Perversidades


… mesmo se, de todas, esta seria a intervenção mais aceitável. MAs que só existe depois do descalabro da última…

Tony Blair: west must intervene in Iraq.

Ex-PM says allies should consider military options short of sending troops after denying 2003 invasion led to Isis crisis.

Esta questão é demasiado grave para ainda não ter sido tratada com o devido destaque:

“Salvo quando se encontrem mandatados para o efeito, os colaboradores e demais agentes do organismo devem abster-se de emitir declarações públicas, nomeadamente quando possam pôr em causa a imagem da (nome do serviço ou organismo), em especial fazendo uso dos meios de comunicação social.” Este é um pontos que o governo quer ver explicitado nos futuros códigos de ética das instituições.

(…)

O projecto de despacho do governo explicita que o dever de confidencialidade se mantém mesmo após a cessação de funções. Tal como nas restantes áreas, a violação é susceptível de constituir responsabilidade disciplinar punível nos termos da lei, sem prejuízo de responsabilidade civil e ou criminal a que houver lugar. O projecto de diploma prevê que as entidades monitorizem internamente o cumprimento dos códigos logo que estejam implementados.

As ferramentas tecnológicas já existem… apenas vai ser legal violarem o vosso mail, histórico de navegação na net, fotocópias tiradas, declarações públicas ou não.

Com os meios actuais de devassa da privacidade alheia, isto não é o Big Brother, é algo muitíssimo mais grave.

Por exemplo e para efeitos práticos, a mim ficará vedado criticar qualquer decisão política ou administrativa na área da Educação.

Como tenho feito em relação a muitas falhas em coisas como o teste made in Cambridge. Passarei a estar proibido de comentar desfavoravelmente as barracadas do senhor director do IAVE que, por sua vez, pode publicamente culpar os professores de tudo no congresso da APPI e nada acontecer.

E nesse dia, quando deixar de me sentir livre, ou isto fecha ou a guerra será total e aberta à estratégia das charruadas.

Como também já disse, há quem saiba do que se anda a preparar e já tenha entrado por esse caminho de intimidação mas, curiosamente, quando foi contactado directamente por mail, acobardou-se.

A Renascença foi conhecer quatro casos de famílias, onde trabalhar mais uma hora por dia vai obrigar a uma reorganização de toda a rotina e até a mais gastos. A lei das 40 horas semanais entra em vigor no sábado.

Mas os nossos governantes lá percebem a diferença entre mais e melhor, produção e produtividade?

Quanto aos efeitos negativos desta medida em termos sociais e familiares, há sempre aquela facção muito deus-ao-peito-a-favor-das-famílias que deveria raciocinar sobre os valores e como defender em vez de apenas os enunciar com a boca cheia de anda,

Não me interessa entrar na questão que animou as redes sociais e blogues quase tanto quanto a recuperação do Benfica nos descontos, ou seja, o falecimento de António Borges.

Mas interessa-me analisar com a devida superficialidade o elogio fúnebre que Marcelo Rebelo de Sousa lhe fez ontem na TVI e que se baseou em conceitos que muito estranho.

Disse MRS que António Borges, ao saber do estado de saúde em que estava e principalmente na fase mais terminal, trabalhou incansavelmente e optou por dizer aquilo em que muito acreditava, com coragem, substituindo-se nisso aos elementos do Governo.

Pelo caminho, fez um paralelismo com Maria José Nogueira Pinto e falou na forma como as pessoas que acreditam na eternidade vivem a passagem para essa eternidade, com mais calma e assumindo com clareza as suas convicções.

Isto baralha-me porque, como agnóstico e descrente da eternidade, acho que quem acredita em recompensas celestes pelos bons actos terrestres não deveria ter receio em ser corajoso toda a sua vida e não sentir essa súbita coragem só na iminência de ir para a tal eternidade.

Complicado é quem acha que tudo se paga cá na finitude terrestre falar verdade, sem receio das consequências, ao longo da sua vida, sem esperar pela proximidade do fim da vida. Porque não acredita que será compensado pelas chatices que lhe podem acontecer (e acontecem) cá em “baixo”.

Tenho a certeza que MRS não queria fazer este tipo de elogio que acaba por ser paradoxal: então quem acredita na salvação eterna dos justos só ganha coragem para falar abertamente sobre as coisas quando sabe estar de partida?

Mas é infelizmente o país desejado por muitos dos governantes e daqueles que orbitam o poder, reclamando dos outros aquilo que não dão.

