Presidências


Cavaco deu luz verde às 40 horas de trabalho na função pública

Por causa daquilo das pensões que não dão para pagar as contas e tal.

E não esqueçamos que foi ele que assinou de cruz tanto as despesas do outro como a austeridade deste…

O Presidente da República considerou hoje “muito difícil” voltar a exigir novos sacrifícios a quem já foi chamado a contribuir “significativamente para a redução dos equilíbrios económicos e financeiros” em Portugal.

… e não vale a pena dizer que foi no deserto vermelho, porque não foi.

PR: Cavaco Silva assobiado por populares à porta da Câmara Municipal da Póvoa do Varzim

Do PortadaLoja:

Cavaco nunca esperou por este tipo de coisas. Mas merece-as inteiramente. E vai acabar mal, porque não vai conseguir digerir muitas manifestações deste tipo que tenderão a aumentar. E não são os comunistas apenas, desta vez, porque chegou a hora deste indivíduo prestar contas a sério do que andou a fazer estes anos a fio.

O problema do Presidente da República e dos seus irregulares, mas periódicos, amoques é que muita gente não entende porque se deve prestar solidariedade  apoio a quem não o deu a largos estratos sociais e profissionais durante os seis anos que leva na função.

Cavaco Silva, pelo menos no primeiro mandato, apresentou-se depois da vitória como o presidente de todos os portugueses. Não o foi. Essa é a verdade. Com o argumento dos interesses corporativos, deixou que o governo maioritário de Sócrates fizesse as maiores tropelias e assobiou para o lado, prestando apoio às claras e nos bastidores a governantes que claramente afrontaram grupos sociais e profissionais inteiros. Foi o que aconteceu com Maria de Lurdes Rodrigues e os professores. Sempre apoiou a primeira contra os segundos. Assinou toda a legislação de cruz, mesmo a que era evidentemente ferida de inconstitucionalidade (caso do 75/2008).  Fez umas declarações públicas a apelar ao consenso e diálogo, sendo que esse era o interesse do Governo e de mais ninguém.

Em contrapartida, eriçou-se com detalhes nano-corporativos de uma função presidencial da qual tem uma visão minimalista (como agora se percebe ao se conhecer que se achou tratado de forma desleal, nada fazendo quanto a isso).

Por isso, quando Cavaco Silva fala em deslealdade institucional, muitos de nós lembram-se da sua colaboração activa com aquele(s) que acusa de deslealdade. E em muitos casos foram decisões erradas. E não foi por falta de aviso.

E a lista é enorme:

  • 11 de Abril de 2008:

Cavaco Silva promulga diploma sobre gestão e administração escolar

  • Setembro de 2008:
A ministra da Educação entende que há uma «convergência» de opiniões entre o Governo e o Presidente da República acerca de o 12º ano ser a escolaridade mínima em Portugal. Maria de Lurdes Rodrigues explicou que esta «convergência» já vem de há muito tempo.
  • 13 de Setembro de 2008:

Cavaco Silva apela a autarcas para aceitarem mais competências na Educação

  • 15 de Setembro de 2008:
No último dia para o arranque do ano lectivo, o presidente da República vai com a ministra da Educação e também o primeiro-ministro visitar as primeiras escolas secundárias onde foram feitas obras de requalificação.
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Sócrates explicou que o Governo convidou Cavaco Silva para estar com a ministra da Educação noutra escola, em Lisboa «para que também fique bem patente que este esforço que se está a fazer é um esforço que transcende o Governo, é um esforço do Estado, porque este tem plena consciência que não pode deixar ficar a escola para trás».

  • 19 de Novembro de 2008:
O Presidente da República manifestou, esta quarta-feira, ter «muita pena» que o seu apelo para a serenidade do sector da Educação não tenha aparentemente surtido efeito.
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O presidente promulgou, inaugurou, apoiou, acompanhou. Foi leal, nas suas palavras. Foram desleais consigo, também nas suas palavras. Já na altura o sabíamos, aliás, quase toda a gente o sabia.
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Se não deu por isso, só podemos lamentar a sua enorme falta de perspicácia política, o que é estranho em quem é normalmente destacado por ter tanta.
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Portanto, get over it.

Não vamos pensar agora que foi ele que andou a inaugurar obras da Parque Escolar e Caixotes Escolares por todo o país.

Relembremos que é o mesmo que fez uma comunicação toda institucional por causa de uns rendilhados no Estatuto dos Açores…

Tribunal de Contas detecta novo buraco de 220 milhões na Madeira

O Tribunal de Contas está a investigar um novo buraco de 220 milhões de euros nas contas da Madeira. Esse é o montante de um recente empréstimo contraído pela Empresa de Electricidade que o governo de Alberto João Jardim desviou para pagar despesas de funcionamento.

Configurará ofensa de alguma gravidade dizer que o comportamento do PR (em, tempos o senhor Silva nas palavras do bonzo) é, neste caso e perante o povo português, de uma assinalável falta de coragem política e de aparente cedência a interesses político-partidários?

Que segredos explicarão tantos e tão longos silêncios, de tanta gente?

malandros e perdulários