Revolta


Global protest grows as citizens lose faith in politics and the state

The myriad protests from Istanbul to São Paulo have one thing in common – growing dissent among the young, educated and better-off protesting against the very system that once enriched them. And therein lies the danger for governments.

Crianças ligam para o SOS Criança preocupadas com a situação dos pais

A sério… isto é horrível e só criaturas sem essência humana são capazes de ignorar situações destas quando fazem parte do nosso quotidiano diários e somos obrigados a funcionar como almofada emoci0nal para…

E o pior é que amanhã no Expresso teremos mais um artigo de opinião do Refundador Ramos…

Leitura sugerida pelo António Ferrão:

Predicting Global Revolutions, Civil Wars and Riots

What’s Happening in Wisconsin Explained

If you need to know the basics of what’s going on in Wisconsin, read on. If you’re already up to speed, you can follow the action on Twitter or jump straight to the latest updates from our reporter on the ground in Madison.

US Uncut

First day of action: February 26th

Anti-cuts: Alliance of defiance

Oxford, Bristol, Manchester, Lewisham… Jim Cranshaw and Emma Hughes talk to local anti-cuts campaigners.

Across Britain, local groups are organising. False Economy lists an impressive 100-plus anti-cuts campaigns – everything from three people painting a banner to groups with hundreds of members. The anti-cuts movement has not only reinvigorated local campaigning, but also raised important questions – crucially, asking how campaigns can involve people who are angry and want to take action but are not used to political or trade union organising.

Fighting for Freedom against Tanks, Mercenaries and Bombs

It has become a symbol of the fight against Libyan dictator Moammar Gadhafi: Protesters in the northern town of Al-Bayda faced mercenaries, tanks and bombs, but refused to buckle. Dozens died, but those who were wounded say they will return to the front if needed.

It was 9:30 in the morning on Friday when Abdel Aziz Abdallah learned that his son was dead. The 55-year-old received a phone call from an acquaintance with contacts to the unsteady regime of Libyan dictator Moammar Gadhafi. Abdallah’s son Farj, just 23 years old, died in a hospital in Tripoli, the acquaintance told his father. His body will soon be brought to his hometown of Al-Bayda in north-eastern Libya for burial.

O maior problema, por cá, é o entusiasmo epidérmico com as ruas em polvorosa, não havendo grande ideia sobre o que está sob o borbulhar da revolta. Se o poder nas ruas passar para a Irmandade Muçulmana (ou se ela vier a ter um peso importante no rescaldo de uma eleições democráticas) quero ver o que dirão muitos entusiastas de agora:

Egypt protests – live updates

Recebido por mail, sob anonimato.

· Em 2004 houve concurso para integração de professores nos quadros. Não sei quantos entraram.

· Em 2005 houve concurso. Entraram cerca de mil e tal.

· Em 2006 houve concurso. Entraram cerca de três mil e tal.

· Apenas houve novo concurso passados 3 anos, ou seja, em 2009.

· Neste concurso concorreram cento e tal mil professores. Destes, cerca de 67 000 eram contratados que tentavam entrar nos quadros.

· Nestes 3 anos de interregno nos concursos reformou-se muita gente e aumentou o número de alunos, muito fruto da aposta no ensino profissional.

· Foram integrados nos quadros 417 professores.

· Foi dito por um homenzinho pequenino, que me recuso a nomear, que foram colocados 30 000 professores.

· O homenzinho pequenino considerou uma colocação um professor que está efectivo numa escola passar para outra.

· O homenzinho pequenino, apesar de as escolas ainda não saberem as suas necessidades para o próximo ano lectivo, já sabe que serão necessários mais 39 000.

· O que está a acontecer, a minha pobreza linguística não encontra adjectivos para qualificar. Mas também não é isso que pretendo.

· Apenas pretendo que me dês uma opinião relativamente a uma dúvida que me atormenta: se as questões da avaliação motivaram uma LUTA e uma UNIÃO que juntou 120 000 bravos guerreiros em Lisboa, o que acabo de descrever será mobilizador para se juntarem 500 000 ou 600 000? Confesso que, dada a instabilidade do subsolo lisboeta, este não seja capaz de aguentar com  peso de tamanha massa humana. Não te parece?

