Programas


Quando se revoga sem substituir, fica-se com o mais antigo. E já agora, podem esclarecer-nos até quando devemos ligar alguma coisa às Metas de Aprendizagem?

Vamos lá a ver se nos entendemos… o programa de Matemática  do Básico é novo, tem um par de anos, mas pronto… pode-se achar que precisa de retoques, só que o de Português, para o bem e mal (e eu nem gosto muito dele) é novinho em folha e andamos há dois anos a tentar preparar a sua aplicação que deve acontecer agora em Setembro, tendo sido escolhidos novos manuais e tudo.

O ministro quer que seja reformulado quando e em que termos? Antes de ser aplicado?

Note-se que desgosto do novo programa, pois é herdeiro da da TLEBS e é um programa de uma facção dos estudos linguísticos mas – raios! – ainda nem o aplicámos e foram teoricamente adoptados manuais para 4 anos.

O ministro da Educação admitiu ontem que os programas de Português e Matemática precisam de “reformulação grande”: “não puxam pelos jovens”.

Confesso: Nuno Crato estava melhor quando não falava destas coisas, porque escusava de demonstrar sta falta de conhecimento sobre os detalhes das coisas. Mais valia que enviasse um memorando às dgidcs e dgrhes a impedi-las de enviar ou telefonar instruções sobre o ano lectivo às escolas antes de autorização superior.

Um último reparo: quem puxa ou não pelos alunos são os professores e os métodos usados, não necessariamente os programas. Podem estar mal concebidos, ter objectivos meio nhónhós, mas tudo isso é ultrapassado se os docentes sentirem que têm apoio no seu trabalho e busca de exigência.

Ora… isso está neste momento em evidente risco pois o MEC não soube ainda retomar a confiança perdida pelas suas antecessoras e que foi inicialmente depositada nele.

E os próprios professores, se optarem por uma estratégia de terra queimada em matéria de ADD, perdem credibilidade se quiserem apresentar-se como modelos de uma cultura de rigor nas escolas.

E aqui começamos a entrar por um discurso nebuloso que muitos conhecemos…aquele em que se diz uma coisa gira que oculta o significado objectivo do que se pretende fazer. Se não é eduquês, vai a caminho. Porque nada disto estabiliza nada, muito pelo contrário.

Desde logo porque, sendo fiel ao programa eleitoral do PSD que eu critiquei logo que apareceu (aqui e aqui, entre outros posts de 8 de Maio), deixa coisas de fora e guarda muito do vácuo…

Qualquer destes pontos passa ao lado do essencial pois o primeiro – da autoridade – é meramente retórico, o segundo é vago e o terceiro é palavroso, mas não cumpre aquilo que foi prometido.

Estabilidade e dignificação da profissão docente

Para uma melhoria dos processos de ensino e aprendizagem é necessário valorizar o papel dos professores e educadores:
– Reforçando a autoridade do professor;
– Valorizando profissionalmente os docentes através de um investimento na formação contínua e na elaboração de um modelo de selecção e de profissionalização, em exercício, dos novos professores e educadores.
– Reformando o modelo de avaliação do desempenho dos docentes de forma a desburocratizar o processo, promovendo um regime exigente, rigoroso, autónomo e de responsabilidade, sem que estes princípios conduzam a cargas desmedidas de procedimentos burocráticos e administrativos, e ponderando os resultados de outros modelos de avaliação, nomeadamente os já obtidos no modelo de avaliação em vigor no ensino particular e cooperativo.

O coordenador dos novos programas do ensino básico considera que Camões devia ter maior relevo nos estudos dos jovens, queixando-se de demasiada concorrência de outros autores e criticando a falta de preparação dos professores para abordar o poeta.

A educação não superior nos programas eleitorais

  • O PSD também, deve ser coisa das várias faces do centro-isto ou aquilo.

Eleições: Escolaridade obrigatória até ao 12.º ano e avaliação de professores são propostas do PS para a Educação

Depois digam que vos enganaram.

A parte da escolaridade obrigatória é um dejá vu ou uma reformulação da escolaridade de 12 anos?

… destas reuniões semanais de trabalho sobre os novos programas de Língua Portuguesa?

