Superficialidades


cigartea

Nada de concreto, uma espécie de nevoeiro, algodão doce nas 3 peças da SIC até agora. Os nomes que já se conhecem, com uma única excepção, um tal Ricardo Oliveira. Montagem espaventosa, música de thriller, mas o conteúdo fica aquém, muito aquém, até agora, do que se anunciava ser uma investigação como nunca fora feita…

Tudo isto está em jornais, em anteriores peças televisivas, e não é de agora.

Entretanto, na RTP, vai ser entrevistado o senhor secretário de Estado que tem aquelas falhas de memória…

Da dúvida: quem é o ceo do ps?

… está no(s) manipulado(s) não se aperceberem de que o são. Se fosse fácil perceber, a arte seria escassa. Claro que, por muito que se tente, atendendo aos objectivos, há sempre migalhas que nos levam à casa.

As contas não se fazem assim, com médias atiradas para o ar, como se fossem dados reais. A sobredotação não se limita a um QI acima dos 130 e não pode ser tratada de forma assim tão leve.

Há muito boa gente com QI acima de 130 que não é sobredotada, apenas é muito inteligente em termos académicos, seja devido a conhecimentos adquiridos seja a um bom poder de dedução ou lógica.

Tratar assim estes assuntos é vulgarizá-los. E vulgarizá-los da pior maneira e da mais ofensiva para pessoas que são muito singulares e não se podem reduzir a fórmulas e médias estatísticas.

Mais de 60 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal

Três a cinco por cento das crianças e dos jovens portugueses são sobredotados. Ou seja, têm um QI superior a 130, quando o da média da população ronda os 100%. São cérebros cheios de potencial, à espera de serem descobertos. Podem ser capazes de ler aos dois anos, mas não desenvolvem todas as suas capacidades ao mesmo tempo. Desfazer os mitos de que são infalíveis e capacitados em todas as áreas estão entre os objectivos das associações que os apoiam.

BPN teve licença para construir Hotel Hilton em Lisboa

Foi agradável, porque a senhora/menina da sonda(gem) da Intercampus era simpática e acabou a rir-se com parte das respostas que lhe dei, pois estava a acabar de ler um guião para a implementação dos novos programas de Português (o da escrita só foi colocado online a semana passada) e apetecia-me esparvoar um pouco.

Estava em modo desvinculativo, mas suave.

O que achava eu do desempenho dos candidatos nestes últimos dois dias e que assunto me tinha chamado mais a atenção. Armei-me em original e disse BPN. Quanto ao desempenho dos candidatos, não faço ideia, pois não me meto em assuntos de lençóis (mais coibi-me de partilhar este pensamento com a sondadora).

A seguir perguntaram-me que expectativas tinha em relação a um segundo mandato de Cavaco Silva: altas, médias ou baixas. Mandei colocar a cruz no médias porque não tenho nenhumas.

Depois perguntaram-me em quem iria votar. Em ninguém. De que partido me sentia mais próximo. Felizmente de nenhum.

Perguntou-me a idade e se podia saber o primeiro e último nome.

Poderia vir a ser o início de uma bela amizade, mas não lhe fixei o nome e o número no visor era desconhecido.

Piloto Automático

Kate Perry e Snoop Dogg, California Gurls

Caramba, é sábado à noite, alguma indulgência…

E quem diz que não há profundidade em líricas como esta?

California girls
We’re unforgettable
Daisy Dukes
Bikinis on top
Sun-kissed skin
So hot
we’ll melt your popsicle
Oooooh Oh Oooooh

Ou o Snoop Dogg a cantar (?):

Homeboys
Hangin’ out
All that ass
hanging out
Bikinis, tankinis, martinis
No weenies
Just a king
and a queen-ie

Alguém me explica o que isto quer dizer (p. 49)?

Promover a qualidade das aprendizagens e valorizar a escola pública como instrumento para a igualdade de oportunidades
a) Consolidar a organização curricular da educação básica, garantindo uma maior coerência e articulação entre os ciclos de estudos e introduzindo, sem rupturas desnecessárias, melhorias e aperfeiçoamentos na organização do currículo e das aprendizagens;

Não percebo o que significa consolidar a organização do ensino básico. Consolidar é dar mais consistência ao que já existe. É sublinhar algo, acentuando os traços que já existem. Fica-se sem perceber bem o que pode significar isto para os três ciclos de escolaridade existentes.

