Será Isto Um Post Confessional?


… é a arrogância e prepotência em relação aos que estão em situação mais vulnerável.

Porque acho ser uma forma muito infeliz de tentar resolver complexos de inferioridade.

👿

… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…

… quando um tipo já não tem paciência para levar uma discussão com escasso sentido até ao fim ou quando, percebendo-se que a coisa tem uma margem mínima de subjectividade, se prefere dar razão ao antagonista do momento do que prolongar o suplício que seria tentar que ele vislumbrasse um quantum de luz.

Ou quando se prefere declarar mais do que se recebeu ao fisco só para ver se ele nos larga. No passado, já funcionou…

Ou seja, já pago – literalmente – para não me chatearem.

O pior é quando as criaturas não pretendem, sequer, ter razão mas apenas chatear, chatear, chatear…

É válido para o fisco e para coisas aparentemente mais humanas.

E nessas alturas, juro que rejuvenesço um pouco…

 

Na falta de vontade para escrever sobre coisas mais interessantes – ou não – vou gastar algumas linhas com um comentário, algo lateral, acerca da incomodidade que alguns políticos sentem ao serem criticados por cidadãos comuns. Ou por alguém que julgam querer passar de cidadãos comuns a algo mais.

Não interessam agora os detalhes pessoais da coisa, pois nem foi caso inédito ou singular. Ainda me lembro da violenta reacção daquele Amorim morcão quando eu ousei questionar-lhe qualquer coisa ou mesmo uma reacção (pública, através do fbook) para além de qualquer minha deselegância de uma ctual secretários daqueles que não vão além de adjuntos.

Só que recebi recentemente um mail de uma pessoa da nossa classe política que não conheço pessoalmente e com quem nunca me cruzei na vida, mas que tive a sorte ou o azar de ter como governante e parlamentar e sobre cuja acção – neste caso, será mais inacção – tive a ousadia de dar a minha opinião aqui no blogue com uma sinceridade que parece ter sido contundente.

Ora bem… é a vida!

Tal como eu me presto a levar na cabeça pelos disparates que digo ou faço, com uma notoriedade a uma escala micro, também quem se deixa ir para cargos de responsabilidade macro se deve preparar para que nem toda a gente fique em estado de adoração.

Nem sequer se tratou de um texto particularmente adjectivado, mas parece que deixou um dos alvos com menor admiração pela minha sabedoria (e aqui sou obrigado a sorrir) e decidiu dar-me isso a conhecer.

O que eu até acho bem, aproveitando na minha resposta para corrigir factualmente a adjectivação efectivamente usada no tal post.

E para esclarecer que entre uma “sabedoria” mansa e moribunda e uma “não-sabedoria” ainda com alguma vida cá dentro, não há hesitações nenhumas da minha parte.

Entre nós o debate de ideias é uma coisa predominantemente endogâmica e quase tribal, com a pessoalização dos ataques a substituir um confronto mais transparente de ideias e argumentos.

As coisas azedam com facilidade e tornam-se acrimónias que provocam alinhamentos de cliques académicas e/ou políticas. Por vezes, justifica-se que se apontem as incongruências entre boas teorias e más práticas pessoais. Em outros casos, nem por isso.

Eu sou um elemento estranho a esses debates em forma de tertúlia aconchegada ou a esses confrontos entre trincheiras contrárias. Ando pela terra de ninguém. E só comecei a passear por lá quando houve possibilidade de me expressar sem filtros alheios, ou seja, quando o mundo dos blogues se abriu e amadureceu. Antes disso, aguentei com uma paciência que me é pouco reconhecida, vetos e anátemas diversos, fruto de vértebras pouco flexíveis.

Vem isto a propósito do facto de admitir, sem problemas, que não gosto de virar a outra face a qualquer bofetada e que gosto de ripostar, fazendo-o quase sempre num registo apropriado ao tom usado pelo “outro lado”. A escolha das armas do confronto, a truculência ou a civilidade da coisa, deixo-a aos outros.

Dito isto… sei até que ponto quem anda pela terra de ninguém, sem fidelidades tribais, disparando para aqui e ali é vulnerável a fuzilarias diversas. É algo adquirido de que não me queixo e que até aprecio, para não enferrujar o mau feitio.