  • Na versão benigna, é uma forma dos docentes trabalharem em conjunto e se irem ambientando ao novo programa. Mas todo um ano lectivo parece-me excessivo.
  • Na versão conspirativa poderá ter a ver com a produção de milhares de materiais pelo país que servirão para alimentar este ou aquele site do ME e poder servir para esvaziar a obrigatoriedade de utilização de manuais produzidos pelas editoras.

A seguir ao combate à crise e ainda antes da justiça social.

E reparem como no discurso da tomada de posse, só se afloram a consensual questão da extensão da escolaridade obrigatória e o reforço de infratestruturas, omitindo tudo o mais…

O outro exemplo da nossa agenda de modernização é a extensão da escolaridade para todos até ao fim do ensino secundário. Este é um desafio que o País tem de vencer. É para isso que estamos a modernizar o parque escolar; é para isso que estamos a apetrechar tecnologicamente todas as escolas; é também para isso que criámos a nova bolsa de estudos para os alunos do secundário, a partir do 10.º ano. Uma nova geração mais qualificada, que chegue ao mercado de trabalho pelo menos com o 12.º ano, será uma geração mais moderna, mais produtiva, mais empreendedora, mais esclarecida – uma geração com mais oportunidades.

Governo de combate dá prioridade a casamentos ‘gay’

… as coisas parece que se vão fazer com alguma preparação, embora o modelo da formação seja claramente escasso ao permitir apenas um docente por ciclo de ensino por agrupamento.

Preparação da entrada em vigor do novo Programa de Português para o Ensino Básico – 2.º e 3.º ciclos

Os agrupamentos e as escolas com 2.º e 3.º ciclos podem inscrever-se, até 30 de Junho, para formação e acompanhamento da implementação do novo Programa de Português para o Ensino Básico, a decorrer no próximo ano lectivo.

O novo Programa de Português para o Ensino Básico, homologado em Março de 2009, após o período de consulta pública e com integração das propostas dela decorrentes, entra em vigor no ano lectivo de 2010/2011.

Para preparar a entrada em vigor do novo programa, é necessário trabalhar com os docentes de Língua Portuguesa, já a partir do ano lectivo de 2009/2010, no sentido de preparar a operacionalização dos novos textos programáticos, através de formação e de acompanhamento.

É fundamental que a preparação da entrada em vigor do programa seja acompanhada por formadores qualificados e por recursos didácticos validados, com o apoio permanente dos autores e de especialistas, para a construção de percursos adequados ao contexto das escolas.

Este acompanhamento será garantido pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC), mediante inscrição, por via electrónica, pelos órgãos de gestão dos agrupamentos e das escolas não agrupadas.

De acordo com o procedimento previsto, os agrupamentos e as escolas indicam um professor de Língua Portuguesa para cada um dos ciclos (2.º e 3.º), para receber formação, que ficará responsável por coordenar a implementação do programa no respectivo agrupamento ou escola.

Os agrupamentos indicam o coordenador de departamento para estas funções ou outro professor de Língua Portuguesa que considerem ter condições para o fazer, no caso de o coordenador não ser professor de Língua Portuguesa. Podem indicar um responsável pelos dois ciclos (2.º e 3.º) ou dois responsáveis, um para o 2.º ciclo e outro para 3.º ciclo, dependendo da dimensão do agrupamento.

Homologada proposta de programas de Língua Portuguesa para o ensino básico

A proposta é muito académica, claramente utópica em relação a tudo aquilo que quer colocar na Rua da bestesga, mas depois os professores é que não percebem nada disto.

Para resumir o que penso do assunto, deixo aqui a posição colectiva do meu grupo disciplinar que tive a obrigação e o prazer de redigir:

Os professores do grupo disciplinar de Língua Portuguesa do 2º Ciclo do Ensino Básico da EB 2/3 Mouzinho da Silveira, na sequência de reunião realizada no dia 11 de Fevereiro de 2009 decidiram apresentar o seguinte parecer sobre a proposta mencionada em epígrafe.

