Suécia


Swedish Trade Minister Borelius Resigns

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Borelius, 46, came under intense pressure this week after Swedish media revealed she had hired a nanny in the 1990s without reporting it to tax authorities and paying the required employment fees.

She made matters worse by saying she couldn’t afford to hire a nanny legally, although tax records showed she and her husband had a combined income several times that of an average Swedish family.

Swedish cabinet toppling over unpaid TV fees

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Cecilia Stego Chilo resigned today after a week of intense media pressure following the revelation that she had an unpaid TV licence bill estimated at 15,000 kronor (£1,160).

Since her job as culture minister includes overseeing policies concerning Sweden’s public service broadcaster, SVT, Ms Stego Chilo said she considered her position untenable.

 

Descentralização da educação: como se fez lá fora

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No ano 2000, os estudantes suecos apresentaram resultados acima da média dos países sujeitos aos testes PISA, que avaliam o desempenho académico dos alunos de 15 anos em áreas como a matemática, a ciência e a leitura. A partir dessa data, no entanto, a performance da Suécia começou a baixar significativamente. De tal forma que a OCDE escrevia em 2014 que “nenhum outro país participante no PISA viu um declínio tão acentuado da performance dos seus alunos como aquele que aconteceu na Suécia na última década”.

De acordo com o relatório da OCDE já citado, a igualdade na educação na Suécia também se deteriorou. Nos testes PISA de 2000, 2003 e 2006, o impacto do background socioeconómico dos estudantes nos seus desempenhos académicos era abaixo da média. Esta situação mudou significativamente em 2009, altura em que aumentou substancialmente o peso da origem social e económica dos alunos no desempenho em termos de leitura. Esta situação pôs a Suécia acima da média neste indicador.

Ao Observador, Leif Lewin disse que o processo de descentralização da educação na Suécia aumentou a desigualdade na educação, uma vez que as famílias com mais posses “utilizam a possibilidade de escolher a escolha dos filhos em maior grau do que outros grupos”.

Na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do estudo governamental, o professor de Ciência Política disse aos jornalistas suecos que a reforma do sistema educativo tinha sido “brutal” e criado “desconfiança em vez de confiança”. Leif Lewin apresentou um diagnóstico claro: “o controlo municipal das escolas foi um falhanço”, uma vez que “nem os municípios, nem os diretores de escola, nem os professores estavam à altura da tarefa.” Em consequência, “os resultados académicos desceram, tal como a igualdade e a atitude e motivação dos professores”.

Desde 2008 que os sindicatos dos professores suecos têm reivindicado uma posição mais central do Estado na gestão das escolas. Jan Björklund, que até 2014 foi ministro da Educação, defendeu a renacionalização das escolas. Processo que, como confirmou Leif Lewin ao Observador, está já em curso. “A recentralização do ensino na Suécia já começou.” 

Na investigação conduzida por este professor fica claro não ser possível regressar ao sistema anterior à municipalização. “Um sistema educativo moderno que responde perante um Governo central exige uma organização governamental a nível regional ou local com uma certa independência do Governo e das autoridades centrais de educação. Mas o Governo central não pode abdicar das suas responsabilidades na educação”, lê-se.

O artigo vem originalmente do Financial Times, esse bastião do esquerdismo estatista.

É apenas mais um dos vários balanços muito negativos das reformas introduzidas na Suécia na primeira metade dos anos 90, no sentido de desregular, liberalizar e localizar as políticas educativas.

Num páis, muito mais rico do que o nosso, com uma tradição de descentralização muito forte e baixos níveis de desigualdade, o descalabro foi o que se anda a ver há uns anos e que motivou uma inversão nas ditas políticas nos últimos anos.

Mas, entre nós, a coligação dos laranjinhas com os azuis-cueca, continua a insistir em algo que já sabemos não funcionar.

Os “investigadores” que dão apoio a grupos parlamentares, a tertúlia dos economistas insurgentes apalermados, os queirozes&muñozes com muitas viagens aos states para “observar”, tornaram-se um impressionante grupo de pressão em direcção ao penhasco.

E o actual PM e o seu séquito – que só em universidades de Verão de vão de escada conseguem dar uma aula de uma hora sem serem calados – engolem a fórmula sem qualquer capacidade de análise critica das teoriasbu-cosmopolitas (e de novo com aquele tom aflautado que nos lembra alguém) do ministro Poiares mais do secretário Lomba.

Eu até acredito que exista quem, de boa fé, ainda acredite – como qualquer bom marxista-leninista – que a culpa não é da teoria mas do que os homens fizeram com o liberalismo/socialismo real e que se deve continuar a insistir no que sabemos ter falhado.