E sei até que ponto, o tempo e a amplitude da antena que é concedida a “mestiços” depende muito do ponto até ao qual eles não excedem um nível aceitável de incómodo para quem apenas os tolera em nome de um pluralismo que se encena.

Já várias vezes me anteciparam o fim do tempo de antena e eu mesmo me senti tentado pelo vanishing act sem explicações profundas.

Mas há sempre algo que a dado ponto – é pretexto, eu sei – me impede de agarrar nos livros e só ler.

piu-piu

estava tão tristonho quando ela apareceu
seus olhos
que fascinam

logo estremeceu

os meus amigos falam que eu sou demais
mas é somente ela que me satisfaz

é somente ela que me satisfaz
é somente ela que me satisfaz
você só colheu o que você plantou

por isso é que eles falam que eu sou sonhador

me diz digo o que ela significa p’ra mim

se ela é um morango aqui do nordeste

tu sabes, não existe – sou cabra da peste
apesar de colher as batatas da terra
com essa mulher eu vou até p’ra guerra
ai, é amor,
ai

ai

ai

é amor

[Frank Aguiar] Morango Do Nordeste (interpretação livre)

É verdade, tive Práticas Administrativas no 7º ano, numa escola pública, em cujas aulas aprendi dactilografia. Desde então até agora pratiquei muito e escrevo com atroz velocidade, coisa que qualquer pessoa que me conhece pessoalmente e ao vivo sabe.

Também é verdade que tenho mais um neurónio do que a maioria dos que se espantam com o facto de escrever tantos posts como equipas de 20 ou mais colaboradores nos blogues “de referência”.

Não é pretensão ou vaidade, é constatação de factos objectivos.

Alguém tem problemas com isso, ó órfãos do relvas e antecessores?

IMG_3005b

Não é que antes não me tivesse deparado com teorizações do mesmo tipo mas recordo sempre aquela reunião de avaliação do meu ano de profissionalização (já a caminho dos 35 anos de idade e com mais de uma década a dar aulas) em que um colega, daqueles que entraram para o quadro logo à saída do aviário, me disse que não-não-não, eu não podia dar nível 1 porque determinado aluno até ia à maioria das aulas e não se pode dar esse tipo de classificação porque é desmotivante e não avalia todo o desempenho do aluno.

(pois, não avaliava, mas o zero é que não existe na escala.

Já com a mostarda a vir a caminho, por causa do tom de voz da santíssima criatura, perguntei em que documento baseava tamanha sapiência e determinação, se em alguma lei que eu desconhecia ou decisão do Conselho Pedagógico que eu não tivesse ouvido em reunião de grupo.

O homem baralhou-se, tropeçou em si mesmo e admitiu que não, mas que era melhor eu ir ao Conselho Directivo para não ter problemas, ao que devolvi que se eu lá fosse quem teria problemas não seria eu. Mas como sou bem mandado, lá fui, falar com a Directora (sim, uma das pioneiras, ainda nos anos 90) e de lá vim com o esperado sorriso porque a colega não era Papisa, nem mais Papisa que os Evangelhos não escritos daquela geração de sobredotados da pedagogia do sucesso em que a escala começa no 3 para quem se limita a dignar as aulas com a sua presença ocasional e sabe assinar o primeiro nome.

Desde então nunca me aconteceu nenhum episódio do género, pois não abuso do tal nível amaldiçoado, distribuindo-o com a dose que eu acho certa de parcimónia e justiça para com @ visad@ e respectiv@s colegas.

Mas sempre me interroguei acerca das raízes superficiais do discurso que quase impõe que o nível 1 só seja atribuído a quem não coloca os pés nas aulas, sendo que eu pensava que nesses casos nem se atribui nota, usando-se a alínea relativa à inexistência de elementos de avaliação.

E sempre conclui que a parvoíce é uma qualidade que anda por aí, muito bem distribuída e certificada, ao contrário de um sentido de justiça e uns pózinhos (gosto de escrever assim, desculpem-me) de justiça.