A proposta de programa para o Ensino Básico que agora nos é apresentada parece pretender incorporar, sem nada excluir do que já anteriormente estava contido no programa elaborado em 1991, um conjunto de novos conteúdos decorrentes – mas não unicamente – da introdução do novo Dicionário terminológico, assim como a recomendação explícita de implementação de metodologias de trabalho (com destaque para a utilização das TIC) e ainda a formalização do Plano Nacional de Leitura como componente do dito Programa.

Isso significa, na prática, que sem qualquer adaptação da carga horária disponível, se pretende que nos dois anos do segundo ciclo do ensino básico se aborde um conjunto bastante alargado, e crescentemente complexo, de conteúdos, bem como a quase obrigatoriedade de utilização de todo um leque de metodologias de trabalho que não parecem contemplar:

  • A faixa etária dos alunos em presença.
  • A diversidade dos ritmos de aprendizagem e trabalho desses mesmos alunos.
  • A existência de turmas com percursos curriculares alternativos.
  • A necessidade de ter uma abordagem flexível do programa, adaptando-o a cada contexto de trabalho, seja o grupo-turma, seja cada aluno tomado individualmente.

A aplicação do programa proposto tal como ele está apresentado nesta proposta revela-se de muito difícil implementação com o sucesso desejado e desejável, visto que os «descritores de desempenho» que são indicados contêm um leque de actividades dificilmente enquadrável no tempo disponível de acordo com a actual carga horária, em especial se tivermos em conta que são realizadas Provas de Aferição em meados do mês de Maio para os alunos do 6º ano de escolaridade.

Para além disso as orientações para a gestão do dito programa são claramente insuficientes e parecem pouco adaptadas ou conhecedoras do contexto específico do trabalho com os alunos deste ciclo de escolaridade, em especial no caso da implementação deste programa a alunos do 5º ano que tenham concluído o 1º CEB com o anterior programa.

Embora sabendo que este tipo de parecer de pouco servirá quanto a alterar a proposta em causa, o grupo disciplinar de Língua Portuguesa do 2º Ciclo não gostaria de deixar de, apesar disso, demonstrar a sua discordância com a forma como este documento foi colocado em discussão, assim como com muitas das suas opções e, principalmente, com a sua evidente desadequação relativamente à realidade do trabalho quotidiano dos professores de Língua Portuguesa/Português deste ciclo de escolaridade.

Revi agora na Sic Online o programa Aqui E Agora que já está disponível por aqui. Por entre tanta crítica aos anónimos, destacaram três blogues assinados – o Umbigo, o do Ramiro Marques e o Portugal Profundo – sendo interessante a selecção feita.

Também mostram imagens do post do Umbigo com o nome da colega Ana Maria Gomes. Não sei se contactaram algum dos visados. Deve ter sido tudo feito com imenso rigor e deontologia. Claro que o «nojo» manifestado e verbalizado, com apropriado esgar, por MST quanto aos comentadores dos blogues ficou sem qualquer réplica. É o chamado jornalismo de qualidade. Mínima.

Se acho que tudo isto acontece, agora, por acaso?

Claro…

(olha ali no coelhinho da Páscoa a pôr ovinhos…)

Ora irrito uns porque sim, ora chateio outros porque não. Se respondo às críticas mais brutais com alguma contenção é porque não devia; se respondo mais à letra é porque estou nervoso; se não respondo é porque tenho medo de discutir.

Haja paciência.

Como haja paciência – de novo – para a Associação de Professores de Português e algumas das suas posições, ou melhor, para o aparente desconhecimento que revela sobre o quotidiano das escolas. Não sobre o que se anuncia, mas sim o que já se pratica. Vejamos hoje o que é dito no Público (sem link, p. 10 da edição em papel).

O Ministério da Educação está a ponderar rever os programas de Português do ensino básico, do 1.º ao 9.º ano de escolaridade, mas a Associação de Professores de Português (APP) não vê necessidade de fazer essa mudança. Em vez disso, pede “critérios de avaliação rigorosos e universais” que garantam a igualdade entre todos os alunos.