Mas…

E existe um MEC para quê, se assina de cruz todo o disparate?

Suecos decepcionados com sistema de educação

Nenhum outro país europeu confiou uma fatia tão grande da educação dos seus filhos a empresas privadas como a Suécia. No entanto, à medida que o número de ‘friskola’ aumentava, a confiança da Suécia nas escolas com fins lucrativos diminuía.

… alguém deve mostrar-lhes estas coisas. O artigo tem meses e é do The Economist, que está longe de ser um publicação de squerdistas estatistas e despesistas.

Fixing Sweden’s schools

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What went wrong? Money is not the problem. Free education from primary school to university has long been a pillar of Sweden’s welfare system, and public spending on education is among the world’s highest, according to the OECD (see chart). Immigration is high, though this according to Skolverket—the National Agency for Education—had only a marginal effect on overall results.

Mr Bjorklund blames the poor results on the period when the Social Democrats were in charge. Others say poorly paid teachers are at fault. The profession, once highly regarded, has seen salaries fall far behind other jobs requiring a higher-education degree. The student demand for teaching programmes is so low that almost anyone applying will be accepted. As many teachers approach retirement, unions warn of a teacher crisis ahead. In hopes of making the job more attractive, a career programme with better pay was launched this year.

A growing gap between schools is another reason, says Skolverket. Sweden is now one of the few countries to show both worse results and more inequality. Free school choice is a contributing factor. The system, introduced 20 years ago, allows parents to choose between municipal schools and independent schools, all financed by tax money. The aim was to increase quality by competition, but it has also led to the best students flocking to the same schools.

Many worry that school inequality will spur segregation. Extra resources for schools with weaker students could be a solution but abolishing independent schools is not on any party’s agenda. Polls show a majority of Swedes want to keep the free-school choice. Still, letting private companies run tax-funded schools is controversial. Critics say profit-seeking puts quality at risk. In the wake of several school companies’ bankruptcies, the government has indicated that private-equity funds will no longer be welcome owners.

Reforms

What reforms and major changes is the Government proposing?

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  • As far as possible, municipal and independent schools are to have a common regulatory system. The point of departure is for the same rules to apply regardless of the responsible body. At present, the same rules apply in principle only when this is specifically stated. In order that independent schools can continue to have special educational profiles, certain limited exceptions will be possible.
  • As far as possible, all types of school are to be governed by common regulations where this is appropriate. The creation of a more uniform structure will make it easier for those interpreting and applying the Act.

Education in Sweden

The quality of Swedish education has been keenly debated over the past decade. As a result, Sweden has implemented school reforms in recent years to improve results and raise the status of the teaching profession.

… que o nosso governo se comprometeu a implementar para garantir certos apoios pré-eleitorais.

Resta saber a que ponto chega o desvario…

Sweden rethinks pioneering school reforms, private equity under fire

Mas, claro, entre nós há quem saiba mais sobre a educação na Suécia do que os próprios suecos…

… é o de Fernando Adão da Fonseca no Público de hoje em defesa da sua dama – o Sistema Público de Educação Sueco, assim com as maiúsculas nem sempre reservadas ao português.

Queixa-se FAF que quem se opõe às suas ideias é um inimigo da liberdade. Nem mais, nem menos.

Pub7Dez13

Sendo eu adversário  da falhada reforma educativa sueca e da adopção de algumas das suas medidas entre nós, serei um desses inimigos da liberdade e como tal, gostaria de responder muito brevemente a FAF sobre a forma como estas polémicas se podem desenvolver de forma transparente, honesta intelectualmente e tal.

  • Em primeiro lugar, não tente colocar num patamar moralmente inferior aqueles de quem discorda, sem ter qualquer fundamento válido para o fazer.
  • Em segundo, adjective e destrate os seus adversários só depois de apresentar factos. quando os apresentar, não faça pela metade. Não diga que uma certa medida leva a ganhos de 10 pontos quando a fonte refere que, em alguns casos, pode levar a aumentos de 1 a 10 pontos. É muito diferente.
  • Em terceiro, use factos que não se baseiem numa única fonte mais agradável, omitindo as restantes desagradáveis, incluindo o testemunho de especialistas suecos trazidos pelo próprio FLE a Portugal, numa sessão em que tive o imenso prazer de participar. Não enuncie certezas, quando nem sequer as explicita com clareza. As coisas foram ditas à nossa frente, não há como negá-las.