Imaginemos um aluno que até vai às aulas, mas cujo caderno é uma lástima, o manual não existe e não é por carências económicas, que não é sensível a qualquer argumento para que pare de falar do que lhe vem à cabeça com sorriso trocista e que, chegando aos testes, os atira para o canto da mesa, dizendo que não faz porque não sabe nada e pede logo para sair, repetindo-o insistentemente até eu responder-lhe em modo mostrada a sair pelo nariz.

É justo eu atribuir-lhe o mesmo nível do que o dado a um aluno com dificuldades, mas que vai tentando fazer alguma coisa, só que sem os melhores resultados?  Não estarei a desrespeitar o esforço e trabalho deste aluno, mesmo que ainda insuficiente, equiparando-o ao outro malandreco, que nem sequer sabe ainda gingar ao som de Lou Reed (nem sequer ouviu falar de qualquer música anterior a Agosto de 2013)?

A mim nem sequer complica os nervos ver um 6,5% e um 0% nos testes. Acontece, ninguém precisa de gostar de História e pode ter dois azares grandes (não é provável, mas é possível). Nem sequer que a atitude do aluno seja explicada com o seu staile… que é algo que nem avalio, apesar do escasso valor do cuidado com os dois brinquinhos que prefere acariciar de forma repetida em vez de passar um mísero sumário.

Por mim, tudo bem. Táááássssssssssssssseeeeeeeeeeeee Bêêêêêêêmmmmmm!!!

O que não posso aceitar – por muito que o já adolescente esteja em processo de definição da sua personalidade, afirmando-a por oposição à do adulto “castrador” – é que ele goze com o trabalho dos colegas e eu não possa fazer a devida diferenciação entre “atitudes e valores” muito diversos.

Porque, mesmo que não seja sempre verdade, eu sei que aquele 1 firme e hirto faz o seu efeito e é mentira que seja apenas desmotivante e que o insucesso se reproduza a si mesmo por causa disso. Pelo contrário, a experiência demonstra-me que na maioria dos casos, quando a coisa é assim bem explicadinha olhos nos olhos em sala de aula, sem véus e mantos diáfanos, o desempenho muda substancialmente.

Tanto é verdade, que ele já me perguntou que nota lhe darei caso comece a tirar Bons e Excelentes.

O nível 1 é traumatizante?

Depende.

Se for injusto é capaz de ser.

Aplicado com rigor, justiça e transparência pode ser uma lição muito útil para toda uma turma.

… que não passei enquanto aluno ao longo de todo o ensino básico na década de 70 e que raramente conheci enquanto professor desde finais dos anos 80 e só, se a memória não me falha, em turmas do Secundário no início da década de 90: turmas de 30 alunos no 5º ano.

A petiza cá de casa tem o prazer de ir experimentar a coisa. Na sua escola, salvo uma turma reduzida anda tudo entre os 26 e 30 alunos, algo que é, atendendo às instalações das escolas da periferia não intervencionada, um enorme atentado a qualquer inteligência mediana e um atentado ao trabalho de alunos e professores.

Eu sei que muita gente dá ou deu aulas em auditórios universitários para 100 ou mais alunos mas – há que dizê-lo com frontalidade – salvo casos de rara excepcionalidade pedagógica – eram uma grande porcaria de aulas, de sentido único e leiam lá as sebentas.

Agradeço ao actual ministro e às luminárias que o alumiam neste seu caminho em direcção ao desconhecido e mais além, a possibilidade da minha educanda conhecer um nível de ensino em piores condições do que aquele que eu experimentei em meados dos anos 70 na avermelhada margem sul.

É obra.

Claro que do novo tipo da Confap não espero nada, que ele anda mais preocupado com outras coisas, embora de vez em quando lhe venha a cólidade à boca.

E há uns anos, quando assinei e ajudei a promover aquela petição em defesa de uma diminuição do número máximo de alunos por turma não o fazia apenas enquanto professor corporativista, mas enquanto encarregado de educação que não está à espera de cheques para ir bater à porta dos colégios dos santos.

… cortava o cabelo na altura certa, fazia dieta e respondia fofinho e redondinho.

