Post Friccionante


Outra consequência de uma visão tacanha da gestão dos recursos do Estado e, em particular, do horário dos professores e da sua possibilidade de faltar a umas quantas aulas por ano ou mês é o quase completo encerramento monástico a que, em termos intelectuais, estão votados muitos docentes, quantas vezes com a sua própria colaboração.

Com as limitações colocadas à participação em actividades durante o horário normal de trabalho (desaparecimento do velho despacho 185 há já uns anos), assim como à crescente diminuição da oferta de formação em quantidade (quanto à qualidade, nem sempre foi grande coisa) e diversidade, quase só há a possibilidade de frequentar – sem usar de alguma ginástica – acções promovidas pelo próprio MEC, pelas escolas ou pelas editoras que aprenderam a recalendarizar as suas acções promocionais para os sábados, apresentando-as como formativas.

O resultado é o empobrecimento evidente da actualização dos docentes em muitas matérias, o acomodamento às rotinas e a limitação dos horizontes aos muros e portões das escolas e agrupamentos, desproporcionando a importâncias coisas mínimas (como a ocupação de certos cargos intermédios,a obtenção de mais umas décimas nos ciclos de ADD ou outras minudências ainda mais tristes), subitamente erigidas em dramas de vida. E como que as pedrinhas se agigantam em montanhas e as pequenas honrarias internas se transformam em cintilantes medalhas obtidas em cerrados combates.

O forçado (embora em parte voluntário) encerramento da classe docente sobre si mesma, com formações meramente endogâmicas, o activo desencorajar da obtenção de graus académicos mais elevados (as equiparações e as sabáticas estão pela hora da pós-morte), o dificultar da presença em iniciativas científicas de relevo, a nível nacional e internacional, a não valorização de participação em projectos de investigação com interesse para a profissão, apenas servem para sublinhar a feição negativa de um monasticismo docente que empobrece a qualidade do trabalho na sala de aula e mesmo do funcionamento das próprias organizações escolares.

O espírito crítico e de curiosidade intelectual próprio de uma Educação que se queira factor de progresso está há anos longe de qualquer prioridade da tutela e potenciou ainda mais fenómenos de profissionalidade defensiva. E do chamado minhoquismo burocrático. E de bacocas vaidades pela perpetuação em certas funções de notável irrelevância prática quando desempenhadas com base na sebenta de outrora.

A falta de dinheiro não pode justificar a miséria de ideias.

Foi perdida em diversas fases, mas desde logo a partir da discussão do diploma que veio a ser o DL 75/2008. Quando a esmagadora maioria dos actores concordou no torpedeamento implícito da LBSE em aspectos como a constituição do Conselho Geral.

Uns por razões ideológicas (todos os que abominavam o conceito e a prática que ainda restava da gestão democrática das escolas), outros por questões de real politik (não se queriam envolver demasiado numa outra frente de conflito com o ME, que sabiam colher escasso apoio junto das instituições), da Presidência da República aos sindicatos, quase toda a gente assobiou para o lado perante a inconstitucionalidade evidente do documento e, com mais ou menos garganteio, acomodou-se ao modelo de gestão unipessoal, com um Conselho Geral pretensamente representativo da sociedade civil ou da comunidade educativa.

Tretas, como bem se sabe. O que estava em causa era a criação de um modelo único de gestão que, em termos de propaganda, seria bom para uma maior autonomia e responsabilização da gestão mas que, na prática, apenas definia com clareza uma cadeia hierárquica de comando entre a tutela e os professorzecos, algo que muitos pequenos potentados locais consideraram ser uma forma de reforçarem o seu poder, sem repararem que, por seu lado, ficavam com o flanco todo à mostra.

Nada que não se tivesse dito e escrito durante meses e meses de 2008.

Como disse, de uma ponta a outra do espectro, receberam-se sinais implícitos e explícitos que essa era uma guerra em que se ficaria praticamente só.

