Provocações


… aqui o “colectivo” bipolar está a considerar a hipótese de passar a “empreender” posts e dar “consultas” aos leitores. Tudo a bem do espírito pacóvio dos tempos.

Está em análise a hipótese de nos promovermos em truces ou com aqueles calções que têm vergonha em ser calças. Tudo também a bem da circunstância que vai passando e nos vai deixando labregos na costa.

 

Para discutir e refletir (QA, QEna versus QZP)

Desculpem lá mas… acham que os tipos que assaltaram a Bastilha levavam casas de banho portáteis?

E pensam que na Sierra Madre havia antenas da Vodafone?

Ou que no Gulag o room service era do melhor?

Ou que a malta na Praça Tahir só usava desodorizantes amigos do ambiente?

“Não nos deixaram ir à casa de banho, não nos deixaram sequer fazer um telefonema”

Revolução e papel higiénico perfumado não rimam.

Volta Cunhal que esta malta precisa de lições sobre coisas muito básicas…

É certo e sabido que raramente procuro entrar em grandes debates com a boa blogosfera. Acabo sempre apelidado de esquerdista estatista (pelos insurgentes que já entraram também em campo contra o socialismo progressista) ou de conservador retrógrado (pelos danieisoliveiras).

Mas eu sei que neste caso os adjectivos serão deixados de parte, pelo que me vou dar ao prazer de contraditar aquilo que o José Manuel Fernandes terá escrito no arrobo do momento, em nome da defesa da fórmula mágica da autonomia, sem pensar completamente nas consequências práticas de uma atitude laxista e multicultural a roçar a tolerância eduquesa nos seus piores momentos:

O conselho escolar votou a decisão por unanimidade, os poucos alunos que frequentam as sessões tiveram autorização dos pais e não são conhecidos efeitos secundários. Pode ser que o método ajude alunos em dificuldades, pode ser que não (o que eu acho bastante provável), mas a coisa é inofensiva e, na pior das hipóteses, inútil.

Mesmo assim exige-se saber o que pensa o Ministério (por que raio há-de um burocrata em Lisboa pensar alguma coisa?) e duvida-se da bondade da autonomia escolar que permitiu aos pais e professores daquela escola fazerem aquelas experiências com luzes.

Sinceramente, quero lá saber do fosfenismo. Preocupa-me muito mais certa propaganda que se ensina em muitas aulas de História e noutras disciplinas das áreas “sociais”. O que me inquieta mesmo nestas notícias e comentários é atendência nacional para ver o Ministério da Educação como o polícia de todas as escolas e recusar-lhes qualquer grau de autonomia. Deixem-nos em paz, os fosfenos não mordem…

O que JMF escreve é divertido (mas perigoso) a vários níveis, por muito que o credo na autonomia esteja entranhado.

Vamos lá a ver.

  • É aceitável que numa escola pública se coloquem em prática experiências sem qualquer tipo de validação científica ou empírica, sem que se conheça qualquer diagnóstico da situação dos alunos envolvidos, só porque a comunidade representada no Conselho Geral assim o aprovou? É que não estamos numa escola privada, em que paga e frequenta quem pode e quer ter um modelo específico de pedagogia
  • Em caso afirmativo, o que pode retirar legitimidade a que um qualquer outro Conselho geral opte por criar uma qualquer área disciplinar, optativa, adaptativa, remediativa, baseada em teorias acarinhadas por alguns dos membros do seu corpo docente e partilhadas pela dita comunidade? Porque, por exemplo, o criacionismo não é passível de refutação científica absoluta, apenas sendo possível ir acumulando provas a favor de uma teoria sua concorrente, o evolucionismo! Porque não, como defendem certos fundamentalistas cristãos americanos, ensinar o criacionismo nas escolas? Ou, no caso de uma comunidade a quem certa figura histórica seja querida (lembro-me a despropósito da marca Salazar), que seja adaptado o ensino da História ao sabor da ideologia?
  • Estaria José Manuel Fernandes disponível para aceitar como boa a opção de um Conselho Geral optar por adaptações curriculares localizadas que tornassem o ensino da História instrumental e ao serviço da defesa de uma leitura ideológica da realidade, sendo que – ao contrário do que JMF pensa – o ensino actual da História está muito melhor do que nos meus tempos de aluno em que tinha sido colonizada pela esquerda mais extrema e manipuladora dos factos e em que as sebentas eram verdadeiros manuais de teoria marxista, sucedendo-se aos manuais nacionalistas salazaristas?
  • Pode ser a autonomia desculpa para, numa matéria sensível como a superação de dificuldades cognitivas e/ou de aprendizagem, a introdução de experiências a gosto? E se um Conselho Geral decidira  reintrodução de castigos corporais como estratégia de combate ao erro ortográfico? É que, por testemunho pessoal, comigo o receio das palmatoadas sempre me fez redobrar a atenção na escrita e não errar nenhuma palavra completa em quatro anos de ditados primários (falhei acentos e pouco mais).
  • Pode a autonomia, numa escola pública, desculpar que um Conselho Geral decida, por exemplo, limitar o ensino de conteúdos de Educação para a Sexualidade aos duches frios? Pode um Conselho Geral, em zona de forte concentração de minorias religiosas ou étnicas, decidir aplicar métodos e códigos de vestuário como a burqa obrigatória ou optar pelo fim da coeducação e das turmas mistas?