A parte da maior coerência e articulação entre os ciclos é demasiado vaga para servir para uma análise séria, pois não apresenta a matriz-base da articulação: concentrar as áreas do terceiro ciclo à imagem do segundo ou mesmo do primeiro? Ou diversificar as do primeiro à imagem dos restantes? Homogeneizar tudo? E vai existir uma fronteira muito definida em relação ao ensino secundário? O que aqui se diz, não diz nada. Apenas se afirma que se vai mexer em alguma coisa e o que vem a seguir não é de molde a perceber-se ao que se anda.

Introduzir melhorias e aperfeiçoamentos, sem rupturas dsnecessárias, na organização dos currículos não é aquilo que se deve fazer sempre?

Mas que melhorias, em que sentido?

E já agora, o que significa introduzir melhorias e aperfeiçoamentos, sem rupturas ndesnecessárias, nas aprendizagens?

Vão obrigar os alunos relapsos a estudar mais, mas com jeitinho?

Agora é tudo muito mais soft, acreditem…

Quem não tem medo do primeiro dia de aulas?

Chegou a altura de os pais prepararem os filhos para o regresso à escola. Vêm aí choros, birras e muita agitação.

Sinceramente, acho que este tipo de abordagens resulta em muito da projecção de medos antigos dos adultos nos seus rebentos, cuja ansiedade são porventura os primeiros a alimentar.

A petizada destes tempos já fez a pré e vai para o 1º ciclo sem tantos dramas de separação. Os que vão para as EB 2/3 já as visitaram no final do ano anterior. Tudo é muito diferente.

O maior problema são mesmo alguns traumas parentais…

Acho que a matéria ainda não está na edição online do jornal I.

I21Jul092

É um assunto que me diverte pela sua irrelevância prática.

Na esmagadora maioria dos casos, os pais e encarregados de educação já colocam os filhos e/ou educandos onde muito bem entendem, desde que exista vaga e sejam bem-vindos.

Vamos ser sinceros: só não consegue escolher a escolha dos seus filhos quem não a poderia escolher de qualquer maneira, mesmo com um método de escolha livre. Porque ou não teria meios para o efeito – e os efeitos de um eventual cheque-ensino seriam quase residuais – ou então porque os métodos de selecção das escolas melhores os manteriam fora, por não cumprirem os critérios mínimos ou serem indesejáveis.

A verdade é esta, mas é sempre interessante ver este tema renascer de forma periódica, normalmente a partir de uma direita que se afirma liberal e bem-pensante.

Por mim, que não me costumo achar muito de direita, tanto se me faz. Liberdade de escolha ou não.

A favor, tenho o argumento de, caso fosse legislada a total liberdade de escolha, a discussão ficar resolvida por uns tempos (poucos) até se perceber o falhanço da medida ou, no mínimo, o pouco que alteraria no panorama educativo nacional. Contra tenho a evidência de, onde a prática está mais instalada (EUA) o modelo acabar com a guetização socio-escolar da miudagem.

Por isso, o melhor mesmo é decretarem de jure algo que já existe de facto. e pelo menos haveria todo um largo sector da opinião sobre Educação que ficaria sem razão para protestar.

Plano Tecnológico é um “poderoso meio” para melhorar os resultados escolares

O coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE), João Trocado da Mata, considerou hoje que o PTE é “um poderoso meio” tendo em vista a melhoria do ensino e dos resultados escolares dos alunos. “Todo este esforço contribui decisivamente para modernizar os processos de ensino e de aprendizagem”, afirmou o responsável.

Segundo o coordenador do PTE, estudos internacionais mostram uma “correlação positiva” entre a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em contexto de sala de aula e o aproveitamento escolar dos estudantes. O Plano Tecnológico do sector representa um investimento de cerca de 400 milhões de euros e pretende colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino.

