Silêncio


O senhor Iavé não é nada Charlie. Logo se vê se dará para desenvolver. Mas a mim parece-me grave o que se anda a passar pelos corredores.

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não se recorda do trabalho final

 

Basta vir cá e ver.

… para identificar as pistas.


A sério…

Aposto que vão chamar o Alegre.

O problema vai ser calá-lo…

Porque me livrei de saramaguices. Fez-me o favor de ir para o Maneta à beira do fim-de-semana e já deve estar a pagá-las no Inferno, – Estás aí?

E, porque valeu a pena ter andado pelo Natal a enterrar boletas, tenho agora algumas centenas de carrascos sôfregos pela luz.

É notável como esta resposta dá três justificações diversas para não se pronunciar especificamente sobre nada. Duvido mesmo – vou ser sincero – que quem assinou isto tenha lido alguma coisa, caso contrário teria percebido que se pedia a análise da eventual (in)constitucionalidade do simplex2 (DR 1-A/2009) e não apenas do modelo inicial.

Mas o que transparece é que quem pretende ficar, não está para se meter em trabalhos e fazer ondas. Relembremos que este Provedor-Adjunto não é o que tratou anteriormente de pedidos na área da Educação.

Neste caso apenas diz que já se pronunciaram, que nunca se pronunciaram sobre coisas deste tipo ou que outros se vão pronunciar.

Análise substantiva: ZERO.

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Na blogosfera mais situacionista em relação ao Ministério da Educação, há um enorme silêncio por estes dias. O Canhoto está mudo há três dias e o Causa Nossa vive apenas das diatribes de Ana Gomes com Paulo Rangel. O Câmara Corporativa também parece fingir que nada se passa, quando se esperaria uma reacção anti-corporativa.

Há um desamparo só equivalente ao abandono a que foi votado Vitalino Canas, esse mestre do spin.

Na faixa direita, estranha-se imenso o silêncio sobre o assunto no Blasfémias, onde João Miranda durante algum tempo campeou a causa anti-profes. Em outros espaços da mesma área (31 da Armada, O Insurgente), também este tema parece ser desinteressante.

Ao que parece há quem não tenha aprendido quase nada, ou nada mesmo…

Já o sabia há algum tempo, mas esperava a fundamentação documental e confirmação das pessoas visadas pelo desejo do ME calar quem, em posições de destaque desalinha do que se pretende ser o discurso oficial.

Neste caso o(a)s PCE que prestaram declarações sobre o regime de assiduidade dos alunos e a forma como tem sido conseguida a diminuição das faltas. Entre visitas de inspectores com notícias de jornal sublinhadas na mão e outro tipo de pressões, há inquéritos enviados para 5 escolas.

As perguntas enviadas para uma das escolas, a partir do gabinete da ministra foram as seguintes:

a) Está correcta a citação, atrás referida, incluída no artigo do “Expresso” de 4 de Abril?

b) Se está, em que dados se baseou para afirmar que há “menor registo de faltas” e “maior tolerância na sua marcação”?

c)Se não está, foi pedido ao Expresso um desmentido da citação?

d) Os dados referidos pela IGE – diminuição em 43,3% do número de faltas dos alunos do secundário da Escola Infanta D. Maria – foram baseados na resposta da escola ao Inquérito sobre a Aplicação do Estatuto do Aluno. Confirma a veracidade e o rigor da informação enviada à DREC? Considera que os dados enviados pela escola foram correctamente transmitidos pela IGE após a acção inspectiva já referida?

.

Como estarão a perceber trata-se da Escola Secundária Infanta Dona Maria, cuja PCE, Maria do Rosário Gama está debaixo de fogo cerrado no interior do partido do Governo e a partir do ME.

A resposta já seguiu para a tutela e segue esta linha.

Não discuto a legitimidade do ME inquirir as escolas sobre o seu funcionamento. Não deixa é de ser curioso o modo cirúrgico como o faz. E como se nota que o objectivo é calar.

Assim como dispensa de participar em estudos da OCDE as escolas que levantam problemas.

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Foto enviada por Coelho M.