No país, na sociedade, nas escolas.

De gente habitualmente medíocre, com enorme défice de auto-estima, incapaz de enfrentar um olhar, mas que pelas costas faz arranjinhos à custa da maledicência sobre o trabalho alheio.

Custa-me que aconteça, em especial quando atinge gente amiga e inocente.

A sonseria está de volta nas escolas, em força, e afadiga-se em busca de informações sobre a avaliação. Tece tramóias, insinua, porque a cobardia raramente assume a afirmação, e enche o vazio da vidinha com as coisinhas pequenas que só a mentes tacanhas conseguem satisfazer.

Eles estão aí, de volta, e crescem na sombra húmida da tristeza e incerteza dos tempos. Não chegam a chicos espertos, porque esses ainda exibem a prosápia. Estes nem isso conseguem porque são realmente patetas, e passam por bons rapazes, cavalheiros até, pois fazem passar por simpatia e boa educação a ausência de convicções e de coluna vertebral.

Que pena eu tenho que nem toda a gente sinta energia e ânimo para os desmascarar.

Repito, custa-me mais quando atingem terceiros, que preferem não os confrontar, de tão desiludidos com tudo isto.

Mas não perdem por esperar. Sabem o quanto eu adoro ser inoportuno e meter-me no que não sou chamado…

…é não, será que tenho que alegar assédio ou estupidez?

Penso ser uma evidência que o mafarrico comentador multinicks muito bem destaca. Afinal há que dar aulas, pois não estou com 100% de redução paga pelo Estado para lutar, nem me devo conseguir aposentar no próximo quarto de século, muito menos com um par de milhares de euros que tanto me causam ciúme socio-financeiro. Tenho ali 26 guiões de leitura de 30 páginas para corrigir, fichas de trabalho para alunos com NEE, turmas PCA e turmas regulares (LP e HGP) para preparar ou corrigir. Tenho alunos para preparar para exame e todos para ajudar a serem pessoas responsáveis, coisa que nem todas as criaturas viventes conseguem ser. Trabalho que alguns já se esqueceram do que é, por manifesta falta de prática e vocação.

Para além disso, e porque a concorrência, o mercado e o trabalho independente não me atemorizam, vou fazendo os possíveis por diversificar a minha actividade profissional de maneira a não ter que depender do Estado como meu único patrão. Vou fazendo uns textos que me pedem e umas investigações que me dão gosto. Mas tenho orgulho em ser professor, não tornar-me professor após 25 anos de profissão sindical dependente de salário do Estado como o mui estimável e empático Camarada da Silva.

E há sempre uma vida para viver fora das redes virtuais, que é algo que quem perdeu os horizontes de um futuro, deixou de saber o que é.

Por tudo isso, é por demais evidente que o Umbigo padece de uma brutal falta de qualidade, oscilando entre um declínio evidente e uma pujança tabloidística. Ganhasse eu dinheiro com cada entrada e cada clique, ainda seria maior a erosão qualitativa e a cedência aos gostos das audiências que não lêem a imprensa online pura de princípios (mas fechada a comentários), nem se alimentam apenas de sites oficiais dos profissionais dos acordos.

Não fosse eu um trabalhador efectivo (como muita outra gente ligada a blogues e movimentos de professores), mas sim um profissional da luta pura e dura, não fosse eu professor com carga lectiva completa mas sim um representante vitalício que só toca no giz por desfastio, não fosse eu alguém que tem obrigações diárias e horários de trabalho a cumprir mas sim alguém que vai à luta quando a marca ou a reuniões em ministérios e locais selectos, não fosse eu autor do que escrevo em meu nome mas sim alguém que lê papéis elaborados por colectivos e talvez o Umbigo estivesse melhorzinho e não apenas com mesmo pagerank que o site oficial da Luta!

Tenho pena, mas a minha primeira obrigação profissional é para com o trabalho que faço, não para a organização que permite ter o rabinho descansado no gabinete (ou em alternativa o sofázinho após aposentação devidamente avisada pelos insiders). Portanto, se a coisa anda fraquinha há sempre a hipótese de optarmos por outras paragens e lermos as prosas magníficas dos lutadores a 100%. A começar pelo mafarrico multinicks e os seus profundos estudos encomendados por autarquias amigas, não falando dos seus arquivos pidescos (sim, também sei adjectivar a contento) de posts e comentários aqui do blogue.

