Tácticas


A área da Educação é aquela em que o desgoverno PSD/CDS – à excepção de um cheque-ensino às claras, embora ele vá avançar de modo indirecto – mais parece determinado em levar o seu anti-PREC ao máximo das suas possibilidades, por forma a tornar muito complicado desmontar toda a asneira feita.

Foram aproveitadas todas as portas abertas por Sócrates e foram escancaradas de par em par, ao mesmo tempo que se foram e vão abrindo outras, por onde todo o folclore fandango irá entrar de armas e bagagens.

O objectivo é tornar o sistema educativo de tal modo desregulado nas matérias que mais interessam a certos grupos de interesses que será muito difícil fazer regressar alguma sanidade a um sector que está a saque há coisa de uma década.

Nisso, desenvolveram bastante a prática dos governos do engenheiro, em especial na área da Educação.

A aposta foi fazer, sendo legal ou não, apostando na morosidade da Justiça e na chantagem feita sobre os juízes do TC. O PR colaborou, por omissão, na forma como a Justiça foi sendo amesquinhada.

O Presidente é parcial com o Governo e não acrescenta nada ao sistema

O constitucionalista Jorge Reis Novais considera que o Chefe de Estado e o Governo tiveram uma estratégia de facto consumado durante os anos da troika.

Tenho recebido o material que anda em circulação para o combate à 2ª chamada da PACC. Penso ser de bom senso óbvio não publicar o que se anda a preparar, porque isso só serve para informar o “outro lado”.

As conspirações ou se fazem habilmente em público, de uma forma que ninguém perceba, ou então fazem-se em privado.

Mas gostaria de chamar a atenção para uma frase que lá vem e que é complicada em meu entender, porque coloca a fasquia demasiado alta quando se sabe que dia 22 o MEC joga pelo seguro, em escolas que já antes alinharam, mesmo com perturbações, e quando o número de “avaliados” é relativamente reduzido, sendo necessários poucos meios para a prova ser colocada em prática:

É esse Ministro e a sua política global que sairá vencedora ou derrotada dia 22 de Julho… depende muito de nós: VAMOS À LUTA!!! 

Dia 22 pode ganhar ou perder-se alguma coisa, mas ninguém vencerá ou será derrotado de forma decisiva, porque a guerra está numa fase em que o “lado de cá” não me parece com capacidade para, depois de uma série de derrotas, conseguir uma vitória com essa escala.

Se pode ser um momento de “viragem”? Talvez, talvez, talvez…

Em especial, se não andarem a conspirar em público…

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

Mas todos eles – com a possível honrosa ressalva do André Freire – pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que “as eleições se ganham ao centro”.

Ora… nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

Qual a maior diferença?

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

O Tó Zé não percebeu isso.

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar “estruturante” da esquerda pequenina.

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou “ao centro” porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos “esquerdistas”.

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

Olá car@s amigos,

Na próxima quarta-feira, dia 18, vai realizar-se a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências (PACC).

Para sorte nossa, a nossa (e já vou em dois nossa seguidos) Escola (EB de Canidelo) foi escolhida como um dos “corredores da prova” para os nossos colegas. As outras são Teixeira Lopes, Canelas, Almeida Garrett, Oliveira do Douro, Sec. Valadares e a ESIC.

O exame realiza-se de manhã e é muito provável que todos (JI, EBI e EB23) sejam convocados para vigiar, logo, cada um de nós terá uma boa oportunidade de fazer a sua parte.

Creio, pelo que tenho sentido, que é absolutamente consensual (arrisco o unânime, mesmo sabendo que exagero) a recusa em vigiar a prova. Penso que teremos todos uma excelente oportunidade de fazer história porque vamos, estou certo, conseguir afirmar que a nossa profissão não se sujeita a este tipo de “brincadeiras” (poderia escrever algo pior, mas não quero ser mal educado).

