Segurem-no Se Não Ainda Fica Mais Parado


Vive lá no mundo dele, acha que tudo o que é inglês é bom, mesmo se o sucesso desta ou daquela academia não se reflecte no desempenho do sistema educativo no seu todo, cada vez mais desigual,

E depois escreve coisas como esta, a propósito da BCE (que ele confunde com “concurso de professores”) fruto de demónios muito particulares:

Parece relativamente compreensível que um sistema descentralizado e concorrencial funcione menos mal do que um sistema centralizado ou dependente de decisões políticas. Foi por isso que o modelo soviético faliu: porque assentava num modelo de decisão centralizado, em que os decisores locais não eram livres de tomar as suas próprias decisões — nem eram responsáveis pelos resultados das decisões que (não) tomavam.

Ora bem, se o sistema soviético faliu apenas por isso, estamos conversados quanto à profundidade da análise de JCE acerca deste ou de qualquer outro assunto.

Quanto se vai buscar o centralismo soviético para anatemizar qualquer coisa, mesmo que sem justifiação (o problema da BCE foi uma lógica de atomização mal aplicada), é porque vivemos encerrados na nossa cabeça, como penitência por eventuais pecados cometidos,  há demasiado tempo.

… a malta entende que se a sua “confiança” nas pessoas se baseie em factores pouco objectivos e baseados apenas no pedigree exibido pelos fatos e gravatas.

Em declarações no Jornal da Noite da SIC, Miguel Sousa Tavares criticou esta noite o último episódio da crise no Banco Espírito Santo e que levou à queda da instituição. Para o comentador, “nem tudo foi feito” para salvar o BES e comparou a ação do Banco de Portugal nos últimos dias à de um “elefante numa loja de porcelanas”.

Já quanto a falar em paquidermes em lojas de artigos frágeis, penso ter MST toda a legitimidade…

… que mandou pensar que estamos em campanha eleitoral.

Ainda há muita gordura a cortar?

Temos de continuar a aumentar a eficiência da máquina do Estado. Já cortámos em despesas intermédias, mas quanto mais tornarmos eficiente a administração, mais podemos reduzir o seu custo. Não podemos é criar a ficção de que é possível terminar o processo de consolidação orçamental sem tocar nas grandes áreas de despesa do Estado, que são salários e prestações sociais.

Não é que Francisco Assis alguma vez me tenha despertado uma centelha de interesse, mas é sempre bom confirmar como se converteu num dos auto-considerados valores puros da nossa enfarruscada democracia, com pinceladas de intelectualismo bacoco. Veja-se este naco da sua potente análise encomiástica ao livro-rio de Vitor Gaspar acerca de dois anos da sua imaculada condução das finanças nacionais, em que se percebe que ele – seria de espantar – admira muito a sua acção, mesmo que “errada”.

Entre o erro da inteligência e o erro da mediocridade

Resulta bem claro da leitura da entrevista de Vítor Gaspar a Maria João Avillez que há um antes e um depois da crise do Verão passado.

(…) acabei de ler a entrevista que Vítor Gaspar concedeu a Maria João Avillez e que foi publicada sob a forma de livro.

A iniciativa em si mesma merece ser saudada. Maria João Avillez, a quem devemos alguns dos mais interessantes textos produzidos pelo jornalismo português das últimas décadas, conduz com subtileza o antigo ministro das Finanças pelos labirintos da sua vida pública e da sua inteligência. O resultado revela-se deveras interessante. Permite, desde logo, aceder à parcial compreensão de fragmentos relevantes da nossa história nacional recente, revela a complexidade de uma personalidade onde se associam a busca de uma racionalidade pura e a explanação de contradições intelectuais humanizantes e não deixa de apontar para as insuficiências da presente solução governativa.

Há uma coisa que Assis parece ainda não ter entendido, ao contrapor a tão exaltada inteligência de Gaspar à mediocridade de outros políticos… não me parece (e estou a hiperbolizar, claro) que os responsáveis por algumas das maiores atrocidades da História fossem pouco inteligentes. Faltavam-lhes era qualidades de empatia, de compreensão para com as diferenças, de respeito para com os que consideravam adversários. Muitos dos teóricos das maiores barbaridades dos últimos séculos eram pessoas com um nível intelectual bem acima da média. O problema era que para eles as pessoas não passavam de detalhes numéricos nas suas equações.

Como em Gaspar.

Quanto a Assis…  é apenas penoso lê-lo, mesmo que uma só página.

Que não me parece errada por causa da inteligência.

Nuno Crato: os exames electrónicos são o futuro

Eu não quero – muito sinceramente – parecer que estou contra tudo e mais alguma coisa, do tipo ludita sem travões, só que…

… lamento, mas discordo e discordo muito. Testes deste tipo só como complemento. Nunca como ferramenta principal da avaliação. Quem defende isso pode estar convencido de estar a ver o futuro, mas…  a ver outra coisa, uma nova forma de tele-escola pois a conclusão óbvia será que os meios electrónicos também poderão substituir grande parte das aulas presenciais.

O e-learning tem as suas potencialidades e as suas (evidentes) limitações. Mesmo o b-learning mais não é do que uma forma de reduzir custos, disfarçada de avanço tecnológico.

Nuno Crato parece ter-se tornado um autómato que defende um ensino despersonalizado, automático, mecânico, em que o factor humano é uma chatice.

Os indivíduos reduzidos a peças, a cliques, a códigos binários. Sempre fui crítico das teorias da conspiração que encaram a escola como uma fábrica, um mecanismo, uma engrenagem.

Mas…

Para quando a defesa do regresso ao ensino doméstico, com testes nestes moldes?

Como se vai começar pelo Inglês, que tal o homeschooling que tão atrai algumas bases do tea party, receosas que qualquer influência impura afecte o espírito das suas criancinhas?

Porque este modelo de ensino e avaliação, não há que enganar, pode ser o “futuro” em termos cronológicos mas… conceptualmente pode estar ao serviço de um dos modelos mais retrógrados e anacrónicos de educação.

Não chega o que te fizeram, ali queimadinho em fogo lento. para o Pires de Lima te ficar com o lugar e agora ainda te armas em estratega político?

Vai lá para a OCDE, dá-lhes o IBAN e deixa-te de conversas.

Santos Pereira defende «pacto político» entre PSD e PS

Ex-ministro também defende que Portugal vai precisar de um novo acordo de concertação social.

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