Seu eu podia fingir que não leio? Podia, mas não era a mesma coisa.

Se isto é dar muito tempo de antena aos gundisalbus de esgoto? É possível, mas se não lhe batermos em devido tempo nos ossinhos, se não tomamos atenção estão a subir por nós acima e a morder-nos sem contemplações.

Se isto é tentar lidar com frontalidade com quem é, na sua essência, um pseudo-maverick cobarde, incapaz de se erguer à luz do dia em nome próprio? É, mas até os trabalhos sujos precisam ser feitos por pessoas de bem.

(com direitos de autor da expressão para a minha amiga Leide)

Há dias assim. Em que se sabem coisas que é bom saber, que nos fazem perceber que, em tempos, se fizeram coisas bem feitas, se cumpriu o dever, mas que deixam um travo amargo por se saber que o crédito nunca nos será dado, mesmo se por cá não se anda para palmadinhas nas costas.

Não me interessa se o post fica cifrado para quase toda a gente, se é um momento de descarga pessoal de um misto de bílis e auto-complacência: Mas apetece-me, até que mais não seja para que o estado d’alma tenha um registo para a posteridade.

E porque este blogue não serve só para o que os outros querem ler, mas também para aquilo que me apetece escrever. E porque a minha vida, que existia, existe e existirá muito para além deste espaço, nem por isso deve ser invisível em todos os aspectos.

Para colocar a coisa em termos simples: como muita outra gente, mas a mim doem-me mais as minhas coisas, nestes últimos anos aguentei com muita merd@ (desculpai-me as almas sensíveis, mas o que é, é, e deve ser nomeado enquanto tal) em matéria de PPP: nos planos Pessoal, Profissional e Político.

O último pouco me interessa, o primeiro não é para aqui chamado se não no sentido de ser afectado pelos outros dois. Resta, portanto, o plano profissional, sobre o qual, no seu comezinho quotidiano, raramente aqui me debruço por várias razões, quase todas elas facilmente compreensíveis e já explicadas. Mas que tem sofrido várias caneladas ao longo do tempo, umas à distância, outras mais de proximidade.

E são as de proximidade que mais me custam. Em especial em duas vertentes: quando se é objecto de acusações injustificadas e por vezes a roçar a demência e quando se não vê o trabalho reconhecido, talvez por se o fazer como se fosse fácil e natural.

Quanto às primeiras, de que vou tendo as costas cicatrizadas ou já quase imunes, o tempo acaba por demonstrar o seu disparate, mais tarde ou mais cedo.

No caso das segundas, infelizmente, por vezes passa demasiado tempo e nem sempre quem deveria reflectir sobre certas coisas que não aconteceram e agora acontecem o faz. Ou, pelo menos, não dá sinal de o fazer. O que vai dar quase ao mesmo.

Ao longo dos anos sempre tive poucas regras na minha conduta profissional, que raramente obedece a mais do que a  um conjunto de características que nem toda a gente associa a mim: prevenção de situações friccionantes, respeito pelos outros, algum tacto e transparência de processos. Quase sempre, na parte que a mim directamente diz respeito e às funções desempenhadas, as coisas correm bem e os potenciais conflitos são desarmadilhados antes da fase de explosão. Quase sempre, fiz os possíveis por proteger quem deveria ser protegido e tentei que fosse compreendido o que é compreensível, não escondendo o que estava evidentemente mal. Nem sempre fui assim tratado, mas esse é todo um outro campeonato a três voltas, incluindo uma em campo neutro.

E assim certas coisas pareceram correr sem problemas, de modo fácil. Talvez tenha sido esse o erro, não aumentar as insignificâncias, deixar gangrenar situações, ser arrogante, não prestar explicações. E depois armar-me em vítima. Talvez a conduta certa seja andar com queixinhas, sempre em romaria para… sempre em busca de cobertura.

