Sem Pachorra


Serviços mínimos em dia de greve provocam nova colisão entre MEC e FENPROF

Quando se fala de provas são só as que realizam os alunos ou também as feitas pelos professores? É esta a questão com a greve marcada para dia 19.

Despacho n.º 14421/2014 – Diário da República n.º 231/2014, Série II de 2014-11-28, da Presidência do Conselho de Ministros e Ministérios das Finanças e da Educação e Ciência – Gabinetes da Ministra de Estado e das Finanças e dos Secretários de Estado da Cultura e do Ensino Básico e Secundário
Cria o Grupo de Projeto para a Estratégia Nacional para a Educação e Cultura.

Não comento declarações exemplares de quem sabe que já não pagará por nada do que diga ou faça.

Ainda me lembro de quando defendeu de forma igualmente inflamada o Bettino.

Há que dar um desconto.

António Costa: «Estamos todos chocados» com detenção de José Sócrates

Só se for o Ferro Rodrigues, depois daquele rasgado elogio que lhe fez no Parlamento, mais os marimba boys que o aplaudiram.

Deslarga a herança, pá!

 

Inquérito BES: Teixeira dos Santos recusa influência de Salgado no governo socialista

 

Condições de vida recuam 17% numa década

Não sei como comentar isto, pois certamente uns acharão que salivo pavlovianamente, outros acharão que estou pejado de preconceitos e ainda haverá os que dirão que estou a, injustamente, meter vários governos no mesmo saco, sendo que houve uns bons e outros maus, de acordo com a situação e posição de quem olha.

Assim sendo, que comentem os reflexivos críticos, imparciais e imunes a qualquer mácula.

Vive lá no mundo dele, acha que tudo o que é inglês é bom, mesmo se o sucesso desta ou daquela academia não se reflecte no desempenho do sistema educativo no seu todo, cada vez mais desigual,

E depois escreve coisas como esta, a propósito da BCE (que ele confunde com “concurso de professores”) fruto de demónios muito particulares:

Parece relativamente compreensível que um sistema descentralizado e concorrencial funcione menos mal do que um sistema centralizado ou dependente de decisões políticas. Foi por isso que o modelo soviético faliu: porque assentava num modelo de decisão centralizado, em que os decisores locais não eram livres de tomar as suas próprias decisões — nem eram responsáveis pelos resultados das decisões que (não) tomavam.

Ora bem, se o sistema soviético faliu apenas por isso, estamos conversados quanto à profundidade da análise de JCE acerca deste ou de qualquer outro assunto.

Quanto se vai buscar o centralismo soviético para anatemizar qualquer coisa, mesmo que sem justifiação (o problema da BCE foi uma lógica de atomização mal aplicada), é porque vivemos encerrados na nossa cabeça, como penitência por eventuais pecados cometidos,  há demasiado tempo.

Para dizer o que todos sabemos e é útil ao desgoverno que seja dito para tentar apaziguar as gentes, tudo misturado com a treta da “captura do ministro pelo centralismo”?

Caro que haverá que se entusiasme do género “eh pá… até o Marques Mendes diz que…”.

O Marques Mendes diz o que, objectivamente, convém à Situação que seja dito, incluindo sobre um pedido de demissão do ministro que há semanas corre de boca em boca, mas só agora foi conveniente divulgar, após noticia do Expresso.

Umberto Eco escreveu A Ilha do Dia Antes; Marques Mendes faz os comentários dos dias antes. Por exemplo, na antevéspera já seriam escassa novidade.

Mesmo que acabe por falhar, não será de propósito.

Parece que está na moda o lugar comum do errar é humano e até parece que acertar é uma vergonha.

A malta já sabe que erra, prometam é que tentam acertar.

 

Há coisas que se lêem e ouvem, mas que é quase impossível acreditar:

Os ex-ministros da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e David Justino defenderam ontem que critérios de seleção de professores como “nota” e “anos de carreira” são o «grau zero da inteligência», estão «desregulados» e levam à «batota».

Então expliquem-me umas coisas:

  • Anos de carreira permitem “batota” e subcritérios da treta, feitos à medida, não permitem?
  • A “nota” é um factor de desregulação? Então, na última década, o que fizeram ambos para “moralizar” a forma de funcionamento dos cursos de acesso à docência e respectiva avaliação? Vão refugiar-se na “autonomia” virtual do Ensino Superior?

A posição de DJ já a conheço e prefiro comentá-la quando tivermos hipótese de o fazer pessoal e publicamente. Já várias vezes concordámos em discordar sobre diversas matérias, sendo esta uma delas. Em meu entender, DJ tem uma posição teórica válida sobre isto mas que choca de frente com muitos aspectos da realidade.

