Relativismos


Conseguirá a PT instalar um telefone ao Fafe?

Centenas de escolas vão fechar este Verão

Ministra da Educação não adianta número de escolas que vão encerrar

Autarquias: Encerramento de escolas faz parte do que está estabelecido nas cartas educativas – José Junqueiro

Quanto a estes, depois fazem um acordo qualquer, renegam-no, voltam a não sei quê, não há pachorra…

Nenhuma escola deve encerrar sem a concordância do município, diz ANMP

Mesmo quando X é muito superior a zero:

Fecho das escolas é gradual

Cerca de metade das escolas só fecham quando os centros escolares estiverem a funcionar

Das sete escolas apontadas para fechar este ano em Tomar, quatro só fecham quando o centro escolar de Casais estiver a funcionar. A mesma situação acontece em Ferreira do Zêzere e noutros concelhos do distrito de Santarém.
A primeira lista de escolas publicada era constituída por escolas com menos de 21 alunos, mas o seu encerramento é gradual e vai depender por exemplos da abertura de centros escolares e dos transportes escolares, entre outros factores.
No concelho de Tomar está concretizado o encerramento das escolas básicas da Cerejeira (Asseiceira), Vila Nova (Paialvo) e Montes (Olalhas), transitando os alunos, respectivamente, para as escolas básicas da Linhaceira, Curvaceiras e Olalhas.
As escolas de Alviobeira, Casais, Torre e Venda Nova só fecham quando o centro escolar de Casais estiver concluído, ou seja, em Janeiro próximo.

A questão já nem é o encerramento ou o número, mas sim a maneira completamente apalermada de insistir num número que parece ter propriedades místicas para alguém.

Não serão antes 666?

No acordo (apressado, vago, omisso) entre a ANMP e o ME nada existe de concreto sobre esta matéria, deixando a acordos particulares entre as DRE e as autarquias os termos específicos de cada caso. O que tem algumas vantagens, mas também poderá levar a tratamentos muito diferenciados, entre filhos e enteados. Será que este valor de 300 euros por criança vale como referencial para todas as situações, independentemente das condições.

A finalizar o primeiro período (ou mesmo mais cedo) seria muito educativo fazer o ponto da situação destes acordos DRE’s/CM’s.

Talvez o artigo mais estruturado que surgiu, nos últimos dias, na imprensa com o pretexto do desaparecimento do Leandro:

Vigiar, educar e responsabilizar crianças é preciso

O que fazer com os nossos filhos quando estes evidenciam, com a tortura reiterada dos seus pares, o lado mais negro do ser humano?
.
Não transcrevo mais porque merece ser lido todo. Está lá muito do que é importante entender, desde logo que nada é possível alterar numa sociedade que elevou o culto da desresponsabilização a modo de vida para o sucesso. As desculpas dos ruispedros no Parlamento não surgem do nada. São apenas um dos sinais mais evidentes da actual cultura dominante.

Eis a dura realidade:

pub13dez08b

Eis uma fantasia:

Há um projecto de compromisso  para negociar a carreira docente, desaparecendo a figura de professor titular.
A nova carreira terá 8 escalões e haverá um exame do 5º para o 6º escalão (ex- 7º e ex- 8º escalão). No período transitório os que se encontram no actual 5º escalão terão dispensa dessa prova.
A avaliação de professores durante a passagem de escalões será feita no final de cada escalão em que seremos avaliados pedagogicamente por supervisores recrutados das universidades (observação de 2 ou 3 aulas) e funcionalmente pelo futuro Director.
Quem não quiser ser avaliado este ano não sofrerá consequências na progressão da carreira, excepto os que sobem de escalão este ano e os contratados.

Daqui por uns tempos saberemos qual a verdadeira realidade e qual a aparente fantasia.

Nesta fantasia há duas ideias que não me repugnam: a avaliação apenas no final de cada escalão e uma prova (que eu gostaria que não fosse apenas escrita, mas tudo bem…) mais ou menos pública (que eu preferiria com júri alargado a 3 membros, pelo menos). Se retirarem as quotas da equação para a transição para os 3 escalões superiores, tudo fica mais simpático…

Professora julgada por maus tratos

Note-se que este caso remonta a 2002-2004, mas agora é repescado de forma pressurosa pelo JN. Seria interessante que repescasse igualmente outros episódios acontecidos na Invicta e seus arredores, como aquele com um conhecido ex-futebolista, ex-treinador e ex-seleccionador de futebol e o respectivo educando.

Mas para dar cobertura «científica» à desculpabilização eis que:

Docente do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho e investigadora do fenómeno de bullying (processo continuado e sistemático de agressões e/ou humilhações), Ana Tomás de Almeida critica a “dramatização” do caso. As imagens impulsionam a “não desculpar uma situação daquelas”, mas devemos ter em conta que é “empolgada por circunstâncias” inexplicadas. Não sabemos o que aconteceu, o que a precipitou. Algo teria irritado a docente em relação à turma ou à aluna? Ou vice-versa?

Pois. Relativizemos. Pós-modernizemos muito. Contextualizemos. Façamos como de costume. Envolvamos os factos em roupagens coloridas, tão coloridas que a certa altura esqueçamos a vergonha que vai lá por baixo.

