Pedadogia


Diário do Minho, 7 de Dezembro de 2010

… por forma a fazê-la funcionar como um grupo de trabalho, quando as suas características empurram no sentido contrário? É um assunto que sempre me fascinou porque, estando necessariamente na essência da relação pedagógica que se estabelece na sala de aula, não tem forma de se ensinar/aprender em nenhuma cadeira académica, por muitas pistas, truques e estratégias que se ouçam ou leiam.

O que faz com que a química aconteça ou não, com esta turma ou aquela, com este(a) professor(a) ou aquele(a).

Porque não existe uma única fórmula e muito menos acredito que existam modelos facilmente transponíveis, de modo quase automático, de um caso para o outro.

E acho que é por aí que falham muitas vezes os teorizadores da Educação, quando pretendem que o seu método é universalizável, numa tentativa de, com o seu quê de totalitário, achar que cada grupo funciona da mesma forma e reage do mesmo modo aos mesmos estímulos. E quem diz grupo (turma), diz indíviduo (docente).

E é também por aí que falham as estratégias de avaliação que, defendendo a necessidade de atentar os estilos e ritmos de aprendizagem dos alunos, depois vacilam perante a indispensabilidade de fazer o mesmo com os estilos e métodos de ensinagem, como dizem alguns, quão mais politicamente correctos quanto intolerantes?

E porque não discutimos isto mais entre nós, em público ou não, sem receio de confrontar práticas diversas?

Ou como a tecnologia pode estar ao serviço da humanização e individualização do ensino e não da sua massificação e indiferenciação…

The Littlest Schoolhouse

Brainy but easily distracted, the author barely made it through high school and dropped out of college. Would a program like New York’s new School of One, which uses technology to tailor learning to each student’s style and pace, have made all the difference?

(continua…)

Um manual interessante que me foi enviado em pdf. Parece ter sido a inspiração para aquelas teses da Parque escolar. Tem mais de 20 MB, se quiserem é pedir por mail.

Diz o autor na abertura:

Currently there is a widespread emphasis on innovative approaches to education which reflects a more personalised conception of learning than prevailed during the 20th century. This reflects the individualistic times in which we live. These theories and many other new ideas must somehow be incorporated by the architect into his or her design. Fundamentally, the architect needs a clear grasp of the educational theory which underpins the work.
The best new school builders recognise that education should lead architecture to the extent that many of the case studies featured here are explicit renditions of the latest educational theories, almost like a three-dimensional curriculum plan. Rightly so in my view; the pedagogical vision is of fundamental importance when designing a new school. If it is to have a direct bearing on the contemporary needs of teachers, pupils and future generations of school users, it must reflect the parallel needs of children’s education and their social development in its design.
Architects who have not as yet designed a school may be asking themselves, what do I know about pedagogical visions? The question around pedagogical visions and space can and should be ordered in a number of alternative ways. The relationship is never linear, where the pedagogical vision dictates the architecture, as might be implied by my question. Rather, education and architecture enter into a relationship where, if everything goes according to plan, the two dimensions mesh together in a symbiotic formula to create a complex
child-orientated environment which enables children to learn and the community to prosper.
The school has always been concerned with radical educational ideas set in new and stimulating settings. It had to be radical because since the beginning of the 20th century it was a system of mass education, constantly reinventing itself to provide more and more educational places of an ever improving quality. There is a similar impulse today, where education includes an ever widening section of the population. For example, the requirement to provide support for working mothers is perceived as a relatively recent phenomenon. It is now broadly accepted as a necessity and implies an extension of care and education downwards and sideways.
Downwards to cater to young children and babies, and sideways to provide breakfast clubs and after school facilities for school age children.
So this is not only about pedagogic visions. The school designer goes further to extend the role of the school to the wider community and to society as a whole. I trust this book will inspire and help design teams to order priorities and create the best possible school environments for all of our futures.

Mesmo se o texto é de 2005…

The Great Learning Street Debate

E nem sequer é o mais recente. É mesmo o pré-pré-quase tudo. A propósito daquela questão de a organização do espaço ser uma via para alterar as pedagogias tivemos direito a uma revoada daquele discurso fofinho que cresceu que nem fungos em madrugada húmida nos anos 90.

Um dos epígonos – não estou a dizer que foi com maléfica intenção – dessa forma de ver a Escola como se estivessemos ainda nos Liceus dos anos 50 ou 60 e ser necessário transformá-la em modernaça foi, de há 20 anos a esta parte, Daniel Sampaio.