Como aconteceu.

As consequências foram naturais: os Conselhos Gerais Transitórios formaram-se, quantas vezes como emanações dos poderes que já estavam consolidados nas escolas, escolheram alguém que assumiu plenos poderes e a partir daí o 75/2008 passou a ser lei quase absoluta.

Poucos Conselhos Gerais assumiram o seu papel de efectivo órgão fiscalizador do trabalho da Direcção, muitas vezes porque a sua liderança estava conivente com a solução directiva. Os Conselhos Pedagógicos tornaram-se uma assembleia interna com poderes pouco mais do que fáticos e quase sempre com o controlo total do Presidente que é o Director, ao contrário do que se recomendava no modelo anterior, que postulava uma muito maior desconcentração dos poderes. Aliás, a nomeação, e não eleição, dos Coordenadores de Departamento dificilmente poderia conduzir a outra coisa que não a subserviência dos nomeados em relação ao nomeador. Quando se ousou deixar nos Regulamentos Internos uma norma destinada a exigir a consulta dos professores antes da escolha de um Coordenador ou representante de disciplina, a coisa caiu da árvore ainda verde, não sendo usada.

Os Directores (vou usar aqui uma designação generalista, embora saiba de muitos casos de excepcional excepção) acomodaram-se, na sua grande maioria à situação criada. Para além do Conselho de Escolas, surgiram duas associações de dirigentes escolares. Não se percebendo bem para quê, pois sempre se caracterizaram por uma prudência extrema nos actos.

Os directores abdicaram de ser líderes de comunidades educativas para, em muitos casos (há sempre excepções de enorme dignidade), se calarem quando deveriam falar, receando perder os lugares, e optando por ser enviados do MEC nas escolas, em especial junto dos que há muito tempo tinham sido seus colegas. Esqueceram-se do que é uma sala de aula, do que é atravessar um pátio ou um corredor no horário de entrada, do que faz a essência de ser professor. Iludiram-se com o ser director. Muitos gostaram de avaliar, outros de mandar avaliar e avaliar quem avaliava. E acreditaram na conversa de serem líderes de uma comunidade educativa, quantas vezes encarando isso como contrário a dialogar com os professores. Preferiam o diálogo com a tutela, como de forma cândida confessa hoje Adalmiro da Fonseca ao Correio da Manhã. Deslumbraram-se com as runiões, salivando com as chamadas a Lisboa.

Os problemas só começaram a sério no paraíso directivo quando se percebeu que a tutela se estava a marimbar (é um termo que perdeu o desuso) para os directores quando decidia mega-agrupar, atropelando mandatos, projectos educativos, cartas educativas, conselhos municipais de educação, autonomias e tudo o mais.

Ou seja, a tutela fez aos directores o que muitos fizeram aos professores. Mandou e esperou que obedecessem. Depois começaram os cortes de privilégios. E seguiram-se as ordens sem horário ou calendário seguro.

E o peso do modelo hierárquico e autoritário fez-se notar muito.

E agora já será uma minoria de directores que goza de prestígio e admiração entre os corpos docentes que antes os elegiam.

Já será uma minoria que conseguiria congregar em seu redor um corpo docente em defesa de posições comuns, perante os atropelos sucessivos na reorganização da rede escolar ou os disparates em matéria de avaliação do desempenho.

A aceitação prática do 75/2008 sem uma acção concertada de boicote ao modelo de gestão, a quebra de laços de solidariedade dentro das escolas, fomentada pela prática das nomeações de tipo absolutista, mas também a apatia generalizada de muita gente, incapaz de se erguer, pensando mais no horariozinho do ano seguinte, no clubezinho a ser aprovado para não dar substituições, na sacanicezinha e delaçãozinha abjecta contra os colegas para ganhar pontos na ADD, fizeram das escolas algo muito pior do que era, com apenas um vencedor: o poder político que queria domesticar salarial e profissionalmente os professores. E os directores (com excepções, ressalvo pela terceira vez) aceitaram fazer parte desse esforço, em tempos de Maria de Lurdes Rodrigues, como se depreende da entrevista referida anteriormente e que está transcrita no post abaixo.

