Redundância


aguardo as apetecíveis gravações diáfanas do ano passado.

Para as comparar com as mesmas deste ano, pá & umas cenas bufas.

Confesso que foram mais as pessoas do sítio onde almoço regularmente que quase me obrigaram a…

Exmo.(a)  Senhor (a)

PAULO JORGE ALVES GUINOTE
NIF:  *********

Verificámos que exigiu a inserção do seu Número de Identificação Fiscal (NIF) em faturas relativas a aquisições de bens e serviços que efectuou.

Muito obrigado pela sua colaboração.

Como sabe, os comerciantes são sempre obrigados a emitir fatura em todas as transações que efectuam mas, a exigência de inserção do NIF pelos consumidores, garante que essas faturas são conhecidas e controladas pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Esse seu ato simples é muito importante para si e para todos nós, porque, a partir de agora, a AT assegura os procedimentos necessários para que o IVA que pagou nessas faturas seja efetivamente entregue ao Estado e cumpra a sua função.

Ao mesmo tempo, a AT garante que o IVA que pagou nessas faturas não será desviado ilicitamente por quem não cumpre a lei e, impede esses agentes económicos de concorrerem de forma desleal com os que, cumprindo, criam emprego e riqueza.

Aproveito este momento para lhe manifestar a gratidão da AT e relevar a importância do seu papel neste projeto de cidadania que é, o novo regime de faturação, designado por sistema e-fatura.

Com os melhores cumprimentos,

O Diretor-Geral

José António de Azevedo Pereira

Não chegava o artigo 24º? Agora… e se eu fosse pescar citações do actual MEC contra este tipo de alegre cavaqueira (no relation with Aníbal) legislativa?

O actual Governo está a colocar a sua clientela (liberal, recordemo-lo, daqueles que abominam o Estado menos quando estão encavalitados nele) no aparelho dependente do Estado…

Tem escolha múltipla…

 

Paolo Conte

… deu isto:

Já sabia que dava um triângulo, mas queria que fosse pior.

Não houve brancos nem nulos.

 

Nogueira Leite:

Nogueira Leite diz que Sócrates mentiu aos portugueses ou ao FMI

Mas a parte mais interessante das declarações foi quando este conselheiro nacional do PSD declarou que – ouviu-se na notícia radiofónica –  digam o que disserem todos os génios do PSD sobre estas matérias, o que conta é a opinião do líder.

Era tempo!

Eduardo Catroga no Público:

José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão. Tem uma máquina de propaganda montada há seis anos, poderosa. E o PSD tem uma máquina artesanal no campo da comunicação.

Mas sendo assim e sendo Catroga um delegado de Cavaco Silva no PSD, para quê a insistência num Pântano Central?

Sei qual a ideia – em termos gerais –  de David Justino, que já a tinha exposto na apresentação do seu livro em Lisboa. Mas enquanto as comissões forem formadas apenas por especialistas políticos e burocráticos, de onde estão ausentes professores no exercício em número significativo e não meramente simbólico, com capacidade crítica e não apenas seduzidos pela cooptação superior, não servirão para nada de útil pois ou produzirão documentos para a gaveta (caso do Debate Nacional sobre a Educação que o Parlamento promoveu há poucos anos) ou limitar-se-ão a repetir fórmulas estereotipadas e desligadas da vida concreta das escolas (muitos dos documentos do CNE ou produzidos por grupos de trabalho do ME).

Se é para reunir ex-ministros da Educação bem instalados em instituições privadas, outros ex-governantes responsáveis pelos erros do passado e que produzem estudos para o ME a validar o que fizeram, representantes dos interesses instalados no ME e no sector da Educação há décadas (as doutoras professoras com um pé na 5 de Outubro, outro na Universidade e o terceiro na formação de professores, pais vitalícios e sindicalistas perpétuos, mais directores aflitos com a carreira), nada de verdadeiramente útil será produzido. O estudo será belo, com muitas referências e brilhantezas, mas inconsequente.

Educação: Ex-ministro David Justino apela a criação de comissão que debata o futuro do ensino

 

Estamos a voltar à má prática do ciclo avaliativo anterior, que é remendar uma coisa que já de si é um remendo mal amanhado. O que está em causa – e já me cansa escrever sobre isto – é que o modelo de ADD está mal concebido mas, ainda antes disso, haveria que desenhar todo um processo de avaliação que deveria começar por apresentar um modelo mais transparente e justo, formar os potenciais avaliadores e só depois o ir implementando gradualmente. Por este gradualmente, podem entender-se várias soluções…

O que está errado é não perceber que – mesmo que existam os irredutíveis anti-avaliação que sempre o serão, por convicção ou (de)formação – este modelo foi implementado de forma errada, com princípios errados e uma metodologia perfeitamente incoerente, postiça ao funcionamento normal das escolas e que em nada o beneficia ou ao desempenho de professores e alunos. Apenas produz perturbação, quezílias e delírios papelentos.