Sublinhando a importância do plano ser “apropriado e mesmo reclamado” pelas escolas, João Trocado da Mata manifesta-se “optimista” em relação à sua concretização, fazendo um balanço “positivo” quando está prestes a assinalar-se um ano sobre o seu lançamento. “O valor do investimento é suficiente para cumprir o desígnio definido pelo Governo, sobretudo tendo em conta as estimativas iniciais. No concurso público internacional das redes de área local foi possível baixar em 30 por cento o valor previsto para a sua aquisição. Estou certo de que nos outros concursos acontecerá o mesmo”, afirmou.

Digam-me lá se não é sempre emocionante ver o entusiasmo de um Coordenador no sucesso da acção da instituição, projecto, plano, grupo de trabalho ou estrutura de missão que coordena?

Já quando era petiz e por vezes acompanhava a minha mãe na ronda das compras ficava admirado porque se dava ela ao trabalho de perguntar ao vendedor se a fruta era boa, o peixe fresco ou a carne tenra… Acaso esperava que dissessem mal do produto que vendiam?

Ela explicava-me que era uma questão de confiança pessoal, mesmo quando repetidas vezes se revelava terem sido erróneas as indicações recebidas.

Agora nem a questão da confiança pessoal – valor em manifesto desuso – se coloca portanto isto entra por um ouvido (ou é lido por um olho meio distraído) e faz ligação directa com o canal de saída…

Pacheco Pereira pertence a um grupo restrito de opinadores que tem vivido dilacerado pela acção de Maria de Lurdes Rodrigues. Embora opondo-se ao Governo do PS, JPP tem aquela volúpia da «reforma» e da «mudança» que o faz sentir uma atracção desmedida sempre que ouve aqueles termos e/ou tem a sensação que algo do género está a acontecer que possa ser considerado «reformista» ou capaz de «mudar» alguma coisa. Por isso, a forma absolutamente desastrada como MLR sempre tentou justificar as suas erradas políticas era usada como pretexto para a criticar, mas sempre com o desejo implícito de poder elogiá-la caso a catástrofe comunicacional fosse menor.

Ora nos últimos tempos MLR passou de péssima comunicadora das medidas do ME para «regular» repetidora do discurso oficial do ME. JPP assinala isso mesmo e aproveita para usar isso como pretexto para saudar a prestação da Ministra da Educação. É o que se depreende de parte da sua crónica desta semana na Sábado e a este hora (dia 1 de Maio, 19 horas) ainda não disponível no Abrupto.

Note-se que, para fazer esse elogio, JPP – contra tudo o que sempre escreveu sobre política – parece fazer privilegiar a forma da comunicação por sobre a substância das medidas. Pior: admite que só agora percebeu verdadeiramente o âmbito e a «extensão das mudanças». Parece que JPP só pelo efeito da repetição e popularização de termos como «professor titular» passou a entendê-los, asim como a distinção entre «carreira» e «avaliação».

Eu pessoalmente não acredito, pois tenho a perfeita certeza que JPP é mais inteligente do que isso e que até agora não opinava sobre as medidas do ME com base nos discursos e entrevistas de MLR, mas com base na documentação existente. Nem poderia ser de outra forma. JPP não opina com base em soundbytes.

Por isso mesmo estranho que JPP surja agora a estender o braço a MLR – mesmo se é para alfinetar o estilo de José Sócrates – como se só três anos depois tivesse percebido a natureza da política do ME.

Assim como estranho que JPP pareça, apesar deste tempo todo e da súbita «iluminação» que o acometeu, confundir coisas que são completamente díspares quando afirma algo como «os professores deixam de ter uma “avaliação” comparativa nacional, feita pela nota do curso e pela antiguidade, e passam a ser avaliados num universo de proximidade, nas escolas, pelos seus pares.»

Esta tirada contém mais erros e equívocos do que seria razoável em duas centenas de caracteres.