Agora dizem que se vão embora… mas embora para onde? Para as salas de aula? D-u-v-i-d-o! Para a aposentação, ainda acredito, agora voltarem a ser professores na verdadeira acepção do conceito e da função?

A verdade é que a guerra em defesa do funcionamento democrático das escolas, de um modelo de partilha das decisões, mesmo se com rostos responsáveis por cada desempenho, foi perdida porque foi travada por muito menos gente do que a da avaliação. E essa, como sabemos, foi sendo perdida, apesar de um quase unanimismo vocal de um dos lados.

Fomos poucos a travar ambas mas, mesmo tendo perdido ambas de forma bem clara, fica-se sempre com a consciência limpa de não ter jogado do lado do oportunismo.

Foi hoje de manhã. O mafarrico ortodoxo apareceu e pensou ter desferido um ataque fulminante:

O pantomineiro egomaníaco dá tantas cambalhotas que é impossível perceber no momento de que lado está.

Na sua senil cabecinha a observação deve ter-lhe parecido uma coisa fantástica e demolidora. Pobre coitado, eu concordo com ele e subscrevo. Porque eu não tenho lados, pelo menos da forma que ele considera existirem bons e maus, castas puras e outras intocáveis.

E passo a explicar porque considero um enorme elogio aquilo que ele escreveu.

O que o mafarrico ortodoxo de serviço aqui ao blogue parece não perceber (e acredito que o bestunto, de tão desabituado de pensar por si mesmo não alcance) é que o que escreveu é algo que revela uma verdade de que me orgulho.

Sinto-me muito bem pelo facto do mafarrico e dos restantes mafarricos ortodoxos da organização a que pertence e de outras organizações monolíticas não me conseguirem encontrar naquele ponto em que gostariam que eu estivesse em relação a eles e ainda mais pelo facto de me acharem complicado de posicionar.

Porque a coisa é simples de explicar. O mafarrico está dentro do Grande Colectivo Organizacional ao qual é fiel em primeira (única?) instância. Ele não está interessado em defender os professores, em particular, ou os portugueses, em geral. Aliás, ele abomina os professores e portugueses que pertençam a outras Organizações que não aquelas a que ele pertence. Basta ver como o mafarrico e amigos tratam todos aqueles que vestem cores diversas e pensam diferente.

E as suas posições seguem as da sua Organização (ou Organizações, mas fiquemos agora pelo singular, que dá para entender melhor) e movem-se no meio dela, com todos os seus colegas puros em redor. Como está no meio do ambiente costumeiro, mesmo que este faça inversão de marcha, o mafarrico pensa estar sempre, de forma coerente, no mesmo ponto.

Mas não está.

Eu exemplifico.

A Organização está contra um estatuto de carreira e um sistema de avaliação. Mas, de acordo com os seus interesses estratégicos, assina acordos e entendimentos que validam aquele estatuto e sistema de avaliação.

Mais giro… há membros da Organização que se dedicam a colocar em prática as coisas, adequando-se ao papel que antes criticavam acerbamente. O mafarrico tem um amigo (certamente mais) que fez isso. Era contra a ADD mas contribuiu para que fosse posta em prática. O mafarrico não acha isso incoerente. Fossem outros fazer tal coisa…

O mesmo se passa com o modelo de gestão. Eram contra, mas não se negaram a tomar posições. E sentem-se bem com isso, porque se acham os “melhores” para aplicarem o que criticavam. Dizem que é para defender os interesses dos colegas. Quais colegas? Depende da cor…

Portanto, em matéria de desposicionamento, ninguém melhor do que o mafarrico para termos alguém a navegar à vista, conforme as indicações superiores e reagindo de forma pavloviana e salivosa aos conceitos (plásticos quando convém) de Esquerda e Direita.

