Rorschach


naga

Professores detectaram erro nos critérios de correcção do exame de Português

(…)

De acordo com a nova terminologia linguística, os actos ilocutórios dizem respeito às acções que se realizam através do simples facto de se dizer algo, numa determinada situação de comunicação, sob certas condições e com determinadas intenções, explicam as gramáticas. O acto ilocutório compromissivo tem como característica o facto de fazer recair sobre o locutor uma obrigação, o cumprimento de um determinado comportamento com o qual se compromete. No acto ilocutório assertivo o locutor afirma a existência de um determinado estado de coisas comprometendo-se com o valor de verdade incluído na sua asserção.

Isto é demasiada camioneta para a areia disponível.

O Iavé desconfirma e o seu dirigente máximo deve estar prestes a denunciar o lado lunar dos professores de Português que ousam detectar erros nas suas imaculadas provas.

Às vezes o excesso de alegada inteligência dá em figuras destas:

Pedro Lomba. “O governo tenta continuar e desenvolver o espírito do 25 de Abril original”

Mas ele sabe definir o que seria “o espírito do 25 de Abril original”?

Ou, como muitos outros mistificadores da memória, fez a sua reconstrução a gosto?

Mais um que, quando espremido, só tem para dar uma racionalização”:

Gosto de distinguir o 25 de Abril original do que veio a seguir. Não tendo eu vivido essas memórias, tive de ir racionalizando ao longo do tempo o que pensava. O 25 de Abril foi o acto fundacional do primeiro regime verdadeiramente legítimo da nossa história. Um regime de liberdades, porque existem liberdades e não uma liberdade abstracta.

Pedro Lomba, pelo que se lê, percebe pouquíssimo de História e de Teoria Política (o que é um regime verdadeiramente legítimo?)  e é uma daqueles que, da Esquerda à Direita (dos Rosas aos Ramos), tem daquela uma visão instrumental, destinada apenas a justificar o seu presente e nacos do seu passado.

No fundo, confessa o que sabemos… a filiação destes meninos num pós-marcelismo português suave e tropicalista (prós Relvas), moderadamente cosmopolita (para os lombas e maduros), em que os “radicalismos” seriam evitados e o povinho se manteria sereno e domesticado pelos inteligentes.

Patético.

Perigoso.

… dos 50 anos do navio-escola Sagres. Como achei assunto mais social que político, divulguei-a primeiro no FBook onde foi acolhida de uma forma meio estranha, em particular pelo público feminino, incapaz de se concentrar na embarcação e sempre a apontar detalhes relacionados com a decoração envolvente.

  • Para que fiquemos esclarecidos, esta é das mais sentidas homenagens à marinha nacional de que me recordo nos últimos tempos, se exceptuarmos a aquisição de submarinos pelo ministro Portas.
  • Em seguida, gostaria de destacar que o facto de os móveis parecerem do tipo IKEA não é motivo suficiente para criticarem esteticamente a opção de quem captou a imagem do navio.
  • O facto das velas estarem muito brancas apenas significa que foi usado um bom detergente nas lavagens, o que muito preza os nossos homens do mar, neste momento de aguda crise.
  • Chamou-me também a atenção o facto de, do lado esquerdo da imagem, parecerem estar elementos decorativos relacionados com o Oriente, nomeadamente katanas, ao que me parece e avaliar pelo que serão os cabos.
  • Não, não consigo identificar a planta que estão na jarra/vaso.
  • Não, não dá para perceber se foram cumpridos os requisitos básicos determinados pelo Feng Shui. Apesar de se notar que a luz vem do lado direito, sem sabermos a hora da foto, é difícil determinar a orientação dos pontos cardeais.

Por fim, é sempre agradável notar que uma imagem sobre a marinha nacional desperta mais comentários e reacções do que um excerto, digamos assim, de um Sartre ou de um Céline.