CDS-PP anuncia diploma para simplificar avaliação professores, PSD quer fazer balanço

Talvez apropriado a alguma ministra, cogito eu profundamente de que…

A entrevista deixa-me uma sensação híbrida, entre a constatação do óbvio, algumas indicações úteis, a derrapagem para a desculpabilização sistemática dos agressores e a velada crítica à vitimização.

Passando para a actualidade. Existe de facto bullying em Portugal?

Claro. Como sempre existiu. O bullying é uma violência caracterizada por comportamentos de humilhação e de provocação em relação ao aluno. Nos anos 60, estava no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, e havia bullying. Mas não se estudavam essas questões e não se valorizava. Havia a noção de que as pessoas tinham de se desenrascar. Lembro-me de um jovem homossexual que era vítima de humilhações sistemáticas na casa de banho e no pátio. Hoje, felizmente, acha-se que as pessoas frágeis devem ser protegidas. Porque violência sempre haverá na escola. Isso é uma utopia dos anos 60.

Mas não faz parte do crescimento aprender a lidar com as dificuldades?

É verdade.

Então qual é o limite?

Há uma diferença entre um comportamento que pode ser episodicamente violento – que até é saudável, porque é importante que as pessoas aprendam a desembaraçar-se – e um comportamento de humilhação e provocação sistemático.

Há quem defenda que superar situações de provocação pode fazer da vítima um adulto mais forte.

Isso tem a ver com o perfil da vítima. Há quem saiba reagir e quem se vitimize: pessoas depressivas, inseguras. Mas os agressores também precisam de ajuda. É errado pensar que o problema se resolve punindo os agressores.

Nos EUA, nove jovens estão a ser investigados no caso de uma adolescente que se suicidou-se por ser vítima de bullying.

Isso nunca é bem assim. A pessoa nunca se suicida só porque é vítima de bullying. Há múltiplas causas que num determinado momento se somam. Por exemplo, temos a escola de Fitares e o professor que se suicidou, vítima – escreveram indecentemente os seus colegas do “Público” – da turma do 9.oB. Não se pode escrever isto. Primeiro porque houve pessoas da turma do 9.oB que não tiveram nada a ver com isso. Depois, o professor – que de certeza que sofria muita pressão dos alunos, ao ponto de escrever isso no computador – era doente psiquiátrico, estava em depressão, tinha 50 e tal anos e vivia com os pais.

Esta última parte é estranha na boca de um psiquiatra. Muito estranha. Nem me apetece comentá-la porque poderia escrever algo semelhante ao que Daniel Sampaio diz dos jornalistas do Público.

Afinal as alterações curriculares no 3º ciclo vão ser meramente cosméticas. Não percebo se é falta de ideias claras, se é falta de coragem política, mas é certamente falta de alguma coisa.

Vai-se de novo investir em alterações casuísticas, subjectivas, para consumo mediático e vantagens pouco evidentes para o funcionamento das escolas.

Que o problema maior está exactamente na transição dos 2º para o 3º ciclo e todas as estatísticas e estudos o demonstram – excepto para os teorizadores do trauma da passagem do 4º para o 5º ano – pelo que algo deve ser feito.

A minha opinião, nada nova, é que deveríamos fundir estes dois ciclos de escolaridade, até porque já funcionam nas mesmas escolas e, apesar de isso talvez provocar um certo franzir de sobrolho a certas doutoras e doutores, a maioria dos docentes ter uma habilitação académica equivalente, só ganhando em trabalhar mais em conjunto, sem a sobranceria típica de algumas aulas iluminadas pelo facto de darem 7ºs e não 6ºs anos.

Mudanças prometidas para o 3.º ciclo vão ser um “mero ajuste”

(…)

Contudo, o que a equipa de João Formosinho vai fazer é um “mero ajuste”, revela o professor e investigador da Universidade do Minho.

Para variar são inquiridos especialistas sobre os assuntos, mas nenhum professor em exercício nas escolas. Ou seja, teremos novamente um enxerto imposto de cima para baixo, delineado por especialistas e comentado por especialistas, sendo que por especialistas se entende quem fala sobre o assunto e o ofício, mas não o pratica.

Concordo, por isso, com o que afirma José Augusto Pacheco, que parece ser o único com uma ideia clara sobre o que está verdadeiramente em causa.

“O mais coerente seria uma reforma dos programas de todas as disciplinas e a criação de novos planos curriculares”, defende José Augusto Pacheco, director do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, para quem é “urgente uma nova reforma, pensada de forma integrada e não por passos”.
(…)
Para José Augusto Pacheco, o actual modelo curricular devia ser avaliado antes de se introduzir alterações.