Se quiserem saber mais sobre a PACC podem visitar este link: http://www.spn.pt/?aba=27&cat=207&mid=115

Deixo algumas informações práticas sobre a GREVE:

a.       Os colegas contratados pedem /exigem que cada um de nós faça a sua parte. Não os vamos prejudicar com a ausência. Seria a nossa presença a sua condenação. Falem com eles e vão sentir isso também.

b.      Não há serviços mínimos, logo, TODOS podemos aderir à Greve.

c.       A GREVE é apenas ao serviço da PACC, logo, tudo o resto continua a existir e é para ser feito.

d.      Aliás, com outro serviço nesse dia (reuniões), desconta apenas o tempo do exame (2t); Podemos, até ter reuniões de grupo nesse dia para planificar o 2º trimestre;

(…)

… quando se pretende transformar uma rendição numa vitória, prometendo-se que a luta continuará.

Pois, é possível.

Só que eu estou cansadinho de vitórias destas.

Mesmo sendo do Sporting cansa tanta vitória deste tipo.

Vamos ser sinceros, pode ser?

Ou será que dói onde não devia?

De há seis anos para cá… o mais que se conseguiu foi limitar danos e fazer recuar aquilo dos titulares. E isso não foi uma vitória. Foi um empate, porque deixou as coisas como estavam antes da derrota.

Estive a ler um livrinho que há dias aqui postei sobre as campanhas na Rússia em 1944-45 e como Hitler procura, para efeitos de propaganda interna, transformar a defesa de algumas posições em tremendas vitórias sobre os seus inimigos.

Mas o que se passava é que apenas ia adiando a derrota, à espera de uma salvação ex nihilo que nunca apareceu.

E como se diz no tal livrinho, defender uma fortaleza não constitui vitória, quanto muito significa uma ausência de derrota.

Mas nem foi este o caso.

Como o Adolfo algum sindicalismo docente comemora vitórias sobre vitórias após entregar metade do território ao adversário.

Até agora não havia professores a fazer qualquer prova da treta, agora existirão uns 20.000 ou mais…

Isto é uma vitória?

Só se a FNE aprendeu bem e incorporou a forma como a Fenprof alinhava vitórias sobre vitórias até ao descalabro final.

O acordo que a FNE lavrou deixou 20.000 professores no campo de batalha, sob fogo inimigo (para eles, claro, que para a FNE são meros ciscos), com a promessa que a prova que vão fazer talvez outros não venham a fazer no futuro.

Lamento, mas é escasso consolo.

E é uma derrota.

Mais uma.

Servida a solo pela FNE sob o comando altaneiro do bigodes da UGT que fala grosso mas sai de fininho.

Mais um tretas para a colecção.

 

Claro que acho muito mais simples que sejam os professores a recusar livremente embarcar na coisa do que serem impedidos de forma coerciva a fazer o que bem entendem, mas… fica a ideia.

Piquetes para derrotar a prova

Os professores têm vinte dias para organizar uma vitória contra a prova de Nuno Crato. Ela é possível. Derrotar a prova é derrubar Crato. Artigo de Miguel Reis e Belandina Vaz.

A entrevista de Fernando Moreira de Sá à Visão merece ser lida com atenção – e não com acrimónia e azedume – por todos aqueles que queiram compreender como funcionam os meandros da política actual. O único contra é que FMS esteve associado a duas das mais caricatas e patuscas campanhas autárquicas do PSD: GAia e Porto, Menezes e Amorim, dois estrondosos fiascos.

Através do testemunho directo de um dos actores principais (que houve outros e quem ler toda a entrevista percebe bem isso…) da estratégia comunicacional de Passos Coelho junto da imprensa, das redes sociais e da blogosfera, em particular como reacção à propaganda emanada do Câmara Corporativa.

Vem na Visão desta semana:

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Não posso, ou melhor, não devo transcrever tudo aqui, mas há partes muito, muito interessantes, sendo que este relato bate certo com o que eu tive oportunidade de saber, directa ou indirectamente. a criação de perfis falsos, de3 notícias falsas, para disseminação através de quem as tomava por verdadeiras, um pouco de tudo é relatado nesta entrevista:

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Claro que lá pelo meio convidavam malta chata que não estava ali à espera de recompensas, mas de saber as coisas e confrontar o anfitrião.