Vamos lá devagarinho, esperando que JPP dê por este post:

  • Os professores nunca foram avaliados de forma comparativa pela nota dos cursos e antiguidade. Os professores tinham uma classificação profissional para efeitos de concurso com base nessas notas e na sua profissionalização.
  • Os professores, para efeito de concurso, continuam a ser escalonados com base na tal nota e antiguidade.
  • Em matéria de «avaliação», os professores já eram classificados pelos «pares», «num universo de proximidade». Aliás, essa era uma das críticas ao modelo anterior: o facto de a avaliação ser feita em circuito fechado e de forma igualitária. JPP não percebeu ainda isso. A esta altura também não vou re-re-explicar o processo de avaliação dos docentes até sermos congelados.
  • Agora é que deixarão de ser avaliados dessa forma, pois serão avaliados por professores que deixaram de ser seus «pares» e muita da «proximidade» será quebrada. Isto muda alguma coisa, mas não muda tudo, pois esta avaliação incide sobre a progressão mas não, por exemplo, para efeitos de concurso, pelo menos por agora.

Coloquemos dois exemplos para demonstrar como JPP está profundamente errado.

  1. Por exemplo, um docente consecutivamente avaliado com Muito Bom ou Excelente, desde que não exista vaga, estará sempre abaixo de um docente «titular» com avaliação de Bom.
  2. Por outro lado, para efeitos de concurso e colocação, a «avaliação» não tem interferência na hierarquização dos candidatos, pelo menos por agora como acima escrevi. Um docente com uma média de curso de 14 valores e 15 anos de carreira e menção de Bom estará sempre à frente de um docente com média de 14 e 10 anos de serviço, mesmo se com a menção de Excelente. A JPP – como a muitos que acreditam na propaganda que ouvem – falta o conhecimento efectivo das technicalities disto tudo. Mas nem por isso hesitam em escrever coisas completamente desfasadas da realidade.

Por fim, um reparo necessário: para passar a apoiar as «reformas» de Maria de Lurdes Rodrigues, Pacheco Pereira poderia ter encontrado um caminho mais directo e límpido. Admitia que para ele um cheiro de «mudança» chega para o fazer arrebitar o verbo. Não interessa se a mudança é boa ou má, se os seus efeitos são positivos ou não. Se as declarações da MInistra são fiéis aos factos ou não.

É «reforma»? Então é bom!

Muito curto como forma de argumentar e justificar uma colagem tardia às políticas do ME.

A equipa directiva do Expresso perdeu qualquer vago pudor em assumir o seu alinhamento nas questões da Educação e hoje volta ao ataque contra os professores e os sindicatos, usando todo o tipo de pedras para atirar, mesmo as que sabem ser pouco transparentes.

Vejamos, por ordem.

1.

Fernando Madrinha menoriza a manifestação do outro sábado, considerando-a «Uma Vitória Inútil» e daí partindo para a já habitual diatribe contra os sindicatos. Elogia a MLR (terá Madrinha sio também um velho anarquista?), ajuda acirrar os ânimos ao afirmar que o ME não cede em nada e acha que se a Ministra se conseguisse fazer ouvir nas Escolas tudo serenaria.

Não compreendo se Fernando Madrinha acredita no que escreve, se o faz já em piloto automático. Opto por esta segunda hipótese, porque a primeira implica que ele acredita que a esmagadora maioria dos docentes não passa de uma caterva de surdos que não «ouvem» a Ministra e não a «compreendem».

Depois, para exemplificar como há entre nós quem seja excelente e por isso mereça reconhecimento internacional pelo seu trabalho, destaca o caso de Nuno Crato, curiosamente um dos mais notáveis críticos da política educativa deste Governo para a sua área de especialidade.

Isto significa uma de duas coisas: ou Madrinha não percebe claramente o que se passa neste mundo da Educação ou então admite que, mesmo criticando-se a Ministra, se pode ser excelente.

2.

No editorial não assinado da página 44, escreve-se que:

É certo que 100.000 professores são dignos de ser ouvidos e compreendidos, como o são os grevistas da Função Pública. Mas não é menos certo que convém entender a perplexidade de muitos que não querem ou não têm oportunidade de se pronunciar. Daqueles que pensam que a reforma da Função Pública é urgente e dos que acham que as escolas não podem continuar a funcionar como funcionam.