É que a raiva incontida contra o centralismo do Estado pode fazer-nos cair nas posições relativistas que tanto se criticam aos pós-moderniosmos multiculturalistas mal aplicados.

Se o MEC deve ter algo a dizer sobre o assunto (e a caricatura de o reduzir a um burocrata esconde que esse burocrata até pode ser alguém com conhecimentos adequados e bom senso, não sendo estúpido apenas por ser funcionário do MEC)?

Claro que deve!

Não estou a defender um ensino e um currículo neutro e asséptico Ou um centralismo sufocante.

Apenas a não desregulação completa do currículo, das soluções de combate ao insucesso escolar e das práticas pedagógicas.

Assim sendo porque não devemos usar, com análise do Conselho Pedagógico e votação no Conselho Geral, usar os jogos do Facebook para testar as capacidades dos alunos em matérias como a Ecologia (Farmville), Urbanismo (Cityville), empreendedorismo (Café World), recriação histórica (Castleville) ou cálculo de trajectórias (Angry Birds), só para citar alguns exemplos? Não pode ser o jogo uma ferramenta de aprendizagem? Então porque os tenho bloqueados? Será que têm efeitos secundários ou mordem (para usar a terminologia do JMF)?

… do Prudêncio, salvo seja.

Por aqui, foto pouco cuidada do que já estava semi-devorado.

Obviamente que este é um post não aconselhável a quem já começou a pagar a mensalidade do ginásio a pensar na silhueta para os dias de praia.

Para quando a auto-limitação dos mandatos dos líderes sindicais que temos há décadas? Não falo sequer em limitação estatutária, mas apenas de as próprias pessoas tomarem consciência de que… o tempo passa. Os governantes mudam mais ou menos, as coisas pioram, mais ou menos, mas há algo que permanece.

… a dificuldade que existe em conseguir-se dizer honestamente mal das ideias e práticas de alguém, na sua presença, para um activo e estimulante contraditório.

O pessoal anda tão sensível que não aguenta, tão irascível que disparata tudo e mais alguma coisa ou tão medicado que nem percebe.

Acreditem que já tentei e comprovei as três situações há muito. Agora, é apenas mais prazer que o zeitgeist surripiou a uma selecta elite viperina que tem dificuldades em manter conversas fofinhas e enjoativas de tão cómodas.

Não é para todos. Há que representar qualquer coisa.

Tirando umas picadelas, uns ecos, coisa pouca, o(s) Reitor(es) anda(ão) muito calado(s) com o desempenho do PSD em matéria de Educação. Estará(ão) de acordo com o simplex 3? Ou embaraçados?

Depois de ler muitos dos comentários ao post do malhanço, cheguei à conclusão que sim. É pena. Sempre pensei que a puridade não tinha preço. A minha não tem. Só que é de um modelo antiquado. Não pega de empurrão.

Já quanto a outros… será excesso de materialismo… não dialético.

… não dá para disfarçar a alegria.

Pronto, Buli, a tua é a mais… Enquanto o Jacques pensa que…

 

Só para centrar geracionalmente as coisas e irritar alguns, dizendo que Pink Floyd e Genesis me adormeciam… with all due respect. Era puto demais e nunca fui dado a planar… vai daí nota-se um pouco a diferença entre quem nasceu ali de 64-65 para diante… Aprecia-se a Pré-História mas dum ponto de vista académico… Assim como quem nasceu de 70 para a frente olha para os meus gostos…

Digamos que o 77, o Fear of Music e o Remain in Light dos Talking Heads estão para mim como aqueles discos redondos com vacas e prismas (nem me perguntem como eram as capas dos outros grupos…) estão para os tipos três anos antes de mim…

Ahhhh… e não havia nada que se pudesse comparar à Debbie Harry nos sinfónicos e progressivos, apesar das cabeleiras e decotes…

… errada e anti-social.

… mas à última hora não tive autorização para divulgar uma troca de mails que tive desde o final da tarde com um colega bloguista não bloquista e assumidamente (?) de centro-direita.

Por isso, fico-me assim, apenas assinalando o facto de algumas pessoas andarem certamnete muito baralhadas com a tentativa de categorizar e localizar tudo e todos numa cartografia oscilante desta coisa que ainda é a chamada luta dos professores.

Queria tanto poder divulgar a forma como fui implicitamente acusado, com simpatia e elogios à mistura, de ser um despesista de esquerda que não vê a luz da racionalidade económica.

Alguém que está sempre do lado da agenda do Bloco em matéria de Educação.