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Houve mesmo aquele momento interessante e constrangedor em que o chato de serviço aconselhou que fosse despachado exactamente o mentor de tais encontros…

E depois de chegados ao poder, foi feita a colheita junto de quem se tinha colocado a jeito e evitado ser incomodativo, dando os sinais de querer algo. A lista de recrutamento é extensa, mas faltam nomes óbvios (desde logo o de João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos):

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Porque faz Fernando Moreira de Sá este relato na primeira pessoa, revelando meandros, nomes e estratégias de um processo que muitos talvez preferissem que ficassem no olvido? A última resposta da entrevista é capaz de dar pistas suficientes, mesmo para mau entendedor. pessoalmente, gosto muito do que li e da transparência com que as coisas são ditas, mesmo se grande  parte fica, ainda, por dizer.

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Um destes dias poderei acrescentar uns detalhes à minha micro-escala, incluindo a recusa em ir ao primeiro encontro, porque estava a chover – uma excelente razão, penso eu de que, para não sair numa noite de Inverno para Lisboa, apenas porque me pagariam um bom jantar.

E poderei falar, sem grandes pruridos, dos prestimosos pajens que por lá encontrei a revoltear em torno do futuro PM, quase lascivos, ansiosos por algo. 👿

Já vivemos demasiados dias D e a Normandia ainda continua quase no mesmo sítio. Usem metáforas melhores e não me parece que a aposta no tudo ou nada seja a melhor num processo que vai tendo anos…

A paciência é a melhor arma, aliada a alguma cirurgia nas acções.

Reparem lá no que se pode inviabilizar, por exemplo, ao nível das coadjuvações… que não podem ser substituídas por quem calha…

Até agora as coisas têm estado a correr bem… não estraguem tudo com excessiva sede em ir beber o pote todo.

Ministério convoca todos os professores para estarem nas escolas no dia da greve aos exames

Orientação foi enviada para as escolas nesta quarta-feira.

… é a que a qualidade da Educação está em causa de forma muito evidente e não apenas um interesse corporativo dos professores que, neste caso, é uma peça (importante, claro) numa luta que não é contra alunos, famílias, seja quem for que não um governo de putos desgovernados e outros políticos de ocasião que parecem não perceber bem ao que andam.

Não que me incomode a acusação de corporativo.

O que me incomoda é que se esteja a passar a ideia – com um beneplácito alargado – de que os professores estão prontos a “prejudicar os alunos” apenas por não quererem mudar de lugar para outro.

Não é isso que está em causa, mas as k7 e mp3 estão em pré-programação e isso chateia.

É como em 2008-09 quando se quis reduzir tudo a “os professores não querem é ser avaliados”, quando o que estava em causa era, antes de tudo, a divisão na carreira e, de forma secundária para muitos, eu sei, um modelo único e concentracionário de gestão.

confirmada pelo Arlindo, aguardo pela capacidade da ressuscitada Plataforma Sindical conseguir o apoio, ou pelo menos a compreensão tácita, da Confap e CNIPE em relação à luta dos professores como componente da defesa dos interesses dos alunos e não apenas da causa específica da mobilidade docente que não diz grande coisa, por exemplo, aos professores contratados ou a quem se sente abrigado e pouco convicto.

Aguardo ainda pelos resultados da abordagem que certamente a dita Plataforma fará à ANDAEP e ANDE para as sensibilizar para a mesma causa. Sem o apoio activo da maioria dos directores (excluo os agnelos da equação) dificilmente a greve conseguirá ter impacto perante uma requisição civil. O que poderia deixar todos satisfeitos, excepto os mexilhões do costume.

Em tempo explicarei porquê, quiçá de viva voz.

Já agora… por uma vez faria sentido uma greve conjunta com a administração pública central e local. Espero que consigam perceber porquê, porque se não perceberem… é porque isto é tudo fogo de artifício e a luta não é uma guerra a sério, mas apenas um torneio floral em que ao MEC basta despachar um par de documentos para esvaziar (quase) tudo.

mas é claro que tudo isto está já a ser feito.

Não é segredo que entre os tanques de pensamento que orbitam este governo e estiveram na origem de algum do seu ideário Margaret Thatcher é uma espécie de mãe espiritual.

Ora… aquela singular e mítica sucessão de vitórias eleitorais esteve quase para não acontecer, em virtude do que estava a ser o descalabro económico do seu primeiro mandato. Tudo acabou por ser salvo pelos argentinos, quando decidiram tomar as Malvinas/Falkland e a Maggie se tornou uma warlady. Só que por cá não temos ninguém que nos invada as Berlengas, sendo que a Madeira nem oferecida com dote a querem com o jardinesco lá instalado com o seu séquito. Então há que ir buscar uma lição diferente na governação da Dama de Ferro.

