Real Politik


… é uma aliança com um dinossauro das Caldas!

O social-democrata Fernando Costa, eleito vereador pela coligaçãoLoures Sabe Mudar, disse nesta segunda-feira que vai assumir o pelouro dos Serviços Jurídicos no executivo municipal liderado pelo antigo líder parlamentar do PCP, depois de ter sido estabelecido “um acordo de princípio” com a CDU. Nas eleições de 29 de Setembro, a coligação PCP-PEV elegeu cinco vereadores, o PS quatro e o PSD dois.

“Há muitos pontos em comum nos dois programas autárquicos e isso facilitou o acordo. Tanto a coligação Loures Sabe Mudar como a CDU defendem uma gestão mais rigorosa e uma redução dos impostos municipais”, justificou o vereador Fernando Costa. O rigor nas contas municipais foi, de resto, a prioridade apontada pelo novo presidente da câmara, Bernardino Soares, no discurso de tomada de posse, na semana passada.

Da coligação Loures Sabe Mudar, que integrou, além do PSD, o Movimento Partido da Terra e o Partido Popular Monárquico, irá também assumir pelouros o vereador social-democrata Nuno Botelho, que ficará com as áreas do Turismo, Polícia Municipal, coordenação do Contrato Local de Segurança e serviços do veterinário municipal.

Esta tarde ainda havia quem dissesse que a coisa era quase informal, qualquer coisa pela Assembleia Municipal e não se fala muito nisso.

Não, é uma aliança formal com distribuição de poder efectivo. E é bom que se note com quem.

A norte, a uma outra escala, também se encontram afinidades…

Recolhi o esclarecimento que se segue no FBook, em comentário de um autarca do PCP da freguesia onde lecciono (e que entretanto já decidiu ofender-me pessoalmente por lá como mentiroso, algo que já nem me aflige) e que corresponde no essencial a um outro comentário que eu já lera do deputado Miguel Tiago no mural do André Freire, a justificar a aliança informal entre CDU e PSD na câmara de Loures.

Esclarecimento sobre Loures, Pelouros e Práticas Democráticas Salutares:
1. Tal como é prática habitual do PCP e da CDU, sendo força maioritária (mas sem maioria absoluta), o PCP ofereceu pelouro na CM Loures a todas as restantes forças partidárias (PS e PSD). O PS não aceitou os pelouros e o PSD aceitou.

2. Na Assembleia Municipal de Loures, o PCP convidou o PS para 1º Secretário da Mesa e o PSD para 2º Secretário. O PS não aceitou e o PSD aceitou.

3. O PCP tem uma postura de valorizar o pluripartidarismo nos órgãos autárquicos, postura aliás traduzida também na defesa que faz do poder local contra a ofensiva PS e PSD que querem executivos monocolores.

4. O PS, em Lisboa, por exemplo, chamou apenas o PSD para a Mesa da AM, sem sequer convidar ou comunicar o PCP.

A verdade dos factos é que, na zona onde vivo e trabalho, esta prática de distribuir pelouros nunca foi a regra da CDU, em especial quando em maioria. Eles ficam com tudo e não deixam nada. Só deixam pelouros para os outros quando a maioria é relativa. E na maior parte dos poucos casos isso acontece com alianças com o PSD.

A verdade é que numa das suas vitórias mais emblemáticas, a CDU decidiu aliar-se aos antigos aliados do executivo sobre cuja gestão querem fazer uma auditoria.

A verdade é que a real politik é transversal e as reservas morais gastaram-se há muito.

Nada contra a necessidade de encontrar uma solução de governabilidade. Apenas não me venham com lições de moral sobre votos úteis ou calculismos políticos.

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