Somos Bué Modernaços


O primeiro link é só para demonstrar que sei ler porno em alemão:

Katholische Kirche macht mit Pornos ein Vermögen

Agora a evolução do caso:

Here’s How The Catholic Church Is Profiting In The German Erotic Novel Industry

German Catholic Church Pulls Out Of Porn Publishing

Acho especialmente interessante na foto que acompanha estas peças a promoção encapotada ao que nos chama naturalmente mais a atenção, aquela traseira de um Polo, Lupo ou uma qualquer carrinha lá ao fundo.

Entretanto, por cá ainda parece que não deram pelo desfecho final do processo.

Já por aqui, há algum tempo, várias vezes aqui evoquei Eduardo Lourenço e a forma como ele, no seu Labirinto da Saudade, descreve o estado de representação  de si mesmos em que os portugueses gostam de viver, em especial em alguns momentos mais traumáticos do próprio destino colectivo.

É um forma de fingimento pessoano em que cada um se refugia numa desresponsabilização pessoal pelo que está a acontecer e se lança nos braços de uma representação que descola progressivamente da realidade objectiva, social, económica, política.

Estamos a atravessar um desses momentos de solipsismo e desresponsabilização quase gerais.

O país está em crise económica e financeira por erros próprios, de muita gente. Certamente dos governantes, com o actual primeiro-ministro à cabeça com o seu discurso permanentemente irrealista, mas também de muitos outros, seja de grupos de interesses económicos que procuraram alimentar-se dos negócios que surgiam, sem grande sustentação, com o objectivo do ganho chorudo imediato, seja dos particulares que, em tempos de vacas menos magras, se lançaram em consumos desenfreados, esquecendo-se que as bolhas rebentam quando atingem um limite.

Nos tempos bons, quiseram embelezar a representação de si mesmos, enquanto agora, nos tempos maus, parecem querem fingir que não é bem assim e que a culpa é toda do Sócrates. Não é.

Desde logo porque se em 2005 a escolha estava muito limitada e contaminada pela deserção de Barroso e o desvario de Santana, já em 2009 as desculpas praticamente já não podiam existir.

Sócrates está lá porque prometeu, qual vendedor de banha-da-cobra, um futuro de optimismo desenrascado, muito português, mas que não tinha qualquer fundamento. E acreditaram nele ou quiseram acreditar. Foram menos do que em 2005, mas ainda foram os suficientes para o lá manterem a mandar.

E não finjam que o aproveitamento do crédito barato para aquisição de bens claramente acima das necessidades e possibilidades se deveu apenas ao entusiasmo voluntarista do chico-espertismo de Estado, que caracterizou boa parte do guterrismo e agora deste cretinismo que dura desde 2005.

Agora não finjam que a culpa é sempre dos outros e só dele, em especial se estiverem prontos para arranjar desculpas para não votar em outros.

Vejo milhares a anunciarem rumo a sul e para fora na Páscoa e espanto-me. Vejo muitos outros a continuarem fascinados por ecrãs planos e télélés cheios de botãozinhos e interrogo-me: o tempo está para isto?

  • E estará o tempo também para visões alternativas, mas igualmente solipsistas, da realidade em que se buscam exemplos de coragem numa Islândia com 320.000 habitantes que decidiu não pagar os depósitos que os estrangeiros (ingleses e holandeses) tinham nos seus bancos, como se isso equivalesse a não pagar a dívidas do país aos credores institucionais estrangeiros? E em que se fazem circular mails com umas ganas tais, como se isso salvasse seja o que for? Por vezes com informações ultrapassadas, erróneas e parcelares?
  • Estará o tempo para acreditar que os nossos credores estarão dispostos a aceitar exigências de quem deve e se endividou voluntariamente?
  • Estará o tempo para o regresso a discursos completamente anacrónicos sobre os malefícios do capitalismo financeiro, quando se conviveu com ele muito bem durante anos a fio, enquanto a bolha crescia?
  • Estará o tempo (à esquerda) para atitudes de nano-arrogância por parte de quem defende um modelo de desenvolvimento assente nos piores erros do passado recente?
  • Estará o tempo (à direita) para requentar fórmulas de liberalização de uma economia frágil e dependente, que se sabe terem dado maus resultados algures?

Mas será que estamos todos a viver no mesmo país, no mesmo tempo, perante as mesmas realidades?

Parte II
2005-2011: um breve balanço

1. Uma governação reformista e modernizadora, em nome do interesse geral
A linha política assumida pelo Partido Socialista tem sido centrada numa visão ambiciosa da modernização do País: mais direitos e liberdades civis; mais qualificação, ciência e tecnologia; menos burocracia e mais confiança nos cidadãos e nas empresas; mais inovação na economia; mais qualificação dos serviços públicos; novas políticas sociais.
E também numa atitude: a defesa do interesse geral na concretização das reformas, recusando qualquer subordinação aos interesses corporativos.
Esta linha de orientação estruturou uma agenda de políticas públicas coerente que, valorizando a iniciativa empreendedora e o mérito, promoveu a inovação e o progresso social.

Somos um país cheio de banda larga, mas deve ser da gástrica. Hoje foi ver o MEO a encolher-se todo aqui na zona quando começou o jogo de Portugal com a Argentina. A net parecia mais lenta que o Polga naqueles dias assim. Uma coisa aflitiva. Nem andava, nem desandava, porque o pessoal estava todo a ver televisão. Foi acabar o jogo e prontos, até parecia um elástico a soltar-se. Isto é tudo apenas fachada. Por dentro, é só fancaria.

A crónica de Pedro Adão e Silva no Expresso de hoje é uma das coisas mais parvas que se pode ler sobre Educação, de tão modernaça e visionária que é. O homo tecnologicus imbuiu o analista-surfista de tamanho entusiasmo que saiu-lhe coisa que nem um Rangel ou mesmo um Zorrinho escreveriam sem ficar embaraçados. Como disse, no seu entusiasmo voluntarista, a crónica é toda um monumento à parvoíce armada ao pingarelho, mas a parte destacada a vermelho é o apogeu de uma perspectiva sobre a Educação que confunde o meio com a substância. A sedução epidérmica com a aprendizagem significativa. O que é passageiro com o que deve ser permanente.

Poderia passar como uma provocação de um jovem pensador rebelde, se eu não suspeitasse que é mesmo isto que PAS acredita depois de ler a revista da semana (a Prospect, no caso). Pelo menos por enquanto. Enquanto não lê outra coisa. E passa para o entusiasmo seguinte. Breatt Easton Ellis, nos seus melhores momentos, descreveu muito bem esta geração intelectual menos que zero de consumo rápido e paixões arrebatadoras mas fugazes. Invejo-lhe uma coisa: parece que lhe pagam para escrever destas coisas e não lhe pedem evidências para uma avaliação do desempenho.

Expresso, 5 de Fevereiro de 2011

Uns dias está em cima (28 de Setembro de 2010):

Ciberescola inicia aulas

Em outros está em baixo (30 de Setembro de 2010):

Ciberescola foi desactivado temporariamente

Mesmo se o texto é de 2005…

The Great Learning Street Debate