Prioridades


A peça do Público sobre o bichinho de estimação (PET) made in Cambridge também foi feita com o apoio da parceria público-privada.

O que nos poderia levantar algumas questões sobre o que se investe na propaganda em torno de algo que tem uma validade reduzida para a própria Universidade de Cambridge (ao fim de 2-3 anos, os certificados valem de muito pouco por lá) e no que não se investe nos professores que são obrigados a assegurar a sua aplicação e classificação.

São opções… prioridades… whatever.

E logo na área da Saúde?

E sempre por ajuste directo, devido a “ausência de recursos próprios”…

Os exemplos podem ser imensos, pelo que apenas escolho alguns ridículos…

Poupancas

O negócio dos pareceres jurídicos para organismos públicos é um manancial enorme, desde organismos centrais a “entidades” autónomas, passando pelas autarquias.

Quase sempre alegando “falta de recursos próprios”.

Aqui, através de uma publicação no Fbook.

Atenção, é apenas UMA máquina por quase 30.000 €, como se pode ler no contrato.

maquinas

Cheque-ensino ou cheque-sobrevivência?

Estado gastou 3,5 milhões de euros com consultores externos na semana passada

(…)

Os gastos dos organismos públicos em consultoria e assessoria na última semana foram superiores às despesas com a alimentação. De acordo com a análise do i aos contratos de aquisição de bens e serviços divulgados no portal Base entre o dia 22 e as 16 horas de sexta-feira, o custo da contratação de serviços de consultoria e assessoria ascendeu a 3,5 milhões de euros, enquanto que o da alimentação (produtos alimentares e refeições confeccionadas) se ficou pelos 2,6 milhões.

O contrato mais elevado foi publicado pelo Banco de Portugal (BdP), que por 32 dias de “consultoria financeira” da Oliver Wyman pagou 322,2 mil euros. Este já é o segundo ajuste directo celebrado pelo banco central e esta empresa recentemente. Em Maio do ano passado, o BdP contratou os serviços (98 dias) desta consultora por 483 mil euros.

Vejamos o que é e o que faz a tal Oliver Wyman.

É tudo expertise em coisas que por cá ninguém sabe fazer, muito menos a obesa função pública, certo?

É muito mais prático sacar do dinheiro dos contribuintes e contratar alguém de que se ouviu falar ou conheceu numa qualquer jantarada.

Mas é assim o “Estado Moderno”. A malta entrega-lhes o dinheiro e ele contratam quem bem entendem.

É a macro-liberdade de escolha sem trela.

  • Uma indispensável reforma da LBSE que, no presente, já é letra morta em muitas das suas passagens, mas que deveria existir o decoro de adaptar às violações que lhe foram feitas e que já estão no horizonte próximo.
  • Uma flexibilização do regime da administração das escolas públicas, para que elas possam concorrer em verdadeira liberdade e autonomia com as “alternativas”. é ridículo que se tenha de passar a gestão privada uma escola pública para que possa existir um “projecto” de equipa, não unipessoal. Ou que a orgânica interna dos mega-agrupamentos seja mais leve e não obrigatoriamente piramidal.

O que está no guião?

GuiaoEdu8Apenas a cedência, em jeito de pagamento que vai tardando, do apoio de certos grupos que pretendem ter mais do 5% do orçamento do MEC, pois consideram-se no direito de reclamar mais (15-20-25%) de subsídios directos ou indirectos a uma actividade que afirmam ser privada.

Ao governo não interessa aperfeiçoar o desempenho da rede pública, aquela que tem a seu cargo gerir da forma mais adequada, dando-lhe a liberdade indispensável para melhorar. Pelo contrário, interessa-lhe manter ou agravar o espartilho para que a concorrência externa possa, mais facilmente, apresentar 2sucesso” e assim justificar o aumento das tranches para os seus orçamentos particulares.

A factura está a pagamento há dois meses… é preciso apressar as coisas… a segunda parte do mandato deve corresponder mais fielmente às expectativas.

Mesmo se, em caso de alternãncia eleitoral em 2015 para um governo PS ou PS-CDS, os riscos sejam mais no ritmo da concretização do acto do que na capacidade de seduzir os governantes…

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