Shiu


… se é que alguma vez a tive para malta que quer fazer a revolução mas só ouviu falar da norma. Ou se a leu, não percebeu. Quando se parece querer exibir um doutoramento em hermenêuticas variadas do discurso escrito fica um bocado mal.

Amanhã já estou sob a sua cobertura e não poderei fazer comentários sobre a classificação do exame do 6º ano… Vai ser divertido…

Adoro aqueles sessões em que vamos ouvir o que já ouvimos desde 2001 e praticar a arte da classificação quase tântrica.

estava tão tristonho quando ela apareceu
seus olhos
que fascinam

logo estremeceu

os meus amigos falam que eu sou demais
mas é somente ela que me satisfaz

é somente ela que me satisfaz
é somente ela que me satisfaz
você só colheu o que você plantou

por isso é que eles falam que eu sou sonhador

me diz digo o que ela significa p’ra mim

se ela é um morango aqui do nordeste

tu sabes, não existe – sou cabra da peste
apesar de colher as batatas da terra
com essa mulher eu vou até p’ra guerra
ai, é amor,
ai

ai

ai

é amor

[Frank Aguiar] Morango Do Nordeste (interpretação livre)

Porque é que as noites não têm nome? Porque metade da vida, exactamente metade da vida, é-nos desconhecida. A qualquer um de nós.

[Göran Palm]

Continuo ocupado.

Et pluribus unum soa-me a órgia.

Benfica lança colecção de preservativos

Uma vantagem: maltusianismo lampião!

… sendo-se grego (m/f)?

Está complicado.

Quero dizer, complica-se-nos.

… para identificar as pistas.


A sério…

… com mais uma campanha presidencial.

Eu sou assim.

http://www.sporting.pt/

Afghanistan war logs: live blog

The Guardian, the New York Times and Der Spiegel have published a huge cache of secret military files from the whistleblowing website Wikileaks, detailing the war in Afghanistan. Follow reaction to the Afghanistan war logs here.

Carolina Patrocínio satisfeita com o fim da recessão técnica

Na “condição de cidadã atenta e preocupada” com o seu país, a mandatária do PS para a juventude, a apresentadora de televisão Carolina Patrocínio, participou ontem na rentrée do partido e centrou o seu discurso no elogio de duas notícias que atribuiu às medidas do actual Governo: o “fim da recessão técnica” e a “redução do insucesso escolar”.
“Portugal foi objectivamente dos primeiros países a sair da recessão técnica e isto assinala o início da retoma económica”, declarou a mandatária, lendo um papel, no parque municipal de Santa Cruz, que ficou apenas a metade da sua capacidade.
(…)
O PÚBLICO sabe que a apresentadora foi aconselhada a não dar entrevistas, depois de declarações a uma televisão em que dizia que é a sua empregada que lhe tira os caroços das cerejas e que prefere fazer batota a perder.

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Na blogosfera mais situacionista em relação ao Ministério da Educação, há um enorme silêncio por estes dias. O Canhoto está mudo há três dias e o Causa Nossa vive apenas das diatribes de Ana Gomes com Paulo Rangel. O Câmara Corporativa também parece fingir que nada se passa, quando se esperaria uma reacção anti-corporativa.

Há um desamparo só equivalente ao abandono a que foi votado Vitalino Canas, esse mestre do spin.

Na faixa direita, estranha-se imenso o silêncio sobre o assunto no Blasfémias, onde João Miranda durante algum tempo campeou a causa anti-profes. Em outros espaços da mesma área (31 da Armada, O Insurgente), também este tema parece ser desinteressante.

