sacudir esta pasta mental que nos vai cobrindo sempre que é necessário justificar a inacção, sob a aparência de algo que se deveria mesmo fazer, mas não se faz porque a unha encravou à última da hora. Acho que, em acumulação, estou a desvincular de geração, mas não sei em que sentido. Ou isso, ou é a velhice mental a instalar-se e o tédio que se lhe associa. Em língua mais amaneirada, ainda se me dá um spleen que não se pode.

Não sei, não, mas acho que o Fafe ainda se arrisca a ser o postador mais cordato e fofinho aqui do lugar. Sinto-me áspero e não é de faltarem apenas oito dias.

Hoje não estou numa de ficção.

Ter de ver e ouvir os gurus da economia que nada fizeram, quando tiveram responsabilidades governativas ou orbiataram a esfera do poder, a perorar sobre a inevitabilidade e previsibilidade da crise, juntando-lhe fórmulas infalíveis sobre a sua superação, é algo que revolteia qualquer estômago, mesmo dos mais rústicos como o meu.

Entre o Papa e estes papinhas venha uma mão-cheia de Guronsan…

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