O mafarrico coerente é de uma cor contra as outras, sejam quais forem as medidas em causa.

E acusa os outros de mudarem de posição quando o que os outros – eu, por exemplo – se limitam a fazer é defender princípios e ideias de forma consistente, não reagindo aos rostos e siglas, mas pretendendo que as situações se resolvam, Os apoios ou afastamentos são determinados por acções concretas. Não por nomes ou preconceitos ideológicos. Apenas pela justeza do que é feito (ou não).

 O que não significa que se aceite qualquer um ao lado, em especial quando se sabe que lá está por tacticismo ou oportunismo organizacional.

A diferença fundamental é que há quem defenda o que acha ser justo para a sua classe profissional e quem defenda, em primeiro lugar, o que é mais vantajoso para a Organização.

É assim que se compreende que governantes e certos mafarricos acusem, de igual modo, de “corporativos” aqueles que defendem a sua profissão antes de defenderem um sindicato, um partido ou um líder, vivo ou defunto.

Se defender as minhas convicções, sem acompanhar rebanhos organizacionais faz de mim alguém pantomineiro que dá cambalhotas, assim seja.

Do vosso lado não estou, por certo.

Antes isso do que dá-las no meio do rebanho e estar convencido de ser coerente só porque se acompanha a incoerência envolvente.

Para fim de ano até que o mafarrico me deu um belo presente.

por isto, isto e isto? E isto?


[d’aqui]

Uma crítica recorrente aos professores do Ensino Básico e Secundário é que eles beneficiam de uma enorme estabilidade laboral e que têm um emprego para a vida e não se querem ralar com mais nada.

Às vezes até pode ser assim e sei que houve gerações douradas que alcançaram – agora se percebe que de forma transitória – uma estabilidade rápida, passando por agruras menores do que outros grupos de colegas.

Mas o que não é dito com clareza por muita gente é que a larga maioria não alcançou essa pseudo-estabilidade de mão beijada. Muitos foram e são os que andam e andaram de casa às costas, percorrendo dezenas e centenas de quilómetros, mudando de local de trabalho a cada ano que passa(va).

Eu nunca me afastei muito do domicilio, mas conheci uma dezena de escolas até assentar em termos relativos em duas delas. Mas isso foi feito à custa de salário e meio a três salários por ano, juntando os meses que não recebia (Setembro e parte de Outubro ou mesmo, em certos casos, até Novembro, mais os avos dos subsídios que me eram descontados). Foi sempre uma opção que deixei clara perante toda a gente. Antes perder 2 meses de ordenado do que fazer turismo à força. Perdi dinheiro e tempo de serviço, mas nunca foi esse o valor essencial.

Mas muita gente, por questões e temperamento ou necessidade, optou por arriscar para acumular tempo de serviço e fez da instabilidade e precariedade o seu modo de vida.

Quantos professores, por exemplo, do ensino superior e politécnico passaram por isso? Porque é desses que me custa mais ouvir as críticas, estranhamente mais distantes dos professorzecos em certas posturas do que outras profissões? Andaram em mini-concursos para docentes universitários? Entrando numa instituição, quantas vezes mudaram? Em quantas leccionaram que não fosse por acumulação e convite?

Custa ler e ouvir certos dislates, disparates mesmo, de quem está há 20-30 ou mais anos de rabo repimpado no mesmo sítio a lançar anátemas sobre os outros.

Isto não é uma generalização, porque há de tudo em todo o lado. Do excelente ao fraquinho-fraquinho. Da humildade com qualidade à presunção medíocre.

Os professores do Básico e Secundário só tiveram uma enorme vantagem até recentemente: não precisavam de inventar cursos e disciplinas e dar notas interessantes para manter o seu público e garantir o seu crédito horário. Mas até isso entrou em extinção, bastando ver a riqueza conceptual de certos cursos profissionais  e efa’s que quase conseguem fazer inveja a certas cadeiras bolonhesas.

