Refundição!


Mais uma distracção? Ou continua com falta de dinheiro?

Por outro lado, o que dizer da sua afirmação, em 2012, de que os reformados recebem mais do que pagaram?

E ele, como será?

Exp7Mar15

Expresso, 7 de Março de 2015

A leitura do texto que a seguir se cita é muito interessante e produtiva, para melhor percebermos o posicionamento de grupos privados que querem partilhar “o risco”, sendo que por isso se entende que eles ganham e os utentes do serviços é que arcam com o risco.

A reforma do estado torna-se assim algo equivalente a uma reestruturação empresarial, no sentido do mero downsizing à anos 80 mas com mais sofisticação retórica, não vale a pena ocultá-lo, em que quem ganha são apenas os tipos que aparecem lá a mandar despedir funcionários e fechar serviços.

Segundo esta abordagem, denominada de co-sourcing, uma determinada instituição pública associa-se, durante um período temporal definido, a um actor privado para a execução de determinada função. Esse parceiro assume a responsabilidade de transformar, de um modo permanente, as operações do organismo, recorrendo nomeadamente a serviços de consultoria.

As vantagens deste modo de colaboração são evidentes: transforma-se o Estado com base numa partilha de risco com o parceiro privado, qualificando-se os trabalhadores públicos para que estes fiquem aptos à futura operação optimizada, atingindo-se os ganhos esperados.

Já está suficientemente slim para não ir ao ginásio?

Paulo Rangel. “O período dos verdadeiros sacrifícios acabou”

Agora vamos apenas bincáre!

Meu caro homínimo… o seu lugar está garantido, assim como a derrota da sua lista. Seria tempo para deixar de fazer este tipo de figuras… eu sei que o mundo da política é volátil… mas isto fica impresso e um dia atormenta-nos a consciência (se ela sobreviver, é claro…).

O primeiro-ministro Passos Coelho esclareceu que a nova fórmula para o cálculo das pensões que, segundo avançou uma fonte do Ministério das Finanças visa substituir a atual Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), não passa de “mera especulação”. Passos garante, a partir de Moçambique, que o Governo ainda “não tomou qualquer decisão”.

… não está lá quase ninguém.

Será que é tudo delírio de esquerdistas? Não, não é!

… num ano em que até tenho o horário contado ao minuto.

VencDez11VencDez12

E 6000 euros em relação a 2010, ou seja 20% do meu rendimento.

VencDez10

Nesta caixa de mail tenho os recibos até 2007, quando recebi mais 2400 euros ao longo do ano do que em 2012.

E convosco, como foi?

Claro que sei que há quem ache que isto é muito dinheiro para trabalho qualificado que não se faz na base das equivalências de m€rd@, mas de medíocres anda este mundo cheio.

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(c) Antero Valério

 

E é hoje que começa aquela coisa em que o pessoal europeu se reúne para tratar da distribuição dos envelopes financeiros.

Portugal pode perder até 4,5 mil milhões em fundos se for aprovada a atual proposta de orçamento comunitário

 

(c) Antero Valério

“Precisamos de refundar o regime e rever a Constituição”

O economista e conselheiro de Estado Vítor Bento defendeu, na noite de quinta-feira, numa conferência em Coimbra, a necessidade de “refundar o regime e rever a Constituição”.

Quem quer fundar ou refundar pretende, no essencial, alterar a distribuição do poder existente. Fundar qualquer coisa significa criar algo a partir de algo já existente, por secessão, retirando parte de um poder já existente (foi o que fez Afonso Henriques) ou então criar um novo espaço de poder.

(a possibilidade de fundação de uma ordem de professores é um excelente exemplo do que escrevo, até pelas reacções que desperta entre os poderes que estão no terreno)

Não existindo fundação possível, a actual ideia de refundação – que não sei a quem creditar a paternidade, pois a Passos Coelho certamente não será (quiçá a Rui Ramos que atribuiu em passado recente um desejo similar a Afonso Costa) – significa, dentro de um mesmo espaço (político, social, económico), reconfigurar uma distribuição de poderes que se pretende estar mal feita. Neste caso o conteúdo da refundação é financeiro. Pretende-se retirar a uns para dar a outros.