Se houve alguém que fez a ponte de forma pacífica entre o modelo eduicacional cavaquista para o guterrista, conseguindo ainda espaço durante a deriva socrática, foi ele. Isto não é um ataque ad hominem como agora é habitual dizer-se, quando uma paessoa tem a frontalidade de apontar directamente quem acha responsável por alguma coisa (antes queixavam-se que as queixas e remoques eram vagos…).

É uma constatação de facto.

Durante o mandato áspero de Maria de Lurdes Rodrigues, Daniel Sampaio pareceu pender um pouco menos para as teorias desresponsabilizadoras e desculpabilizantes dos alunos em tudo e mais alguma coisa. Percebeu que os professores estavam a ficar deprimidos, sobrecarregados, pressionados, nos limites da sanidade. Fez umas crónicas diferentes, não tanto de inversão do seu discurso, mas de crítica à aspereza dominante.

Mas no fundo, foi só regressar uma forma mais fofinha de tratar discursivamente a Educação com Isabel Alçada e eis que ele está de volta, de novo na plenitude da retórica que deu patine científico-intelectual ao chamado eduquês, que é o tal discurso fofinho em matéria de Educação-

Na Pública de hoje podemos ler, com o pretexto da propaganda da Parque Escolar à nova arquitectura das escolas:

O problema do ambiente não é tudo. De nada servirá um bom espaço, nem será possível colocar as mesas em U, se a turma tiver alunos a mais, como ainda acontece em muitas escolas. Nems e conseguirá aproveitar a nova arquitectura, se o professor mantiver o método expositivo durante 90 minutos, porque ainda ninguém o ajudou a perceber que essa maneira de ensinar não é eficaz: os jovens de hoje concentram-se menos, mas podem fazer várias tarefas ao mesmo tempo.

Poderia transcrever mais uns pedaços, mas a coisa vai no mesmos sentido: o professor não pode ter medo de usar o computador e deve mesmo acompanhar os alunos nos espaços de learning street, «com o aluno a ler ou a comer em esplanadas», deixando de estar «agarrado à sala de aula tradicional e ao velho retroprojector» [sic].

Ora bem, eu acho que Daniel Sampaio deve andar a visitar umas escolas muito anacrónicas. A minha está longe de ser a última moda em tecnologia mas já não há retroprojectores a funcionar.

Aliás, eu próprio não uso um retroprojector há anos. Só falta mesmo DS falar em projectores de slides…

Vamos lá a um reality alert, caro doutor Daniel Sampaio.

Arrisco dizer que não há, nos tempos que correm, nenhum professor que consiga – mesmo que queira – dar uma aula expositiva de 90 minutos. Para além desse método só existir na cabeça e/ou nas práticas de alguns professores da geração do próprio DS, enquistados em certos nichos de Secundárias ditas de elite, a verdade é que a realidade de uma sala de aula actual não permite fazer qualquer exposição que ultrapasse os 5-10 minutos, quiçá 15, em qualquer nível de ensino, sem que se passem muito mais coisas, de forma voluntária ou não.

Ao contrário do que Daniel Sampaio afirma, muitos de nós gostariam de, mesmo com base numa sala de aula tradicional, praticar essa pedagogia liberal em matéria de organização do espaço e do tempo, criar uma sala aberta onde os alunos pudesssem entrar e sair, trabalhando de forma significativa, de acordo com os seus ritmos.

Só que… nem vou pelo caminho de, em termos de comportamentos e atitudes, muitos alunos não estarem prepararados para isso. Vou pelo caminho inverso: ou seja, de com as regras institucionais e organizacionais que temos (criadas pelos burocratas que, em termos teóricos, sempre beberam em DS mas na prática aplicam outra coisa) ser quase impossível fazermos isso sem nos cair o carmo, a trindade, o youtube, o pai albino, os daniésoliveiras e miguéis sousatavares todos em cima.