Estamos a alinhar por baixo. Estamos a imitar certas práticas poli-superiores. Não todas, porque há excelentes instituições do ensino superior, com brilhantes profissionais. Mas esses, por definição, são inteligentes e sabem quando e como falar.

Público, 29 de Novembro de 2011

Porque me parece que há um contrato de representação que precisa ser renovado. E acho que isso ainda deve ser mais sentido por quem é sindicalizado e leva essa sindicalização a sério e não apenas como ritual burocrático.

Porque os sindicatos devem partir das bases, mas não na lógica do centralismo dito democrático ou da oligarquia que coopta os novos elementos.

E isso faz-se pela proximidade, não através de ordens de comando lá do alto.

Para quando a auto-limitação dos mandatos dos líderes sindicais que temos há décadas? Não falo sequer em limitação estatutária, mas apenas de as próprias pessoas tomarem consciência de que… o tempo passa. Os governantes mudam mais ou menos, as coisas pioram, mais ou menos, mas há algo que permanece.

… é que quem as convocou nunca se sente na obrigação de apresentar a demissão, caso admitissem o fracasso.

E fico-me, por agora, por aqui, porque não quero ir mais longe.

Já disse que é porque calha a uma 5ª feira. E porque não quero, nem devo, gastar outro 102 em Novembro e ando um bocado cansado.

Se é por convicção na eficácia? Sim e não. Sim, acredito que, individualmente, descansarei. Não, não acredito que, colectivamente, sirva para grande coisa.

… deve ser só com os puros, sonsos & mafarricos. Os meus comentários coloridos são uma espécie de coro grego para a tragédia em desenvolvimento.

Colega e Camarada de tantas lutas,

Dirigente, Delegado ou Activista do SP******

Isto agora é a sério e a doer [antes era tudo a brincar?], como nunca foi, e nós não podemos falhar, mesmo que também nos sintamos esmagados por isto tudo!

O tempo não está para hesitações ou dúvidas da nossa parte. Eles querem mesmo tramar-nos, esmagar-nos, destruir o nosso futuro! Eles querem mandar em tudo, fazendo cair governos [detecto aqui saudades do engenheiro?] e elegendo lacaios e corruptos ao seu serviço [quem? quem? quem?]. Eles são tumores que lançam metástases pelo mundo [por tantas razões aqui exigia-se um pouco mais de decoro na linguagem] e destroem vidas para seu alimento. Eles chamam-se mercados e não têm rosto… mas existem! Existem, agridem de fora e contam, contam sempre, com colaboracionistas nacionais que, de cócoras [não me puxem pela veia… que sai brejeirice], se alimentam à sua mesa.

Repara o que estão a fazer aos nossos salários: em 2012 eles estarão reduzidos a níveis de há 15 ou 20 anos atrás e é com esse salário, do início dos anos 90, que teremos de fazer face a uma vida cujo custo será da segunda década do século XXI. Em 2012, recuaremos o correspondente a 3 escalões, comparativamente ao que a lei estabelece (Decreto-lei 75/2010, de 23 de Junho, que contém o ECD) e ao que acontecia em 2010. É qualquer coisa como 30% em apenas 2 anos. Para uma larga maioria isso será insuportável!

Também o emprego sofrerá um forte revés. Raros serão os lugares sobrantes para contratação e milhares de docentes dos quadros poderão ser atirados para a mobilidade especial. E depois?! É que depois será tarde! Com o que sobrar do nosso salário ou com o curto apoio social a que teremos direito, será preciso suportar mais IRS, mais IVA, mais IMI, mais inflação (3,5% em 2011 e 3,1 em 2012), mais custos com Saúde e Educação… tudo muito mais, excepto o salário, o emprego e as nossas condições de vida!