E gostava de divulgar a troca de mails (explicitamente autorizada de início) porque eu gosto de debates abertos e transparentes, não apenas de conversas privadas. Não me interessa nada divulgar esse tipo de conversas quando acho que elas têm relevância pública para ajudar a conhecer o posicionamento real das pessoas.

Porque o que eu digo em privado é o mesmo (talvez com mais ênfase) do que aquilo que digo em público.

Portanto, cortaram o meu barato.

Mas sempre posso adiantar que, como bloquista encoberto, amanhã vou moderar uma sessão da Feira de Aprendizagens, Conhecimento e Empreendedorismo em Ansião com a seguinte ementa:

O dia 21 termina com um dos momentos mais importantes da FACE, com a apresentação pública do Projecto-piloto ansiao.municipiodamalta.pt, desenvolvido em parceria entre o município de Ansião e a empresa I-Zone. Este projecto apresenta-se como uma plataforma electrónica de cidadania e interacção, posicionando-se como uma ferramenta de cidadania, visando a troca de ideias, conhecimento das entidades locais e desenvolvimento de parcerias, passando a breve trecho a poder ser utilizada por todos os cidadãos. A apresentar o programa estarão Rui Rocha, o Administrador da I-Zone Rui Falcão e a programadora Dionísia Laranjeiro.

Confesso que aceitei sem perguntar qual era a cor do concelho, que agora sei ser a laranja. Aceitei porque, como outras coisas, aceito aquilo que acho ter interesse e ser uma boa ideia, venha de que cor vier.

Se isso faz de mim bloquista, ok.

Há uns meses – relembremo-lo – era acusado de ser do PSD e em alguns círculos sou considerado um agente disfarçado ao seviço da Fenprof nogueirista.

Enfim…

(c) MVaz

O título e a ideia, só por si, são polémicos.

E verdade se diga que o objectivo também é algo provocatório, em tempo de muitas queixas.

Vejamos: muitos de nós, eu incluído, nos queixamos da desautorização com que o ME e a sua corte de estudiosos eduqueses têm provocado a erosão dom papel do professor. Assim como há múltiplas queixas relativamente ao peso burocrático existente na Escola Pública, a má orientação pedagógica e metodológica dos programas, da organização curricular, etc, etc.

Em contrapartida, há uma relação de admiração-ódio quanto ao ensino privado, em particular aos bons exemplos, que apresentam resultados e não é raro dizermos que isso se deve à forma como eles gerem de modo autónomo o seu funcionamento. E não falo apenas dos critérios selectivos na admissão, mas em especial dos métodos e hábitos de trabalho, que privilegiam o rigor e bloqueiam os facilitismos que a 5 de Outubro impõe nas escolas públicas.

Perante isso, acho que um dos caminhos – que entre nós quase não é trilhado e quando o é nem sempre é da forma mais correcta – para a demonstração da razão que assiste a muitos professores seria a criação de escolas de tipo cooperativo por parte de grupos de professores que partilhassem um mesmo modelo de ensino, não ditado apenas pelo negócio.

Claro que não é algo fácil de erguer perante a concorrência existente, a burocracia ministerial – pelos vistos só na oferta de pré-escolar é que se deu uma espécie de boom selvagem há uns anos atrás – e os meios financeiros que é necessário mobilizar.

Claro que não estou a falar em projectos que assentem na utilização de mão-de-obra barata ao serviço de quem depois acumule o lugar de professor no ensino público e funções, em acumulação formal ou disfarçada, no sector privado.

Falo mesmo em projectos criados de raíz, com uma identidade própria, um corpo docente coerente na sua visão do ensino e objectivos claros.

É óbvio que já existem projectos deste tipo. Mas a verdade é que a oferta é algo reduzida, em especial a partir dos 2º e 3º CEB, fora dos grandes centros urbanos. E muito menos em zonas problemáticas.

Não me estou a oferecer para algo do género, pois ainda acredito que é possível regenerar a Escola Pública a partir de dentro. Mas quem já disso desacreditou e considera que tem ideias mais válidas, que nunca serão colocadas em prática na directa dependência do ME, esta seria uma boa forma de demonstrarem a sua razão.

É por isso que me agradam, ao contrário da ideia do cheque-ensino, as propostas que pretendem que o sistema público de ensino contemple sempre que a procura o justifique escolas com gestão privada mas com contratos de serviço público com o Estado, um pouco à moda das charter-schools.

E ainda há quem ande por aí a dizer que o aparelho do PS a quer para ministra.

Directora da DREN provocada em Terras de Bouro

A inauguração do Centro Escolar do Vale do Homem, em Terras de Bouro, ficou marcada, ontem, por uma provocação do presidente do Agrupamento de Escolas à directora da Direcção Regional de Educação do Norte.
Óscar Rodrigues culpou Margarida Moreira pelo atraso na entrega de equipamentos para a Biblioteca do Centro Escolar e revelou que ainda não há quadros interactivos em todas as salas escolares do Agrupamento. Margarida Moreira não gostou da crítica na abertura da sessão e, na oportunidade, contra-atacou, deixando o presidente do Agrupamento visivelmente embaraçado.

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