Permeabilidade


… por sermos assim. Podes sempre ir para uma ESE formar professores e ensinar-lhes a serem bem educados, asseados e respeitadores da Autoridade, quando a cor é certa. Se mais como tu o tivessem feito nos últimos 25 anos, quanto teria ganho a Educação Nacional. Pena que tenhas feito outra coisa.

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Portanto: só posso criticar pessoal nascido depois de 25 de Março de 1965. E vou ter de ir buscar os meus pais ao caixão para os reprovar pela educação que (não) me deram. E, de caminho, criticar a formação que a FCSH da Nova e a FPCE da UL me deram.

Só falta argumentar que não se deve criticar quem ganha mais. Em tempos ganhei um pouco mais de 1500 euros limpos, agora é menos.

Mas como o governo não é do PS, nem de Esquerda, devo calar-me.

A luta dos professores, também para o Ramiro, foi apenas um meio útil para atingir um fim. Alcançado, tropa para os quartéis.

Em que parte da Ética de Aristóteles é que surgem estes ensinamentos?

E qual po capítulo em que se ensina a não ter a coragem de ser frontal nas críticas e funcionar com chuveirinho, enlameando todos, ao não especificar de quem se fala?

O argumento ad hominem é muito mais justo do que atirar para cima de todos os opóbrios, reservando apenas para si mesmo a virtude. O Ramiro já assumiu a paternidade da maioria desta ADD, depois recuou, agora avança de novo. Em que ponto estará daqui a 3 nanossegundos?

Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive —
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital…
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu… Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios…

[Mário de Sá Carneiro]

No acordo (apressado, vago, omisso) entre a ANMP e o ME nada existe de concreto sobre esta matéria, deixando a acordos particulares entre as DRE e as autarquias os termos específicos de cada caso. O que tem algumas vantagens, mas também poderá levar a tratamentos muito diferenciados, entre filhos e enteados. Será que este valor de 300 euros por criança vale como referencial para todas as situações, independentemente das condições.

A finalizar o primeiro período (ou mesmo mais cedo) seria muito educativo fazer o ponto da situação destes acordos DRE’s/CM’s.

O chamado regime de permeabilidade do Ensino Secundário é uma ideia com algumas vantagens no plano teórico, mas algo confusa em termos de aplicação.

Ontem saiu mais um despacho normativo (29/2008 ) que vem limar umas arestas do despacho normativo 36/2007 de 8 de Outubro, em matéria de equivalências, o qual já surgiu num enquadramento legislativo algo emaranhado, como se percebe pelo seu intróito.

Como seria de esperar emana da responsabilidade do SE Valter Lemos, sempre disponível para tornar tudo muito simplex, desde que a simplificação seja imperceptível mesmo ao mais treinado olho burocrático.

O Documento Informativo, com 18 páginas para explicar a situação, está aqui.