Penso ser uma evidência que o mafarrico comentador multinicks muito bem destaca. Afinal há que dar aulas, pois não estou com 100% de redução paga pelo Estado para lutar, nem me devo conseguir aposentar no próximo quarto de século, muito menos com um par de milhares de euros que tanto me causam ciúme socio-financeiro. Tenho ali 26 guiões de leitura de 30 páginas para corrigir, fichas de trabalho para alunos com NEE, turmas PCA e turmas regulares (LP e HGP) para preparar ou corrigir. Tenho alunos para preparar para exame e todos para ajudar a serem pessoas responsáveis, coisa que nem todas as criaturas viventes conseguem ser. Trabalho que alguns já se esqueceram do que é, por manifesta falta de prática e vocação.
Para além disso, e porque a concorrência, o mercado e o trabalho independente não me atemorizam, vou fazendo os possíveis por diversificar a minha actividade profissional de maneira a não ter que depender do Estado como meu único patrão. Vou fazendo uns textos que me pedem e umas investigações que me dão gosto. Mas tenho orgulho em ser professor, não tornar-me professor após 25 anos de profissão sindical dependente de salário do Estado como o mui estimável e empático Camarada da Silva.
E há sempre uma vida para viver fora das redes virtuais, que é algo que quem perdeu os horizontes de um futuro, deixou de saber o que é.
Por tudo isso, é por demais evidente que o Umbigo padece de uma brutal falta de qualidade, oscilando entre um declínio evidente e uma pujança tabloidística. Ganhasse eu dinheiro com cada entrada e cada clique, ainda seria maior a erosão qualitativa e a cedência aos gostos das audiências que não lêem a imprensa online pura de princípios (mas fechada a comentários), nem se alimentam apenas de sites oficiais dos profissionais dos acordos.
Não fosse eu um trabalhador efectivo (como muita outra gente ligada a blogues e movimentos de professores), mas sim um profissional da luta pura e dura, não fosse eu professor com carga lectiva completa mas sim um representante vitalício que só toca no giz por desfastio, não fosse eu alguém que tem obrigações diárias e horários de trabalho a cumprir mas sim alguém que vai à luta quando a marca ou a reuniões em ministérios e locais selectos, não fosse eu autor do que escrevo em meu nome mas sim alguém que lê papéis elaborados por colectivos e talvez o Umbigo estivesse melhorzinho e não apenas com mesmo pagerank que o site oficial da Luta!
Tenho pena, mas a minha primeira obrigação profissional é para com o trabalho que faço, não para a organização que permite ter o rabinho descansado no gabinete (ou em alternativa o sofázinho após aposentação devidamente avisada pelos insiders). Portanto, se a coisa anda fraquinha há sempre a hipótese de optarmos por outras paragens e lermos as prosas magníficas dos lutadores a 100%. A começar pelo mafarrico multinicks e os seus profundos estudos encomendados por autarquias amigas, não falando dos seus arquivos pidescos (sim, também sei adjectivar a contento) de posts e comentários aqui do blogue.
Seu eu podia fingir que não leio? Podia, mas não era a mesma coisa.
Se isto é dar muito tempo de antena aos gundisalbus de esgoto? É possível, mas se não lhe batermos em devido tempo nos ossinhos, se não tomamos atenção estão a subir por nós acima e a morder-nos sem contemplações.
Se isto é tentar lidar com frontalidade com quem é, na sua essência, um pseudo-maverick cobarde, incapaz de se erguer à luz do dia em nome próprio? É, mas até os trabalhos sujos precisam ser feitos por pessoas de bem.

Gostar disto:
Gosto Carregando...