E os liberaizinhos de tertúlia encontram esse exemplo de firmeza e “liderança” na guerra travada pela sua idolatrada Margaret com os mineiros e os seus sindicatos, em particular com o então muito influente Arthur Scargill. Entre nós não há nenhum sindicato assim tão forte, nem o Arménio Carlos tem um estilo capilar tão arrojado, nem existe uma classe profissional tão vasta e determinada como era a dos mineiros britânicos quando os conservadores decidiram dizimá-los para mostrar como não temiam o movimento sindical.

Mas há os professores, em especial do ensino público. Que parecem ser (ainda) muitos e cujo rasto de demonização, iniciado há meia dúzia de anos por Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues, parece ser fácil de retomar, até porque muitos dos meninos-guerreiros assessores do actual governo parecem nutrir por eles um ódio muito particular, como se sentissem especial prazer em apoucá-los, acusando-os, conforme os momentos, de serem privilegiados mas igualmente incompetentes, uma espécie de aristocracia proletária, qualificada como que por engano, mas no fundo uns inúteis, se bem que relativamente perigosos.

Sei que não faz muito sentido, mas naquelas cabecinhas engomadinhas é tudo assim, muito elaborado mas na base da pobreza intelectual franciscana, alimentada a preconceito, ignorância factual mas muita prosápia e peneirice de quem leu umas coisas e teve aulas em estrangeiro.

(ahhhhh… este parágrafo, embora curto, fez-me libertar uma boa quantidade de toxinas… e ainda não adjectivei tudo o que me apetece)

E então devem ter convencido o actual PM – pessoa que cada vez me aparece abundar mais em convicções que entram pelos ouvidos ou em pastinhas finas – que os professores poderiam ser os seus mineiros, a sua guerra particular, capaz de o mostrar um líder forte, capaz de enfrentar os poderosos sindicatos e interesses corporativos e assim iludir a catástrofe económica em que nos vai rapidamente afundando.

E vai daí o homem chega a Paris e decide dizer umas parvoíces, retomando a tese demográfica que uns imbecis (mmm… a adjectivação de quando em vez alivia a tensão…) insistem em metralhar como se fosse um mantra inescapável, só faltando que recuperem os dados do aldrabado estudo tipo-fmi.

Ora… todos nós sabemos que ele sabe que nós sabemos que… ele disto não percebe nada.

E que mais valia estar calado… até porque os mineiros entraram em guerra aberta, o que termina sempre com uma vitória ou derrota total de uma das partes, enquanto que os professores, se conseguirem ser inteligentes e os seus representantes e líderes (sindicais ou a nível de escola) souberem estar à altura das suas responsabilidades, ganharão muito mais em optar pela guerrilha.

Que, como sabemos, sendo cirúrgica, pode moer quase indefinidamente até à queda do adversário.

É o que espero. E o que desejo.

O que é diferente de ser um post anti-sindicalista. Mas há quem confunda porque dá jeito apontar o dedo. O facto de eu ser crítico azedo de muitos políticos e deputados não me torna anti-democrata, a menos que da democracia tenhamos uma visão muito peculiar.

Dito isto…

… gostava de chamar a atenção para algo que já todos percebemos mas que gostaria de aqui deixar explícito.

  • A UGT tem todo o direito de ir fingir que discute alguma coisa com o FMI e a FNE de servir de gabinete de consultores do MEC.
  • A CGTP tem todo o direito de clamar que a rua é sua e tentar enquadrar todo o tipo de protestos com outros seus, para os esvaziar, assim como a Fenprof de ser uma peça operacional dessa estratégia.

Só que não venham dizer que estão, cada uns de sua maneira, a defender mais do que os seus interesses posicionais. Aos trabalhadores nenhuns estão a defender, seja em forma de soft ou de hard power.

Uma batalha que parece perdida à partida, pelo desequilíbrio de forças e confronto e quase total ausência de apoios, merece ser travada ou deve ser abandonado o terreno para se pouparem as forças para outras, eventualmente mais importantes?