Esta pretensão é particularmente estranha porque, na prática, isso implicaria que alunos com NEE ou com percursos curriculares alternativos, etc, etc, fossem avaliados da mesma forma que quaisquer outros, significaria o completo fim da autonomia do trabalho dos docentes na área da avaliação e o toque de finados da diferenciação pedagógica (não esqueçamos que uma avaliação contínua se integra nas metodologias pedagógicas, não se podendo isolar do todo), em nome de uma «universalidade» dos critérios de correcção.

Se querem uma perspectiva errada sobre o que deve ser a prática quotidiana dos docentes em matéria de avaliação, ela está aqui. E se querem uma forma errada de contestar as políticas ministeriais podemos ficar com mais esta passagem:

Para Paulo Feytor Pinto, presidente da APP, não faz sentido que os critérios de avaliação dos estudantes sejam definidos por cada escola e que “o mesmo aluno possa ter um cinco numa escola e um quatro noutra” porque “não existem critérios nacionais de avaliação”.
Em vez de um “programa igual e uma avaliação diferente”, o Ministério da Educação deveria deixar que os professores fizessem o percurso que quisessem para ensinar os alunos e, no final, os estudantes submeter-se-iam a uma avaliação que obedecesse a critérios iguais para todo o país, defende Feytor Pinto. O que acontece actualmente é que “os professores vão todos pelo mesmo caminho, cumprem o programa, mas os alunos têm notas diferentes”, argumenta.

Azar o meu, mas não percebo isto. O caminho dos professores pode ser diferente, mas o dos alunos deve ir dar sempre ao mesmo sítio. Mas afinal o que significa dizer, neste contexto, que «os professores vão todos pelo mesmo caminho, cumprem o programa, mas os alunos têm notas diferentes»?

Qual a alternativa: os professores não cumprirem o programa e os alunos terem todos as mesmas notas?

Eu até consigo entrever, muito no fundo desta lógica, o que pode dar substância à posição da APP – ou de PFP – mas esta estranha forma de expressão deita tudo a perder.

Mas então nós não sabemos que existem adaptações curriculares e em especial nos instrumentos e critérios de avaliação de muitos alunos ou mesmo de turmas inteiras? Não é essa a razão de existir, por exemplo, dos PCT?

Se a crítica da APP à descoordenação ministerial em matéria de directrizes para os professores quer ser coerente, não pode depois declarar que:

A APP contesta ainda os “efeitos negativos” que os exames nacionais e provas de aferição têm na prática lectiva”. Os professores acabam por “erradicar da sala de aula” os conhecimentos que não são avaliados nesses testes, diz Feytor Pinto.

Mas antes não se afirmara que os alunos se deviam submeter a uma avaliação uniforme para todo o país? Mas não é isso que acontece com as provas de aferição? Ou mesmo com os exames?
Mas ainda temos a cereja no bolo da falta de clareza quando se afirma:

Para a APP, é “altamente contraproducente” refazer os programas de Português, porque “nunca se ouviu dizer que os alunos tivessem maus desempenhos por causa dos programas”.

Nunca se ouviu que os alunos tivessem maus desempenhos por causa dos programas? Estou longe de defender a deriva legislativa e pseudo-reformadora deste ME, mas sinceramente torna-se-me muito difícil compreender este tipo de linha de ataque, que só consigo perceber em virtude de remoques quanto ao processo da TLEBS. Achará PFP que é possível conseguir facilmente sucesso com programas mal estruturados e em que aos docentes é pedido que desenvolvam um amontoado de actividades, quantas vezes sem nexo entre si? Por exemplo, martelar o PNL no programa existente, que já dá pano para mangas?

Sou um professor de Português de 2ª categoria como já me fizeram sentir alguns(mas) colegas mais orgulhosas da sua formação específica original e que acham que um tipo de História não têm condições para aceder a certas sofisticações (escusam de me fazer o reparo, sei que é um remoque privado). Julgo que alguns professores de 1ª (sem desprimor para aqueles que o são mesmo) consigam seguir o raciocínio que Paulo Feytor Pinto apresenta como sendo o da APP. Eu confesso que não os percebo e nem sequer compreendo como, em nome da defesa do actual programa da disciplina de Língua Portuguesa, se ache defensável a existência de critérios universais de avaliação dos alunos, quando se critica a existência de exames e provas de aferição que são instrumentos que se baseiam – bem ou mal – exactamente no princípio de uma avaliação uniforme para todos os alunos.

