Simulacros


É que basta eu chegar ali ao “meu” pavilhão e olhar para cima… e posso apontar mais uns casos que dá para ver a olho desnudo.

MEC diz que terminou remoção de placas de amianto em mau estado

Em 2013 e 2014 foram retiradas placas de cerca de 300 escolas, informou o MEC que assegura que este ano vai manter a monitorização.

 

O secretário de Estado dos Transportes estava na SICN a justificar que restringir as garantias laborais dos trabalhadores da TAP, após a privatização, apenas aos que pertencem a alguns sindicatos é juridicamente válido.

Sinceramente, não sei a formação académica dele (deve ser em económico-vassoureiras ou gestão aprofundada em coisas), mas isto parece-me estúpido (não há outra maneira de colocar a coisa).

Não falo, sequer, da questão de apenas estar a querer vingar-se dos sindicatos que não assinaram ou não vão assinar a coisa.

Falo do facto de, de acordo com a lógica asinina do senhor secretário, ser obrigatório pertencer-se a um sindicato para se ter garantias laborais na TAP.

Ou seja, Sérgio Monteiro é pela inscrição sindical obrigatória.

O que é… enfim… um bocadinho poucochinho

João Dias da Silva reeleito para novo mandato na Federação Nacional da Educação

Promete lutar para garantir o reconhecimento do especial desgaste da profissão docente. E para que os professores sejam vinculados ao fim de três contratações sucessivas.

O que me preocupa mais?

O já se estarem a colocar a jeito para o próximo “negócio” na área da Educação:

FNE defende a harmonização entre escolas e poder local

As relações entre as escolas e o poder local não foram esquecidas pelo líder da FNE, com João Dias da Silva a defender uma alteração do regime de transferência de competências para as autarquias na área da educação, mostrando-se disponível para contribuir para a solução que venha a ser encontrada e que integre a exigência de clarificação da distribuição de competências que devem pertencer ao Município e de competências que devem pertencer às Escolas, com respeito por aquilo que é a autonomia profissional dos docentes, pela racionalização de gestão de recursos humanos, pela agilização de procedimentos para garantir uma escola de qualidade com equidade.

Debate sobre a escola pública no ISCAC

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e o secretário-geral da FNE (Federação Nacional de Educação), João Dias da Silva, vão participar num seminário sobre a escola pública, na sexta-feira, em Coimbra.

A sessão, subordinada ao título “Em defesa da escola pública”, decorrerá, a partir das 18H00, no auditório Marques de Almeida do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC)/Coimbra Business School, em Bencanta, Coimbra.

Moderada por José Ricardo Coelho, presidente do Sindicatos dos Professores da Zona Centro (SPZC), o seminário terá comentários finais de Ricardo Pocinho, presidente da UGT/Coimbra.

A participação na iniciativa, que é promovida pela UGT e pelo ISCAC/Coimbra Business School, está sujeita a inscrição prévia, através do e-mail da UGT de Coimbra (coimbra@ugt.pt).

UGT. “Temos o dever de não derreter a esperança dos portugueses”

Mas qual esperança? em quem? No quê? Nos vossos acordos? Nos desacordos dos outros? Mas de que raio de esperança fala este gajo? Nem todos podemos andar anos a fio à mesa das negociações e depois ser recompensado, qual proença, com um tacho brilhante como recompensa pelos serviços prestados aos poderes sucessivos…

Ahhhhh…. que nostalgia dos simplexes da ADD.

PACC Adita

Se sabes, porque não nos contas?

A Federação Nacional dos Professores continuará a lutar contra a aplicação das 40 horas de trabalho aos docentes, alegando que esta medida põe em risco dez mil postos de trabalho, quando há trinta mil desempregados no setor

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse à Lusa que o que está em causa é «acumular mais horas em alguns para despedir muitos outros».

Porque o aumento da não lectiva não leva ao despedimento de professores.

Mas de qualquer maneira, vamos lutar, lutar muito.

Mas mantendo sempre todas as possibilidades em aberto.

A vida ensina-nos isso e tu sabes muito e devemos seguir sempre os teus conselhos e o teu exemplo.

Luta, sempre, até ao fim.

Se possível, sempre fora das escolas, sem dar aulas!

Viva!!!

Viva!!! Viva!!!

 

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Público, 28 de Setembro de 2013

Adoro quando se fazem inquéritos a coisas perfeitamente evidentes para dar a sensação de que algo se está a fazer acerca daquilo que nada se faz de relevante. Aparentemente, o ministro que tanta trela tem dado ao argumento demográfico, esquece-se que ele não se fará sentir apenas no ensino não-superior.