· Tenho outro medo: depois do que acaba de acontecer, está tudo tão calado! Receio  que quando surgir o grito de revolta dos guerreiros (obviamente vai surgir. Mal era se não surgisse. Deus nos livre se não surgisse) seja tão forte que fiquemos todos com graves problemas auditivos.

· Só mais uma questão: os teus colegas de profissão (na qual obviamente não me incluo), que tão selvaticamente têm sido espezinhados por este governo, conhecem estes números relativos a esta classe de delinquentes que, de ano para ano, vagueia pelas escolas, chegando mesmo ao cúmulo de receberem quantias astronómicas de cerca de mil euros/mês?

Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra José Sócrates

Quase tão maus quanto os blogueiros são estes rockalheiros malvados…

Descontextualizam, contra-informam, agitam…

E um processo já a esta malandragem?

Tenho mais de uma dezena de moções em lista de espera para postar aqui no blogue. E atrás delas outros mails a anunciar tomadas de posição de grupos de docentes um pouco por todo o país. Se juntarmos a isso muitos docentes que entregaram os Objectivos Individuais antes da publicação do DR 1-A/2009 e que agora podem requerer que tudo seja revisto de acordo com as novas regras e mais aqueles que estão a ser forçados, de modo pouco legal, a declarar desde já se querem ou não ser avaliados e por vezes o fazem por pura reacção de medo instintivo perante intimidações, desinformações e faltas de informação, começamos novamente a vislumbrar um clima de completa sublevação pelo país em relação ao simplex2 da avaliação dos docentes.

Mesmo que avance, este modelo avançará numa versão esvaziada de verdadeiro conteúdo e de forma retalhada e muito parcelar.

A verdade – não há como negá-lo – é que nunca na história recente da nossa Educação, existiu um tão completo divórcio entre os docentes e a tutela.

E, num clima assim, nada de positivo pode acontecer.

Deveria existir a percepção disso por parte dos responsáveis políticos, que se dizem eleitos, mas eleitos também o foram alguns ditadores e muitos maus governantes, em conjunturas complicadas e quando a concorrência era fraca e escassa.

Não há que iludir a realidade: corre-se o sério risco de, perante a não entrega dos Objectivos Individuais por parte significativa dos docentes (50% que sejam), o sistema educativo ficar paralisado se o ME insistir, como parece adivinhar-se por algumas ameaças mais ou menos veladas, mais ou menos explícitas, em medidas punitivas.

A menos que seleccionem mártires para exibir em autos-de-fé públicos, o que seria um absoluto desastre em termos políticos e comunicacionais.

O ME enredou-se num labirinto com este seu recuo em forma de avanço e vice-versa e agora a situação só poderá tender a piorar.

A solução é evidente e só os estadistas adoradores de si mesmos colocam os orgulhos pessoais acima do interesse público.

Para bom entendedor…

(Cantar e praticar em todas as escolas)

Professores de Portugal
Gente nobre e denodada
Força fértil e vital
Desta Pátria sublimada
Acorrei à barricada
Defender a Educação
Dos filhos desta Nação
Oprimida e ultrajada

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de lutar
É preciso dizer NÃO

NÃO à prepotência vil
À torpe mediocridade
NÃO à morte de Abril
Aos chacais da liberdade
NÃO ao silêncio da voz
Ao sonho depauperado
NÃO à ruína do legado
Dos nossos probos avós

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de lutar
É preciso dizer NÃO

Recolhido do Dardomeu

Um dos motes mais usados nos últimos tempos quando se discute a situação da Educação passa pela evocação da manifestação dos «100.000» em Lisboa no dia 8 de Março.

Muitos não esperavam tamanha união. Muitos emocionaram-se ao sentirem os outros 99.999 ali ao redor. Muitos acharam que era possível mudar o mundo a partir dali. Muitos foram ingénuos.

Acho que não estarei a ser demasiado cínico se disser que, por histórica e emocionante que tenha sido, alguns de nós estavam plenamente conscientes que os resultados visíveis não poderiam ser imediatos, atendendo ás circunstâncias particulares em que vivemos.

Antes de mais porque, para o bem e para o mal, num regime democrático consolidado – o nosso sê-lo-á? – uma manifestação é uma manifestação, por enorme que seja, por muito que tenhamos querido que ela acontecesse e fosse assim e que tivessemos passado uma das mais inesquecíveis tardes das nossas vidas.