A defesa de uma absoluta objectividade na avaliação «universal» dos alunos é uma lógica que me escapa, pois no fundo volta a reconduzir a avaliação dos alunos para um processo mecânico em que desaparece qualquer flexibilidade perante as circunstâncias particulares de cada aluno.

Mais exactamente o novo Programa de Matemática no Ensino Básico. Diz quem percebe do assunto que se inverte grande parte do que tinha sido delineado na última década e tinha funcionado como base na formação dos actuais professores.
Mas, ao mesmo tempo, parece que nada disso será muito relevante se o eduquês continuar presente em áreas como avaliação, como acontece no final a página 12 deste documento (14 segundo a numeração do ficheiro). Porque de boas intenções muito politicamente correctas está o inferno do insucesso escolar cheio e igualmente o purgatório do analfabetismo funcional, mesmo se certificado e diplomado.

Valter Lemos saiu do limbo para fazer passar a mensagem de que, este Governo quando avança é para a frente e quando recua é para o lado.

Mas de certa forma justifica algo que já aqui foi escrito e que é, no fundo, que nada de fundamental se alterou e o diploma irá continuar a ser a miséria que já era. E que o ME vai sublinhar isso mesmo. Valter Lemos chega mesmo a afirmar que nada mudou a não ser o nome da prova. Portanto, as moscas passaram a ser insectos dípteros esquizóforos e o resto apenas o resultado expelido, após a digestão e absorção dos alimentos pelo tubo digestivo dos animais.

O secretário de Estado da Educação recusou hoje que tenha havido um recuo na proposta do novo Estatuto do Aluno, dizendo que as alterações introduzidas quarta-feira pelo PS não mudam nada de fundamental e coincidem com o discurso da ministra.

Em declarações à agência Lusa, Valter Lemos disse que a alteração ao artigo 22º do Estatuto do Aluno, que quarta-feira foi entregue pelo PS na Comissão Parlamentar de Educação, relativa às provas de recuperação para os alunos com excesso de faltas, “não muda nada de fundamental”. Mudou o nome da prova e foram “precisados de forma mais clara” alguns pontos, acrescentou.

A proposta que estava ser discutida ontem é a proposta do Governo; trata-se da mesma coisa e é aquilo que a ministra da Educação tem vindo a dizer”, acrescentou o secretário de Estado da Educação.

Vai ser, apesar de repetitivo, curioso reparar como hoje à noite Maria de Lurdes Rodrigues na RTP1 conseguirá manter-se fiel ao guião escrito pelo seu Secretário de Estado, já de avanço, para preparar o terreno (reacções da oposição em notícia do Público, sem link, transcrita aqui).

Mas é sempre bom que o verdadeiro mentor do descalabro apareça e dê a cara pela sua “obra”.

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Repito aqui que acho o mais meritório possível que exista um Plano Nacional de Leitura. A iniciativa é boa, os objectivos originais são excelentes, não é nada disso que me aflige. O que me provca certa urticária é ter a sensação, à medida que o tempo passa, que o PNL se tornou uma espécie de sopa da pedra para onde a cada rodada se atira mais um par de ingredientes.

Se na dose certa é a minha segunda sopa favorita, quando os condimentos e ingredientes são excessivos corro, porém, o risco de panhar uma indigestão.

Ora desde que foi lançado o PNL tem engordado em variadíssimos aspectos, a saber:

  • Nomes, muitos nomes. Para além dos cinco elementos da Comissão, temos vinte e três no Conselho Científico e mais de cem numa Comisão de Honra onde parece que só não cabem docentes do Ensino Não-Superior (catam-se com muito esforço nas listas, em especial se não acumularem com a condições de autores), embora sobrem notáveis na área abrangente do PS e umas quantas flores de outras cores para disfarçar. Se o Luís Figo se percebe por causa do marketing, já me é estranho o que Vitor Constâncio, João Salgueiro, Vital Moreira ou a Maria João Avillez lá fazem, para além de polir o ego.
  • Obras, muitas obras. Em vez de apostarem num corpus bibliográfico coerente e relativamente compacto para servir de base ao trabalho no âmbito do PNL, fornecendo materiais de apoio de qualidade, neste momento já existe uma listagem com 1700 títulos, o que é de uma enorme dispersão. Mais valia nem fazerem uma lista e apoiarem a leitura de livros, ponto final. São 333 obras propostas para Jardins de Infância e mais de 500 para o 1º ciclo (150 só para o 1º ano da escolaridade). Isto é um manifesto exagero, que eventualmente os autores e editoras agradecem, mas que está longe de ser muito prático. Em especial quando se acrescenta nas listas que «todos os títulos que pertencem a uma colecção podem ser substituídos por outro título da mesma colecção, se o professor o entender. Alguns títulos estão ainda em estudo. Prevê-se uma actualização regular da lista.» Dissessem: leiam, leiam muito, e já estava. Percebia-se melhor. Assim parece-me um manifesto exagero.
  • Actividades, gigabytes de actividades para desenvolver no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa. As orientações para o ano lectivo de 2007-08 são uma verdadeira girândola de propostas, que apostam na superficialidade das abordagens do que num trabalho de ancoragem da leitura e de uma verdadeira interacção com o ensino do funcionamento da língua. Tudo o que a TLEBS tinha de obsessivo com o ensino da terminologia, o PNL tem de oposto, ao parecer esquecer que a literatura não é tudo. Aliás, como o ano passado constatei, PNL e TLEBS eram praticamente incompatíveis num trabalho normal com as turmas em Língua Portuguesa. Repare-se que se quer, em cada período lectivo, a leitura de um ou dois livros com exploração aprofundada numa sequência de aulas, cumulativamente com a leitura de outros livros na sala de aula. Isto sem que se perceba se contabiliza a leitura, que já antes existia, de uma obra completa, acompanhada da produção e preenchimento de guiões de leitura. Tudo isto mais a realização de jogos, concursos, rally papers, etc, etc.

Sendo eu um acérimo defensor da leitura e do uso dos livros, parece-me que há aqui algo que peca por excesso.

Não seria mais interessante sugerir que uma das ACND – caso da Área de Projecto – passasse a ser destinada à implementação do PNL em articulação com Língua Portuguesa? Ou então que se eliminasse de vez a existência de um manual de leituras para a disciplina?

Porque o problema de gigantismo que está a atacar neste momento o PNL pode ser contraproducente ao dispersar orientações e ao não estabelecer prioridades claras nas suas propostas. As mais de 50 páginas de orientações para actividades de leitura no 1º ciclo estão aí para o demonstrar. Claro que isso resulta em muito de tudo ser formulado em gabinete, com pouca ligação à terra ou a que existe parecer ter algum rebuço em admitir que não é possível meter os Campos Elíseos na Avenida dos Aliados, por muito boa vontade que se tenha.

Por isso, na minha modesta e pedestre opinião de soldado raso, talvez fosse mais útil concentrar o PNL em matéria de prioridades, no sentido de não dispersar recursos e orientações de um modo que acabe por fazer perder eficácia ao plano.

Ler, ler muito, é excelente. Mas tenham lá calma com a forma como acrescentam às centenas os títulos propostos (há colecções de dezenas de livros e editoras que aproveitaram para estampilhar todas as obras infanto-juvenis), respirem fundo e vejam lá se não matam ainda o paciente com tanto remédio.

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Nos últimos dias frequentei grandes superfícies e livrarias tanto por razões de abastecimento periódico familiar de mantimentos como de preparação de materiais para o próximo ano lectivo: agendas, material para escrita, papelada vária, tinteiros, o costume.

Por todo o lado estão expostos materiais em catadupas para cativar a massa enorme de consumidores que nesta altura andam na mesma faina que eu.

Nos sectores de literatura infantil e infanto-juvenil acumulam-se títulos sobre títulos. Para meu espanto uma larga maioria com o selo do Plano Nacional de Leitura. O que me parece algo estranho e depois explicarei melhor porquê. No site oficial o número de obras recomendadas até ao 9º ano ultrapassava o milhar em 2006, por entre as diferentes modalidades de leitura e anos de escolaridade, e para 2007-08 atinge as 1695.

