Qualidade


… que o temporal levou alguns telhados de ginásios de escolas-top da PE pela zona norte da DRELVT, enquanto os pavilhões das velharias se aguentaram…

Tenho alguma dificuldade em me transitarem do amor ao ódio; mas consigo odiar melhor.

 

Eu renuncio!  
Neste momento de aflição em que todos temos de dar as mãos e deixar de olhar só para o nosso umbigo, correspondo ao apelo de quem nos governa e de quem apoia quem nos governa, faço pública parte da lista do que o Estado criou e mantém para minha felicidade, e de que de estou disposto a patrioticamente prescindir.
 
Assim:
Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;
Seria fastidioso alongar-me nas coisas que o Estado criou para o meu bem estar e que me disponho a não mais poder contar. E lanço um desafio aos leitores do 4R : renunciem também! Apoiemos todos, patrioticamente, o governo a ajudar o País nesta hora de aflição. Portugal merece.
 

Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;

Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;

Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;

Renuncio à defesa dos direitos adquiridos e à satisfação que me dá constatar a felicidade daqueles que, trabalhando metade do tempo que eu trabalhei, garantiram há anos uma pensão correspondente a 5 vezes mais do que aquela que eu auferirei quando estiver a cair da tripeça;

Renuncio ao PRACE e contento-me com uma Administração mais singela, compacta e por isso mais económica, começando por me resignar a que o governo seja composto por metade dos ministros e secretários de estado;

Renuncio ao direito de saber o que propõem os partidos políticos nas campanhas pagas com milhões e milhões de euros que o Estado para eles transfere, conformando-me com a falta de propaganda e satisfazendo-me com a frugalidade da mensagem política honesta, clara e simples;

Renuncio ao financiamento público dos partidos políticos nos actuais níveis, ainda que isso tenha o custo do empobrecimento desta  democracia, na mesma mesmíssima medida do corte nas transferências;

Renuncio ao serviço público de televisão e aceito, contrariado, assistir às mesmas sessões de publicidade na RTP, agora nas mãos de um qualquer grupo privado;

Renuncio a mais submarinos, a mais carros blindados, a mais missões no estrangeiro dos nossos militares, bem sabendo que assim se põe em perigo a solidez granítica da nossa independência nacional e o prestígio de Portugal no mundo;

Renuncio ao sossego que me inspira a produtividade assegurada por 230 deputados na Assembleia da República, estando disposto a sacrificar-me apoiando – com tristeza – a redução para metade dos nossos representantes.

Renuncio, com enorme relutância, a fazer o percurso Lisboa-Madrid em 3h e 30m, dispondo-me – mesmo que contrariado mas ciente do que sacrificio que faço pela Pátria – a fazer pelo ar por metade do custo o mesmo percurso em 1 h e picos, ainda que não em Alta Velocidade.

Renuncio ao conforto de uma deslocação de 50 km desde minha casa até ao futuro aeroporto de Lisboa para apanhar o avião para Madrid em vez do TGV, apesar da contrariedade que significa ter de levantar voo e aterrar pertinho da minha casa.

Renuncio a mais auto-estradas, conformando-me, com muito pena, com a reabilitação da rede nacional de estradas ao abandono e lastimando perder a hipótese de mudar de paisagem escolhendo ir para o mesmo destino entre três vias rápidas todas pagas com o meu dinheiro, para além de correr o triste risco de assistir à liquidação da empresa Estradas de Portugal.

[aqui] Obrigado, reb.

V(l)er quem há décadas faz da formação de professores modo de vida prático, teórico e mesmo ao nível da gestão, clamar contra a falta de qualidade dessa mesma formação e ser necessária uma prova de acesso à docência.

Das duas, três:

  • Ou estão a falar por conhecimento directo e a admitir humildemente a sua incompetência.
  • Ou conhecem casos de incompetência que não os seus e então já os deveriam ter denunciado de forma clara e específica a quem de direito.

O resto é treta para alinharem com aquela que julgam ser a fórmula mágica para entrar no comboio. Como digo no título, há sempre um Valter Lemos dentro de quem se encavalita.