Só que perante uma manifestação grandiosa, mesmo em democracia, as políticas não mudam de um dia para o outro. Podiam ter sido 50.000, 70.000 ou 120.000. O sucesso e o impacto teriam sido sempre grandes mas perante um governo democraticamente eleito – sim, eu sei que estou hoje muito lírico – não há qualquer obrigação formal de mudar uma política, despedir uma ministra ou ir embora e bater com a porta.

As coisas não funcionam assim de forma tão automática, o poder não cai na rua com uma manifestação daquelas. Apenas abana. Estremece. Aguenta-se melhor ou pior. Mas não cai.

Há que perceber isso.

Perceber que tão importante como o abalo propriamente dito é o receio das réplicas e outras sequelas. O receio que a agitação continue, que a instabilidade se enraíze.

E foi isso que, em parte, aconteceu.

Terminada a manifestação, apressaram-se os defensores da «boa ordem democrática» a declarar que, pronto!, para além daquilo mais nada haveria a esperar dos professores e que aquele tinha sido o apogeu da sua contestação e que não existia plano B.

E durante algum tempo assim pareceu.

O problema é que, existindo ou não um plano B geral, percebeu-se também com uma certa rapidez que a larga maioria das escolas e dos docentes estava a funcionar numa situação de extrema saturação e que se corria o risco de uma implosão disseminada de todo o sistema.

A força dos 100.000 todos juntos tinha-se transformado num potencial rastilho ateado por 100.000 insatisfações individuais.

E foi isso que o entendimento tentou travar.

De certa forma não é incorrecto dizer que, bem ou mal, um dos efeitos práticos foi mesmo salvar o 3º período de uma situação potencialmente catastrófica para o funcionamento das escolas.

Mas, pelo que me parece, o problema apenas terá sido adiado para o próximo ano lectivo.

Porque os 100.000, com ou sem um plano B comum, andam por aí e não estão minimamente satisfeitos com a solução alcançada, mesmo que provisória.

E o ano de 2008/09 promete ser tão ou mais agitado do que tem sido este. O ME e os sindicatos precisam de perceber isso. E há rastilhos um pouco por todo o lado.

5. Decreto-Lei que define o regime do acesso para lugares da categoria de professor titular da carreira de educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário

Este Decreto-Lei visa regulamentar a realização da prova pública e do concurso de acesso à categoria de professor titular previsto no Estatuto dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Deste modo, os docentes dos quadros da rede de estabelecimentos do Ministério da Educação – que preencham os requisitos para acesso à categoria de professor titular ou tenham completado 15 anos de serviço docente com avaliação de desempenho igual ou superior a Bom – podem requerer a realização da prova pública, que se destina a demonstrar a sua aptidão para o exercício específico das funções de professor titular. Esta prova concretiza-se na apresentação de um trabalho pelo candidato e respectiva discussão, sobre a experiência do quotidiano escolar vivida no exercício efectivo de funções docentes.

Definem-se os domínios que podem ser objecto do trabalho a apresentar pelo candidato, competindo ao júri o estabelecimento dos critérios de apreciação da prova. Na composição do júri da prova, prevê-se a presença de elementos externos à escola, de reconhecido mérito no domínio da educação. Para efeitos da organização das provas públicas, podem os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas celebrar protocolos de cooperação nas áreas dos centros de formação de associações de escolas.

O recrutamento de professores titulares faz-se para lugares definidos ao nível do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, a que é atribuído um papel decisivo nessa selecção. O concurso reveste carácter documental, com incidência sobre toda a actividade desenvolvida pelo docente, e reflecte o rigor e a exigência que se pretende imprimir ao funcionamento do sistema educativo, tendo em consideração o resultado da prova pública, a habilitação académica e formação especializada, a experiência profissional e a avaliação de desempenho dos candidatos.

Estabelece-se um mecanismo de salvaguarda do interesse público através de um conjunto de normas reguladoras do recrutamento e provimento para os casos em que o concurso fique deserto.

Finalmente, define-se um concurso extraordinário de acesso à categoria de professor titular, aberto aos professores colocados no índice 340, em termos semelhantes aos fixados pelo regime do primeiro concurso de acesso para lugares da categoria de professor titular da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário.