Quanto a outras opiniões, há as que fazem sentido e as que nem por isso. É o caso de quem defende o conceito de mini-reforma, mas depois afirma que devem ser as escolas e os professores a configurarem o currículo.

Ou o caso do Ramiro Marques que acha que as escolas já têm suficiente autonomia para gerir o currículo, o que é uma ideia bastante peregrina e desconhecedora dos requisitos necessários para deslocar um bloco de 90 minutos na organização curricular, ao nível de escola.

Em relação à ideia dos exames em todas as disciplinas no final do ciclo é interessante, mas não chega. O sistema  necessita de uma maior monitorização do que exames à saída, a menos que os sistema de exames seja de tipo integrado, sem os vários ciclos a funcionarem cada um por si, uns com provas de aferição, outros com exames, com objectivos e finalidades diferentes.

Inês Sim-Sim e Carlinda Leite, presidente do conselho directivo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, concordam com a ministra e defendem que deve ser dada mais autonomia às escolas para gerirem o currículo, adequando-o ao perfil dos alunos, o que é impossível com um currículo nacional “tão recheado”, aponta Carlinda Leite. “Os professores deviam ser configuradores de currículo”, explica.

Ramiro Marques discorda. Actualmente, as escolas já têm margem para gerir o currículo e a tutela não deve prescindir desse poder. Por isso, o melhor é manter as disciplinas que existem e introduzir exames em todas, no final do ciclo. É bom para conhecer o sistema, o modo como as escolas trabalham, mas também para os alunos ganharem resiliência, recomenda.

Acho que a matéria ainda não está na edição online do jornal I.

I21Jul092

É um assunto que me diverte pela sua irrelevância prática.

Na esmagadora maioria dos casos, os pais e encarregados de educação já colocam os filhos e/ou educandos onde muito bem entendem, desde que exista vaga e sejam bem-vindos.

Vamos ser sinceros: só não consegue escolher a escolha dos seus filhos quem não a poderia escolher de qualquer maneira, mesmo com um método de escolha livre. Porque ou não teria meios para o efeito – e os efeitos de um eventual cheque-ensino seriam quase residuais – ou então porque os métodos de selecção das escolas melhores os manteriam fora, por não cumprirem os critérios mínimos ou serem indesejáveis.

A verdade é esta, mas é sempre interessante ver este tema renascer de forma periódica, normalmente a partir de uma direita que se afirma liberal e bem-pensante.

Por mim, que não me costumo achar muito de direita, tanto se me faz. Liberdade de escolha ou não.

A favor, tenho o argumento de, caso fosse legislada a total liberdade de escolha, a discussão ficar resolvida por uns tempos (poucos) até se perceber o falhanço da medida ou, no mínimo, o pouco que alteraria no panorama educativo nacional. Contra tenho a evidência de, onde a prática está mais instalada (EUA) o modelo acabar com a guetização socio-escolar da miudagem.

Por isso, o melhor mesmo é decretarem de jure algo que já existe de facto. e pelo menos haveria todo um largo sector da opinião sobre Educação que ficaria sem razão para protestar.

exp6dez08mlr

Maria de Lurdes Rodrigues faz hoje publicar texto em seu nome no Expresso. De forma oportuna surge, após notícias sobre o seu afastamento da ribalta, a defender aquilo que podemos considerar uma avaliação simplória dos docentes.

Após a contatação da fragorosa recusa do seu modelo de avaliação pela esmagadora maioria dos docentes, Maria de Lurdes Rodrigues faz a apologia do me, myself and i (que me desculpem os de la soul), faz o historial, na sua perspectiva, do último ano de recuos e termina com uma frase lapidar:

Estão reunidas as condições para, havendo consenso sobre a necessidade de um sistema de avaliação, avançar na sua concretização já este ano.

Esta frase, em si mesma, é quese irrecusável mas comporta diversas mistificações.

  1. Existe consenso alargado sobre a necessidade de um sistema de avaliação, mas não deste sistema ou modelo. Neste caso o artigo indefinido, ou que seja determinante numeral, substitui acertadamente o artigo definido “o” ou o determinante “este”. Pois não há consenso nenhum sobre o sistema de avaliação proposto, ou seja este que o ME nos quer fazer tomar como se de óleo de fígado de bacalhau se tratasse.
  2. Em seguida, se as condições estão reunidas para avançar este ano, o que se passou no ano lectivo transacto?
  3. Mesmo estando reunidas condições, não percebe Maria de Lurdes Rodrigues que o seu modelo de avaliação não funciona(rá) de forma justa, equitativa ou transparente, com ou sem simplificações?