Quanto à ex-ministra prevaricadora, seria tempo de ela pensar no que diz, exorcizar os seus demónios de juventude e reduzir no disparate:

«Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento», referiu Maria de Lurdes Rodrigues.

Para a ex-ministra de Sócrates, «ter mais anos de profissão faz toda a diferença» e «deve ser considerado mas de forma significativa», ou seja «os anos passados a dar aulas e não tempo de calendário». Como exemplo, apontou o de «um conhecido sindicalista» que «chegou ao décimo escalão da profissão com três anos de docência apenas».

A diatribe final contra o tal “conhecido sindicalista” já é coisa patológica. Se queria resolver esse tipo de situações, teve mais de 4 anos, mas a verdade é que acabaram os dois a fazer entendimentos convenientes para ambas as partes, mesmo se danosos para quem passou efectivamente anos a dar aulas.

Quanto ao resto, MLR poderia explicar-nos o que fez durante o seu mandato para valorizar efectivamente quem estava nas escolas e, de caminho, explicar porque usou como CRITÉRIO ÚNICO (só podiam concorrer docentes do índice 245 para cima) de elevação à categoria de titulares, com acesso por quotas, exactissimamente o tal “tempo de carreira” que agora considera o “grau zero da inteligência”?

Haverá, um dia, decoro?

Um pinguito de vergonha?

Um mea culpa? Pela metade ou por inteiro?

 

 

José Manuel Fernandes mete a cassete e vai de fazer o mesmo de sempre… acenar com o bicho-papão vermelho Mário Nogueira como se ele fosse: a) a personificação de todos os docentes; b) um intrépido e perigoso revolucionário que domina o MEC há anos e anos.

JMF sabe mais do que isto, mas, mesmo sabendo, insiste na ladainha costumeira daqueles que acenam com o espantalho do “professor comunista” a quem não interessam as criancinhas (excepto ao pequeno almoço).

A argumentação é chata, repetitiva e preguiçosa em extremo. Para além daqueles crentes ferrenhos na conspiração comunista global, só ao próprio Mário Nogueira este tipo de verborreia agrada, porque o catapulta para a glória, logo ele que tanto gosta de assinar entendimentos e acordos ao som de pizzas no corredor, quando não anuncia o fim de greves em decurso, com 24 horas de antecedência.

JMF escreve coisas em piloto automático como esta, que se poderia encontrar em qualquer recanto da mais básica blogosfera anti-profes:

A verdade é outra: as dificuldades, maiores ou menores, que há todos os anos por altura da abertura do ano escolar são uma consequência directa do gigantismo paquidérmico do Ministério da Educação, do seu centralismo e da sua obsessão monopolista. É também uma consequência de o foco das suas políticas ser há muitos anos os professores, as suas carreiras e os seus direitos, e não os alunos e as suas famílias.

Isto é falso – os direitos dos alunos passam por amesquinhar os professores e colocá-los de acordo com processos errados? – e todos sabemos bem que o MN nem tem qualquer voto na matéria desde que Crato decidiu desgovernar a Educação, recorrendo apenas à FNE como parceiro legitimador dos seus disparates.

Quanto ao “mastodonte”… que Nuno Crato (será que o seu amigo JMF se lembra?) ia implodir é apenas uma estrutura equivalente à de outras regiões (nem digo países) ou cidades do mundo “livre”.

E já repararam que quando fala de professores, JMF insiste em fulanizar em alguém que nem dá aulas, mas quando fala do MEC nunca personaliza seja o que for em Nuno Crato?

Para além de que JMF escreve coisas que são factualmente erradas, como as suas reminiscências do ano de 2004 e a resolução dos problemas desse concurso… alegando que nenhum computador aguentaria tratar a informação relativa a umas dezenas de milhar (é batota dar a entender que toda a gente concorreu… eu, por exemplo, não concorri… e qualquer bom computador aguentaria… o software é que estava bichado e é triste confundir o soft com o hardware) e omitindo por completo que a coisa “estoirou” com Maria do Carmo Seabra já como ministra.

Já agora, o sistema “centralizado” que eliminou os mini-concursos pode ter sido “negociado” com os sindicatos, mas não foi uma proposta destes.

Basta confirmar com o próprio DJ (e é assunto de que ele já falou publicamente muitas vezes), coisa que eu sei que o JMF pode fazer em muito pouco tempo.

JMF ou erra por problemas de memória ou engana-se por falhas de raciocínio.