Também as escolas sofrerão muito com o corte de recursos e as medidas previstas para o conseguir. Com 3,8% do PIB para a Educação, Portugal passará para 27.º no conjunto dos 27, sendo de esperar rupturas insanáveis.

O tempo não é para hesitações, para resignação, para dúvidas! Ou reagimos, resistimos e nos defendemos ou estamos fritos [realmente estamos mais habituados a ser grelhados]! Se ficarmos quietos, a seguir a estas medidas virão outras e mais outras e outras ainda. Se continuarmos sem esboçar uma reacção forte e a sério será o descalabro completo, pois os mercados, os neoliberais, os que dominam o poder perderam completamente a cabeça e a sua ganância infinita levou a que entrássemos nesta espiral louca de agravamento sobre agravamento!

Perante tudo isto, é preciso que mostremos as unhas [pintadas de que cor? daquelas em silicone também podem ser?]! É preciso que arreganhemos os dentes [e quem usa prótese, precisa de usar muito daquele produto que as cola ao tecto?]! É preciso sermos corajosos e irmos à luta!

Nós, dirigentes, delegados e activistas sindicais temos de ser os primeiros a dar a cara, a estar na linha da frente, a demonstrarmos coragem e valentia [sim, como no caso dos OI e do 75/2008!]! E também temos a obrigação de trazer outros, de os esclarecer, de puxar por eles para estarem connosco. Vamos lá, vamos a isto, pessoal! [É o vais!!!]

Dia 12, encontramo-nos no Saldanha, às duas da tarde! [Não, muito obrigado!]

Dia 24, encontramo-nos na luta, na Greve Geral! [dia de greve, fico em casa, nada de fracas companhias!]

Não faltes! Tu não podes faltar porque faz falta a tua presença. É que A LUTA TEM JUSTIFICAÇÃO, A AUSÊNCIA NÃO!

Abraço, Mário Nogueira [beijinhos!]

Neste texto sinto a falta da palavra agiotas e uma qualquer evocação dos Protocolos

Para quem acha que, subitamente, certos mafarricos, sonsos, nandinhas & sus muchachos acalmaram, eis a explicação já com uns tempos, no bloguezinho de estimação que, estando às moscas, eu gosto de promover.

No fundo, tendo eu anunciado que faria greve, é melhor deixarem-me por uns tempos e o mafarrico vir cá só deixar uns copy/paste. Atentai na coincidência cronológica do conselho e, a certa altura, de um desaparecimento quase total.

Clemente Diz:
Outubro 23, 2011 at 7:10 pm

Caríssimos Cotonetes,

Sei que no lombo gorduroso do atarracado Mr.G só se perdem as que caem no chão; sei também que todos os dias pede mais umas cachaçadas e uns chutos no traseiro; sei ainda que o desgraçado sofre de pedantismo incurável; sei tudo isso e muito mais.
Mas peço-vos que considereis como atenuante os esforços que o infeliz faz todos os dias para esconder o jogo duplo e até já diz, em voz baixa, que vai fazer greve no dia 24. Não poderiam poupá-lo por uns tempos? Porque não dar-lhe uma Nova Oportunidade?
Apelo à vossa clemência.

Ora bem e para que conste: farei greve sim, mas nunca na vida voltaria a alinhar em desfiles acima abaixo com tão tristes companhias, as quais até já começam a recuperar figurões do socratismo…

Não por ter uma variação muito favorável nas audiências entre Setembro de 2010 e Setembro de 2011 ou por estar associado a um conjunto de conferências-debates que se vão realizar todas as 6ªas feiras de Outubro na Buchholz mas sim porque, graças ao Maurício Brito, ficámos a saber que temos comentários diários de um membro (suplente) do CNE que aqui espalha bom humor, nenhuma bílis e uma forte componente informativa sobre questões educativas e pedagógicas. Alguém que, afinal, será bem conhecido de quem manda dizer que o não conhece ou mal conhece. Alguém que eleva o debate, ao não se limitar a fazer copy/paste de material alheio. Um verdadeiro vulto que demonstra ao ponto a que o CNE está resumido, a ser uma espécie de Câmara Corporativa da Educação.