Ora muito bem, comecemos pelo fim: o concurso extraordinário para acesso à categoria de professor titular mais não é do que a admissão da ilegalidade de que esteve ferido o concurso transitório do ano passado. Sendo esta praticamente a única solução possível, de qualquer modo não conseguirá repor a situação de modo equivalente ao que existia à data, pois neste momento já existem titulares a ocupar lugares e funções a que poderiam não ter acesso. Para todos os efeitos, declaro desde já que não tenho qualquer interesse directo ou indirecto neste assunto.

Agora a parte mais interessante e estimulante: confesso – batam-me já! – um certo gosto pessoal pelo «novo» modelo, não transitório, da prova de acesso a professor titular.

De algum modo corresponde exactamente ao que eu defendo para a progressão na carreira no final de cada escalão.

Não vou negar que, depois de provido e desprovido no espaço de uma semana (são contas cujo ajuste ainda decorre…), deverei candidatar-me à dita prova e a aproveitarei, pelos moldes em que é feita para publicamente declarar o que penso dos efeitos da actual política educativa no exercício quotidiano da docência.

E daqui apelo a que todos que se candidatem à dita prova, e pertençam ao núcleo dos que discordam destas políticas, aproveitem essa ocasião para fazerem o mesmo e darem forma concreta à sua indignação individual.

Se têm uma janela de oportunidade para clamarem por aquilo em que acredita, publicamente, aproveitem-na e demonstrem a vossa coragem e resistência, de forma coerente, fundamentada e articulada.

Eu garanto que farei isso, com indisfarçável prazer.

Eram para ser três posts sobre assuntos aparentemente diferentes, até que de súbito acabaram por ligar-se ao tentar escrever o primeiro.

Começando.

Alguém, já quase esqueci quem, usou a metáfora da Hidra aplicada à actual situação da Educação. De início achei a ideia despropositada, em especial porque não vejo nenhum Hércules nas imediações com capacidade para a combater, nem vejo o que possa ser considerado o veneno nesta situação. Mas também me apercebi que o próprio autor do texto provavelmente não será muito versado em mitologia clássica e que terá retido apenas a ideia da serpente com muitas cabeças que se regeneram e multiplicam a cada corte.

Ora essa acaba por ser afinal, na sua versão simplificada, uma analogia interessante para o movimento de contestação actualmente protagonizado pelos docentes, que deixou de ter o seu pólo agregador tradicional (os sindicatos, eles próprios multiformes) e explodiu em imensos nós de uma rede à escala nacional.

O que perturba as formas tradicionais de encarar os movimentos sociais. E repare-se como todas as organizações no terreno (ME, sindicatos, comunicação social, políticos) têm dificuldade em lidar com isso e, por comodidade, tendem por vezes a insistir em visões maniqueístas da situação, num modelo de binómio antagónico. Mesmo ao ME convém, agora, reabilitar os sindicatos como interlocutores (veja-se a sucessão de reuniões desta semana, independentemente dos resultados), para tentar esvaziar a incómoda contestação aparentemente polinucleada e potencialmente incontrolável. Pois a cada cabeça que se pretenda cortar, outra surgirá, por certo. Centrando o ataque na serpente sindical de cabeça única o combate é mais «confortável» e «seguro».

Ora o que se passa neste momento está para além dessa forma «confortável» de encarar a realidade que se tornou habitual na análise dos factos sociais. Sendo que a classe docente se uniu num protesto comum verifica-se que existem inúmeras vozes, sendo que cada uma sente que é o momento de se manifestar na sua individualidade e de prescindir de mediadores ineficazes e simplificadores da pluralidade do real.

O que alguns consideram «berros da rua» são apenas vozes a quererem ser ouvidas, porque muito tempo foram subalternizadas e filtradas.

As pessoas querem ser ouvidas.

E isso resulta do que eu, de forma apressada mas talvez mais exacta do que um conceito sofisticado, caracterizei como uma «imensa irritação» das pessoas (neste caso, os professores e educadores) a quem recentemente me perguntou qual a razão desta inesperada explosão sincronizada.

E porquê essa irritação?

