Pilhéria Extrema


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Quem diz que não somos um país unido por causas comuns e mobilizadoras desde que não tenhamos feito a ponta de um corno a esse respeito?

Eis Rodrigo Adão da Fonseca ao seu nível (não tem melhor, nem pior, só dá para isto), quando se enfurece com alguém que não passa de um “merdas”, professor de “liceu” (moi-même), por ter manchado a honra de Sarah Palin e ter replicado aos seus trocadilhos muito imaginativos com o meu nome (coisa nunca vista!):

O Pixote é um bar impecável no Porto, de boa memória, o que justifica que não desperdice a expressão com um Pinote que visivelmente poupa na água do banho. Quanto ao mba maiúsculo, se quiseres, tenta concorrer, há bolsas de mérito, e pode ser que assim um dia possas deixar de ser um merdas de um professor de liceu a debitar irrelevâncias. Duvido é que te admitam, apesar de aquilo ser para gente medianamente letrada, está recorrentemente no Top 10 mundial (eu sei que o pessoal docente não gosta de rankings competitivos), o grosso do pessoal não é admitido, e não há tradição de professores de liceu – ou do ensino básico e secundário, como agora se diz – conseguirem passar nas provas, que são um bocadinho mais exigentes que aquela patetice promovida pelo Crato, que tanto assustou o galinheiro do Nogueira e companhia. Quanto a mulheres mais velhas, acho que devias experimentar, recomendo – as mais velhas e as mais novas, também, aliás, as de meia-idade também podem ser óptimas, devias sobretudo ter mais experiências com mulheres; fazia-te bem à azia, e ajudava-te a largar esse mau hábito de passar o dia a saltar em cima de galinhas, olha que ainda apanhas gripe das aves, e não há Tamiflu que te valha.

O mais chocante é que ele parece conhecer que há sexo no mundo. Nem sei se concebe que ele seja exterior ao conúbio. Parece que sim.

O menos chocante, e bastante natural, é a imensa falta de talento para algo como o humor e a ofensa, pois exigem alguma elaboração e ir para além do alinhamento de palavras que se consideram capazes de atingir o destinatário de forma a deixá-lo arrasado. No que ele falha, pois a prosa parece saída de uma birra de pátio de colégio, por não ter podido ficar com o chupa colorido.

Os preconceitos, já os conhecia na primeira pessoa.

As pretensões cosmopolitas e académicas de menino mimalho também. Aliás, parece que é preciso ter andado num curso do top 10 cósmico para afinfar uma prosa tão original e perspicaz como esta, capaz mesmo de deixar um Krugman deprimido:

Os gregos, mergulhados numa profunda crise, preparam-se para experimentar a receita que lhes é prescrita por Alexis Tsipras, agora apresentada sob uma forma pretensamente mais moderada. Em Espanha, a corrupção endémica que domina os partidos tradicionais deu espaço para a afirmação de uma nova clique demagógica, o “Podemos”, plataforma de extrema-esquerda que vende pela voz de um jovem líder carismático os velhos ‘clichés’ de sempre. Em França, Marine Le Pen representa um pesadelo para a esquerda, que tem vindo a perder votos para uma Frente Nacional. No Reino Unido, os nacionalistas são já a terceira força política, com um discurso consistente. Nos países do Centro e do Norte da Europa, seja nos partidos à esquerda seja à direita, sente-se um profundo cansaço em relação ao ritmo lento com que os países do sul cumprem as reformas negociadas com os credores.

Repare-se na forma como uns são “demagógicos” (Syriza) e outros são “consistentes” (UKip), quando ambas as organizações partilham um enorme cepticismo quanto ao europeísmo e os gregos “esquerdistas” até admitem manter-se no euro e os nacionalistas ingleses nem o querem ver.

O brilhante analista nacional coloca-se ao lado dos que acham que os meridionais são uns madraços irresponsáveis e termina com este naco de argúcia muito elevada, só possível a quem consegue ir buscar metáforas à mitologia grega que se aprende em leituras do 6º ou 7º ano do Ensino Básico:

A previsível vitória do Syriza irá abrir uma caixa de Pandora que há muito andava adiada, a da renegociação das dívidas soberanas, infelizmente promovida por uma extrema-esquerda deficitária que não quer pagar, para continuar tudo na mesma.

