Rede Escolar


Escolas primárias encerradas desde 2005:O que são hoje?

E quantas poderiam ter continuado a ser escolas?

O primeiro quadro refere-se a “escolas”, enquanto o segundo se refere a “unidades orgânicas”, sendo visível o gigantismo crescente de alguns agrupamentos. No ano lectivo de 2012-13 eram 132 os agrupamentos com mais de 2400 alunos, o que significa cerca de 18,5% das “U.O.”.

Em 2006-07 eram apenas 8 em 840, menos de 1%.

Quando se fala no aspecto “centralizado” do nosso sistema de ensino, de estruturas “mastodônticas”, gostava de saber se esta evolução não é um exemplo bem evidentes de concentração escolar e da macrocefalia crescente do modelo de gestão escolar.

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Do mais recente relatório do CNE, a ser apresentado no início da próxima semana.

A redução das EB1 é uma coisa brutal.

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Ja, ich verstehe Deutsch. Ein kleines bisschen (ufa… resta saber quantos erros dei…).

Land ohne Schulen

Die konservative Regierung in Portugal will mehr als 300 staatliche Schulen schließen, um Kosten zu sparen. Ein Großteil davon befindet sich im strukturschwachen Landesinneren, wo die Dörfer seit Jahren gegen Überalterung und Landflucht ankämpfen. Die örtlichen Behörden fürchten nun den Wegzug der jungen Familien.

Segundo depoimento para uma peça do site Educare, neste caso respondendo a questões sobre as (des)vantagens dos mega-agrupamentos, se funcionaram ou não, se tiveram mais ganhos para os alunos ou foram apenas um esquema administrativo para reduzir alguns encargos. De novo,a sensação de que me repito ao longo dos tempos, afirmando o mesmo, mas… não há volta a dar… provem que estou errado.

A resposta simples e curta é: não sabemos.
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E não sabemos desde o início deste processo que dados, para além das alegadas poupanças financeiras, justificaram esta decisão, nomeadamente no plano pedagógico e da própria eficácia organizacional.
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E, agora, não temos ainda qualquer saldo desta experiência, para além da redução de efectivos humanos e de algumas poupanças periféricas. Nada sabemos, em profundidade, sobre os efeitos destas medidas de concentração da rede escolar nas aprendizagens dos alunos e de que forma elas tiveram um impacto positivo ou negativo nos envolvidos.
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Esta questão coloca-se em dois planos: no dos alunos que foram obrigados a deslocar-se da sua escola de proximidade (em especial do 1º ciclo) para uma escola maior e mais distante, com consequências nos seus horários, nas distâncias a percorrer e, naturalmente, no seu próprio conforto e das famílias e no dos alunos das escolas-sede cuja gestão se foi tornando macrocéfala e cada vezx mais distante, o que também se acaba por cruzar com o aumento do número de alunos por turma.
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Não temos estudos que nos permitam acompanhar a evolução dos resultados dos alunos no 1º caso, acompanhando-os no seu desempenho nas novas escolas e comparando os seus resultados com os obtidos anteriormente pelas suas escolas de origem ao longo do tempo, nem temos estudos comparativos entre os resultados de alunos em escolas de dimensões diversas ou de cada agrupamento ao longo do tempo, à medida que foi aumentando.
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Este tipo de monitorização seria essencial para avaliarmos da justeza (ou não) das medidas tomadas e até que ponto elas se reflectiram positivamente no desempenho dos alunos. O que agora temos – os rankings, mesmo que menos simplistas do que nos primeiros tempos – é insuficiente para tal avaliação, que só pode ser feita com uma malha de análise mais estreita que não se pode limitar a médias que ocultam as disparidades e desigualdades existentes.
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Há todo um trabalho de investigação para fazer que parece não fazer parte das prioridades do MEC que divulga os dados de um ano lectivo quando o seguinte está quase a acabar e com um grau de detalhe que não é o melhor.

A decisão não era incontornável, muito pelo contrário e dificilmente as comunidades – ou as regiões e o país – ficaram a ganhar com mais um elemento propício ao despovoamento do interior rural e ao reforço dos centralismos e assimetrias locais ou regionais.