Mas há algo que julgo mais grave e que passa pela sensação que isto dá de o actual MEC não perceber sequer o que se passa no seu país em virtude do discurso e acção do Governo de que faz parte.

Deixando de lado o tal argumento demográfico, temos as razões sociais e económicas que levaram a uma progressiva menor capacidade de atracção de um Ensino Superior cuja oferta é em larga medida um mercado de ilusões que culmina no desemprego ou em empregos de 3ª linha.

Nuno Crato parece não ter percebido dois fenómenos interligados que não sei se a dita comissão de inquérito também é capaz de não perceber:

  • A situação de prolongada crise económica e de erosão dos rendimentos das famílias, quando combinada com deficientes apoios aos alunos mais carenciados, tem consequências naturais na capacidade de prosseguir estudos, em particular quando eles implicam um investimento financeiro substancial, não apenas em propinas, mas em transportes, alimentação e materiais de estudo.
  • Por isso, cada vez mais o investimento no prolongamento da escolaridade para níveis bolonheses (com aquelas licenciaturas que de pouco valem sem um mestrado) se apresenta a muitas famílias como racionalmente errado, pois, salvo raros nichos académicos, não parece garantir equivalente vantagem comparativa no mercado de trabalho. Não é um punhado de investigadores de topo exportados para instituições de renome internacional que apagam as dezenas de milhares de licenciados e mestres desempregados.

Um outro fenómeno que, a breve ou médio prazo, pode agravar ainda mais esta redução (em termos absolutos e relativos) de candidatos ao Ensino Superior, resulta das próprias opções do MEC em relação a uma massificação de vias profissionalizantes sem uma continuidade natural na Universidade (os tais cursos de dois anos para salvar os politécnicos só atrairão os incautos) e a uma diferenciação muito precoce do trajecto escolar dos alunos. Nuno Crato parece – e isso é grave – não ter percebido que ao colocar metas de 40%-50% de frequência de cursos alternativos à via “regular” (mesmo que isso seja quase imposto a quem poderia continuar a fazer o seu percurso normal), vai naturalmente desviar muita gente do Ensino Superior. Mas essa é uma opção política e ideológica aceite por muita gente próxima deste Governo e deste MEC, ou seja, de que nem toda a gente necessita ir para a Universidade e que o seu futuro estará nos “ofícios” que se conseguirão através do maravilhoso sistema dual. Assim sendo, é um bocado ridículo ir instaurar um inquérito à diminuição dos alunos que pretendem prolongar a escolaridade para além do Secundário.

Quando uma das opções estratégicas a nível da Educação é um modelo “alternativo” ao que conduz naturalmente à Universidade, quando se produz um discurso político agressivo em relação aos desempregados qualificados, quando as políticas são no sentido do empobrecimento geral e só se fala em crescimento quando aparecem eleições no horizonte, a opção racional das famílias é desinvestir na Educação, pois é isso que vêem o próprio poder político fazer.

Nomear uma comissão de inquérito, só se fosse para responsabilizar os governantes pelas suas opções miserabilistas.

  • Possibilidade de uma prova de ingresso só com a ganga teórica com que o actual MEC gozava há tão pouco tempo e sem verificação dos conhecimentos científicos específicos, por certo para melhor determinar que “só ensina quem sabe”. Mas sabe o quê, afinal?
  • Um modelo de formação contínua em circuito fechado em que serão formadores, no fundo, quem já o era no modelo antes criticado por ser mau e insuficiente, em sistema de auto-financiamento para que o MEC possa fugir às suas responsabilidade de assegurar o que está legalmente estatuído.

A isto acresce um modelo de ADD que caiu no ridículo absoluto, pois finge-se que quem avalia tem capacidade acrescida para o fazer só porque está mais adiante na carreira ou alinhou – ou foi obrigad@ a alinhar – nas ridículas fases anteriores da ADD.

Isto faz-me lembrar não propriamente uma aristocracia falida a fingir que ainda é o que já foi mas sim um conjunto de arrivistas a tentar parecer o que nunca serão por falta de arte, engenho ou mesmo tostão, mas cheios de manhas.

(Mas o grande segredo está mesmo em retirar dos exames nacionais em especial a partir do 9º ano a malta do insucesso recorrente para depois dizer que foram estas reformas que levaram à melhoria sensível dos resultados ali por 2015. Tudo como dantes, porque somos todos ignorantes.)

… desta vez em torno de uma espécie de holograma ou, melhor, de uma quimera: uma prova de acesso ao exercício de uma profissão imposta pelo mesmo ministério que tem feito tudo para que a profissão tenha cada vez menos efectivos e nenhumas novas contratações.