[ligação na imagem]

Improving Teacher Evaluation to Improve Teaching Quality

Lá por dentro, pode ler-se:

One roadblock to evaluating teachers in this way is the lack of assessments, data systems, and evaluation processes capable of capturing the complexity of teaching skills—knowledge, pedagogy, classroom management—and their impact on student learning. As a result, most states and districts measure teacher performance based on input measures, such as professional development hours or completion of an induction program, rather than on student outcomes.
(…)
Value-added assessment tracks the annual learning gains of students. It can gauge the impact an individual school or teacher has had on student achievement more accurately and fairly than traditional assessments, which measure cumulative achievement over time. Unlike percentiles, which are used to rank a student against his or her peers, a value-added approach determines a student’s current level of attainment in a particular subject area. By aggregating scores by teacher, for instance, this type of assessment can be used to identify how much each teacher is influencing student learning.

O que é muito diferente do método que por cá se queria usar de considerar os resultados dos alunos, isoladamente e de forma descontextualizada do seu trajecto. Claro que para implementar metodologias destas, os dados do ME precisariam de ser rigorosos e públicos.

Mas só se pode discutir com argumentos válidos o que se conhece:

Linking Teacher and Student Data To Improve Teacher and Teaching Quality

estudantes

Novamente um estudo com métodos sofisticados para alcançar conclusões algo óbvias, mas que não deixam de ser interessantes, entre as quais que mais que, em escolas de boa qualidade, até os alunos que normalmente tenderiam a abandonar precocemente o sistema de ensino permanecem mais tempo.

Não há o tempo nem a paciência para andar a procurar nas letras miúdas da entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Jornal de Letras algo de novo para assinalar até que ponto tudo isto é um fadop mal cantado, mas sempre repetido.

Há um limite para o sacrifício.

Pelo que desta vez me limito aos destaques e chamadas letras gordas que ressaltam mais à vista.

Deixando de lado a tábua rasa feita sobre as condições em que este Governo afirma ter encontrado as Escolas Secundárias e que decidiu resolver apenas no ano lectivo anterior a novas eleições, temos duas passagens que conjugadas nos fazem pensar se terá sido o mesmo sistema de ideias a produzir.

Repare-se que numa das passagens se afirma que nunca existiram «tantos jovens a trabalhar em áreas de ponta, muito inovadoras e exigentes», acrescentando que terão feito o seu percurso no «Ensino Público».

Ficamos quase animados, mas deparamos depois com uma passagem que nos manda «olhar para as escolas ou colégios de referência» para verificarmos que eles praticam «a continuidade do pré-escolar ao 12º ano», assim se responsabilizando pela integralidade do percurso dos seus alunos.

Ora, sabendo nós que no sistema de ensino do Estado (que é a acepção de “público” usado por MLR) não existem instituições com esse perfil, é lógico inferir que a Ministra da Educação estará a fazer o elogio a alguns colégios privados.

Ora, antes acabara de dizer que os melhores investigadores e mais inovadores foram formados no «Ensino Público».

O que me deixa confuso.

Então por onde andam os ex-alunos das «escolas ou colégios de referência»?

Eu tenho uma ideia, lógica, a partir dos pressupostos da senhora ministra: andam a viver pelo mundo dos negócios e da política, que é por aí que a vidinha se ganha muito melhor, não a fazer investigação científica ou a inovar.

E talvez esta seja uma questão a discutir quando se debate a qualidade e a vocação do sistema de ensino público: que tipo de alunos queremos criar, que modelo de formação lhes queremos aplicar, que sistema de valores e de ética queremos transmitir.

E, principalmente, sabemos exactamente aquilo que pensamos, de forma coerente, quando abrimos a boca, em especial quando ocupamos cargos de responsabilidade?

Público, 14 de Junho de 2008

Exmo.(a) Senhor(a),

Ainda tem oportunidade de se inscrever no Fórum co-organizado pela  European Foundation for Quality in eLearning (EFQUEL), o Instituto Nacional de Administração (INA), a Universidade Católica e a Universidade Aberta, que decorre a 16 e 17 de Junho próximos. O “Lisbon Forum on Quality and Innovation in Learning” terá lugar nos belos jardins do Palácio dos Marqueses de Pombal, em Oeiras, onde se encontra instalado o INA e terá como mote “como alcançar a qualidade na aprendizagem através do elearning”.

