Provas De Aferição


Os resultados das provas de aferição, das provas finais nacionais e dos exames finais nacionais, por escola podem ser consultados, mas apenas na Extranet do GAVE, em http://extra.gave.min-edu.pt/login.jsp.

Não percebo porque não podem estes dados ser públicos e de livre acesso.

Segundo o Gave, os alunos continuavam a evidenciar “uma preocupante falta de sentido crítico face à plausibilidade das soluções que apresentaram”.

Há em tudo isto algo de profundamente errado. Quando se implementa um novo programa, quando existem horas e horas de formação, de trabalho conjunto entre docentes de vários ciclos de escolaridade (em especial dos 1º e 2º), não é normal que os resultados sejam estes.

Digam o que disserem.

Embora com um peso pequeno na classificação final o domínio da Organização e Tratamento de Dados tem uma distribuição de resultados obviamente anómala.

Por outro lado, em tudo isto se demonstra, com uma amostra bem ampla (mais de 100.000 provas) que as teorias estatísticas da treta não servem sempre para enquadrar a realidade.

Porque, se assim fosse, alguém teria de explicar porque não se encontra por aqui quase nenhum cheirinho de curva de Gauss, a  conhecidíssima Curva em/de Sino que tanto serviu para explicar as quotas no caso da ADD.

A curiosidade de ter sido na boa e velha gramática (que agora se chama conhecimento explícito da língua) que foram conseguidos os melhores resultados. Só que, como é o domínio com menos peso no total da prova (15%), de pouco valeu. Maus resultados na escrita, o que já seria de esperar, mas mesmo assim abaixo do expectável.

O que me parece?

Uma aposta exagerada no conhecimento explícito da língua, devido a uma distorção induzida pela extensão dos conteúdos deste domínio no programa, e uma menor aposta no treino da escrita, uma das áreas que eu sei, por experiência própria, que é mais difícil corrigir as falhas com métodos menos tradicionais.

Já se esperava uma espécie de hecatombe, em especial em Matemática. Tudo isto torna quase impossível qualquer tentativa coerente de comparação diacrónica dos dados, devido à variação das metodologias e critérios.

Se isto é um argumento contra a existência de exames?

Não.

Deveria ser, isso sim, um argumento a favor do conhecimento das equipas responsáveis, ao longo dos anos, pela produção das provas, para percebermos a fé perfilhada.

Relatório preliminar aqui.

Texto recebido por mail, sem indicação da autoria primeira (mas posso acrescentá-la…).

Segundo informação divulgada pelo GAVE “As provas nacionais de aferição visam recolher informação relevante sobre os desempenhos dos alunos nas áreas de Língua Portuguesa e de Matemática. Estas provas, pelo carácter universal da sua aplicação e pela natureza da informação que os seus resultados proporcionam, constituem um instrumento de diagnóstico disponibilizado às escolas, aos professores e às famílias, que permite uma reflexão coletiva e individual sobre a adequação das práticas letivas às finalidades e aos objetivos educacionais propostos no currículo.”

Efetivamente, nos últimos anos as provas de aferição têm constituído um importante instrumento de reflexão, devolvendo aos professores e aos pais a imagem das fragilidades do nosso ensino e reorientando algumas práticas docentes, que gradualmente se deslocaram para uma outra forma de abordar os conteúdos, nomeadamente no que se refere à Matemática. As editoras não perderam tempo e puseram no mercado, não só as provas que foram saindo, como manuais atualizados com modelos semelhantes, que induziram os professores a treinarem os alunos segundo aqueles figurinos. Portanto, de algum modo, as provas de aferição têm sido também formadoras para muitos professores.

Este ano, as provas de aferição foram de uma perplexidade inquietante. Se, por um lado, o formato não era muito diferente, os conteúdos e a forma de colocar as questões primaram pela criação gratuita de obstáculos aos alunos, parecendo confundir-se exigência com provas demasiado longas, no caso da de Língua Portuguesa, e com dificuldades provocadas por questões pouco facilitadoras da compreensão, na de Matemática. Exemplo disso é a pergunta 5 do caderno 1, com uma redação difícil e pouco clara: “Escreve duas razões diferentes, uma para cada um, que mostrem que os outros dois amigos se enganaram.”(?!) Mas todas as questões pareciam querer dificultar o acesso ao objetivo da pergunta.