Apanham-se mais facilmente mentiroso(a)s do que raios de sol por estes dias.

Se eu podia passar sem fazer um post destes, para desânimo de alguns? Não, não podia. Não sou cristão, não sou católico, não dou a outra face a quem me ataca o carácter com falsos pretextos, quando tem telhados de vidro muito quebradiço. Quem aceita nomeações para as quais não tem quaisquer antecedentes de reflexão sobre Educação que não sejam meras correias de transmissão de posições estritamente partidárias.

A falta de acusações sobre jantares anti-sindicais. Será que a mensagem fez o trajecto certo, passando por todas as estações e apeadeiros até chegar ao destino?

Já o sexo, desde que consensual e com mútuo prazer, discordo que seja reservado aos alunos.

Sexo na escola dá nova suspensão

O director da Escola Secundária de Moura, acusado de favorecimento, má gestão e de práticas sexuais com uma professora no recinto escolar, foi condenado a 120 dias de suspensão e perda de mandato, pela Direcção Regional de Educação do Alentejo (DREA). À professora foi aplicada uma pena de 90 dias de suspensão.

Há quem, pelas caixas de comentários onde se discute o fim da isenção de ADD para os docentes nos 8º e 9º escalões da carreira docente (não insistam, não há ninguém no 10º), fale muito em atitudes de inveja.

Será que estão conscientes dos restantes seis pecados mortais? Há o orgulho, a avareza (que eu gosto de chamar ganãncia)…

Também há a ira, a distribuir por todos.

Vamos tentar olhar para as nossas próprias atitudes antes de apontarmos o dedo?

Será legítimo, por exemplosssss…., que quem se afirmou contra os titulares agora queira uma situação de favor ainda maior do que essa, ou que quem colaborou activamente na produção de grelhas para assar em fogo lento os colegas, agora ache enorme dano ter de fazer um relatório de seis páginas de quando em vez?

Estão congelados há anos? Estamos todos! A diferença é que quem estacionou no antigo 10º escalão (actual 9º), estava já no fim do trajecto e agora ainda tem mais um patamar (o índice 370). Já quem estava mais abaixo, passou a ter os patamares maiores (4 anos em vez de 3) e em maior número (nasceram os índices 235 e 272). Também acham isso justo?

Não acham mais correcta uma atitude de mínima solidariedade?

… do tipo previsão tatarológica.

Então vamos lá:

  • Não há nada nesta proposta de ADD do MEC que me pareça impedir um entendimento ou acordo com a FNE. Afinal, o governo é do PSD.
  • Não há nada nesta proposta de ADD do MEC que me pareça levar a um entendimento ou acordo com a Fenprof, embora seja quase igual ao que levou aos sorrisos de 7-8 de Janeiro de 2010 (e tratava-se do ECD onde se re-legitimaram as quotas). Afinal, o governo é do PSD.
  • Não há nada nesta proposta de ADD do MEC que torne relevante um entendimento ou acordo com qualquer outra pequena (sorry, SPLIU e Sindep) ou nano-organização sindical.

Mais um pouco e parece que dei quase um salto no tempo e voltei quase uma ou duas décadas atrás em estratégia.

Em boa verdade, poderíamos já passar para a última ronda negocial e para o período suplementar de negociações, onde se acertam as vírgulas e a ordem das (não) assinaturas?

… por sermos assim. Podes sempre ir para uma ESE formar professores e ensinar-lhes a serem bem educados, asseados e respeitadores da Autoridade, quando a cor é certa. Se mais como tu o tivessem feito nos últimos 25 anos, quanto teria ganho a Educação Nacional. Pena que tenhas feito outra coisa.

.