Todas as opiniões são aceitáveis, quando fundamentadas e demonstradas, em especial de forma coerente. Ora o que bem sabemos é que, em matéria de opinião, o Expresso é o refúgio de todos esses pseudo-perplexos que produzem artigos de opinião, sobre artigo de opinião, defendendo essas posições que o editorialista afirma não terem «oportunidade de se pronunciar». Pelo contrário, o que é visível é que, só com muito esforço, opiniões individuais articuladas do grupo profissional dos professores passam o filtro editorial do Expresso. Opinião de profe vai directamente para um cantinho, truncada quanto possível. Houve uma excepção, da colega Dalila Mateus, mas foi arrancada a ferros e mesmo assim, meio de esquina na página. Por isso, o editorialista do Expresso teria muitas vantagens em olhar para a forma como corta a voz dos professores e, em contrapartida, a dá a quem faz parte do clube restrito dos políticos, nados e criados nos Liceus da capital e que há 35 ou 40 anos eram todos colegas, mesmo se acabaram mais de vermelho ou cinzento. Um qualquer vulto de terceira linha do PSD espirra e ai-jesus, tome lá meia página para explicar a origem da constipação.
3 .

Por fim, as três colunas em que Henrique Monteiro revela como novidades luminosas, dados que circulam há meses e anos em mails na net. Como qualquer neófito chegado a uma matéria cheia de números, Monteiro deleita-se no que é corriqueiro para milhares de investigadores e professores na matéria. Henrique Monteiro anuncia, de forma pouco modesta, «Números sobre Educação que o vão espantar». Maravilhas mil, minhas senhoras e meus senhores. Depois, percebe-se que o articulista se resumiu a respigar uns dados no site da OCDE e mesmo assim de forma pouco hábil ou então muito selectiva para acentuar três ideias: os professores ganham muito; o ensino privado devia ser mais apoiado; o Estado gasta imenso dinheiro na Educação. Claro que H. Monteiro não viu, ou não soube, ver algumas tabelas com os gastos com por aluno ou medidas de eficiência, por exemplo com relação ao desempenho em Matemática (onde os valores não são bons, mas se percebe que os gastos envolvidos são de ordem média). Só que isso perturbaria a limpidez e simplicidade da demonstração pretendida, a saber: mais ensino privado, menos investimento na rede pública, os professores são os culpados.

São opiniões, pena é que Henrique Monteiro não saiba mais do que juntar uns números, sendo incapaz de analisar a Educação na perspectiva da organização curricular dos ciclos de escolaridade, do modelo de avaliação, do tipo de perfil desenhado pelos documentos oficiais, ou mesmo das constantes inflexões legislativas, preocupadas com efeitos de curto prazo que comprometem o sucesso a médio ou mais longo prazo.

Nem sequer lhe parece ocorrer que se existe um baixo output de «sucesso» para um teórico elevado input financeiro, provavelmente não serão os professores os responsáveis pela alocação desses recursos ou pelo desenho do sistema.

Mas provavelmente, para ele, como nem sempre se podem traduzir em números (seria interessante saber se há estatísticas sobre leis produzidas na OCDE sobre Educação, por país, por cada ano lectivo), estas questões não sejam «factos».

Ou «factóides».

Hoje, no final da ronda negocial com as duas federações, o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou, em conferência de imprensa, que o ministério “não negoceia sob ultimato”.Em resposta, a Fenprof ameaçou recorrer aos tribunais por considerar ilegal o regime simplificado de avaliação de desempenho que o ministério acordou esta semana com o Conselho de Escolas.

“Os procedimentos simplificados anunciados pelo Ministério da Educação são completamente ilegais porque representam uma alteração ao diploma que não foi negociada, nem publicada em lado nenhum”, defendeu o secretário-geral da Fenprof, no final da última reunião com a tutela. Mário Nogueira considera que o Conselho de Escolas, com o qual a tutela chegou a acordo, “não tem competências para negociar e fazer acordos, o que representa outra ilegalidade”.