Valha-nos, neste caso, Mário Crespo sua crónica de hoje que deve ser lida de fio a pavio, pois está lá quase tudo:

Maria de Lurdes Rodrigues tem um tremendo desastre entre mãos e contribuiu directamente para ele com as suas políticas de desrespeito de toda a classe docente e com o incompreensível arrazoado de privilégios estatutários garantísticos aos discentes, que estão a condenar toda uma geração e a comprometer o futuro de todo um país.

A manobra de branqueamento e relativização já está em marcha envolvendo os protagonistas do costume.

Perante uma ocorrência que deve ser liminarmente rejeitada e condenada, a tentação de certas correntes de opinião – que por acção ou omissão pactuam há muito tempo com o descalabro disciplinar – é salientar a «impreparação» da professora que se viu envolvida no lamentável episódio.

Gostava de ver muitos destes analistas de bancada, sem ser em visita com pergaminhos de VIP, a lidar todos os dias numa sala de aula com dezenas de jovens, numa daquelas dinâmicas de grupo sem rede que fazem o nosso quotidiano.

Daniel Oliveira, sempre um apressado defensor de todos os martirizados deste mundo e avesso a qualquer cheirinho de autoridade, afirma com aparente conhecimento de causa:

Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções. Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa.

Basta ler como Daniel Oliveira lida com este tema, para perceber que estamos perante alguém que deveria pensar antes de escrever. Ou informar-se. Sabe Daniel Oliveira se a professora tinha quem chamar e como? Sabe Daniel Oliveira se a professora conseguiria «convencer» a aluna a sair da sala? Não percebe Daniel Oliveira que a aula já estava interrompida? Perceberá Daniel Oliveira aquilo que indirectamente justifica, quando envereda por caminhos tortuosos como este:

Ser professor é difícil. Recebem-se na sala de aulas todos as falhas familiares, todas as falhas sociais, todas as falhas do sistema. E no fim, o mais provável é ser-se maltratado por quem falha em casa, por quem falha na sociedade, por quem falha no sistema. Mas é esta a profissão que se escolheu e todas as profissões têm partes difíceis.

Ou seja. Escolheram essa profissão, aguentem-se Será que Daniel Oliveira, tendo escolhido a vida política e da exposição mediática, estará disposto a arcar com todas as consequências desse facto?

Por exemplo divulgarem imagens suas recolhidas por telemóvel sem autorização no Youtube e num blogue, como fez de início Daniel Oliveira, antes de perceber o erro clamoroso em que caiu?

Mas a tese da impreparação da docente também assoma na imprensa. A finalizar o seu editorial de hoje no Público, Paulo Ferreira também escreve sobre a «impreparação da professora para lidar com a situação».

As palavras são quase as de Daniel Oliveira e aplica-se aqui o mesmo tipo de contradita. Será que Paulo Ferreira nos pode indicar onde se aprende a lidar com estas situações? Saberá Paulo Ferreira em que cursos ou cadeiras da Universidade se aprende a gerir este tipo de situações? Acha mesmo que é assim tão fácil como dizê-lo?

Perceberá Paulo Ferreira que são estas condutas, aliadas a uma desconsideração permanente por parte da tutela e dos analistas sabedores de tudo, que estão a empurrar centenas de professores experientes e com carreiras de grande mérito para fora do sistema de ensino, fartos de tanta agressão (a física, a verbal e a mediática)?

Mas claro que não poderíamos concluir este mini-périplo sobre os pedagogos de bancada sem irmos dar àquele que é o maior defensor do «novo paradigma» para a nossa Escola. Escreve-se a páginas tantas do Jornal de Notícias que:

Já Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), “repudia o comportamento da aluna”, solidariza-se com a docente, mas ressalva ser preciso ouvir os argumentos de ambas as partes para ajuizar. “Se além de apresentar um comportamento indesculpável e inaceitável, a estudante for culposa e dolosa, ou seja, se não tiver razões que justifiquem o telemóvel, deverá ter uma pena das mais graves – mas nunca a expulsão”. E explica porquê “Se não estiver na escola, a aluna estará na rua em perigo. As sanções a aplicar devem obedecer a uma estratégia de reinserção, levando-a a reflectir sobre a sua conduta”.

Lá está a necessidade de ouvir as duas partes e aferir se, afinal, a docente deveria cumprir as suas obrigações ou não e se a aluna tem o dever de ter um comportamento de civilidade básica (tal como a generalidade da turma) ou se teria justificativos para o telemóvel. E depois a extraordinária afirmação de considerar que a aluna não deve ser expulsa, porque se não estiver na escola, está na rua em perigo. Mas então e a família? Não existe? As hipótese são escola ou rua? E não saberá o senhor em causa que a aluna pode ser transferida de escola e não expulsa? Não leu atentamente a legislação?

Este tipo de abordagens da questão são legítimas, mas para mim são parcialmente incompreensíveis. E tanto mais inaceitáveis quanto eu tenho quase a certeza que, fossem outros os intervenientes, qualquer das individualidades acima citadas acorreriam logo com reprovação célere.

Alguém imagina Daniel Oliveira a considerar «impreparado» um militante bloquista atacado por um simpatizante neo-fascista?

Ou Albino Almeida a relativizar a agressão de um professor a um encarregado de educação?

Não me parece.