Sondagens


Presidenciais

Marktest, 14-16 Janeiro, N=802, Tel.

O Expresso optou pelo seguinte título para uma sondagem sobre a imagem pública dos candidatos a PR:

Cavaco arrasa Alegre na competência

Olhemos para o quadro:

Uma outra maneira de ver a coisa é que em matéria de honestidade – a pedra de toque do discurso de Cavaco Silva – as coisas estão um pouco… sei lá… turvas…

Foi agradável, porque a senhora/menina da sonda(gem) da Intercampus era simpática e acabou a rir-se com parte das respostas que lhe dei, pois estava a acabar de ler um guião para a implementação dos novos programas de Português (o da escrita só foi colocado online a semana passada) e apetecia-me esparvoar um pouco.

Estava em modo desvinculativo, mas suave.

O que achava eu do desempenho dos candidatos nestes últimos dois dias e que assunto me tinha chamado mais a atenção. Armei-me em original e disse BPN. Quanto ao desempenho dos candidatos, não faço ideia, pois não me meto em assuntos de lençóis (mais coibi-me de partilhar este pensamento com a sondadora).

A seguir perguntaram-me que expectativas tinha em relação a um segundo mandato de Cavaco Silva: altas, médias ou baixas. Mandei colocar a cruz no médias porque não tenho nenhumas.

Depois perguntaram-me em quem iria votar. Em ninguém. De que partido me sentia mais próximo. Felizmente de nenhum.

Perguntou-me a idade e se podia saber o primeiro e último nome.

Poderia vir a ser o início de uma bela amizade, mas não lhe fixei o nome e o número no visor era desconhecido.

E isto é a herança da mais longa maioria absoluta da nossa democracia…

A crónica televisiva de Marcelo Rebelo de Sousa foi um monumento ao que agora se chama por cá responsabilidade e tem como epígonos, para além do Presidente em exercício, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Durão Barroso e até, pasmemos, Pedro Santana Lopes e Pacheco Pereira, todos irmanados no desejo de aconselhar Pedro Passos Coelho a viabilizar o Orçamento, esse mesmo, o tal que se desconhece e para o qual querem um cheque em branco.

Não há coveiro do PSD – faltou aqui Luís Filipe Menezes – que agora não seja uma pessoa responsável. Parecem quase os ex-ministros das Finanças do PS a darem a fórmula para combater o défice.

Ou seja, todos dizem que ou há Orçamento aprovado ou o Sócrates demite-se, vem aí o FMI e tudo será pior, porque os cortes vão ser maiores nos salários e a subida de impostos uma escalada que enfim.

E assustam-se com as sondagens que parecem fazer mirrar os partidos do centrão dos negócios e distender os desterrados das extremas. Ou seja, assustam-se porque o povoléu parece afastar-se de quem nos enfiou no buraco e aproximar-se de quem tem menos responsabilidades.

O que parece escapar a muitos destes analistas – e recordemos que a maior parte são políticos que falharam – é que, provavelmente, o povoléu até daria mesmo mais dinheiro desde que soubesse que na varridela que viesse de fora iam todos estes artistas que nos conduziram, debaixo de uma chuva de milhões de euros comunitários, para o descalabro.

Se o chumbo do  OE permitisse isso, acho que grande parte de Portugal agradeceria, encarecido, a Pedro Passos Coelho.

O problema é que, como se sabe, o grupo parlamentar do PSD é o escolhido por Manuela Ferreira Leite e consta que, se chamados ali para os lados dos pastéis para um puxão de orelhas, não seriam poucos os que desobedeceriam às ordens de quem está no momento.

E é essa dicotomia que também se reflecte nas sondagens que aqui se fizeram: há o desejo de que algo se refunde, mas a consciência de que o pântano ainda é mais forte.

Neste momento, nas sondagens que coloquei ontem à noite há uma simetria interessante: numa, cerca de 70% dos votantes acham que o PSD viabilizará o OE, mas na outra 70% desejam que o chumbe.

Recordemos ainda que, em ocasiões anteriores, se demonstrou que a audiência aqui do blogue se divide de forma muito equilibrada pelo espectro político não-socrático. Digamos que existe uma clara maioria (7o%?) de gente do Bloco e PSD, seguindo-se minorias PCP, independentes, CDS e outras, julgo que por esta ordem decrescente.

Acho, sinceramente, que o pessoal gostaria de ver o circo pegar fogo. Mas como os chamados actores políticos fugiram para o refúgio do período em que um timorato PR não pode (nem quer) dissolver o Parlamento e convocar eleições, somos obrigados a ver o pântano remexer-se para resultados quase nenhuns.

Mas que eraq interessante que as coisas se clarificassem lá isso era. Do lado do Governo, como é habitual, acena-se com a hipótese de um acordo, um entendimento. Até agora conseguiram sempre iludir os tansos e sobreviver.