Portanto: só posso criticar pessoal nascido depois de 25 de Março de 1965. E vou ter de ir buscar os meus pais ao caixão para os reprovar pela educação que (não) me deram. E, de caminho, criticar a formação que a FCSH da Nova e a FPCE da UL me deram.

Só falta argumentar que não se deve criticar quem ganha mais. Em tempos ganhei um pouco mais de 1500 euros limpos, agora é menos.

Mas como o governo não é do PS, nem de Esquerda, devo calar-me.

A luta dos professores, também para o Ramiro, foi apenas um meio útil para atingir um fim. Alcançado, tropa para os quartéis.

Em que parte da Ética de Aristóteles é que surgem estes ensinamentos?

E qual po capítulo em que se ensina a não ter a coragem de ser frontal nas críticas e funcionar com chuveirinho, enlameando todos, ao não especificar de quem se fala?

O argumento ad hominem é muito mais justo do que atirar para cima de todos os opóbrios, reservando apenas para si mesmo a virtude. O Ramiro já assumiu a paternidade da maioria desta ADD, depois recuou, agora avança de novo. Em que ponto estará daqui a 3 nanossegundos?

…mas seria um gasto desnecessário de imaginação e alguém ainda poderia não perceber e pensar que eu estava mesmo a falar de outra coisa.

  • Se a avaliação é  interna é porque interpares arruína o clima de escola e as relações pessoais.
  • Se a avaliação é externa depende o motivo, mas também está mal.
  1. Se é externa com avaliadores de outros níveis de ensino é porque não sabem o que é uma aula do Básico e Secundário.
  2. Se é com inspectores, sabe-se bem que não há em quantidade suficiente e não se conhece que formação tiveram os que existem.
  3. Se é com professores de outras escolas, é porque é o mesmo, só parece diferente, mas é o mesmo, quero lá quem não conheço nas minhas aulas.
  4. Se é com uma qualquer organização externa, é porque não sabem nada do assunto e querem é privatizar isto tudo.

Pelo que mais vale ficar como já era, o pessoal já se tinha habituado e tudo. Interpares é que é bom, afinal, estavam enganados os que disseram que não.

Pensando bem: tragam os titulares de volta.

Ou então não se faça avaliação nenhuma que é para se dar razão a quem sempre nos criticou por ser essa a base da contestação.

Ou Deus Nosso Senhor que nos avalie a todos no Dia do Julgamento Final.

Não elimina a questão das quotas para a progressão (imposição do SIADAP; etc, etc). Deixa muito por explicar. Precisa de aprofundamento sério de muitas questões. Não é fácil mas também não é tarefa hercúlea. Quem resolveu tudo num dia até ao início da madrugada consegue isto em menos de uma mão-cheia de reuniões de trabalho e não de conversa fiada, beijinhos e telepizzas.  A menos que tenham outra agenda a cumprir.

Quanto a mim, tanto se me faz. Esta ou outra, pessoalmente, nem me amorna, sem me desarrefece.

Nem na antiga nem na nova pretendo que me considerem munta bom ou xalente e muito menos tenho interesse em avaliar terceiros.

Uma coisa eu conclui da leitura dos comentários em posts anteriores: a partir das cinco da tarde de hoje deu-se uma enorme conversão de professores à avaliação interpares da própria escola. Coisa equivalente em dimensão à benzedura ordenada por D. Manuel no Terreiro do Paço que criou milhares e milhares de cristãos-novos.

A sério: acho que há gente – e agora acredito piamente que serão muito mais do que os que o assumem a descobertoque já se ambientou muito bem a esta ADD e aos RAA copy/paste feitos com base naquele livrinho que circula em pdf pela net.

Felizmente na sondagem lá mais em baixo, a maioria dos cerca de 330 votos recolhidos até este momento está na expectativa, que é a atitude certa.

Quanto à gritaria: aconteceria sempre, já é reflexo. Já é modo de vida.

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