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Público, 24 de Agosto de 2013

É como se um vegetariano fizesse uma prova de acesso às carnes que podem ter lugar na sua dieta.

Entre os simulacros e fogos de artifício na área da Educação este bate o da ADD.

Porque o que está em causa não é seleccionar os melhores – não é uma prova escrita que define a qualidade de um professor, em especial se for feita por quem não se sabe se é bom professor ou outra coisa – é apenas criar um pré-mecanismo de exclusão, que nem chega a ser populista, pois qualquer pessoa percebe que se há gente profissionalizada especificamente para a docência que não tem condições para o fazer é porque alguém – os seus formadores, as Universidades, os Politécnicos, que fornecerão quase certamente os autores da tal prova – falharam na sua missão.

Não é a avaliação da qualidade dos professores que contesto, é a metodologia preguiçosa e intelectualmente pouco séria, em especial quando defendida por gente que fez carreira a formar (e a aprovar) os professores de que agora dizem desconfiar.

 

Governo lança “site” com simulador sobre rescisões na função pública

Agora ainda mais a sério… do que adianta simular algo que sabemos que será alterado pelo menos 2 a 3 vezes em cada ano?

… aos contratos em causa – embora exóticos e não tóxicos na peculiar terminologia dos iniciados na coisa – desconhecia todos os riscos envolvidos?

Isso é o mesmo que alguém ir ao cemitério enterrar um familiar e dizer que não fazia ideia do significado das lápides ao redor.

Desculpem lá a metáfora, mas é o que se arranja.

Repito: na formação do governo houve o cuidado de incluir uma série de pessoas que estavam nas condições ideais para tentar encobrir estes buracos enquanto conseguissem, em nome da opacidade da desgovernança que tinham partilhado com o regime socrático.

Juntando e limando dois posts de ontem:

Os não-concursos para docentes (2009-2013)

E lá vou eu fazendo cada vez menos amigos do centrão da governação… 🙂

Há muito tempo que eu achava que o concurso nacional de 2009 tinha sido o último nos moldes a que estávamos mais ou menos habituados. Pensei que poderia mesmo desaparecer, ser pulverizado em termos regionais ou qualquer outra coisa.

No entanto, formalmente, o MEC manteve o compromisso de novo concurso ao fim de 4 anos. E para a semana abre concurso. Em termos puramente formais, abre um concurso. Mas em termos reais não abre concurso algum, que não seja meramente de mobilidade interna. As vagas para admissão de contratados são praticamente virtuais.

Vejamos… no concurso para vinculação extraordinária entraram 603 colegas, aos quais só foi atribuído um qzp de referência que nem sequer é um dos que agora está em vigor. No actual “concurso” são abertas 618 vagas positivas e 11325 negativas.

As tais 618 vagas positivas serão ocupadas pelos mecanismos de mobilidade interna normais, seguindo-se a colocação dos professores admitidos no concurso de vinculação extraordinária.

Apressadamente, houve quem considerasse que o MEC tinha aberto 1221 vagas. Nada de mais errado. Abriu 603 e agora mais 15. Apenas e tão só, enquanto declara que existem 11325 horários que são para extinguir.

O que significa que este ano, o concurso externo foi o da vinculação extraordinária e este que começa na próxima semana é um simulacro, sendo equivalente em 99% a qualquer dos concursos anuais de mobilidade interna que já existia.

Este ano não há qualquer verdadeiro concurso nacional de docentes, sendo igualmente falso que isto tenha qualquer coisa a ver com um redimensionamento dos quadros das escolas que resulte das suas reais necessidades.

O objectivo é extinguir lugares de quadro, colocando os números – para efeitos de cálculos que conheceremos mais tarde – em níveis aceitáveis pela troika, pelos ramirílios de gabinete e pelos grupos privados interessados a médio (curto?) prazo na concessão da gestão das escolas e agrupamentos mais rentáveis.

O emagrecimento dos quadros é uma das pré-condições para os privados aceitarem – com um imenso sacrifício, como se calcula – a missão de assumir a gestão de uma educação low cost, argumento fulcral para o spin governamental nesta matéria, apesar dos estudos (engavetados) mais recentes terem demonstrado que o custo por aluno e turma é mais baixo no ensino público do que no privado subsidiado, mesmo daquele com práticas de proletarização laboral e desrespeito pelas normas legais que, ao que parece, nenhuma auditoria demonstrará antes de ser mesmo conveniente ou impossível manter na neblina.