Resta saber se agora se vai passar o mesmo.

Acho que mesmo à esquerda, as bases gostariam de ver o Governo cair e comprovar se isto não passa de mais um bluff. E, já agora, perceber quem, perante uma atitude coerente do PSD em relação ao que muito proclamou, daria a mão a este PS. Porque perante a abstenção dos restantes partidos, é possível ao PS aprovar o Orçamento mesmo com os votos contra do PSD. E mesmo que o CDS se junte ao PSD no voto contra, basta ao PS arregimentar o Bloco ou o PCP. Ora, eu acho que isso não seria assim tão incrível de acontecer…

Cá por coisas…

Acho que, no que alguns chamam o meu caldo ideológico, li demasiadas coisas sobre tacticazinhas políticas. Relembremos como, em tempo de Guerra Fria, havia quem tivesse autorização para renegar publicamente a fé, para não comprometer posições.

Say no more…

Parecendo que não, as duas sondagens são sobre coisas diversas. Uma sobre o que acha que vai acontecer, outra sobre o que gostaria que acontecesse. E as diferenças são interessantes de analisar.

Talvez se explique porque por cá escasseia a verbalização de alternativas (se é que existem…):

Coalition cracks could start to show over schools reforms, poll suggests

Guardian/ICM poll points to voter disapproval with government as Lib-Dem opposition rises over free schools and academies.

Schools policy has emerged as a potential weakness for the coalition, according to a Guardian/ICM poll. As A-level results push the education debate centre stage, the survey reveals that 42% of voters think the government is doing a bad job in reforming the schools system against 23% who believe it is doing a good job.

That 19-point deficit stands in unflattering contrast to the generally positive esteem in which the coalition is held. As the Guardian reported, the coalition enjoys an overall approval rating of +10 points in running the country, with the public also inclined to give it the benefit of the doubt on the economy.

But education is one of the few areas where the cuts are already beginning to be felt on the ground and education secretary Michael Gove‘s protracted difficulties over his axing of Labour’s schools rebuilding programme forms the background to the ICM survey.

Esta não foi da televisão e é mais antiga. Foi-me contada por duas pessoas que me merecem a maior confiança.

Alguém, ligado a outro alguém mas não assumido, sonda um amigo de alguém para saber da sua (este último alguém a que chamaremos X) disponibilidade para aceitar, numa hipótese muito hipotética, a presidência de uma empresa, pertencente a um grupo, com diversos problemas laborais. X tem uma boa imagem junto dos trabalhadores da empresa e seria útil para a pacificar. Sondam-se que condições poderiam vir a ser colocadas por X para aceitar

Transmitida a (pré-)sondagem, X declara que não pode aceitar tal presidência porque, em primeiro lugar, detesta presidências e, em segundo, discorda da política da empresa e ainda mais da estratégia do grupo em que está inserida. Nunca aceitaria fosse o que fosse, se isso implicasse ir contra aquilo que acha que deveriam ser a política e estratégia adequadas, as quais por mais de um vez afirmou serem as suas posições.

É-lhe dito que isso não está fora de causa, apenas sendo pedida uma espécie de “moratória” para colocar ordem na casa e depois X poderia fazer o que achasse mais correcto.

Sendo um caso concreto, posso adiantar que X, que nunca foi convidado para nada, respondeu que era melhor sondarem outra pessoa, porque não tem perfil para Dame (ou Sir) e muito menos para crédula(o).

E assim se resolveu a questão. Passem a Y ou voltem a K.

Há um par de semanas, Helen Mirren explicava ao Jon Stewart no Daily Show como tinha sido sondada para receber o título honorífico de Dame, honraria inesperada em alguém com percurso muito liberal no cinema e televisão.

Explicou ela que uma certa manhã lhe telefonaram e, com voz muito delicada e selecta, lhe perguntaram: Se lhe quisessem atribuir o título de Dame aceitaria?

Ou seja, não a estavam a convidar, mas meramente a sondar para, em caso de dúvidas ou recusa, nunca poder ser confirmado o convite. Mas, claro, o(a) sondado(a), mesmo não aceitando logo, ficará sempre com aquela sensação de…

Para que conste – e caso alguém não saiba – ela aceitou.

A partir do Margens de Erro:

Comentários breves: ambas são anteriores à questão da proposta de revisão constitucional do PSD e Cavaco Silva parece reeleito, fruto daquela forma estranha de Alegre querer o apoio do PS.

Não deixa de ser giro como o título e o destaque evitam referir os professores, que continuam em 2º lugar na tabela e em portugal com valores acima dos europeus, mesmo se estes dados são consistentes – há muito – e estão para além das vozes asininas que tentam fazer-se sentir no céu…

Bombeiros mais valorizados que juízes e advogados

Estudo mostra também que os portugueses preferem os carteiros aos médicos.

