Por Mais Que Vos Custe


 

Será tarde?

 

 

… é que acabam quase sempre numa variante de guilhotinas e gulags.

Os refundadores acham-se quase sempre, de um modo ou outro, revolucionários dotados da solução milagrosa para as podridões da sociedade e do remédios para as doenças que a corroem, achando-se dotados de poderes quase taumatúrgicos.

No caso presente temos entre nós refundadores que definiram a despesa como a doença, tendo identificado os vírus seus causadores: os sugadores de prestações sociais (pobres, desempregados, doentes, idosos) e os trabalhadores em funções públicas (médicos, enfermeiros, professores, todos os restantes funcionários públicos).

Há que exterminá-los, há que acabar com a Doença, há que salvar a Nação, erguer o Homem Novo, criar a Sociedade Nova.

Conhecemos o género.

  • Petições fratricidas que só colocam uns contra outros.
  • Reacções histriónicas e despropositadas a essas petições.

Está instalado um clima de completa desorientação em algumas (muitas?) mentes e o anúncio prematuro, impreparado, de uma vinculação extraordinária de professores contratados acabou por funcionar como napalm em terreno já de si explosivo.

Para a próxima, tentem não dar boas notícias desta forma.

desajudaram.

Presidente do Parlamento Europeu diz que o futuro de Portugal é “o declínio”

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, criticou o facto de Portugal estar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”.

(…)

“Há umas semanas estive a ler um artigo no Neue Zürcher Zeitung que até recortei. O recém-eleito primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, deslocou-se a Luanda. […] Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da União Europeia”.

Se o spin laranja optou por salientar a sinceridade do PM, afirmando que efectivamente há professores a mais e que devem escoar-se antes que exista perigo de maior entupimento dos centros de (des)emprego, eu proponho que, em conformidade, se fechem de vez os cursos de formação de professores, em especial naquelas instituições que só vivem disso e mais nada.

E quanto aos poli e superiores professores que assim fiquem no desemprego, nomeadamente os que se acham acima dos zecos, estou-me a marimbar. Olhem… emigrem…

Eu sei que há electricidade no ar mas, por caridade, tenham lá mais um pouco de cuidado na forma como disparam, porque o que se passa em relação ao anunciado nesta notícia é o pedido de um MEDIADOR!

Aliás, a imagem apresentada no blogue dos Professores Contratados é bem clara.

Resta saber se toda a gente sabe exactamente o que é um mediador, quais as suas funções e porque, em muitos casos, a etnia, o grupo cultural ou religioso pode ser um factor muito importante para a eficácia do seu trabalho.

Trata-se do pedido de um MEDIADOR!!!

O estranho é que o SIPE – signatário ndo acordo com o MEC sobre a ADD – apareça agora a tentar dar sinal de vida, usando este caso como um dos exemplos de maus critérios nos concursos de oferta de escola.

Será que no SIPE não se conhece a diferença entre a função de professor e a de mediador?

Ou querem que sejam os professores (em horário lectivo, não-lectivo ou pós-lectivo) a deslocar-se às comunidades envolventes das escolas, para mediar e negociar situações de abandono escolar precoce de jovens ciganas?

Em circunstâncias normais, num país normal, este senhor director-geral seria implodido logo pela manhã.

Ministério responsabiliza escolas pelos problemas nas colocações

(…)

Em declarações aos jornalistas esta noite, depois de uma reunião com a Federação Nacional de professores, o director-geral dos recursos humanos da educação, Mário Pereira, garantiu que a plataforma central informática onde são colocados os horários por preencher “não transforma coisíssima nenhuma e respeita em absoluto o que foi colocado pelas escolas”. Vários directores têm afirmado que os horários por preencher eram anuais, mas que foram validados na plataforma da Direcção-geral dos Recursos Humanos da Educação como temporários.

Segundo Mário Pereira, a DGRHE apenas colocou na plataforma o tempo mínimo de duração de contrato. Foi essa a razão pela qual foram acrescentados automaticamente aos horários por preencher apresentados pelas escolas, uma data de Outubro próximo, acrescentou o director-geral.

A sério, aguardo que a demissão ocorra em tempo mínimo. Pelo próprio pé ou empurrado.

Haja laranjas, se faltarem solanáceas na horta do palácio!

A porta da rua é a serventia da casa, com ou sem plataforma.

…mas seria um gasto desnecessário de imaginação e alguém ainda poderia não perceber e pensar que eu estava mesmo a falar de outra coisa.

  • Se a avaliação é  interna é porque interpares arruína o clima de escola e as relações pessoais.
  • Se a avaliação é externa depende o motivo, mas também está mal.
  1. Se é externa com avaliadores de outros níveis de ensino é porque não sabem o que é uma aula do Básico e Secundário.
  2. Se é com inspectores, sabe-se bem que não há em quantidade suficiente e não se conhece que formação tiveram os que existem.
  3. Se é com professores de outras escolas, é porque é o mesmo, só parece diferente, mas é o mesmo, quero lá quem não conheço nas minhas aulas.
  4. Se é com uma qualquer organização externa, é porque não sabem nada do assunto e querem é privatizar isto tudo.

Pelo que mais vale ficar como já era, o pessoal já se tinha habituado e tudo. Interpares é que é bom, afinal, estavam enganados os que disseram que não.

Pensando bem: tragam os titulares de volta.

Ou então não se faça avaliação nenhuma que é para se dar razão a quem sempre nos criticou por ser essa a base da contestação.

Ou Deus Nosso Senhor que nos avalie a todos no Dia do Julgamento Final.

o derradeiro estertor