Mas o mais grave é mesmo a preguiça, a imensa preguiça de tentar espantalhar as gentes com o Super-Mauzão-Mário, O Comunista, chefe da horda terrível de profes vermelhos façanhudos..

Fica mal, ao fim destes anos, usar este tipo de estratégia digna de uma sebenta dos tempos da Guerra Fria.

Mas a agenda política do Observador assim o exige…

 

É na Visão desta semana e alguém que leia. Eu não.

’tá na net, meu, a kilar o time, meu, e apanha na mona com e-publicidade, meu. Cada vez c’um gajo (m/f/g) acede a um site, meu, tipo jornal, ainda fica mula (m/f/g) à nora p’a deletar a cena. Batata frita, meu!

 

 

MEC avança com bolsas de 1500 euros anuais para levar mil alunos para o interior do país

Secretário de Estado do Ensino Superior já assinou o despacho que aprova o programa +Superior. Já este domingo serão conhecidos os resultados do concurso nacional de acesso ao ensino superior.

Embora eles por vezes não entendam bem o que é “interior”.

A minuta que não era passível de alterações vai ser alterada.

Exmo.(a) Senhor(a)
Diretor(a) / Presidente de CAP
Escola /Agrupamento

Na sequência da nossa comunicação do dia 30 de agosto, considerando a necessidade de clarificar o texto da cláusula segunda da minuta do Acordo de Extinção do Vínculo de Emprego Público, tornando-o mais inequívoco, é retificado por aplicação do artigo 148.º do CPA.
Amanhã dia 4 de setembro de 2014 receberá uma nova versão, reforçando a informação de que a minuta não é passível de alterações, sendo apenas completada nos termos que ela própria prevê.
Fica assim clarificado que a compensação é aferida quer pelo valor da remuneração base correspondente ao escalão da escala indiciária do docente no mês de dezembro de 2013, nos termos do n.º 1 do artigo 4.º, quer pelo tempo de serviço apurado nos termos do artigo 5.º, considerando, também, o disposto no artigo 13.º, todos da Portaria n.º 332-A/2013, de 11 de novembro.
Assim, caso já se tenha verificada a assinatura do acordo seguindo a minuta anterior, deve V. Ex,ª convocar, de novo, o docente a fim de assinarem o acordo nos termos da nova redação.
Verificada tal circunstância, deve ser registada em ata a substituição de uma minuta pela outra, dando sem efeito o acordo assinado anteriormente (o qual deve ficar anexado à ata), sendo, no final, assinada pelas partes.
Deve, finalmente, ser enviada à DGAE cópia da ata, do acordo anulado e do novo acordo assinado.
Na circunstância de ainda não ter sido assinado o acordo na minuta que é substituída, deve ser utilizada aquela que amanhã dia 4 de setembro de 2014 se enviará, remetendo cópia a estes serviços.

Com os melhores cumprimentos,

O Diretor-Geral da Administração Escolar

Mário Agostinho Alves Pereira

ExpEcon30ago14Ainda hoje falava nisto, para uma peça de um jornalista alemão sobre o encerramento de escolas e o despovoamento do interior… que é o mau hábito que os portugueses terem da História uma visão mi(s)tificada e instrumental, usando-a e muito em particular aos Descobrimentos como argumento para uma representação idealizada de si mesmos e do seu passado.

A verdade é que os Descobrimentos (e a Expansão) não foram uma “empresa” consensual, que despertasse o entusiasmo “nacional”.

Tudo isso é mentira e tem um valor historiográfico nulo, fora de tertúlias amadoras ou profundamente nacionalistas.

Como “empresa”, os Descobrimentos tiveram muitos problemas, seja nas fases de “planeamento central”, seja naquelas em que vigoraram, já então, uma espécie de PPP.

Houve planeamento, às vezes, houve sorte, muita em muitos casos, e certamente algum engenho.

Mas… querer usar – nem que seja com todas as ressalvas de anacronismo – nos tempos actuais, pela enésima milionésima vez, o exemplo de um “projecto” como a “Empresa dos Descobrimentos” para servir de modelo estratégico para o desenvolvimento do país é uma mistura que já chateia de bacoquice e ignorância.

Porque ignora que os Descobrimentos foram feitos no tempo longo e que quando a Expansão mal tinha atingido o seu auge territorial, já o fracasso do modelo financeiro era evidente, exactamente pelas deficiências de um “planeamento” em que a ambição suplantou em muito as condições para a tornar sustentável.

Herdámos dos “Descobrimentos” uma mítica Idade Dourada que nos deixou falidos, com uma enorme macrocefalia no país e com um “tropicalismo oscilante”, mais dado a “miscigenações” do que a outra coisa.