Pub7Dez13a

  • Na utilização dos factos não faça relações unívocas não contextualizadas do género “mais escolas independentes = mais sucesso educativo” sem ousar entrar pelo território movediço da caracterização do corpo discente das escolas, pois agora já se sabe que aquela fórmula resulta de fenómenos de segregação social. Felizmente, FAF é suficientemente elegante para não ter usado o argumento da imigração como explicação para o insucesso sueco, coisa que alguns seguidores do FLE não se coibem de fazer sob anonimato.
  • Quando citar um estudo como recente, não hesite em dizer que é de 2008, com dados de alunos formados de 1988 a 2003. Não hesite ainda em usar citações como esta:

There is no evidence that an increase in private schooling at the compulsory level has an effect on subsequent university attainment or years of schooling. Thus, we conclude that the positive first-order effect on 9th grade performance vanishes over time. It does not seem to be large enough to lead to lasting positive effects.

Ou:

Given the large increase in private enrollment 1995-2003, this suggests, in line with our findings, that school choice and competition is not a panacea for improving overall educational achievement. Our results are also in line with the evidence in Hsieh and Urquiola (2006) who examine Chile’s voucher program. This is interesting since large-scale private school choice reforms are rare, and rarely assessed.

O estudo em causa é este e é facilmente googlável: dp3691.

Ahhhhhhh……….. mesmo aquele detalhe final… não pretenda saber melhor do que os próprios suecos o que é melhor para eles, limitando-se a reproduzir as opiniões daqueles que na Suécia partilham as suas opiniões e posições políticas. Isso é que é truncar a informação, ser preconceituoso e mais aquilo tudo de que acusa quem discorda de si.

No meu caso, quando critiquei os defensores da reforma sueca de 92 limitei-me a ser claro numa coisa factualmente demonstrada ao longo da última década: é mentira que ela tenha melhorado a performance de todo o sistema, servindo apenas para um grupo restrito se elevar à custa da maioria, algo que não gostaria de ver em Portugal. Não sei se é isso que FAF pretende. Ao contrário dele, não o considero um inimigo da equidade e da justiça social.

Sweden’s education minister, Jan Björklund, said the Pisa results were “the final nail in the coffin for the old school reform,” and speculated that the central government could take over running schools from Sweden’s municipalities.

Sweden’s education minister on Tuesday blamed the country’s fall from grace in the Pisa global education ranking on municipalities’ “lack of competence”, saying his government should have nationalized the schools already seven years ago.

Realmente, há países onde os políticos admitem os seus erros.

Já há uns mês a coisa era antecipada:

In the first study, in 2000, Swedish pupils performed a lot better than those in most other countries. But even as the country’s schools inspired imitators elsewhere, their results have deteriorated. In 2009 Sweden’s overall score fell below the OECD average. Other rankings show a similar trend.

“I assume the results will continue falling. It will take several more years before the positive effects of our policy begin to show in global ratings,” says Mr Bjorklund, referring to an overhaul of Sweden’s education system. Since coming to power in 2006, the centre-right coalition government has introduced reforms such as a new national curriculum. Mr Bjorklund, who heads the Liberal party, is convinced he can reverse the decline. But will voters have the patience to wait? With universities complaining that students arrive unprepared and companies worrying that Sweden will lose out to other countries, a sense of urgency is in the air. Education will be important in next year’s election.

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Mr Bjorklund blames the poor results on the period when the Social Democrats were in charge. Others say poorly paid teachers are at fault. The profession, once highly regarded, has seen salaries fall far behind other jobs requiring a higher-education degree. The student demand for teaching programmes is so low that almost anyone applying will be accepted. As many teachers approach retirement, unions warn of a teacher crisis ahead. In hopes of making the job more attractive, a career programme with better pay was launched this year.

A growing gap between schools is another reason, says Skolverket. Sweden is now one of the few countries to show both worse results and more inequality. Free school choice is a contributing factor. The system, introduced 20 years ago, allows parents to choose between municipal schools and independent schools, all financed by tax money. The aim was to increase quality by competition, but it has also led to the best students flocking to the same schools.

Many worry that school inequality will spur segregation. Extra resources for schools with weaker students could be a solution but abolishing independent schools is not on any party’s agenda. Polls show a majority of Swedes want to keep the free-school choice. Still, letting private companies run tax-funded schools is controversial. Critics say profit-seeking puts quality at risk. In the wake of several school companies’ bankruptcies, the government has indicated that private-equity funds will no longer be welcome owners.

Por cá, é toda uma outra dinâmica, pois mesmo com a demonstração dos erros, enterra-se a cabeça na areia e quer seguir-se em frente, só porque parece difícil admitir que se defendem ideias e políticas erradas.

Eu também gosto de diversas coisas suecas, excepção feita àquele omnipresente molho de mirtilos na comida. Mas isso não significa que tenha de defender uma causa à outrance em prejuízo da maioria da população só porque se não o fizer, as promessas e compromissos de alguns falham…

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