Para a Fenprof, o ministério só tem duas saídas: “aplicar o regime de avaliação, tal como está previsto no diploma, ou suspender o processo, se não houver condições para o fazer”. “Tudo o que forem aplicações diferenciadas e procedimentos mínimos é à margem da lei”, reforçou o dirigente sindical.

Considerando que “já não há mais negociação, uma vez que o Ministério da Educação está totalmente inflexível”, Mário Nogueira adiantou que a Fenprof vai reunir com as outras estruturas sindicais do sector para avaliar a situação e discutir outras formas de luta. “A greve está sempre em cima da mesa”, afirmou. (Público)

De manhã, interrogava-me sobre a quem interessaria a ausência de uma solução para este imbróglio. Ao cair da tarde, parece que a resposta é óbvia e é partilhada pelos intervenientes institucionais neste processo.

Se o comportamento errático do ME é algo incompreensível, a voz grossa da Fenprof também não ajuda nada.

Fazem-me lembrar aqueles duelos verbais Pinto da Costa/Vale e Azevedo em vésperas de Benfica-Porto ou vice-versa.

Quando os interlocutores decidem falar de mais fora do relvado, arriscam-se a que o clima no dia do jogo esteja quentinho, no campo e nas bancadas.

O problema é que os jogadores, desta vez, se calhar também poderão ficar surdos a tanto disparate.

O ME percebeu que errou e tenta recuar para posições algo mínimas, dando boa parte do território a um adversário que parece mais interessado numa humilhação pública do que na resolução do problema.

Porque há algo que não percebo: o que impede que este «processo simplificado» venha a ter formulação legislativa?

E o que critica exactamente a Fenprof nessa simplificação? Prefere o modelo original? Tem outro?

Vai para Tribunal exigindo a reposição da legalidade legal legalíssima do decreto original?

Isso faz sentido?

Não seria melhor assestar baterias agora no objectivo essencial? Apresentar alternativas ao modelo de carreira proposto pelo ECD e apostar na declaração da nulidade jurídica de alguns dos seus aspectos, assim como fustigar os elos fracos do novo modelo de gestão escolar?

Vamos sacrificar os objectivos essenciais em nome da conquista total do que é acessório?

Não perceberam já que o modelo de avaliação do ME morreu, bem antes de chegar à praia?

Agora resta a luta, escola a escola, a agrupamento a agrupamento, em nome da anunciada autonomia, para que a sua aplicação seja feita da forma transparente.

Que todos os que se opunham ao modelo de avaliação pelo seu carácter burocrático e formalista – grandes críticas partilhadas por todos, a par da existência de potenciais critérios abusivos – agora demonstrem, pela sua prática, que na sua esfera de acção, têm propostas alternativas credíveis e exequíveis.

Neste caso o ME não recuou, pura e simplesmente abandonou quase todo o terreno de batalha.

Há que mudar a mira. O tiro agora tem de ser dirigido a outro(s) alvo(s). Ao(s) que mais interessam.

O estudo encomendado pela FNE à sua antiga líder Manuela Teixeira sobre as propostas governamentais na área da gestão e administração escolar tem muitos pontos de interesse, merecendo algum destaque na imprensa do final de semana.

Espero que o mesmo seja disponibilizado no site da FNE – e não apenas as notícias sobre ele – para melhor o analisar, sem ser pelo que surge na comunicação social.

No Público (sem link) de hoje vem uma súmula de conclusões onde ressalta o receio pelos CE’s da conflitualidade que pode surgir de uma excessiva intromissão das autarquias na vida das escolas. É um receio que partilho, em especial se as ditas autarquias receberem, em outro pacote paralelo, competências sobre a contratação do pessoal não docente numa primeira fase e sabemos lá o quê numa segunda.

Mas o pior é que esta peça termina com uma conclusão atribuída ao estudo que acho especialmente disparatada:

Como aspectos positivos da proposta, o estudo realça “a sujeição do director a concurso público”.

O que significa que este interessante estudo realça como aspecto positivo exactamente o que está de forma mais clara em contradição com a Lei de Bases do Sistema Educativo.