A um primeiro olhar, de mera lógica analítica ou mesmo de bom senso, esta medida conduziu a fenómenos que dificilmente poderemos considerar positivos e que, em alguns casos, são mesmo contraproducentes em relação ao que o MEC dizia serem as suas intenções.

A rede escolar concentrou-se e afastou-se das comunidades educativas. O mesmo se passou com a gestão escolar, cujo centro se distanciou cada vez mais dos agentes no terreno. Este distanciamento retira, como parece óbvio, rapidez e eficácia a decisões essenciais para o quotidiano das escolas.

A indiferenciação e despersonalização do ensino aumentou, pois uma coisa é tomar decisões para 100, 300 ou 700 alunos de um dois ciclos de escolaridade, outra tomá-las para 1500, 2500 ou 4000 desde o pré-escolar ao ensino secundário.

A autonomia reduziu-se imenso, pois a estrutura “administrativa” destes mega-agrupamentos levou à existência de escolas sem capacidade de decisão autónoma – que passou por completo para a escola-sede – bem como se criaram mega-departamentos-curriculares de funcionamento muito deficiente, sendo necessário a recorrer a soluções de tipo hierárquico e labiríntico para fazer circular a informação, ao mesmo tempo que desapareceu quase por completo a capacidade de fazer chegar sugestões, de forma eficaz e sem distorções, sugestões válidas da base (professores) para o topo (direcção).

Em suma, este modelo de mega-agrupamentos é uma imposição de natureza economicista, estando por provar que os ganhos “de escala” se traduzam em melhorias na qualidade do serviço público de Educação.

Para além da falta de estudos feitos com seriedade sobre esta matérias, as permanentes alterações da rede escolar todos os anos lectivos, introduzem elementos de perturbação adicionais para que qualquer análise possa ser feita com alguma estabilidade, seja ao nível da evolução diacrónica dos resultados dos alunos, seja da comparação sincrónica entre o desempenho das diversas “unidades de gestão”.

… para poupar uns tostões, é porque já não há mais nada do que a aridez economicista a guiar uma acção desprovida de interesse pelos alunos.

Há mais razões do que bons resultados para evitar o encerramento de escolas pequenas.

E há muitas formas de obstar a um seu eventual isolamento, reforçando laços com outras escolas do agrupamento (não foi para isso que os criaram?) e equipando-as de forma satisfatória, de modo a tornar atractiva a fixação de populações jovens.

Mas o país é para fechar fora das cidades, longe do litoral ou de alguns locais para férias, pelo que é inútil ir em busca de coerência nas palavras do actual MEc e dos que o antecederam e que fazem fila a reclamar a primazia no encerramento de escolas, ou porque começaram o processo (Roberto Carneiro), ou porque o recomeçaram (David Justino) ou porque fecharam mais (M. L. Rodrigues).

Como declarei para a peça, não há demonstração empírica de que “aqueles” alunos das escolas encerradas melhoraram os resultados nos centros acaixotados escolares. As médias valem o que valem e não me digam que é melhor para as crianças… elas podem habituar-se, como eu a uma dor de dentes na falta de um dentista, mas daí a ser bom…

DN7Jul14

Diário de Notícias, 7 de Julho de 2014

Porque se fecham algumas das escolas com melhores resultados?

DN7Jul14

DN, 7 de Julho de 2014

… sobre os protestos de autarcas quanto ao encerramento de escolas.

Sei que estarei a ser pouco justo com alguns, mas a verdade é que a maioria, no fim, ou amocha e assina ou assina desde que lhe passem o cheque e os miúdos que se lixem.

Pelo que… nem vou perder muito tempo, pois já vi isto em anos anteriores e em mais de 90% dos casos foi folclore.

… em que vários ministros da Educação já deste milénio se juntam em ambiente de tertúlia e exibem os seus pergaminhos em matéria de retrocesso da rede escolar do 1º ciclo em nome do progresso, da racionalidade económica e eficácia dos recursos.