O país do Pedro, do Miguel e do Vítor que, em especial nos dois primeiros casos, parecem demasiado confortáveis num papel que os parece deslumbrar pelo poder assim à mão. No caso do segundo, o ar divertido dos primeiros tempos tem dado espaço a um olhar fizo, que sinceramente me preocupa em termos humanos.

Mais um Dia de Desemprego

Mais um dia de desemprego, mais uma apresentação quinzenal. Procuro lugar de estacionamento nas ruas envolventes à Câmara Municipal, malditas máquinas automáticas, introduzo-lhe uma moeda das castanhas e já vão com sorte. Reparo na maior parte dos carros um cartão de funcionário da Câmara, estes não pagam, “ok eu sou cidadã de 2ª”. Entro no edifício, dirijo um bom dia à funcionária de atendimento geral, no meio de mais um bocejo, lá sai um bom dia arrastado. Átrio vazio, tiro senha, espero, espero porquê se já conheço este filme? O meu número aparece. A visão do costume, entro numa sala com 10 senhoras para atendimento. Estranho, hoje não me olham de cima a baixo. Penso: “não me preparei o suficiente para a ocasião”… Uma come um biscoitinho enquanto faz um like; outra mostra à colega as novas unhas de gel que o maldito teclado teima em roubar; três estão em pé em altas gargalhadas, em frente ao monitor da engraçadinha lá do sítio; vá lá escondem os dentes…Invejo o ar condicionado. Aquele momento é interminável, é só mandar imprimir novo papelinho (penso) não custa nada, faça um esforço mulher!… “Dia 5” diz ela. Eu sei ler, escusa de se esforçar, cada palavra e gesto desta gente dá-me vómitos. Bato a porta. Caminho pelas ruas, a moeda aguenta-se… Lembro-me daquelas caras da escola secundária, as maiores totós lá do sítio. Uso as recordações para me vingar da humilhação que sinto.  Filha de peixe sabe nadar. Cada uma delas tem o emprego que merece. Câmara, hospital, escolas, tudo controlado. Os empregos dos pais, avós, trisavós, seriam delas, quem diria?

Tenho direito ou não ao subsídio de desemprego? Descontei… Acho piada a quem sabe contornar estas leis medonhas. Conheci um pai de uma aluna minha que trabalhava em Espanha e vinha cá de 15 em 15 dias para a apresentação quinzenal… Ladrão por ladrão.

Ainda me lembrei daqueles funcionários que se encostam uns aos outros. Na minha escola do ano passado havia um cavalinho estragado. Comuniquei à Câmara. Foram rápidos na atuação. Chegou uma carrinha cheia de homens, alegria das crianças. Um tirou os parafusos, outro segurou-os, outro tirou a tábua, outro levou tudo para a carrinha, o encarregado dava ordens, o motorista levou-os de volta para a oficina. As crianças observaram como se trabalha quando se é grande, grande equipa, digo eu… O cavalinho ainda hoje está com os ferros ao alto. Não há dinheiro nem para uma tábua, constava-se por ali. Mas há dinheiro para pagar a 5 homens parados na oficina. Os professores são descartáveis, os funcionários das câmaras são intocáveis. O mal dos outros não me concerta mas a justiça sim.

Sigo para o carro, ligo o rádio, nem de propósito os “Deolinda”, hoje é sem dúvida um dia especial… Um dia em que toda uma vida se concentra numa apresentação quinzenal.

M.

Conheço pessoalmente este colega que anda a fazer o calvário das entrevistas das ofertas de escola, em especial de escolas TEIP onde em muitas se vão multiplicando os abusos:

Boa tarde Paulo

Vou-te enviar uma anexo com a minha situação [escola da margem sul]:

De uma forma resumida explico o que aconteceu:

– nesta escola eu era o candidato nº6, soube por colegas que tinham sido convocados os candidatos até ao nº10, como não tinha sido convocado liguei para lá a questionar a situação e disseram-me para ir à entrevista na segunda-feira dia 10 de Setembro;

– compareci à entrevista e não me disseram mais nada;

– ontem apercebi-me que dava para ver na aplicação da dgrhe o motivo do nosso afastamento do horário, quando li não queria acreditar… “docente colocado, não aceitou comparecer à entrevista”;

– nunca pensei que estas escolas descessem tão baixo, fiquei completamente surpreendido pois eles é que não me convocaram, eu é que liguei e só depois me disseram para ir lá.

Envio-te o presente mail para estares ao corrente destas situações.

Abraço

A.

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