Será Isto Um Post Confessional?


… é a arrogância e prepotência em relação aos que estão em situação mais vulnerável.

Porque acho ser uma forma muito infeliz de tentar resolver complexos de inferioridade.

👿

… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…

… quando um tipo já não tem paciência para levar uma discussão com escasso sentido até ao fim ou quando, percebendo-se que a coisa tem uma margem mínima de subjectividade, se prefere dar razão ao antagonista do momento do que prolongar o suplício que seria tentar que ele vislumbrasse um quantum de luz.

Ou quando se prefere declarar mais do que se recebeu ao fisco só para ver se ele nos larga. No passado, já funcionou…

Ou seja, já pago – literalmente – para não me chatearem.

O pior é quando as criaturas não pretendem, sequer, ter razão mas apenas chatear, chatear, chatear…

É válido para o fisco e para coisas aparentemente mais humanas.

E nessas alturas, juro que rejuvenesço um pouco…

 

Na falta de vontade para escrever sobre coisas mais interessantes – ou não – vou gastar algumas linhas com um comentário, algo lateral, acerca da incomodidade que alguns políticos sentem ao serem criticados por cidadãos comuns. Ou por alguém que julgam querer passar de cidadãos comuns a algo mais.

Não interessam agora os detalhes pessoais da coisa, pois nem foi caso inédito ou singular. Ainda me lembro da violenta reacção daquele Amorim morcão quando eu ousei questionar-lhe qualquer coisa ou mesmo uma reacção (pública, através do fbook) para além de qualquer minha deselegância de uma ctual secretários daqueles que não vão além de adjuntos.

Só que recebi recentemente um mail de uma pessoa da nossa classe política que não conheço pessoalmente e com quem nunca me cruzei na vida, mas que tive a sorte ou o azar de ter como governante e parlamentar e sobre cuja acção – neste caso, será mais inacção – tive a ousadia de dar a minha opinião aqui no blogue com uma sinceridade que parece ter sido contundente.

Ora bem… é a vida!

Tal como eu me presto a levar na cabeça pelos disparates que digo ou faço, com uma notoriedade a uma escala micro, também quem se deixa ir para cargos de responsabilidade macro se deve preparar para que nem toda a gente fique em estado de adoração.

Nem sequer se tratou de um texto particularmente adjectivado, mas parece que deixou um dos alvos com menor admiração pela minha sabedoria (e aqui sou obrigado a sorrir) e decidiu dar-me isso a conhecer.

O que eu até acho bem, aproveitando na minha resposta para corrigir factualmente a adjectivação efectivamente usada no tal post.

E para esclarecer que entre uma “sabedoria” mansa e moribunda e uma “não-sabedoria” ainda com alguma vida cá dentro, não há hesitações nenhumas da minha parte.

Entre nós o debate de ideias é uma coisa predominantemente endogâmica e quase tribal, com a pessoalização dos ataques a substituir um confronto mais transparente de ideias e argumentos.

As coisas azedam com facilidade e tornam-se acrimónias que provocam alinhamentos de cliques académicas e/ou políticas. Por vezes, justifica-se que se apontem as incongruências entre boas teorias e más práticas pessoais. Em outros casos, nem por isso.

Eu sou um elemento estranho a esses debates em forma de tertúlia aconchegada ou a esses confrontos entre trincheiras contrárias. Ando pela terra de ninguém. E só comecei a passear por lá quando houve possibilidade de me expressar sem filtros alheios, ou seja, quando o mundo dos blogues se abriu e amadureceu. Antes disso, aguentei com uma paciência que me é pouco reconhecida, vetos e anátemas diversos, fruto de vértebras pouco flexíveis.

Vem isto a propósito do facto de admitir, sem problemas, que não gosto de virar a outra face a qualquer bofetada e que gosto de ripostar, fazendo-o quase sempre num registo apropriado ao tom usado pelo “outro lado”. A escolha das armas do confronto, a truculência ou a civilidade da coisa, deixo-a aos outros.

Dito isto… sei até que ponto quem anda pela terra de ninguém, sem fidelidades tribais, disparando para aqui e ali é vulnerável a fuzilarias diversas. É algo adquirido de que não me queixo e que até aprecio, para não enferrujar o mau feitio.

E sei até que ponto, o tempo e a amplitude da antena que é concedida a “mestiços” depende muito do ponto até ao qual eles não excedem um nível aceitável de incómodo para quem apenas os tolera em nome de um pluralismo que se encena.

Já várias vezes me anteciparam o fim do tempo de antena e eu mesmo me senti tentado pelo vanishing act sem explicações profundas.

Mas há sempre algo que a dado ponto – é pretexto, eu sei – me impede de agarrar nos livros e só ler.

piu-piu

estava tão tristonho quando ela apareceu
seus olhos
que fascinam

logo estremeceu

os meus amigos falam que eu sou demais
mas é somente ela que me satisfaz

é somente ela que me satisfaz
é somente ela que me satisfaz
você só colheu o que você plantou

por isso é que eles falam que eu sou sonhador

me diz digo o que ela significa p’ra mim

se ela é um morango aqui do nordeste

tu sabes, não existe – sou cabra da peste
apesar de colher as batatas da terra
com essa mulher eu vou até p’ra guerra
ai, é amor,
ai

ai

ai

é amor

[Frank Aguiar] Morango Do Nordeste (interpretação livre)

É verdade, tive Práticas Administrativas no 7º ano, numa escola pública, em cujas aulas aprendi dactilografia. Desde então até agora pratiquei muito e escrevo com atroz velocidade, coisa que qualquer pessoa que me conhece pessoalmente e ao vivo sabe.

Também é verdade que tenho mais um neurónio do que a maioria dos que se espantam com o facto de escrever tantos posts como equipas de 20 ou mais colaboradores nos blogues “de referência”.

Não é pretensão ou vaidade, é constatação de factos objectivos.

Alguém tem problemas com isso, ó órfãos do relvas e antecessores?

IMG_3005b

Página seguinte »