Quanto ao facto destas 618 vagas corresponderem, no essencial, às necessidades de provimento da vinculação extraordinária (mesmo que isso não signifique qualquer colocação directa), basta verificar o quadro-síntese que o Arlindo fez:

Vagas2013Este é um não concurso, aberto formalmente para dizer que abriu, sendo que o verdadeiro foi o da vinculação extraordinária, aberto para que a FNE e o MEC não ficassem mal vistos depois do que anunciaram em inícios de Setembro de 2012.

Isto é tudo uma enorme ficção e, já agora, uma inútil perda de tempo e dinheiro, pois o que está em causa é um mero simulacro.

O pré-eleitoral, ultimamente recuperado. Está aqui, excepção feita à Educação que nos EUA ainda é prioridade.

A actualização, com um pequeno toque para agradar ao Seguro, está aqui. A apresentação é esta, podendo usar as curvas, mudando alguns números, que fica tudo tão bom como no estudo tipo-FMI.

Afirma João Dias da Silva:

O líder da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, também frisa que a contabilidade patente na portaria de vagas a concurso publicada nesta sexta-feira resulta dos “critérios que foram utilizados para este levantamento”. Se correspondem ou não às verdadeiras necessidades reais das escolas é algo que, acrescenta, só se saberá em Agosto, quando ficar concluído o concurso anual destinado a contratados.

“É o momento em que se vai poder medir a qualidade deste apuramento. Se as escolas apresentarem então um grande número e necessidades, isso quer dizer que este levantamento foi mal feito. Se acontecer o contrário, então significa que houve, de facto, um redimensionamento das escolas”, acrescenta.

Quando um líder sindical – por muito eivado do interesse de salvação nacional que esteja e convicto das potencialidades do seu mole, desculpem, soft power negocial – afirma isto ou é profundo desconhecedor da situação real das escolas ou (também pode ser “e”) está a fazer um frete ao governo, como já fez em Setembro passado a propósito do anúncio do concurso para a vinculação extraordinária.

Eu explico a questão do frete, que é para não restarem dúvidas… ao esvaziar a polémica neste momento, Dias da Silva pretende controlar os danos que este anúncio pode representar para o MEC e a agitação que pode espalhar-se pelas escolas e agrupamentos com dezenas e dezenas de vagas negativas.

E, diferindo para Agosto o tira-teimas, a FNE parece querer empurrar o problema com a barriga, até se encontrar outro fait-divers que possa, nessa altura, esvaziar a contestação nessa altura.

Objectivamente, a FNE e o seu presidente assemelham-se a um hábil departamento de comunicação do MEC, com uma função ainda mais fofinha do que o CDS no Governo (aqueles que estão dentro, querendo dar a sensação que estão fora), algo em que se vão mostrando (quase) exímios.

Por estranho que pareça, e para irritação de muitos, eu nem sou daqueles que pensa que a FNE é uma inutilidade completa em termos de representação sindical dos professores. Apenas acho que tem uma estratégia errada, uma postura de pastor que envia os cordeirinhos para a matança com palavras de conforto, assim como uma agenda política estranha aos interesses dos professores, os quais não consultam nestas alturas e funcionam apenas como pretexto para se apresentarem como parceiros sociais responsáveis, dignos do elogio do patrão, como o Proença.

Em boa verdade, até devem ter vergonha se forem considerados corporativos. porque, também em boa verdade, não se sentem como tal.

Como líder sindical, Dias da Silva ainda é mais inócuo do que António José Seguro como líder da oposição.

Esticando ainda mais a manta, já de si esticada aos limites do razoável, e continuando a não dotar os mega e giga-agrupamentos de técnicos devidamente especializados?

Sabe o senhor secretário de Estado qual o procedimento e o tempo que leva conseguir uma consulta especializada na rede pública de saúde e quanto custa recorrer a consultas no sector privado?

Sabe o senhor secretário de Estado o que custa conseguir consultas continuadas para crianças em que é possível detectar potenciais situações de insucesso, mas para as quais se fica sem diagnóstico exacto e, por isso mesmo, sem um verdadeiro plano de trabalho adequado ao perfil específico de aprendizagem?

Para quando nos deixamos de conversa da treta e se criam verdadeiros gabinetes de Saúde Escolar que não dependem quase em exclusivo da boa vontade, “jeito” e carolice dos professores a quem uma formação de 25 ou 50 horas só permite raspar a superfície destas problemáticas?

Governo quer intervenção precoce para prevenir insucesso escolar

O secretário do Estado do Ensino Básico e Secundário defendeu hoje a aplicação de planos de intervenção precoce, desde o pré-escolar, e uma aposta na avaliação externa e na formação de professores para prevenir o insucesso escolar.

Governo pede proposta para alterar lei de organização do ano letivo

Reunião desta tarde juntou o secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário e a Federação Nacional de Educação.

Entusiasmei-me bués.

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