Bravo, Rodrigo, queriducho, tu és uma verdadeira fonte de luz para todos nós e escreves coisas que revelam um pensamento elaborado muito acima das duas pancadas e meia e só não concorda contigo quem não consiga passar de “professor de liceu”, essa raça frustrada de gente inútil…

humourlaughingkitten

Tive a duvidosa honra de ser visado pela Câncio (a pasionaria local) no seu mural de rede social, pois em outro mural tinha comentado a sua pesporrência contra a comunicação social que lhe desagrada e a enorme conspiração que a sua tertúlia encontra na prisão de José Sócrates.

Ousei mesmo dizer que a Direita governa actualmente nas pisadas da Esquerda que ela apoiou no que ao condicionamento da comunicação social diz respeito.

O meu crime mereceu a pena gloriosa de ser considerado “chalado da cornadura” e de aparecer um seu amigo, muito conhecido também das lides do jornalismo aristocrático, a dizer que está cansado da minha arrogância, presunção e ataques ad hominem.

Ao que parece, o queriducho nem percebeu o seu próprio paradoxo.

a reunião de amanhã
vai ser tida entre conversas
para se ouvir a coisa vã
da acta que ata às avessas

que isto seria assim e assado
eu cá achei agora coiso e tal
é cobrir tudo com cal
mas não me vejam assinado

tlim-tlão por extenso
não se brinca com incenso
o que importa é o consenso

e nada mais havendo
à próxima irei correndo

mas que tem ritmo – tem.

 

 

[via Alberto]

No despacho ao qual o PÚBLICO teve acesso, o juiz conselheiro Manuel Braz aponta aquilo que surge como uma desconsideração para com o STJ. O pedido foi feito “numa folha que é uma fotocópia de parte de uma página do Jornal de Notícias do dia 27/11/2014”, aponta o magistrado, considerando que “esta não é uma maneira séria de apresentar uma petição de habeas corpus”. Por este motivo, o tribunal considera que o pedido enviado “não pode ser tomado com uma verdadeira petição de habeas corpus”.

O juiz lembra que “o mínimo que deve exigir-se para a introdução em juízo desse pedido ou de qualquer outro é o uso de folhas de papel em branco”.

O segundo pedido foi enviado por Jorge Domingos Dias Andrade. Entrou nos serviços do tribunal esta quarta-feira, no mesmo dia em que os juízes decidiram rejeitar o primeiro habeas corpus requerido por Miguel Mota Cardoso, por “manifesta falta de fundamento legal”.

Jorge Domingos Dias Andrade usou então, acusa o tribunal, a uma forma peculiar para se dirigir à Justiça. Recorreu a uma “fotocópia de parte de uma folha de jornal, escrevendo em parte nos espaços deixados em branco pelos textos jornalísticos”, o que para os juiz do Supremo “revela o propósito de desconsiderar a instituição Supremo Tribunal de Justiça”.

De acordo com o despacho do Supremo, “a primeira parte do seu requerimento, manuscrito, encontra-se escrita nos espaços em branco que ficam entre os textos jornalísticos ou entre estes e as margens, apresentando-se um dos seguimentos na posição vertical e outro na posição horizontal; a segunda parte do requerimento, de difícil leitura e com rasuras, encontra-se no verso dessa fotocópia”.

Estou a moderar-me, porque sou pessoa temente quanto a tudo o que seja pecado.

Mas… o Sócrates… o Benfica…

Senhor@s, por favor, afastem-me estes cálices…

As tentações são mais do que as de Santo Antão mergulhado em bellucis.

Plataforma sindical está a ouvir professores sobre formas de luta. E diz que depende do governo não haver contestação.

.

Percebi… só ouvem os quotizados.

 

Fui reler:

Parece relativamente compreensível que um sistema descentralizado e concorrencial funcione menos mal do que um sistema centralizado ou dependente de decisões políticas. Foi por isso que o modelo soviético faliu: porque assentava num modelo de decisão centralizado, em que os decisores locais não eram livres de tomar as suas próprias decisões — nem eram responsáveis pelos resultados das decisões que (não) tomavam.

Portanto… desde que descentralizado em gulaguinhos, tudo estaria bem e o erro das purgas foi estarem centralizadas no kremlin e no pai josé e não terem sido entregues aos zézinhos e leónidas locais que concorreriam entre si na implementação dos pogrom ou outras actividades lúdicas do mesmo calibre.

Phosga-se…

Vou-me recomprar.