República(s)


 

ABomba18Mai12

A Bomba, 18 de Maio de 1912, p. 8

Clicar na imagem para aceder aos conteúdos. Nada de muito inovador, antes pelo contrário. è de estranhar que o CNE só consiga produzir isto sobre o tema.

PROGRAMA

10H00 | Sessão de abertura

10H30 | O ENSINO PRIMÁRIO
Património e quotidiano escolar, Maria João Mogarro IE/Universidade de Lisboa
Modos de ensinar, Margarida Felgueiras FPCE/Universidade do Porto

12H00 | Debate

12H30 | Intervalo para almoço

14H00 | ENSINO SECUNDÁRIO E SUPERIOR
Ensino técnico e profissional, Luís Marques Alves FL/Universidade do Porto
As Universidades, Luís Reis Torgal FL/Universidade de Coimbra

15H30 | Debate

16H00 | Pausa

16H15 | A MULHER E O ENSINO, Maria Alice Samara, ESE Setúbal

17H00 | Debate

Agradecendo a simpatia ao Tiago Tadeu:

A produção de roteiros distritais sobre a República. Passei os olhos por meia dúzia e, apesar de certos desequilíbrios na concretização, é algo de aplaudir. Até pelo preço (c. 7 euros por 120 páginas, ilustradas, em bom formato).

 

Agradecendo a simpatia da oferta ao António Barroso.

Continuo interessado em divulgar o que foi sendo produzido a nível local e/ou regional acerca da República, visto considerar ser por aí que muito do mais inovador tem sido feito para o conhecimento da República para além dos preconceitos e lugares-comuns enraízados.

Trabalho amador, de um autodidacta, mas mesmo assim (ou por isso mesmo) a merecer destaque.

Lançamento do Livro “A Primeira República e Penafiel” este sábado

Lourinhã: Palestra “As Mulheres e a República” com Manuel Dias Duarte

No centenário da República em Portugal Victor Manuel apresentou o livro “1º Centenário – A República na Moita

Oleiros na República

SERTÃ – “Ilustres Republicanos do concelho da Sertã”

“Viva a República! Viva Portugal! Viva a Trofa!”

Gostava que me enviassem referências ou digitalizações de capas de obras publicadas por estes dias sobre a República pelo país fora, pois quer-me parecer que o melhor do movimento editorial sobre o tema está fora dos grandes centros e em particular de Lisboa, onde se publicou muito do mesmo ou então de aparato para agarrar o euro á malta.

Fica aqui o caso da terra que, cm justeza ou não,  se considera a mais republicana de todas, esperando eu divulgar durante a semana mais uns quantos.

E como dizia o João Esteves na conferência que deu no sábado no Museu da República e Resistência, acabam por ser os professores de fora do meio académico universitário a fazerem ainda muita da pesquisa inédita sobre este período.

A República é o que está a dar!

Múltiplas instituições públicas e privadas, com fins políticos, culturais, académicos ou simplesmente mercantis, ao longo deste ano de 2010, têm desenvolvido variadas iniciativas que visam evocar o centenário da República. Proliferam, por este país fora, a realização de comunicações ou congressos e a publicação de livros alusivos ao tema, organizam-se representações de história viva, produzem-se séries de ficção televisiva e documentários, realizam-se competições desportivas, e até festas, banquetes e bailes são abençoados com o nome da República.

Creio bem que tudo isto não é censurável. E será até aceitável e talvez recomendável. No entanto, no meio de tanto ruído eufórico, e, porventura, de alguma encenação «barroca», receio bem que se perca de vista duas questões essenciais relacionadas com o passado e o futuro da República.

Primeiro, o chamado período da propaganda republicana (anos 40 do século XIX até 1910), encontra-se, de facto, muito bem estudado por historiadores como Fernando Catroga e Amadeu Carvalho Homem, para citar apenas dois que pertencem à Universidade de Coimbra. Contudo, receio que, no meio deste fogo-fátuo e de tanta (e, em vários casos, duvidosa) publicação de títulos, continuem por fazer e editar obras de investigação historiográfica de grande fôlego e verdadeiramente inovadoras sobre o regime republicano balizado entre a revolução de 5 de Outubro de 1910 e o golpe militar de 28 de Maio de 1926. A prometida síntese monumental sobre o tema – o Dicionário da República e do Republicanismo — parece ainda estar a ser lavrada e tarda em ver a luz do dia. E julgo serem demasiados os temas e as questões nas áreas da história política, da história religiosa, mas também nos domínios da história da educação e da história económico-social a necessitarem de ser desbravados e mais bem esclarecidos a partir de uma sistemática inventariação e interpretação de novas e velhas fontes.

Daí decorre que alguns historiadores e, o que é bem lamentável, os opinantes profissionais mais mediáticos da nossa ágora se percam em exercícios de reflexão demasiado especulativa e desactualizada, que, em muitos casos, enfermam de preconceitos e juízos de valor político-ideológicos ou até de outras razões mais crípticas de carácter psicanalítico ou mercantil. Desconfio, por isso, que tais atitudes esvaziem a sempre problemática análise histórica da sua necessária objectividade e não contribuam para um melhor esclarecimento do assunto tratado. Pior: suponho mesmo que essas intervenções possam até semear a confusão nos espíritos de muitos cidadãos.

Depois, será que caminhamos para o fim da República democrática e social no preciso momento em que discutimos apaixonadamente — e esterilmente (e anacronicamente) — se a República procedente da revolução do 25 de Abril de 1974 é herdeira directa da Primeira República oriunda da revolução de 5 de Outubro de 1910? Ou se a Primeira República foi demoliberal ou ditatorial, tolerante ou intransigente, laica ou jacobina, socialista democrática ou burguesa e anti-sindicalista, comedida ou esbanjadora do erário público?

Certo é que, quando soçobrou a Monarquia Constitucional, sobretudo as massas urbanas devotaram-se ao messiânico ideário republicano; quando tombou a Primeira República, muitos foram os que acreditaram (ou foram coagidos ou obrigados a confiar) nos milagres do «fascismo português»; quando o Estado Novo naufragou, o povo fiou-se nas panaceias socialista democrática, social-democrata, comunista ou democrata-cristã. Mas hoje parece já nada restar dessas ideologias. Ou melhor, no meio deste aterrador vazio ideológico, resta-nos inculcar a ladainha inconsequente dos economistas neoliberais anafados e fartamente reformados, que pelo menos durante os últimos 30 anos dominaram as instituições estatais, empresariais e financeiras nacionais, e só agora, «no fim do jogo» é que «previram» o colapso financeiro do Estado (!). Resta-nos, portanto, aceitar brutais planos de austeridade que nos conduzem, inexoravelmente, à recessão, ao desemprego e à miséria. E, enquanto Portugal sucumbe paulatinamente, resta-nos bradar mais uma vez o velho slogan socialista soarista «A Europa Connosco» – esperando talvez que os inimputáveis Durão Barroso, Angela Merkel, Jean-Claude Trichet e Vítor Constâncio sejam por uma vez tocados pela delicodoce fraternidade europeia e, a bem do povo, extirpem os pecados veniais cometidos no país, nos últimos anos.

5 de Outubro de 2010

Luís Filipe Torgal

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