Eu sei que a ideia é promover a leitura. Mas será esta a estratégia certa? Mais valia dizerem que todos os livros são bons de ler já que, deste modo, não se percebe é porque algumas obras são excluídas.

O que parece é que, ao longo do tempo, a lista foi sendo aumentada à medida que as pessoas se lembravam. E depois chegou-se mesmo ao ponto de recomendar que se podem ler as obras listadas ou quaisquer outras das colecções em causa.

E vaí daí foi um fartote de estampilhar livros com o símbolo do PNL. Alguma entidade verifica se a estampilha é usada adequadamente, que todas as obras assim destacadas pelas editoras e livrarias estão efectivamente propostas pelo PNL?

Mais algumas dúvidas e estupefacções sobre o assunto, amanhã, por aqui.

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Se o primeiro eixo do chamado Plano Tecnológico da Educação se resolve com o anúncio de uma chuva de equipamentos subsidiados pela União Europeia e, de certa forma, com dinheiro na mão, basta ir à loja, comprar e mandar entregar, já o segundo eixo é algo que levanta mais problemas porque implica produzir algo. Implica muito mais o factor humano por parte do envolvimento da tutela. Repare-se logo como de 5 itens no primeiro eixo se passa para dois no segundo, sendo que um – o Escola Simplex – não se pode considerar propriamente de conteúdos, mas sim de funcionamento burocrático-administrativo.

Pelo que no segundo eixo, de essencial, resta o Mais-Escola.pt, que fica sem se perceber exactamente o que é, de tão vagas ou desencontradas são as suas propostas de intervenção (dos portefólios digitais dos alunos à articulação entre a escola e o mundo do trabalho).

Mas se assumirmos qu é um projecto que visa disponibilizar ferramentas em suporte digital, disponíveis online ou em software de apoio à prática pedagógica na sala de aula, ficamos ainda com uma área imensa de acção, na qual cumpre percebermos alguns aspectos como:

  • Exactamente que tipo de conteúdos vão ser produzidos? De aspecto metodológico sobre a aplicação das TIC na sala de aula? Adequados a cada disciplina ou área disciplinar? Conteúdos mais especificamente relacionados com as disciplinas (a ideia de uma sebenta electrónica deixa-me um pouco apreensivo) dos vários níveis de ensino?
  • Quem vai produzir esses conteúdos? No caso da aplicação das TIC, o “mercado” de “especialistas” já deve estar a esfregar as mãos com a antecipação dos milhões. Já no caso dos especialistas na produção mesmo de conteúdos de apoio ao trabalho nas várias disciplinas, ficamos sempre com a dúvida sobre os critérios da sua escolha e, a avaliar pelo histórico recente da produção de exames ou mesmo dos materiais de apoio à naufragada experiência da TLEBS, a qualidade dos produtos finais deixa-nos naturalmente apreensivos. Claro que se espera que, na área da metodologia, o senhor Secretário de Estado já tenha os nomes delineados para diversas equipas, pois nem outra coisa seria concebível.
  • Qual será a calendarização de todo este processo? A habilidade em atirar as coisas para 2010 é engraçada, pois nas eleições de 2009 há sempre desculpa para o que não estiver concretizado. É uma táctica habitual nestes planos que raramente chegam verdadeiramente ao fim, deliciando-se antes no processo. O objectivo está para lá da legislatura, pelo que…

No caso do Mais-Escola.pt, o 3º trimestre de 2007 é apresentado como de «definição do modelo de gestão e operação». Quem vai ou está a fazer essa definição? O lançamento da primeira fase da «operacionalidade» está agendado para um ano depois, ou seja, apenas a tempo de servir para alguma coisa em 2008-09. É certo que depressa e bem há poucos quem, mas…

De certa forma, este eixo do PTE deveria ser encarado como crucial e não subsidiário, o que implica uma sua formulação clara e uma implementação que fugisse às redes clientelares costumeiras nestas andanças. Não chega colocar a tecnologia nas escolas sem elas estarem preparadas e terem outros instrumentos disponíveis, assim como não adianta comprar equipamentos caríssimos para hospitais se depois não existem técnicos para os operar e manter ou dinheiro para pgar a luz, ou mesmo comprar imensos computadores topo de gama, todos xpto, para equipar serviços do Estado se depois o software é de pura fancaria.