Ao que parece há quem não tenha aprendido quase nada, ou nada mesmo…

A confusão habitual nesta matéria atinge mesmo aqueles que passam por ter raciocínio claro e analítico. Não deixa de ser irónico que João Pereira Coutinho apareça na Pública a tentar ser giro a falar de mulheres (e em Freud e em palavrões em privado e coisas giríssimas e inteligentes e cultas e pá, bolas, cosmopolitas, sei lá, credo) e depois no Correio da Manhã a escrever um parágrafo como este:

Não passaria pela cabeça de ninguém a imposição de uma disciplina de educação religiosa nas escolas. Por mais neutral ou ‘científica’ que ela fosse. O acto seria sempre uma intromissão do Estado no reduto mais privado da existência. Mas este raciocínio não se aplica à vida sexual. Nestas matérias igualmente íntimas, o Estado entende que é seu dever educar os petizes nos misteriosos caminhos dos lençóis.

Ao que parece João Pereira Coutinho não percebe factos básicos da vida (escolar):

  • Não existe qualquer disciplina de Educação Sexual, muito menos obrigatória. E duvido que venha a existir.
  • Existe uma disciplina de Educação Moral e Religiosa (Católica, na maior parte dos casos). De frequência facultativa e sem influência na transição de ano.

Quanto ao resto dou de barato que a Educação Sexual, a existir no currículo escolar do Ensino Básico, deveria ser de frequência facultativa.

Mas o que me continua a afligir é esta enorme tendência para equivaler o sexo à religião (no outro dia era com drogas, tabaco e álcool).

Pronto, também dou de barato que ambas as experiências possam ter aspectos místicos. E que cada uma, à sua maneira, lida com a perpetuação da vida (uma terrena, a outra espiritual).

Mas atrofia-me o entendimento esta tendência para misturar as duas coisas.

Por exemplo: se em vez de Educação Moral e Religiosa existisse uma disciplina de História (Comparada) das Religiões? Haveria problemas? Será que isso seria uma intromissão «no reduto mais privado da existência»?

Eu sou obrigado a dar a alunos do 5º ano, em média com 10 anos, na disciplina de História e Geografia de Portugal, rudimentos de judaísmo, cristianismo e islamismo. Tudo ali em poucas semanas.

E em Língua Portuguesa tenho de desenvolver actividades em torno do Natal e Páscoa, quando diversos alunos não são cristãos.

Estarei a fazer algo equivalente a dar aulas de História do Sexo?

Escreve hoje Pedro Mexia no Público (sem link):

Portugal viu maminhas pela primeira vez em 1969. A primavera marcelista fez-se anunciar no Tivoli, com os seios imunes a tesouradas de Romy Schneider (A Piscina, Jacques Deray). Portugal, império dos sentados, viu O Império dos Sentidos em 1991 e o arcebispo de Braga confessou que aprendeu mais em 20 minutos do que em 60 anos. Entre essas duas datas marcantes da cultura portuguesa, houve uma outra: 1983.
Em 1983, aconteceu o “caso Pato com Laranja”. Na minha vaga memória (tinha dez anos), era uma vaga polémica por causa de um filme “erótico” que passou na TV. Mas não foi bem assim: na verdade, o filme foi interrompido devido a protestos de espectadores, e surgiu um embaraçoso apagão até ser reposta a legalidade (tinha graça se tivessem metido Danny Kaye, como já tinham feito a Duran Clemente em 75). O caso fez uma vítima: o Presidente do Conselho de Administração da RTP, João Palma-Ferreira, que se demitiu. Um escândalo, daqueles bem pategos.
Seria curioso revisitar essa polémica nos arquivos dos jornais da época, mas até na Internet se encontram ecos do caso, como no conhecidíssimo Internet Movie Database, que conta: “Quando o filme foi exibido em Portugal, causou um pequeno escândalo político por causa de alegadas cenas explícitas. O administrador da TV pública apareceu em antena a seguir ao filme para pedir desculpa pelos conteúdos mostrados, e isso tornou um incidente menor num assunto político sério. Hoje em dia, ninguém ligaria nenhuma à cena em que a actriz mostra o rabo nu”.