Relativamente à prova de Língua Portuguesa, é sabido, neste momento, que uma grande percentagem de alunos (mesmo aqueles que normalmente têm um bom desempenho académico) não teve tempo de a terminar, alguns mesmo nem de chegar à Gramática. Mas se para alguma coisa servissem as ocorrências que têm de ser registadas durante a prova, bastaria que o GAVE fizesse a percentagem dos alunos que não tiveram tempo de acabar a prova, para perceber a sua pouca adequação a crianças destas idades.

Quanto à Matemática, de acordo com a informação do GAVE “a prova tem por referência o Programa de Matemática do Ensino Básico (homologado em dezembro de 2007)”. Não podemos, contudo, esquecer que o novo programa, implementado de forma faseada, só foi generalizado em 2010.

No entanto, esta prova de Matemática parece pretender avaliar tópicos/objetivos que não estão expressos no programa do 1º ciclo (só no 2º ciclo), o que é uma decisão pouco rigorosa e, certamente, com consequências no próprio processo avaliativo. Exemplo disso é o diagrama de caule-e-folhas (pergunta 8, do Caderno 1), que não faz parte dos tópicos nem dos objetivos específicos do programa do 1º ciclo, mas é apresentado como um exemplo de tratamento de dados nas notas, cujo papel é “esclarecer o alcance de cada objetivo, proporcionando opções metodológicas para o professor”(PMEB, pg.2). Basta consultar o Programa de Matemática, na página 27, no tema “Organização e tratamento de dados” e confrontar o mesmo tema com o do Programa do 2º ciclo, na página 43. Por que razão se escolheu esta forma organização da informação e não outras que vêm claramente explícitas no Programa do 1º Ciclo (gráficos de barras, gráficos circulares…)?!

O mesmo acontece com as isometrias (pergunta 11 do Caderno 2), em que apenas aparece explícito como objetivo específico o trabalho com as simetrias de reflexão, nomeadamente em frisos. Mais uma vez, é nas notas que se apresenta como sugestão de atividade, de forma a ajudar os alunos a apropriarem-se do conceito, não como um conteúdo, tal como aparece na pergunta da prova.

O que se pretende, então, avaliar do novo programa? Os objetivos (gerais e específicos) ou as notas, que sugerem atividades? Não podemos também deixar de nos questionar: qual é a legitimidade de um instrumento de aferição que tem itens que não são conteúdos nem objetivos específicos do Programa do 1º ciclo? O que se quer provar?

Muitos professores, perplexos, sobretudo com a prova de Matemática, depois de intenso trabalho com os alunos, questionam-se: afinal, o que está a ser aferido? O que os alunos devem mesmo saber no final de um 4º ano de escolaridade ou o novo programa de matemática, pondo-o em causa (através de questões já referidas)?

Por outro lado, qual a coerência das orientações do Ministério da Educação? De acordo com o Despacho nº 17169/2011 o conceito de competência, designadamente o “Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais” deixa de “constituir referência para os documentos oficiais do Ministério da Educação e Ciência, nomeadamente para os programas, metas de aprendizagem, provas e exames nacionais”. No entanto, agora aparece-nos uma prova que exige uma complexidade de competências.

Qual é a reflexão que devemos fazer? Trabalhar mais o que é lateral aos Programas? Ou quiçá, o que não é do Programa? Treinar os conteúdos que exigem mecanização? Ou colocar os alunos perante uma progressiva complexidade de competências? (Mas, já agora, ao nível das suas idades!)

Para completar este quadro que se adivinha já bastante negro, os critérios de correção das provas são arrasadores. Vejam-se as orientações dadas aos professores corretores para cortar e para não aceitar estratégias diversificadas de resolução dos problemas, limitando a cotação ao  “certo/errado”.

Uma certeza fica: esta é a prova mais politizada até agora. Parece haver necessidade de mostrar que o Novo Programa de Matemática “não funciona” para o poder denegrir e criar uma justificação para o reformular, voltando a gastar mais uns milhares. Mas é, sobretudo, pouco ético, pois é feito à custa dos alunos e dos professores.

Perante os resultados, que se adivinham desastrosos, estas provas de aferição apenas conseguem criar o descrédito relativamente a este tipo de avaliação. Mas então será também isso o que se pretende?

Num país livre (por enquanto!) e num estado de direito, não podemos deixar de denunciar estes aspetos de que ninguém fala, por desconhecimento. Somos nós, professores, que temos de fazer ouvir a nossa voz e antes que a avalanche dos resultados nos caia em cima. Sobretudo, é preciso tornar claro que o que se evidencia neste processo é o insucesso destas provas, mais do que o retrato do que os alunos sabem ou do que os professores ensinam!