Cada um no seu tom, reclamando o que é seu: David Justino relembrando que foi ele a dar novo alento um processo que já vinha do fim dos anos 80 (enquanto técnico camarário em 89-90 assisti ao início do processo), Maria de Lurdes Rodrigues a destacar que foi ela a principal encerradora de escolas e Nuno Crato a sublinhar que foi no seu mandato que se chegou onde nunca antes se chegara.

Algumas coisas podem dividi-los, mas esta é daquelas orientações políticas que os três partilham e defendem com o mesmo tipo de argumentos: os recursos são finitos, há margem para poupanças, os alunos ficam a ganhar com a deslocação para melhores instalações e assim até se combate o insucesso que será maior nas escolas mais remotas e menos equipadas.

Nem tudo o que afirmam é verdade, nem sequer foi cabalmente demonstrado que o sucesso específico dos alunos deslocados para os centros/caixotes escolares melhorou. Pode ser que tenha melhorado, mas até ao momento isso não foi demonstrado. Há mesmo elementos que indicam que as escolas de turma única têm resultados bem acima da média. E mesmo que sejam verdadeiros alguns argumentos, não foi demonstrado que não seria possível fazer melhor com outro tipo de acção.

Porque não foi demonstrado, por exemplo, que os encargos com o equipamento básico das escolas mais pequenas, de proximidade, é de tal forma incomportável que justifique a deslocação de miúd@s de 6 anos mais de uma ou duas dezenas de km, fazendo-os levantar-se e estar prontos (e regressar) quase uma hora antes (depois) do que precisariam.

A lógica desumanizadora e concentracionária, por baixar o custo médio por aluno, une a lógica da acção de todos os ministros, pois “quando se chega lá, há coisas que é impossível não fazer”.

Discordo.

Pub24Jun14

Público, 24 de Junho de 2014

… entre a concepção de alegada racionalidade e eficácia financeira dos meios que é partilhada pel@s sucessiv@s ministr@s da Educação e aquela que eu defendo.

Se é verdade que muitas escolas deveriam ser fechadas por falta de meios e alunos, muitas outras dos milhares que foram encerrados desde há uma dúzia de anos deveriam ter continuado a funcionar, reforçando os seus meios e não transferindo os alunos para caixotes escolares, grandes superfícies em que cada miúdo de torna um número e não um indivíduo.

Não vou voltar a escrever o que já escrevi e disse e que já me valeu epítetos de conservador a salazarista, passando por despesista. Nem interessa que as acusações sejam incongruentes e incoerentes.

Resumo tudo referindo que não consigo, em muitos casos, ver vantagens na transferência das crianças muito pequenas para supermercados da Educação – mesmo que cheios de prateleiras de imensos produtos, muitos dos quais nem vale a pena consumir – quando poderiam ter um atendimento personalizado de proximidade, mesmo que com uma eventual maior ligação a outras escolas fora da sua zona de conforto.

Não consigo encontrar quase nenhum ponto de encontro com a mentalidade que impera na 5 de Outubro, nesta matéria, desde David Justino a Nuno Crato, passando em especial por Maria de Lurdes Rodrigues, e que constitui um dos traços mais marcantes de continuidade da política educativa em matéria de rede escolar… de um colaboracionismo activo na desertificação do país, de voluntário desinvestimento nas pessoas que são mais “caras” à unidade e de adesão entusiasmada à racionalidade financeira e à lógica concentracionária.

E até hoje não me foi apresentado qualquer estudo que demonstrasse que os alunos transferidos para os caixotes escolares passaram a ser melhor sucedidos, apenas me apresentaram médias que não me conseguem explicar se eles se integraram positivamente (até posso acreditar que sim) ou não. e dizer que fechar escolas de proximidade combate o abandono escolar, mais do que uma falácia, é uma falsidade evidente.

Ministério da Educação fecha 311 escolas do 1.º ciclo no próximo ano lectivo

A posição da maioria das autarquias já nem sequer me interessa, pois é fácil perceber que grande parte delas se rende logo que lhes é acenado com o desejado “envelope financeiro” e muitas são as que anseiam, com escasso pudor, por “mais competências” que é para colocar os incompetentes caciques locais a mandar nas escolas públicas… quando o não conseguiram através dos Conselhos Gerais.