Ora bem… acho que tal dilema não se pode colocar quando quase todas as batalhas foram perdidas, incluindo as mais importantes que foram travadas, algumas exactamente devido a essa táctica da treta…

Adicionalmente seria interessante que quem assim decide e age pudesse repensar a sua forma de estar e mandar os outros fazer.

Para quando, a luta pelo exemplo?

Na peça do Público de hoje surgem declarações do André Pestana (Movimento 3R’s), do Arlindo Ferreira (Blog DeAr Lindo), do João Paulo Silva (Aventar, Fenprof), do Nuno Domingues (Educar a Educação) e minhas.

Quatro dos ouvidos optaram por centrar o discurso na análise da situação, não fazendo comentários depreciativos sobre ninguém. Apesar da desesperança numa nova união forte, ainda existe alguma esperança em espaço aberto há o cuidado de manter alguma civilidade.

Apenas o João Paulo (desculpa mas, se aceitas dar a cara, deves ser tratado como tratas os outros) assumiu que está aí para apontar o dedo e dividir os bons dos maus. Ele é dos bons, quem votou PSD (que ele sabe ter sido a maioria dos professores) ou recebeu bem Nuno Crato como MEC (o meu caso, por exemplo) serão os maus.

A maioria dos professores votou neste Governo, o que agora funciona como uma condicionante. Sentem que, de alguma forma, têm responsabilidade na situação.

Já o João Paulo e os seus não têm responsabilidade em nada, nem mesmo nos acordos e entendimentos de há um par de anos atrás, em especial aquele que aceitou a existência de titulares e visou a domesticação activa dos professores nas escolas. Quando se fala nisso, remoem, resmungam, fingem que foi algo que se passou na Pré-História. Dizem que o passado passou, mas só para eles.

Mas como é que ele sabe quem votou onde? Que sondagem fez? Que estudo do isczé prova o que diz?

No fundo, o seu objectivo é claro… dividir para que ninguém possa reinar, já que os bons se renderam não uma, mas duas vezes no passado, aceitando prestar vassalagem a suserano de seu gosto. Ele (e os que acima dele promovem a coisa) sabe(m) perfeitamente que não tenta(m) unir nada, mas apenas arregimentar os seus, os puros, os bons, os que não votaram mal, os que devem ser os líderes da contestação. Quando se trata de sindicalismo, só devem falar e pronunciar-se os que são de dentro, que votam lá dentro. Mas, fora do sindicato, quem vota já tem uma capital diminuído se votou na Situação, invertendo por completo a sua lógica. Ao votar nas eleições internas da Fenprof, o João Paulo tem o direito de se pronunciar sobre as suas estratégias e não é raro que surjam remoques sobre quem (de fora da Fenprof) analisa criticamente o que fazem, mas quem votou no PSD (ou CDS) não tem o direito de falar seja sobre o que for.

O João Paulo lida mal com a democracia plena, em que todos têm direitos e liberdade de expressão. O problema não é apenas dele, é de muito mais gente. É um problema muito comum em todo o tipo de fundamentalistas puros que, se possível, prefere o silenciamento das alternativas ou a sua instrumentalização do que lidar com eles num plano de igualdade. São os que têm sempre razão e têm vitórias sempre que dão um traque negocial.

Só que já os conheço à distância e sei ao que andam… o objectivo é fazer o que outros não podem, de forma dita mais radical, ao mesmo tempo que engolem as franjas sindicais mais insatisfeitas. E, pelo caminho, desatam a ofender todos os que não pensam como eles como já o fizeram aqui, a várias vozes, dirigindo-se a mim, em comentários ou no próprio FBook, de maneira quase tão odiosa quanto o mafarrico vargas, um dos que se move nas sombras do ataque personalizado a partir da central.

O que aí vem tem paralelo com o que se passou em 2009 com as duas manifestações de Novembro, quando os movimentos independentes avançaram e apareceu o Colectivo a querer açambarcar tudo. Agora temem alguns blogues. Não se percebe porquê, porque ninguém quer o lugar tanto dos mandantes quando dos executantes.

Mais útil seria lerem um pouco de História. Por exemplo, este livro. Para conhecerem o seu passado.

Professores protestam na Internet, para já não confiam em manifestações

 

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