Só dei pela coisa agorinha mesmo e estou estarrecido. Ao fim de mais de uma década, e quando se estão as despedir as ditas provas, o GAVE decidiu ensinar-nos a ler os resultados e, no fundo, acaba a dizer que de nada serve tal leitura, se não for para relativizar as ditas provas e os seus resultados. Que serão afixados amanhã e quer-me parece que serão coiso.

Penso que seja uma espécie de vingança de alguém.

Ou então um humor britânico muito peculiarmente meridional. Mas… se fornecem os pesos relativos de cada domínio não é possível tentar estabelecer médias ou fazer comparações?

Então para que servem?

A última prova de aferição de matemática e os futuros exames. Alunos, pais, Nuno Crato e Cecília Honório (BE).

A máquina de calcular vai passar a ser parcialmente usada nas provas de matemática…

A prova de aferição desta manhã, para o 4º ano, não me parece simples. Não vou estabelecer grandes comparações com as de anos anteriores, por não ser matéria de minha competência mas… mesmo olhando daqui, apesar de não muito extensa, implica um nível de raciocínio e abstração que nem sempre é exigido mesmo a alunos do 2º ciclo.

Já o teste intermédio de Matemática do 3º ciclo deixou a maioria dos professores em estado de choque. Nem falo dos alunos que, em muitos casos, nem chegaram a perceber bem o que se passava.

Aguardo, com curiosidade, as posição da APM e SPM.

Nuno Crato no parlamento, Novas Oportunidades e as provas do 4º e 6º ano.

A prova de aferição de Língua Portuguesa deste ano foi considerada longa pela presidente da APP.

A prova em causa está aqui e não é especialmente mais longa do que a do ano passado. Entendo que o texto B possa ser complexo para um certo número de alunos. Mas apenas isso.

O resto é a habitual estranheza de certos representantes de disciplina em relação ao 1º ciclo.

Às vezes é como se estivesse a observar os animais da savana a discutir os hábitos quotidianos dos peixes de aquário.

Provas de aferição…

São hoje e 6ª feira. Para o ano há provas finais a contar 25% para a nota. Ou seja, não contam para nada (ainda) excepto reavivar velhos demónios a quem não percebe que a velha primária está morta há muito, incluindo os edifícios.

REALIZAÇÃO DAS PROVAS DE AFERIÇÃO POR ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS

Despacho n.º 1942/2012

Cortesia do Livresco:

Descida nos resultados das provas de aferição, segundo o Ministério da Educação, a descida nos resultados deve-se a um maior grau de exigência das provas e dos critérios de correcção.

Pais e professores questionam a diminuição dos “chumbos” no ensino básico e alunos do secundário pedem maior exigência.

Espreitar aqui.

Quebras (esperadas) a Matemática. Estabilização em língua Portuguesa, mesmo se não fui ver em detalhe os dados de 2010.

Pessoalmente, muito, muito satisfeito. Média nacional de sucesso nos 84%, enquanto lá em casa foram 88%. Obviamente inchado com os 92% do meu PCA, mesmo se com larga maioria de classificações C. Ganhos discretos na percentagem de sucesso, mas ampla variação positiva quanto à média nacional, a nível de escola.

Quem acha que isto é irrelevante, está errado.

Quem acha que isto é o essencial, está errado.

Isto é uma medida que, com limitações, serve para analisarmos melhor o nosso trabalho. Publicamente, como representante de um grupo disciplinar, sinto-me orgulhoso pelo trabalho feito por alunos e professores numa escola (TEIP até há muito pouco tempo) que está longe de estar inserida num meio socioeconómico florescente. Muito pelo contrário.

Há quem ache que esta minha atitude é de arrogância. Talvez. Mas não me envergonho, porque a assumo.

Quem desdenha deste modo de encarar as coisas, talvez devesse repensar alguma coisa…

O GAVE só disponibiliza instruções de leitura dos resultados, mas não os resultados ou as médias nacionais. Esquisito.

Vou esperar que os resultados sejam oficiais. Mas, neste momento, garanto-vos que, a confirmarem-se os indícios, não há chit de qualquer espécie que me consiga tirar um sorriso de gratidão e dever cumprido dos olhos e dos lábios.

Página seguinte »