Para quando este tipo de iniciativa em outras zonas do país?

PCG VNG

Nuno Crato rendeu-se aos iavés e genés, mas vingou-se com a implosão da rede de escolas públicas e, por tabela, do país interior.

É a modernização, estúpidos e quem está contra é porque é atávico e salazarista. Isto é coisa que só está ao alcance de quem passou ou está “lá” e acha que há coisas que qualquer ministr@ tem de fazer, pelo que… mais valia colocar “lá” um qualquer autómato.

Governo quer fechar mais de 400 escolas

Proposta do Governo é para ser aplicada já no próximo ano letivo. A região centro do país é a mais afetada.

… e as impropriedades e os princípios esquecem-se logo. Basta olhar para o passado recente… e nem a direcção da ANMP ter passado para o PS resolve seja o que for, pois foram eles os grandes dinamizadores da coisa e com métodos perfeitamente similares.

ANMP denuncia “conduta imprópria” do ministério da Educação no fecho de escolas

Seis mil crianças em risco de mudar de escola em setembro

Uma classe política que usa as crianças e os idosos e doentes como moeda de troca na chantagem emocional sobre a sociedade é uma classe política podre.

 

… andarem a fechar escolas às centenas anos a fio.

Fechar escolas com menos alunos «é normal»

Ministro da Educação, Nuno Crato, de visita à China diz que o encerramento de escolas com menos de 21 alunos «não é assunto novo».

Três escolas podem fechar em Ferreira do Alentejo

Autarcas transmontanos contra encerramento de mais escolas

As nove autarquias da Comunidade Intermunicipal (CIM) de Trás-os-Montes divulgaram hoje uma posição conjunta em que se opõem ao encerramento de mais escolas numa região onde nos últimos anos fecharam mais de 300 estabelecimentos de ensino.

São óbvios nos efeitos no aumento das clivagens entre espaço urbano e rural, interior e litoral, mais tudo o resto que se tenta ocultar com as enormes vantagens de andar numa escola com 300 alunos em vez de numa escola com 20 ou 30.

Fala-se na necessidade de atenuar putativos traumas na transição do 4º para 5º ano quando se arranca a petizada ao seu ambiente logo para fazer o 1º.

Mas a confraria dos ex-ME corre em tropel a reclamar a prioridade ou o maior número de fechos de escolas do 1º ciclo pelo país, aquelas escolas que ajudaram durante tanto tempo foram um dos orgulhos das comunidades que as reclamavam para as suas crianças.

Não se trata de poupanças, de racionalidade económica, de vantagens pedagógicas.

Trata-se de uma visão dual do país.

O mais estranho é que tanto autarca – os tais líderes de proximidade – alinhe nisto de forma mais activa ou por inacção, apesar de eventuais coreografias contestatárias. Se o 1º ciclo é responsabilidade municipal… as escolas só fecham porque as autarquias o permitem.

MEC volta a fechar escolas do 1º ciclo no próximo ano lectivo

No ano passado não houve qualquer encerramento mas este ano ministério está a negociar com as autarquias nova vaga de estabelecimentos de ensino que deixam de funcionar. Número final não deverá chegar às 200 escolas fechadas nos anos anteriores.

O ano lectivo começou há 5 meses… não demorou muito: RedeEscolas.

Escola do Porto encerra e contraria garantias do Governo

Ministério avisa pais dos alunos da EB1 José Gomes Ferreira, no Porto, do fecho da escola três semanas antes do arranque do novo ano lectivo.

Por “nenhuma escola vai fechar este ano” entende-se um indicador de referência, a partir do qual se estabelece uma margem de erro aceitável, em que afinal poderão fechar escolas desde que antes se tenha feito um comunicado a explicar que é uma situação excepcional e, portanto, não cabe no conceito de “nenhuma” enquanto determinante não determinista, mas apenas relativo ou mesmo indefinido.

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