  • Antes de mais, pelas razões objectivas de desrespeito público quem têm sido obrigadas a suportar, há já mais tempo do que o razoável.
  • Em seguida, porque muitas das medidas concretas que lhes são impostas não aparentam ter fundamentação credível ou, pior, nem sequer parecem os protagonistas interessados em explicar a sua razão.
  • Por fim, mas apenas por enquanto, porque ao olharem para aqueles que lhes querem impor essas medidas não encontram ninguém que lhes mereça qualquer tipo de segurança ou credibilidade acrescida em relação ao tipo que vai ali a atravessar a rua, por mais estimável que ele seja. Há que ser cristalino e claro: a generalidade dos docentes olha para a a 5 de Outubro e para São Bento e não encontra lá ninguém que considere ser detentor de um especial crédito de confiança ou mesmo de um qualquer capital de credibilidade em virtude do seu trajecto profissional e político.

E essa é, em grande parte, a razão de uma rebelião generalizada, com múltiplas vozes a quererem fazer-se ouvir, perante o «desconforto» das vozes instaladas.

Quando se ouve um porta-voz do partido governamental afirmar que «Foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal» qual se espera que seja a reacção?

A de uma imensa manifestação de irritação perante a arrogância de quem nada fez de notável a não ser estar de braços abertos quando a estrelinha da sorte chegou de Belém.

E os ruins somos nós?

Perto de três mil professores protestaram em Faro

Perto de três mil professores protestaram hoje em Faro contra a política educativa do Governo, numa manifestação que os organizadores garantem ter sido a maior realizada na cidade nas últimas duas décadas.

O desfile, encabeçado por Mário Nogueira, coordenador da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), decorreu nos cerca de 200 metros que separam o Teatro Municipal e o edifício da Direcção Regional da Educação (DRE) do Algarve, mas provocou enormes filas de trânsito à entrada da cidade.

Eu gostava de saber como será amanhã no Barreiro… concelho onde leccionei mais de metade da minha carreira e cujos colegas poderia ter ido até Setúbal no sábado, acho eu…

Quanto a mim, dia de semana às 18.30, não há hipóteses.

Esta é uma nota quase lateral, mas um pouco necessária como introdução ao que gostaria de escrever sobre este movimento de contestação genuína que se vive pela primeira vez em Portugal em muito tempo.

No Público de hoje, na página 2, em bom artigo da jornalista Isabel Leiria, percebe-se como tudo isto apanhou quase toda a gente de surpresa e ainda agora andam à procura de um rumo e um sentido conhecido para enquadrar o que se passa.

A certa altura lê-se que (sem link permanente):

Inicialmente promovidos por sindicatos afectos à Fenprof (à excepção da concentração no Porto, convocada por SMS, mails e blogues, sem que se tenha tornado pública a sua origem), os protestos têm ganho dimensão com ajuda da promoção feita em páginas na Internet dedicadas à educação e ao “passa SMS” entre milhares de colegas que se sentem “atacados” como nunca.

Ora, se bem me lembro, e até acho que me lembro ou conheço razoavelmente bem o que se passou em dois ou três dos primeiros núcleos de contestação, em nenhum momento os protestos foram promovidos por este ou aquele sindicato.

A análise que é feita está errada, não percebendo bem porquê, pois seria relativamente fácil seguir a cronologia dos acontecimentos (a que está no artigo parece desconhecer que as coisas não nasceram a 16 de Fevereiro no Largo do Rato), através do contacto com as pessoas envolvidas. Aliás, é estranho que alguns dos protagonistas que foram ouvidos (em especial dos núcleos das Caldas da Rainha e Leiria) realcem exactamente a independência dos movimentos e depois se escreva que tudo começou com a partir de acções sindicais.

Mais curioso ainda é o recurso a Manuela Teixeira, alguém com uma longa carrerira no establishment sindical mais sereno e ordeiro, +ara explicar o que se passa neste(s) movimento(s).

Ou seja, até quem acompanha jornalisticamente a Educação há muitos anos parece ter sido ultrapassado pelos acontecimentos e, perante as ondas revoltas, parece querer ancorar-se em pontos seguros e conhecidos.

O mesmo se parece passar com o presidente do Conselho de Escolas que, na sua abordagem do fenómeno prefere desvalorizar o que se passa, por perceber que os professores não se sentem minimamente representados pelo organismo a que preside e cujas opiniões o ME recorta a seu bel-prazer.