Por sua vez, lê-se no Expresso (obrigado Maurício, pelo recorte):

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Confesso que o assunto dos (bons e maus) costumes e da imagem e vivência do sexo como fenómeno social e individual me seduz há muito e não apenas pela parte prática que é, confesso, a mais interessante de todas.

É sem embaraço que admito que parte dos meus primeiros trabalhos de pesquisa historiográfica (incluindo a minha primeira publicação e boa parte da que se seguiu nos primeiros anos de aprendiz de historiador) foram nessa mesma área. Aliás, há coisa de uma dúzia de anos, em fugaz aparição mediática, deixei-me fotografar com um volume com o título Sex in History.

E sempre me chamou a atenção o facto de (quase) todas as ideologias e regimes de matriz autoritária ou totalitária – incluindo nisso as comunidades libertárias ou os herdeiros de 68, tão ou mais traumatizados pelo sexo quanto as gerações anteriores – terem uma relação mal resolvida com a sexualidade humana.

Não há ditadura que se preze, mesmo se o Benito era um bocado malandreco e quanto aos Bórgia nem se fala, que não tenha a tentação de regulamentar o que se deve ou não fazer, quando, como, porquê e para quê.

E é mesmo estranho que correntes que se qualificam como liberais em matéria política e económica, recuem quando se chega ao leito (ou ao sofá, ou ao chão da sala, ou ao banco de jardim ou ao elevador) e desatem a querer regulamentar tudo.

Claro que tudo isto resulta de uma relação mal resolvida, fruto de escassa educação e descoberta acanhada em seu devido tempo, com o SEXO.

Vai daí, ficamos neste chove e não molha, não querendo educar, mas querendo comportamentos educados, não esclarecendo, mas querendo atitudes esclarecidas. Não fazendo, mas querendo que os outros também não façam.

Não querem beber água, não bebam. Mas não se agarrem à torneira para que ninguém mais beba.

PS divide-se na votação da lei sobre educação sexual nas escolas e “género” passa a “sexo

Bons Uniformes

BE questiona Ministério da Educação sobre proibição de vestuário em escola no Pinhal Novo

Já o sabia há algum tempo, mas esperava a fundamentação documental e confirmação das pessoas visadas pelo desejo do ME calar quem, em posições de destaque desalinha do que se pretende ser o discurso oficial.

Neste caso o(a)s PCE que prestaram declarações sobre o regime de assiduidade dos alunos e a forma como tem sido conseguida a diminuição das faltas. Entre visitas de inspectores com notícias de jornal sublinhadas na mão e outro tipo de pressões, há inquéritos enviados para 5 escolas.

As perguntas enviadas para uma das escolas, a partir do gabinete da ministra foram as seguintes:

a) Está correcta a citação, atrás referida, incluída no artigo do “Expresso” de 4 de Abril?

b) Se está, em que dados se baseou para afirmar que há “menor registo de faltas” e “maior tolerância na sua marcação”?

c)Se não está, foi pedido ao Expresso um desmentido da citação?

d) Os dados referidos pela IGE – diminuição em 43,3% do número de faltas dos alunos do secundário da Escola Infanta D. Maria – foram baseados na resposta da escola ao Inquérito sobre a Aplicação do Estatuto do Aluno. Confirma a veracidade e o rigor da informação enviada à DREC? Considera que os dados enviados pela escola foram correctamente transmitidos pela IGE após a acção inspectiva já referida?

.

Como estarão a perceber trata-se da Escola Secundária Infanta Dona Maria, cuja PCE, Maria do Rosário Gama está debaixo de fogo cerrado no interior do partido do Governo e a partir do ME.

A resposta já seguiu para a tutela e segue esta linha.

Não discuto a legitimidade do ME inquirir as escolas sobre o seu funcionamento. Não deixa é de ser curioso o modo cirúrgico como o faz. E como se nota que o objectivo é calar.

Assim como dispensa de participar em estudos da OCDE as escolas que levantam problemas.

censura1

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