É sempre interessante saber que certas coisas acontecem, em condições bem mais favoráveis, quando antes não aconteceram quando as ditas condições eram bem menos propícias.

O erro de fazer parecer fácil o que não é. O erro de tentar sempre proteger todos os envolvidos de conflitos desnecessários: alunos, professores, famílias. O erro de, como profissional, ter buscado sempre a transparência e a frontalidade. Para depois ver serem protegidos aqueles que cultivam a vitimização e o coitadinhismo, capas bem fininhas para outras coisas.

Pois… afinal o iracundo e irascível… sempre soube retirar a tempo as cavilhas das minas espalhadas no terreno, que gente bem mais competente e preocupada vai pisando com fragor.

O tempo passa, deixa-nos mais velhos, menos pacientes, mas… às vezes dá-nos o (único) afago que nos resta.

Obviamente, este é um post que cede aos meus humores, não carecendo de grandes comentários.

Poderia remeter apenas para o post abaixo. Mas acrescento algo mais, mesmo que redundante.

Para além das razões sistémicas da luta e tal, que como sabem a mim sensibilizam apenas o q.b., há as entranhadamente individuais.

Que são aquelas em que eu já não sei se ando border ou underline (private joke mesmo privativa para algumas pessoas) e já pago (ou deixo de ganhar) para me manter à superfície por não jogar suficientemente à defesa.

Porque quero, amanhã olhar para o dia a acabar e não ver sete das lectivas no dia seguinte.

É uma forma de resistência, nada festiva, diferente da daqueles cujo trabalho é fazer greves, pelo que estão com a pica toda de um ano à espera.

Eu estou à espera de descansar. E faço greve porque me fizeram estar assim. E a muitos outros fizeram pior. E prometem fazer ainda mais, do alto da sua pequenez secretarial.

Estou farto de secretários de estado e de ministros emproadinhos. Na 5ª feira também vou descansar deles e pensar, com tempo, no que lhes faria se os apanhasse ali numa sala de aula.

Nada de especial, mas difícil para os novos aflautados e engomados… tentar que percebessem que não há um país sem as pessoas que o fazem. E que todos somos transitórios por muito que julguemos de nós mesmos, das nossas teorias e da nossa visão.

Todos estamos de passagem, Mesmo os que se sentem donos de algo. Das nomeações a fazer ou por receber.

Faço greve contra esses. A favor de mim. Da minha sanidade. O resto…? O resto já me interessa muito pouco porque há muito que desacredito dos que só trabalham nos dias de greve. Se desse para fazer declaração de voto na greve, também a faria contra eles. E contra muitos presumíveis piquetistas também. Corajosos em bando. Nulas individualidades.

A greve radical. De total alheamento em relação aos actores deste teatro. Dos almofadinhas aos façanhudos. Dos que colocam cenho franzido de Estado (só seu!) aos que colocam voz altiva de Luta (só sua!).

Estou farto de todos.

Por isso faço greve.

E por ser 5ª feira.

… mas não se pode cair 500 lugares num ranking e culpar a brisa da tarde pelo facto. Porque se todos descessem por igual, as posições e distâncias relativas manter-se-iam. Quando a sonsice se torna a prática dominante e nada se faz contra isso… muito pelo contrário, as evidências tornam-se evidentes.

Sei que é daquelas coisas que irrita alguns espíritos, mas quero lá saber. É um post ensimesmado, mas também tenho direito a ele.

De acordo com as últimas informações, os meus alunos da turma de PCA obtiveram 92% de sucesso na prova de LP.

São alunos com trajectos escolares complicados, com perfis psicológicos e comportamentais muito próprios, mas na minha opinião formam um grupo, uma turma, com a qual consegui trabalhar, também à minha maneira, fugindo às fórmulas dos livros e aos conselhos dos especialistas.

Como não gosto de batotas, fiz questão que os 12 comparecessem à prova, mesmo os mais fracos ou menos assíduos. Se bem e lembram, houve mesmo um aluno que me dei ao trabalho de chatear ao ponto de ele interromper uma longa ausência só para fazer a prova.