Não conheço o articulista da crónica do Expresso Economia de hoje, mas nem parece dos piores exemplos nesta matéria (muito piores são os que dizem coisas destas e se firmam “historiadores”), mas aposto que é “economista de formação”.

E que tem bons e volumosos livros de História na estante, a começar pelos do Círculo de Leitores. Por abrir.

E nunca pensou ler, sequer, Gil Vicente.

 

… para discutir as coisas com todas a gente ou quase, procurando fazê-lo com seriedade, mesmo se a partir de uma perspectiva que é a minha. Claro.

Não me lembro de ter recusado qualquer convite ou desafio por causa de quem convidava, por ser mais ou menos próximo dos meus pontos de vista. Recusei algumas coisas, quase exclusivamente por motivos pessoais ou familiares que me impossibilitavam a presença, a deslocação.

Porque sempre achei que quando se abandona o terreno do debate, da discussão, ele fica à mercê dos “outros”, daqueles de quem discordamos.

E porque há sempre a hipótese de se conseguir alguma coisa, inscrever alguma dúvida, mudar nem que seja ligeiramente uma opinião.

Brincando o q. b. dentro do possível.

Mas… a situação foi evoluindo cada vez mais para a pura cegueira, surdez, para conversas em circuito fechado, auto-satisfeitinhas em demonstrar apenas a sua posição de partida, quantas vezes com absoluta desonestidade metodológica e intelectual.

Tornou-se cada vez mais difícil encontrar quem discuta as coisas para chegar a um lado diferente daquele em que está, mas cada vez mais se encontra quem apenas procura enganar quem ouve ou lê.

Se isto é novidade?

Não.

Não sou assim tão ingénuo há umas boas décadas.

Só que agora já começa a cansar e cada vez mais me apetece responder com disparate ao disparate, à desonestidade com o gozo, à auto-congratulação com o silêncio.

Reagir a números de circo e fogo de artifício com castanholas e pegas de cernelha.

Phosga-se, parece que me vai chegando a sensatez…

… a malta entende que se a sua “confiança” nas pessoas se baseie em factores pouco objectivos e baseados apenas no pedigree exibido pelos fatos e gravatas.

O problema foi mesmo quando deixámos deslocar a discussão para o terreno da equiparação entre as regras de funcionamento do sector público, que faculta serviços de tipo universal a todos os cidadãos, e do sector privado, em que só tem acesso a algo que o pode pagar.

A partir desse momento, quando se prescindiu da regra fundamental que era o imperativo de não misturar tudo, a porta ficou aberta para que se utilizasse a lógica da pseudo-racionalidade económica e financeira, que se tornou o centro do discurso de economistas de pacotilha e de toda o séquito de gente incapaz de fazer mais do que replicar o que leu numa má tradução de um livro qualquer estrangeiro.

Que agora queiram mudar tudo, mais uma vez, numa nova revolução que se destina, no essencial, a subalternizar progressivamente a independência de quem presta uma serviço essencial à comunidade e ao país, colocando o interesse público ao serviço das lógicas e ganâncias privadas, já nem me aquece muita.

A narrativa recolocada em movimento é a do costume e há uma década (ou mais) que é a mesma.Já a ouvi em primeira e segunda mão, sei quais são os objectivos e resumem-se a aceitar de forma acrítica a agenda dos queirozes&muñozes para os seus colégios, que eles acham bem geridos, pois sobra folga para os stakeholders viverem bem e viajarem melhor.

Por isso, o “caso” GPS nunca os assustou verdadeiramente, mera onda ocasional num mar calmo que apenas atrapalhou as coisas por uns meses. Mais… a lógica vai ser estendida ao sector público de um modo radical, com base na mentira da ineficiências e mais resultados do sistema educativo, tudo com a anuência de um ministro Crato que parece ter levado uma lavagem cerebral quase completa.

Tudo beneficiando ainda da incapacidade dos “lutadores profissionais” entenderem que não se tira o tapete aos representados quando alguma coisa parece estar a funcionar e que sem um reforço de uma identidade de corpo profissional (em vez da opção pelo apelo a esvaziadas “lutas comuns”) não se conseguem “lutas” eficazes. E beneficiando da incapacidade de certos “actores” conseguirem redefinir o seu papel, de maneira a recuperarem (ou ganharem pela primeira vez) o respeito das audiências”.

Nem falo na UGT/FNE que se baldeou por completo – desta vez nem disfarça – para o lado da “responsabilidade”.

Já esteve mais longe o dia em que o copo acaba por transbordar.

A mim não caem quaisquer parentes na lama se acabar a servir bicas…

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