O resto é tudo conversa da treta.

… é que salvo excepções que são realmente excepcionais (Mandela, será um caso…), os refundadores são fanáticos e dogmáticos, considerando que todos os que se lhe opõem são impuros, devendo ser expurgados do caminho.

Ainda em regra são portadores de uma mensagem que se pretende revolucionária, iluminada, que consideram não perceptível para a maioria, devendo a sua imposição ser feita por uma vanguarda minoritária, seja ela da tradicional esquerda radical, pregadora de uma falsa igualdade, seja de uma nova direita que se pretende liberal, mas do conceito só aprendeu a enunciação e uns chavões.

Os refundadores foram, historicamente, gente vingativa e com instintos sanguinários, seja no sentido mais literal, seja no sentido mais metafórico. São herdeiros de ideologias ou modos de estar totalitários, seja por herança directa, seja por reacção (e neste caso julgam-se ainda mais justos, por julgarem estar a reagir a uma injustiça anterior).

Tentam passar por firmes quando apenas são autoritários.

Enquanto se movem fora da esfera do poder ou apenas nas suas franjas, tentam passar por livres pensadores, inovadores, gente que só quer salvar o interesse comum. A verdade é que praticamente todos apenas pretendem dominar o aparelho de Estado e, usando dos mecanismos (olá Foucault, que alguns leram em novos, mas só uma ínfima parte percebeu para além dos maneirismos) da violência legítima (literal ou metafórica) proceder ao silenciamento ou extermínio físico ou social daqueles que ousaram opor-se à sua ascensão para além da coreografia.

Em tempos mais recentes, estes herdeiros de benitos ou maos, de fidéis ou anastácios tachos optam por abordagens menos estridentes e ostensivas na sua ânsia de exercer a sua acção revolucionária, digo, refundadora e de varrer do mapa quem os atrapalha, evoluindo da sedução e aliciamento para a intimidação e chantagem, tudo para que o silenciamento aconteça.

A História está cheia de exemplos de salvadores que quase acabaram, ou acabaram mesmo, com aqueles que afirmavam ir salvar.

É verdade que os re3fundadores que agora encontramos entre nós são de estirpe mais débil e duvido que soubessem responder de forma cabal a qualquer inquirição mais séria sobre aquilo que verdadeiramente querem dizer e fazer. Mas não é por serem mais ignorantes que são menos perigosos porque não há pior fanático do que o fanático que só tem uma ideia e tanto pior se a conhecer apenas a traço grosso. Basta recordar como muitos cristãos-novos se tornaram ferozes delatores inquisitoriais dos antigos companheiros.

A História, não sendo um eterno retorno, permite-nos, contudo, identificar os traços da máquina quando ela se coloca em movimento e a retórica começa a avançar, procurando terraplanar a contestação com falsos argumentos, deturpando as palavras alheias, tentando transformá-las na intolerância intelectual que os próprios praticam.

Aliás, nem sequer é por acaso que um dos ideólogos da actual Situação seja um historiador que crismou de segunda fundação (= refundação) a um período da História de Portugal que evidente e explicitamente abomina.

Porque as refundações, de novo por regra e com raras excepções, são quase sempre resultado de tentações e derivas autoritárias, para manter a semântica suave.

Mas… como em tempos recentes me preocupava a deriva solipsista e autoritária do engenheiro, agora aterroriza-me o delírio dos borginhos, relvettes e outros assessores de aviário que, repito-o sem problemas, apenas pretendem vingar-se de todos aqueles que julgam ter-lhes retirado (ou aos seus ascendentes) outrora os seus legítimos privilégios ou de todos aqueles que, por via de um escassa redistribuição que apelidam de socialista, provocaram a diminuição o que antes era uma calma acumulação de proventos numa oligarquia.

(c) Antero Valério

 

(c) Antero Valério

Nada de se fazerem tímidos. Pode ser com ph. Do mais fraquinho.

Mas dizem que faz mal durante a digestão, mesmo tendo sido peixinho.