Álvaro dos Santos, presidente do Conselho das Escolas, admite que a contestação é “inelutável”, mas, pessoalmente, considera que alguma está a ser “empolada”. Como presidente deste órgão consultivo garante que vai continuar a “fazer tudo para que as escolas tenham condições efectivas para fazer bem o seu trabalho”.

Para o seu próprio mal, há quem não perceba que se virou uma página de uma história que cada vez se ia mais acinzentando em termos de movimentos de contestação social. Há quem se agarre ao passado para se sentir seguro.

E assim se vê quem tem receio da mudança e da inovação.

No que isto poderá dar? Em algo de completamente diferente do que conhecemos na nossa história recente, assim todos os interessados percebam que o sucesso depende da liberdade, independência e genuinidade do que se passa e que o importante é a redescoberta do orgulho de ser professor, como profissional e cidadão, e que essa identidade se faz promovendo a confluência de muitas diversidades, sem aproveitamentos particulares.

E tendo sempre presente que devemos ser nós a dar os bons exemplos.

pub24fev08.jpg

pub24fev08a.jpg

Se há coisas que me deixam indeciso entre a irritação e o tédio mais absoluto são as declarações públicas de «notáveis», em forma individual ou colectiva, a diagnosticar sintomas de mal-estar quando a doença já vai avançada. Sejam eles generais que até dirigem organismos dependentes do Estado que criticam (Garcia Leandro), sejam organizações que há 35 anos fazem parte da tessitura do regime e são formadas por quem fez o que há (SEDES).

Normalmente são considerações vagas, vagamente alarmistas e ainda mais vagamente oportunas, pois por via de regra apenas verbalizam evidências que qualquer observador atento percebe sem o recurso a análises muito profundas. Mais aborrecida é ainda a forma como, quando se lhes pede para concretizarem o diagnóstico, apontarem a culpa do mal-estar e soluções para o resolver, se ficam novamente por considerações vagas, fugindo a atribuir responsabilidades e ensarilhando-se no seu próprio discurso. Foi o que se passou nas entrevistas televisivas do general Garcia Leandro após o artigo no Expresso e com as declarações do presidente da SEDES, Vítor Bento, quando a TSF foi falar com ele.

Porque no fundo não querem desagradar. Apenas querem tempo de antena. Uma atençãozinha mediática. Um maior espaço na mesa dos «conselheiros» do regime.

Afinal o que era, não era bem assim. O mal-estar há, mas não há. Não é de agora, é de sempre. Não se percebe se dará alguma coisa ou não. Se a crise social está aí ou não está. Enfim, uma absoluta perda de tempo, espaço de jornal e e ondas hertzianas ou outras.

A verdade é que a insatisfação anda por aí e começa a sair à rua sem pré-enquadramentos organizacionais. E não são só «militantes de outros partidos» (eu gostaria que pessoas sem partido que estiveram no Rato exigissem a José Sócrates o que o ME anda a tentar extrair a Manuel António Pina). É muito boa gente cansada e farta, sem mais paciência para um estilo simultaneamente hard (a arrogância da atitude, a infalibilidade proclamada) mas muito light (a escassa fundamentação e a superficialidade do discurso)

O que se passou ontem em três pontos do país com grupos de professores a demonstrarem o seu desagrado com isto (e é bom que não se usem fórmulas simplistas para definir aquilo que pretendem) é algo que não se enquadra em vulgatas de má sociologia e/ou de ciência política de bar de Universidade ou de restaurante lisboeta ou portuense de 5 estrelas com direito a fumo de charuto. Muito menos em reflexões apressadas, entre a caça e o remanso do monte alentejano.

É a vida tal como ela é, sem ser vista e vivida pelas lentes das pseudo-elites políticas e culturais do portugalinho que se estende por uns quilómetros quadrados de Lisboa, Cascais, Porto ou Coimbra.

E é uma vida que se movimenta de acordo com lógicas imprevistas para os leitores e produtores dessa má sociologia (da inacção) e dessa míope ciência política rendida aos valores light do marketing.

Não é um mal-estar difuso.

São já os gritos da dor de uma doença a sério.

(e agora vou ali ver se perdoo a mim mesmo esta última tirada algo melodramática)