Representante das associações de pais acusa site do IDT de incentivar consumo de droga

(…)
Existem ainda definições que os encarregados de educação consideram ser “quase um manual de instruções”. Diz o dicionário que “Queimar” é “aquecer com o isqueiro a heroína ou cocaína, até fazer a bolha brilhante, cativante e vaporosa cujo fumo será inalado com a ajuda de uma nota enrolada em tubo”.
A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considera “muito preocupante” que seja transmitida uma “imagem convidativa das drogas” nomeadamente através da utilização de adjectivos como “brilhante” ou “cativante”. Nesse sentido, vai esta semana pedir ao IDT a reformulação imediata do site. “É fundamental que os jovens sejam informados, mas a forma como a informação está disponibilizada aumenta seguramente a curiosidade dos miúdos em relação às drogas. Pode fazer com que eles não queiram ser os betinhos que não consomem”, afirma a responsável da CNIPE, que representa cerca de 600 associações de pais.
Também a Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) entende que a consulta deste dicionário por parte dos jovens “pode induzir a curiosidade por algumas experiências, em vez de ser preventora de comportamentos desviantes”, se for feita sem a intermediação de um adulto.
“Pode haver a tentação do ‘faça você mesmo’”, alertou Albino Almeida, presidente da CONFAP, referindo-se a conceitos como “Base”: “Cocaína pronta para fumar. Mistura de cocaína com bicarbonato de sódio ou amoníaco e água. É aquecida e posteriormente arrefecida. Por filtragem, obtêm-se cristais, pedrinha branca pronta para snifar na caneca ou na prata com uma nota enrolada”.

Sinto sempre alguma estranheza quando alguém acha que a melhor maneira de combater um problema não é falar dele, prestar informações e esclarecimentos adequados, mas optar pelo silêncio.

  • Sexo? Não, não existe antes do casamento.
  • Drogas? Não, só existem nos filmes.
  • Violência? Não, é uma invenção dos telejornais.
  • Liberdade de expressão? Não, isso é uma invenção de uns quantos utópicos.

Pior que as drogas é a ignorância sobre elas que leva a experiências confusas e por vezes fatais. Aliás, não é raro que o mergulho nessa situação se deva exactamente ao desejo de querer saber o que aquilo é, porque alguém falou nisso e a pressão dos pares se faz sentir. Mas infelizmente há quem não perceba.

Mais do que a religião, o silêncio é o ópio dos novos prosélitos dos bons costumes e da pureza das condutas.

Amén!

Até ao entendimento, os presidentes das Assembleias de Escola tinham 30 dias após a publicação da legislação em causa (que aconteceu no passado dia 22 de Abril) para despoletarem e terem em curso o processo de transição para Conselho Geral Transitório e depois tinham cerca de um ano para completarem todo processo seguinte que culminaria, no máximo, dia 31 de Maio de 2009 com a eleição dos futuros Directores Executivos.

Neste momento, o procedimento que deveria decorrer até 21 de Maio está distendido até 30 de Setembro, mas tudo o resto mantém-se, pois no ponto 10 do entendimento explicita-se que é apenas o primeiro ponto do procedimento da aplicação do novo regime de gestão que tem o prazo alargado. Todo o mais continua com os mesmos prazos.

Perante isso, há dois tipos de atitudes: há quem queira desde já arrumar a coisa o mais depressa possível de maneira a não sobrecarregar dois períodos do próximo ano lectivo – recordemos que então também o modelo de avaliação do 2/2008 deve estar a rolar – e há quem esteja disposto a esperar para ver.

De qualquer modo, quer-me parecer que a maioria vai optar por querer despachar desde já todo o procedimento mais pesado e burocrático, da constituição do Conselho Geral Transitório, novo Regulamento Interno e tudo o mais.

Na prática isto irá constituir a aceitação, de facto, do novo modelo de gestão escolar.

O que, no meu caso que sou muito teimoso, terá consequências bem gravosas a não muito longo prazo.

Mas como me parece que anda quase tudo muito «confortável» acerca deste assunto, é porque parto do princípio que, afinal, estão de acordo com o modelo.

Desculpem lá se destoo, mas esta parcela da legislação – que volto a dizer será das que terá mais nefastas consequências no funcionamento de muitas escolas e respectivo ambiente de trabalho – é para deixar assim passar de forma ligeira e sem bruá?

Quer-me parecer que – apesar de verbalizarem uma oposição quanto à figura do Director e à cadeia de comenado ME-Escolas que ela representaria – as organizações sindicais estão com grande dificuldade em posicionarem-se em relação ao novo modelo de gestão escolar expresso no decreto-lei 75/2008.

Receio mesmo que enveredem pelo caminho do aperfeiçoamento do modelo, pois existirão opções ideológicas afins às que são propostas.

Entretanto, e como me chamou a atenção um leitor amigo, o regime de recondução do director executivo (artigo 25º) é absolutamente incompatível com a LBSE.

Resta saber se alguém se incomoda com isso ou se somos apenas um pequeno grupo de tresloucados gauleses que não consegue deglutir este tipo de atropelos jurídicos.

E raramente visto fora de reportagens do tipo «National Geographic investiga as vítimas da brutalidade escolar ou os agentes malvados do insucesso».