Pois, provavelmente Manuela Teixeira nem era dirigente sindical de topo, nem sequer próximo do Governo, quando a LBSE foi elaborada. E nem sequer falo sobre as suas (inexistentes) críticas ao modelo de administração escolar que lá se preconiza.

Agora, gostaria de saber se a FNE e João Dias da Silva em seu nome, têm a mesma opinião: se a sujeição da ocupação do cargo de Director Executivo é mesmo melhor por concurso público ou se devemos respeitar o método electivo que a LBSE determina, embora alguns pareçam achar um resquício de algo que se deve ignorar, mesmo não assumindo isso com frontalidade.

Se assim é, se a FNE aceita o «procedimento concursal» como o melhor método de selecção da Direcção Executiva, pelo menos começamos a entrever aqui uma separação de águas nesta questão e a sabermos com o que contamos em matéria de alguma acção sindical em termos de contestação política e jurídica do diploma em projecto.

A outra hipótese é que Manuela Teixeira se deixou embalar pelas suas convicções pessoais (que transparecem ainda mais na peça do DN sobre o mesmo assunto em que praticamente defende as medidas do ME) ou por alguns PCE’s mais entusiasmados (erradamente) com um adivinhado admirável mundo novo por 9 anos que os deve conduzir praticamente até à aposentação.

Com amigas destas, que podemos esperar dos adversários?

Mas disto extrai-se uma lição adicional: este estudo tem muito mais destaque na imprensa do que as tradicionais acções de luta, vigílias e etc da Fenprof esta mesma semana. Algo que deveria fazer pensar muita gente, não se refugiando apenas nas cómodas teorias da conspiração.

Não é a Bruna, mas é a Bruni e, mal-grado o mau-feitizinho do pequeno gaulês com ar de personagem de bd, o Sarkozy continua a surpreender-me pela positiva. É que a miúda (salvo seja, que é quase da minha idade) até participou em manifestações contra as leis dele como Ministro do Interior.

José Sócrates deu uma entrevista ao Libération, cuja análise é motivo de peça jornalística no nosso DN (à falta de melhor digere-se o que vem de fora). Esta é a parte em que o nosso primeiro declara as suas afinidades políticas:

Ao enviado do “Libé”, Sócrates elege como modelo político o blairismo britânico: “Gosto muito dos trabalhistas britânicos que fizeram muito para a renovação do pensamento socialista na Europa.” Afirma que “não se reconhece de todo” no socialismo à francesa, que considera “ultrapassado”. “A afirmação dos partidos socialistas faz-se ao centro”, diz. Mais, segundo Sócrates: “O que é que diferencia a esquerda da direita? A igualdade. Mas, para mim, o primeiro valor, aquele que se sobrepõe aos outros, é a liberdade. Eu sou, pois, um democrata socialista.”

O resto também é de bom nível, sendo de realçar a admissão de provincianismo por parte de JS.

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Num número recente da New Yorker relatava-se a caricata situação de, nas acvtividades da abertura no ano lectivo na Universidade de Nova York, a par de outras iniciativas, existir um seminário subordinado ao tema Facebook in the Flesh destinado a orientar novos alunos quanto à melhor maneira de de relacionarem pessoalmente com os seus novos colegas.

Aparentemente, depois de saberem da sua admissão, ou mesmo antes, durante o processo de candidatura, muitos futuros alunos inscrevem-se em fóruns online, de que o Facebook é uma das plataformas mais populares, para contactarem virtualmente os seus futuros colegas. Nessas redes de amizades chegam a “conhecer” e tornar-se “amigos” de centenas de futuros colegas mas, depois, o contacto pessoal revela-se difícil e intimidatório, não valendo de nada os aparentes gostos comuns longamente discutidos em salas de chat e mostruários como o dito Facebook (ou como por cá o HI5, o Ringo, Netlog, etc, etc).

A adição/dependência das redes virtuais de amigos acaba por atrofiar as capacidades de socialização interpessoal e, como alguns confessam, o contacto cara-a-cara torna-se complicado e embaraçoso.

Pelos vistos se o vídeo acabou com as estrelas de rádio, a net ainda acaba com as estrelas de carne e osso.

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