Ora no Eixo-Tecnologia, este PTE é demasiado lacunar e percebe-se que este aspecto foi, pelo menos nesta fase inicial, martelado no projecto, para não parecer que não estava lá qualquer preocupação com a produção de conteúdos. Claro que não chega fazer apenas novos coisos-show propagandísticos como o mais recente.

Mas muito mais importante, não chega copiar alguns conceitos de estudos internacionais, se for para esquecer algumas das suas conclusões menos agradáveis, nomeadamente a falta de uma relação incontroversa entre input tecnológico na sala de aula e output dos resultados (p. 25 e ss do documento acima linkado, com destaque para a p. 29). É verdade que sou originalmente de História e que essa é a área onde se indicam os menores ganhos, mas não é por isso que levanto diversas reservas à eficácia do e-learning e outras estratégias muito baseadas em suportes tecnológicos. As minhas reservas são exactamente quanto á qualidade da aplicação desses meios, dos materiais disponíveis e da formação adequada dos recursos humanos (e o Eixo-Formação não me tranquiliza nada a esse respeito).

Entretanto, percebe-se que muito do PTE foi retirado  daqui (mesmo se alguns números são algo discordantes), sendo que se analisarmos as datas dos documentos em presença e os pretextos próximos usados pelo Governo/ME para justificar o PTE – resultados dos exames em Matemática – se percebe facilmente que algo não bate certo. Assim como é notória a fixação na experiência finlandesa e outras, esquecendo-se – sempre – que as medidas implementadas nesses países o foram – com destaque para o caso finlandês – em contextos educativos muito diversos, desde logo porque a literacia aí já atingiu os 100% há bastant tempo e porque, em termos socio-culturais, as famílias apresentam um perfil completamente diverso do nosso.

Mas enquanto se acreditar que, como no caso da Revolução Industrial, é possível replicar “saltos” na evolução, utilizando as mesmas estratégias em contextos diferentes (e apontando prazos ainda mais curtos para fazer o balanço da experiência), já sabemos que resultados (não) é possível esperar. Em especial resultados reais e não cosméticos.

Claro que em 2009 só pelo habitual milagre dos efeitos dos truques legislativos (como alterar as regras da avaliação ou impedir que se considerem como abandono ou NEE situações que antes o eram) haverá resultados. Mas, de qualquer maneira, mesmo se forem escassos há sempre a desculpa do objectivo ser o de 2010 e mais além, pelo que ficaremos sempre no domínio da habitual inimputabilidade política (ou outra).

Parece que o ME mandou reajustar o programa da Matemática do Ensino Básico, bem antes de se saberem resultados de provas de aferição ou exames.

Parece que quis antecipar-se – ou então previu com uma dose de acerto pouco vulgar – aos resultados e o documento produzido, com data de 1 de Julho, está disponível para consulta e discussão pública até dia 20 de Setembro.

Como o ano lectivo começa entre 12 e 17 de Setembro, penso que estes reajustamentos, depois de discutidos, venham a ter efeito nas escolas lá para meio-final do 1º período do próximo ano lectivo.

Porque isto é tudo muito dinâmico e nada como planificar o ano, sem se saber bem com base em quê.

Mas tudo bem.

Eu como não sou da área e não tenho presente o actual programa nas suas minudências (tenho-o algures em papel por aí), vou ler a coisa devagarinho para ver se entendo a dimensão e sentido deste acto de reajustar. Que, talvez já seja preconceito, não me soa muito bem.

Mas quem é da área, e muitos que por aqui passam o são, têm certamente mais competências – transversais e não só – para analisarem e opinarem de forma mais ajuizada e informada sobre o tema.

Será que isto vai lá reajustando o programa?

Sim, não, talvez ou já nem todos os santos nos ajudam?