Os bombeiros, professores e carteiros são as profissões em que os portugueses mais confiam, ficando no extremo oposto dos políticos, advogados e banqueiros. Também mal posicionados no Índice de Confiança Nacional surgem os juízes, recolhendo a confiança de 50% dos inquiridos e registando a maior descida do ano.

Os dados resultam do inquérito a 18 800 pessoas feito em 15 países europeus, EUA, Brasil, Colômbia e Índia pela GfK Custom Research – empresa de estudos de mercado – e onde foram avaliadas 20 funções. Tal como em Portugal, os bombeiros – pelo terceiro ano consecutivo – e professores são as profissões com maior confiança, 94 e 84% respectivamente.

Eu sei que é redutor, que implica uma opção complicada, mas não andamos aqui só para coisas fáceis, do tipo sim ou não. Vamos lá, não interessa neste momento em que sentido mas, se pudesse, qual o aspecto que mudaria em primeiro lugar em matéria de Educação, eventualmente considerando o que poderia ter um efeito mais decisivo a curto prazo para a melhoria do sistema…

Isto partindo do princípio que já desistiram de começar pela Lei de Bases e pela redefinição de tudo desde a origem…

O tema de amanhã vai ser o das directas do PSD. Ficam aqui duas mini-sondagens, para aferir do grau de preferência dos leitores do Umbigo em matéria de candidatos do PSD, assim com o de expectativas de vitória (o que é uma coisa diferente).

Em consultas anteriores – com cerca de 750-800 respostas cada – chegou-se a algumas conclusões sobre aspectos cruciais para uma reforma curricular do 3º CEB: antes de mais o desejo do regresso às aulas de 50 minutos; em seguida, o desejo de extinção ou redução sensível da carga horária destinada às ACND; por fim, a preferência por uma escala de avaliação de 1 a 10 (por esta, muito em especial, podemos esperar sentados…).

Mas podemos inquirir sobre outros aspectos.

Que tal começarmos por algo aparentemente óbvio como o nº de disciplinas obrigatórias no currículo?

E, relacionado com este assunto, a margem de autonomia das escolas para redefinir localmente o currículo deveria aumentar, manter-se ou desaparecer?

Por fim, pelo menos por agora, o que acham acerca da carha horária dos alunos:

Da maior manifestação de sempre de uma classe profissional. Seria tempo de acabar com isto e até parece que a opinião pública percebe.

Exp7Nov08

Expresso, 7 de Novembro de 2009 (obrigado, sempre, ao Maurício)

Pior inimigo das sondagens é abstenção muito elevada

Há outras explicações menos benignas.

PS ligeiramente à frente do PSD, BE em terceiro

Numa das duas primeiras sondagens conhecidas nesta campanha eleitoral em que se recorreu ao sistema de simulação de voto em urna, os socialistas surgem perto dos 33 por cento, ao mesmo tempo que o PSD se aproxima da fasquia dos 30 por cento. É uma diferença menor do que a revelada por outras sondagens conhecidas esta semana, mas, no caso do trabalho da Intercampus, não é possível fazer comparações, pois trata-se do primeiro que realiza para estas eleições legislativas.

O método do voto em urna, que tem a vantagem de aproximar os potenciais eleitores da situação com que serão confrontados quando forem votar, e de escolherem em segredo o seu partido preferido, não permite fazer mais perguntas. Além do boletim de voto, a única coisa que se pergunta neste método é se o eleitor vai ou não votar, de modo a excluir os que não tencionam ir às urnas – 10,6 por cento da amostra de 1024 pessoas que foram interrogadas entre os dias 12 e 15 de Setembro.

Entre os que “votaram” neste estudo realizado para o PÚBLICO, a TVI e o Rádio Clube Português, o Bloco de Esquerda surge em terceiro lugar com uma intenção de voto que quase duplicaria o seu resultado de 2005: 12 por cento. A seguir vem o PCP, com 9,2 por cento e, por último, o CDS, que “recolheu” sete por cento dos boletins de voto depositados nas urnas simuladas. A margem de erro indicada pela Intercampus é de 3,05 por cento.

Atenção à zona que eu destaco a vermelho, uma espécie de disclaimer dos autores da sondagem, a dizer que os critérios que usaram para seleccionar a amostra e tratá-la são apenas uma das hipótese. A ficha técnica, bem explicadinha, está aqui. Só falta dizer – supondo-se que sim – que a amostra é a mesma da sondagem anterior para esta.

Sondagem14Set09

Quanto aos resultados, acho que está tudo com dantes no quartel de Abrantes. Mas eu tendo a ser assim não prognosticar apenas com base nas estatísticas dos especialistas.

Mas acredito que estes resultados, mais ou menos 3.5% para os partidos grandes, mais ou menos 2-3% para os médios, não são propriamente de espantar.

Uma história da X Legislatura

Loess 25 agosto

Atenção à tendência…

« Página anteriorPágina seguinte »