Fui recompensado, pois tirou o B que eu esperava que ele tirasse. Deixou-me orgulhoso e espero que ele também fique.  merece-o. Pode parecer pouco, em termos de qualidade de sucesso as, neste contexto, não é.

Dos restantes onze, apenas uma aluna teve classificação de D, equivalente a Insuficiente ou Não Satisfaz. Paradoxalmente, está longe de ser a aluna mais fraca. Talvez aquela a quem a pressão fez mais estragos (isso e umas semanas de assiduidade muito irregular).

Há alguns meses tracei a mim próprio objectivos de sucesso para esta turma, objectivos esses que transmiti a todos os seus elementos. Como disse, é uma turma de PCA, formada por alunos com diversos diagnósticos de dificuldades de aprendizagem, com carga horária semanal de LP uma hora inferior à das turmas regulares e que fazem a mesma prova, no mesmo dia, à mesma hora. A prova está longe de ser um modelo de dificuldade, mas a verdade é que estes miúdos vão a jogo com um óbvio handicap.

Interiormente preparei-me para 25 a 33% de insucesso (3 a 4 negativas em 12), mas expliquei-lhes que, por uma questão de orgulho do nosso trabalho de 2 anos, deveriam chegar às 10 positivas. Assinalei os alunos que precisavam de trabalhar mais fortemente para conseguirem ter sucesso e trabalhámos a parte técnica, mas principalmente a atitude.

A confirmarem-se estes resultados (1 B, 10 C e 1 D), eles recompensaram-se e recompensaram-me com o seu trabalho.

Este tipo de felicidade e realização profissional só é possível, é claro, para quem está cá dentro e leva a alma para cada aula.

Tenho pena de quem não tem a possibilidade de a sentir.

Este é, obviamente, um post escrito em grande contenção, pois quero ver a pauta e só então festejar devidamente com eles.

Post em causa própria e algo confessional quanto a um certo enviesamento do olhar relativamente a uma reforma dos ciclos de escolaridade.

Estamos a caminho do final do ano lectivo e de um percurso de (apenas) dois anos com algumas turmas. Neste caso uma turma de PCA que teve os seus momentos baixos e alguns altos.

O balanço, no caso de LP, chegará daqui a um par de semanas com os resultados das provas de aferição.

Da minha parte e da deles já se sabe que é o fim de um trajecto que, contra o que todos pensámos de início, foi curto. Seis horas semanais o ano passado e oito este ano (LP+TIC, outras vezes LP+HGP+EA). Muitas vezes com a necessidade de recorrer a todos os truques do livro para nos aguentarmos mutuamente. Horas e momentos de conflito a par de horas e momentos de descompressão.

Uma belas discussões, uns bons momentos de trabalho em conjunto.

Uma relação algo disfuncional, que foi encaixando.

Agora, a sensação que está algo a meio de se fazer alguma coisa a sério.

O 2º CEB é o parente pobre do sistema de ensino, herdeiro do velho Preparatório, dois anos entalados à saída da Primária e a caminho do antigo Secundário.

Uma espécie de fóssil educacional vivo. Que persiste porque está desajustado o desenho dos ciclos de escolaridade com o modelo de formação de professores. Tudo misturado com demasiados preconceitos ideológicos.

Há quem queira anexá-lo ao 1º CEB e, seguindo alguns modelos externo, deixar um ciclo de escolaridade inicial, imenso, de seis anos. Para além disso, a formação dos professores que leccionam o 2º CEB é a mais heterogénea de todas, confluindo antigos professores que entraram na carreira com o 9º e 12º ano, completando as habilitações mais tarde com CESE e DESE, e outros que fizeram o curso universitário regular, com profissionalização posterior, passando pelos formados pelas ESE. É um mundo onde cabe tudo. Um microcosmos das heterogeneidades da classe docente. O que leva a problemas administrativo-burocráticos quanto à sua redistribuição em caso de redefinição dos ciclos de escolaridade. E a possibilidade de leccionarem desde o 5º ano não agrada a muitos colegas que estiveram habituados a leccionar o próprio Secundário. Eu sei, passei por esse ajustamento de leccionar o 12º ano e, em dois anos, passar a leccionar o 5º no início da década de 90. Sobrevive-se. Até com alguns ganhos em termos de flexibilidade pedagógica.