No decorrer do Fórum iremos procurar aprofundar os seguintes temas:

  • A qualidade como requisito da internacionalização da educação
  • A qualidade como alavanca para a inovação e para a mudança em instituições do sector da educação
  • Abordagens e estratégias de qualidade em diversos países e culturas
  • A qualidade da aprendizagem em contextos informais
  • Os desafios da Web 2.0 para a qualidade do e-learning
  • A qualidade da aprendizagem na educação básica, ensino superior, educação de adultos e formação profissional
  • A qualidade do trabalho colaborativo

A língua oficial do seminário é o Inglês. A participação envolve o pagamento de uma propina de €200,  que inclui os almoços e coffee-breaks nos dois dias do evento, um Get together no Domingo para que todos os participantes se conheçam melhor, bem como a documentação do evento.

Consulte http://elearning.ina.pt para mais informações  (incluindo programa completo com oradores intervenientes) e inscrição. Ficamos à sua disposição para qualquer esclarecimento por email (gabriela.azevedo@ina.pt) ou telefone (21 446 5493). 

Melhores cumprimentos,

Teresa Salis Gomes

Directora Dept. e-learning INA

O artigo de José Manuel Canavarro do DN de hoje com o título:

AVALIAR PARA QUALIFICAR O PAÍS

Em resumo a teoria é que a avaliação é necessária, mas que o actual modelo está errado por ser muito centralista e regulamentado, para além de funcionar em circuito fechado seno necessário introduzir um factor de avaliação extrana.

Seria importante a criação duma agência de avaliação externa da Educação não superior, de composição independente e qualificada e na qual o ministério não tivesse presença maioritária nem a sua presidência. Um modelo capaz de produzir indicadores fiáveis e monitorizáveis sobre: as aprendizagens dos alunos; o exercício e desempenho profissional e o bem-estar dos professores, pessoal técnico e pessoal não docente; a opinião dos pais sobre as escolas; e o envolvimento de actores não tradicionais no ensino. Um modelo corajoso e forte e não uma iniciativa fortuita, por muito meritória que se afigure e por mais respeitado que seja o “chefe dos avaliadores”.

O sistema de educação necessita de estabilidade. Mas só haverá estabilidade quando tivermos informação. E só conseguiremos superar verdadeiramente o desafio da qualificação quando o sistema informar sobre a qualidade, a capacidade de gerar retorno e de produzir expectativas positivas nos indivíduos.

A ideia é estimável e tão mais estimável seria se Canavarro especificasse melhor como concebe a composição e funcionamento de tal agência. Porque eu tenho algumas dúvidas sobre a sua exequibilidade em termos de recursos humanos para a função. Mas estou disposto a perceber melhor a ideia, se explicada em maior pormenor.

Quanto ao resto assinalo com extremo gosto, que um ex-Secretário de Estado da Educação admite que não temos «indicadores fiáveis e monitorizáveis», ou seja, boa informação disponível sobre o funcionamento do sistema.

É essa também a minha plena convicção, em especial quanto a indicadores construídos recentemente.

contentor.jpgcontentor1.jpg

A generalidade dos professores está familiarizada com o conceito de baú pedagógico, que se difundiu bastante desde finais dos anos 80, não em exclusivo na área da História.

Agora, apesar de em alguns pontos do país já ser conhecido por muitos profissionais que trabalham em EB2/3 ou Secundárias ditas «provisórias» há décadas, generaliza-se o conceito de «contentor pedagógico», com a agravante da aplicação já não a jovens e adolescentes mas às crianças ainda da dita «tenra idade«.