Já repararam que, com aquela desculpa de para falar de Educação não ser necessário ser professor, quase sempre quem fala sobre o dito assunto é advogado, psicólogo, empresário, investigador, neurocirurgião, político ou aquele senhor que nós conhecemos mas não sabemos bem o que faz, assim como a outra senhora bem falante que escreve para os jornais?

As professoras e professores têm tempo de antena enquanto agentes da descrição dos factos. São os rostos da desgraça; da deles ou da de outros. Raramente como analistas das situações, procurando explicá-las a partir de «dentro».

Para isso convocam-se «especialistas». se possível «inovador». Pessoa de «sucesso».

Em biocoiso ou em microaquilo. Por vezes em qualquer coisa da Educação. Ou em opinião, apenas, graças à leitura de uma tese de mestrado sobre o formato das portas nas escolas de tipologia P3 no concelho de Vilarinho das Púcaras.

Os professores são vistos como aqueles que não conseguem «ver para além do seu quintal» ou do «seu mundinho». Que se movem «por interesses», em defesa «de privilégios». «Fulanizamos» as questões. Não temos uma «visão mais ampla» sobre os fenómenos». E estes são apenas alguns dos mimos que conhecemos e sofremos na pele. Eu incluído, a quem alguns comentadores acharam por bem, em dados momentos, colocar em causa competência e independência da matéria. E como eu quase todos os outros que tentam furar o muro, para ir para além das lamentações.

O professor do ensino não superior é uma espécie de cruzamento entre gambuzino e animal protegido (não sei se em vias de extinção, se por motivos de quarentena). Fala-se dele, diz-se que são muitos, mas raramente se encontram sem ser em «cativeiro».

Queremos um debate sobre Educação numa estação televisiva que se quer «de referência» em matéria de informação? Chamam-se um psicólogo e um advogado. Ou dois políticos. Ou um jornalista que à partida diz conhecer pouco do assunto, uma docente universitária com umas ideias sobre como manter a ordem numa aula, um historiador que deu seis meses de aulas numa associação num bairro problemático e uma opinadora assertiva que «até já deu aulas» na Damaia. Chega ter entrado numa escola e «dado umas aulas» e já se atingiu o Graal da sapiência na matéria. Até há um curioso espécime no universo destas coisas que evoca uma experiência passada há 30 anos como professor ocasional, para dar patine sabedora às suas posições.

Quem lá fica a fazer a sua vida profissional é que não percebe nada do assunto.

«Não se sabe distanciar».

O professor «básico» ou mesmo «secundário» só tem direito a voz e a opinar mais de 30 segundos se for representar alguma nomenklatura particular. Porque é representante de um sindicato, de uma associação ou qualquer outra função específica que, por regra, até implica que não exerça a docência como actividade principal.

Isto é patético e profundamente desrespeitoso.

Não falo por mim, pessoa algo rude no trato, pouco fotogénica e nem sempre simpática na forma como desgosto de sorrir de forma compreensiva para quem tem opiniões que me desagradam.

Falo por todos aqueles que sabem o que fazem, o que dizem e que estão habituados a reflectir sobre o seu papel na sociedade e sobre o sistema de ensino.

E que são sistematicamente ignorados, a menos que tenham sido gravados a ser desrespeitados numa aula ou que sejam acusados de ter abusado da sua ausente autoridade e tenham dado uns cascudos em alguém.

Nesse caso, temos o professor-vítima ou o professor-agressor com direito a câmara em cima da cara, com pixelização mais ou menos granulosa.

Os outros todos são uma espécie de paparucos.

Há que ir para a porta das Escolas ao amanhecer ou ao anoitecer e bater com um pau na calçada para conseguir vê-los e ouvi-los.

Ao silêncio dos três M’s corresponde igualmente o completo silêncio sobre a Educação na edição de hoje do Expresso, excepção feita na primeira página a uma breve sobre a não aceitação de uma das providências cautelares interpostas pela Fenprof, e na última página de outra muito breve sobre o episódio passado no Carolina Michaelis.

O nevoeiro aproxima-se…

Os três M’s do Expresso (Miguel, Madrinha e Monteiro) decidiram que hoje não era dia de zurzir nos professores.

Embora cada vez que o coro afina até fiquemos a ganhar de tão descabelada (1ºM), parcial (2ºM) ou errática (3º M) ser a argumentação.

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Há quem ande, anonimamente e por mail, a angariar apoios para me processar judicialmente, alegando que, ao abrigo da popularidade deste blogue, eu faço «manipulações político-sindicais».

Porque querem tanto que me cale?

Estarão em condições, caso me processem,  de provar as acusações e de pagar a respectiva indemnização por danos morais, se for eu a processá-los?

Não vos chegou como exemplo o arquivamento do processo do PM contra o blogue Do Portugal Profundo?

Pensem nisso e tenham juízo!

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one deared
Disturb the sound of silence.

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