Mas essas questões têm sido um problema. Que a entrada dos professores-generalistas no mercado de trabalho ali por 2013 só vai agravar.

Eu acho que não faz sentido, numa escolaridade de 12 anos, manter os 2º e 3 º CEB separados. Discordo da extensão do 1º CEB para 6 anos porque implica um prolongamento desnecessário de um ciclo que, com quatro anos, está em condições de fornecer as bases fundamentais para o percurso posterior dos alunos. Manter os alunos seis anos em monodocência é um erro no estado em que estamos.

Um 2º ciclo de estudos de 4 ou 5 anos permitiria o desenvolver e diversificar de um trabalho que, como está, fica partido sem grandes vantagens. Na maioria das disciplinas, a fusão dos dois ciclos permitiria reorganizar o currículo e os programas de uma forma mais racional e progressiva, evitando-se repetições e sobreposições nem sempre dividamente articuladas.

Eu sei que estou a escrever isto porque hoje estou 4 horas com este alunos que demorei meses a entender e a aprender a gerir. Tal como os meus colegas de Conselho de Turma. E porque sei que eles vão passar para um novo CT que vai reiniciar todo um processo de conhecimento mútuo que implica um ou dois períodos lectivos que podem correr bem ou menos bem.

E isso poderia ser evitado.

Mesmo em turmas de tipo regular.

Era importante que em vez da opção repetidamente apresentada de estender o primeiro ciclo para seis anos, se considerasse a hipótese de segmentar os ciclos de escolaridade de outra forma. Início, desenvolvimento e conclusão da escolaridade obrigatória. De forma equilibrada. Não tem sentido uma introdução tão grande quanto o resto.

A partir dos gabinetes pode parecer lógico, olhando para relatórios de outros países e outras experiências.

A partir do terreno – mesmo que assumidamente a partir de um um ponto particular, de um observador interessado no processo – o que se sente é outra coisa.

Tenho um aluno que não aparece nas aulas há coisa de 2-3 meses. De quando em vez ainda aparecia em Informática, mas era só à 2ª feira e depois dizia-me que já estava chateado.

Por diversas situações pessoais, diversos anos lectivos culminaram em abandono e tem mais 3-4 anos do que a média dos alunos de 6º ano.

Percebe-se a relativa desmotivação e desenquadramento, mesmo se a turma não é de miúdos de 12 anos. Tende a isolar-se, apesar de ser bom colega e ajudar sempre que solicitado.

Não interessam detalhes específicos, apenas que é bom aluno e bem comportado quando aparece. O melhor da turma, quando aparece e mesmo sem estudar. Sabe pensar e, até pela idade, tem uma maior maturidade na sua atitude. Todos os mecanismos e diligências têm sido tentados por quem de direito para que ele volte às aulas.

Mas ele enfastiou-se, diz que não aguenta estar na escola.

A minha relação com ele foi sempre semelhante à que tenho com os outros, apenas lhe dizendo quando o via que andava a fazer asneira e que eu o queria a fazer a prova de aferição porque, ao fim destes anos com turmas PCA a fazer provas, gostava de ter um B e, até agora, por esta ou aquela razão (saúde, tribunais), os meus melhores alunos dessas turmas faltaram quase sempre.

Desde que começou o 3º período que lhe fui mandando recados por um amigo e pela irmã, minha aluna em outra turma. Na última 4ª feira disse à irmã que, se ele não aparecesse, eu iria pessoalmente à porta da casa deles (que não sei onde é) enfiar-lhe com um balde de alcatrão e penas, acaso não aparecesse às 9.30 na prova de aferição.

Na 5ª à noite, via Facebook, a irmã perguntou-me algumas informações sobre o que era necessário para ele aparecer e que matéria deveria sair. Respondi que ele aparecesse, mais o documento de identificação, que chegava.

E na 6ª feira apareceu e fez a prova, soube eu algumas horas depois através da irmã, novamente via rede social,

Não sei se o voltarei a ver este ano.

Mas… há algo em mim que sorri. O resultado já nem me interessa.

Página seguinte »