A imprensa deste fim de semana aborda o tema de forma complementar: o Expresso referindo como a deslocalização de crianças de escolas encerradas ocorre sem o devido planeamento ou existência de alternativas razoáveis, enquanto o Sol revela como está em decadência o parque escolar à conta da Câmara Municipal de Lisboa que, endividada até à ponta das extensões capilares, se preocupa mais em promover um inexistente Rally Dakar (a designação Lisboa-Dakar é mais para consumo interno, que lá fora aquela é que é a designação corrente) do que em recuperar estabelecimentos de ensino.

Este tipo de notícias é tão importante como a denúncia dos atrasos do INEM, do encerramento dos SAP e das Urgências nocturnas em muitas localidades.

As consequências não são a doença ou a morte física mas andam num patamar não muito distante.

A realidade é que o fecho à bruta de escolas para exibir números tem piorado as condições de vida de muitas crianças (deslocações longas, condições precárias das novas “escolas” como se vê no caso de Torres Vedras e não só). Não vê isso só quem não quer ou fanático da mudança porque sim.

Mas mais importante, a transferência de competências para as autarquias sobre a manutenção do parque escolar tem, nas zonas mais densamente povoadas, resultados muitas vezes aquém do desejável, para não usar designação pior. Se no interior ainda se estima a velha Escola primária pelo símbolo que ela é (enquanto não a fecham) nas zonas (sub)urbanas com maior pressão demográfica e um poder local mais dado às fantochada de encher o olho, muitos equipamentos vão-se degradando progressivamente, com os responsáveis a alijarem a sua culpa para cima de outros.

Tal como Correia de Campos, saído pela porta baixa da governação, quem no ME decide e implementa esta política (julgo ser justo ao considerar que MLR apenas apõe a assinatura) só se preocupa em exibir um corte radical na rede pública de ensino básico do 1º ciclo, quantas vezes desrespeitando as Cartas Educativas já existentes. É gente que vive liofilizada, certamente com a descendência já adulta com curso em boa Universidade ou ainda em escola privada ou pública «de elite», daquelas que só não surgem nos «estudos» do ISCTE sobre práticas discriminatórias nas matrículas, porque sabem como evitar os olhares indiscretos.

É gente já sem alma, apenas preocupada com um pseudo-Sucesso estatístico e com o sucesso seu carneirismo carreirístico pessoal.

E não me venham com o argumento dos ganhos a «médio-longo prazo». É que então providenciem para que no curto não nos pareçamos tanto com o Terceiro Mundo que repugna ao Novo Homem Tecnológico.

Nada como disponibilizarem meios online para resolvermos de forma célere os nossos problemas com as empresas que nos fornecem serviços essenciais. É todo um admirável mundo novo de oportunidades de comunicação.

Ou quase.

Perante uma situação de disputa com a Galp quanto a um certo e determinado pagamento que eu fiz, mas do qual me apareciam repetidas notas de dívida, recebi hoje o seguinte mal:

Estimado Cliente

Acusamos a recepção do E-mail de V.Ex.ª, no dia 30 de Maio de 2007, que mereceu a nossa melhor atenção, resultando deste os seguintes esclarecimentos.

Após análise da conta corrente de V. Ex.ª, informamos que as facturas F212006051000085 emitida em 02/05/2006 de 32,38€ e F212006061036344 emitida em 30/06/2006 de 29,21€, no total de 61,59€, encontram-se liquidadas.

Aproveitámos ainda para informar, que nesta data, não existem facturas em divida para a morada de consumo sita na R. xxxxxxxxxxxx.

Esperamos ter esclarecido V.Ex.ª e estamos ao dispor sempre que entenda por conveniente através dos nossos contactos habituais:

Linha Galp Gás: 808 508 100 (dias úteis das 9:00 às 19:00 horas)

E-mail: Linhagalpgas@galpenergia.com

Quase sete meses depois responderam-me que eu afinal tinha mesmo razão. Só é pena que, e apesar de outros contactos por via telefónica e por carta, me tivessem ameaçado cortar o gás a meio de Dezembro caso eu não pagasse as ditas facturas. E lá fui eu pagá-las.

Já imaginaram a trabalheira que vai ser preciso agora para reaver o dinheiro?

E já imaginaram se as escolas, enquanto “organizações”, tratassem assim os seus “clientes”?