Exemplifiquemos:

  • Se eu quiser gerir o tempo da minha aula conforme acho pedagogicamente mais rentável – e já me fartei de dizer que os 90 minutos não são vantajosos para muitas disciplinas – sou capaz de levar falta de presença se não extiver dentro da sala entre as 10.00 e as 11.30 ou entre as 15.00 e as 16.30. Porque assim determina a legislação em vigor sobre a duração das aulas e sobre as faltas dos professores. Porque assim determinam os Regulamentos Internos. Porque assim determina o aparato  burocrático-institucional criado por muitos daqueles que, no ME, muito acarinharam certas ideias de Daniel Sampaio, mas não as suas implicações práticas.
  • Se eu quiser gerir o espaço da minha sala de forma aberta, deixando os alunos entrar e sair de acordo com uma gestão mais afectiva da aprendizagem, deixando-os ir buscar um sumo para tornar mais confortável o ambiente ou ir com o computador para o corredor, estou habilitado na maior parte das escolas em meter-me em trabalhos com o órgão de gestão pois não tardariam as queixas sobre a minha insubordinação formal. E em caso de gravação e publicitação dessas práticas inovadoras – já que os alunos podem fazer várias coisas ao mesmo tempo o que os impede enviar os seus filmes para o youtube e tuítarem com os telemóveis? – o que aconteceria a tal docente? Seria publicamente apedrejado como incapaz de gerir uma sala de aula por muitos daqueles que defendem práticas liberais, não-directivas e anti-autoritárias dos professores. Com jeitinho teríamos um Prós & Contras ou um debate na SICN com imensa gente a opinar que aquele(a) professor(a) era o culpado por desacreditar o espaço escolar.

Deixemo-nos de hipocrisias.

Por acaso, por trabalhar com turmas não-regulares, por leccionar num ambiente que compreende as diferenças, até pratico muitas coisas que Daniel Sampaio preconiza. Mas de forma moderada e muitas vezes por minha conta e risco. E não preciso de salas em U, moda ultrapassada, preferindo usar ilhas com grupos de trabalho dedicados cada um à tarefa seleccionada por mim ou escolhida por eles.

Mas, como digo, isto não é possível na maior parte dos casos, para a maior parte dos docentes, sem correrem riscos complicados.

O que Daniel Sampaio parece descompreender, de forma sistemática, é que a escola não está organizada de forma aos docentes serem livres de gerir a sua própria prática pedagógica, excepto se ficarem dentro da sua sala de aula, 90 minutos. Mas nunca com aulas expositivas como DS imagina.

E a responsabilidade não é dos professores.

É dos políticos e burocratas do ME com quem Daniel Sampaio tanto tem colaborado.

O mundo não é o mesmo de outrora.

Não por causa dos computadores ou da arquitectura.

È por causa das pessoas que decidem, do ambiente geral, das práticas quotidianas que DS parece ter abdicado de ver na sua actualidade, sem ser em visitas VIP a uma realidade encenada para certos momentos.

Daniel Sampaio, sem reparar, continua a viver no passado. No seu passado. Não no nosso presente.

O ministério anti-professor

O ministério da educação já não existe na realidade. Os pedagogos da 5 de Outubro só existem no mundo do humor. E, no meio deste humor involuntário, lá vão destruindo a figura do “professor“.

filhos de montessori

Já o disse há muito tempo. Enquanto lidei com ela, se exceptuar a trigonometria com a qual a relação ainda era mais instintiva do que o habitual, a Matemática sempre se me apresentou clara e objectiva.

Por isso mesmo, acho que é uma das disciplinas onde é mais fácil – desde que exista o hábito e gosto de pensar – conseguirem-se boas notas. Acredito que seja uma mania minha.

Mas ainda hoje me dá algum prazer pedir licença às minhas colegas de Matemática e tentar eu explicar aos alunos ali uma coisa que parece emperrada. Sempre na esperança de ver o clique no olhar deles.

Só que vou assumindo que certas coisas estão adquiridas, desde logo as operações mais básicas da Aritmética.

Engano meu.

Mas mais grave é perceber que essas operações básicas, mesmo se aparentemente indicadas da mesma forma, agora são ensinadas aos miúdos do 1º ciclo de uma forma completamente abstrusa e justificativa dos mais exaltados textos de Nuno Crato, Carlos Fiolhais e muitos outros.

Há uns dias existia um exercício retirado de uma prova de aferição que implicava um cálculo mental simples (45 a dividir por 15). Que nenhum aluno conseguia fazer sem recorrer a um qualquer auxílio. Pediu-se então nque indicassem a conta no caderno e quadro para resolução convencional.

O que se seguiu foi para mim um absoluto momento de horror ao perceber no que transformaram a divisão. Mais grave, cada aluno parecia ter uma opinião diferente sobre como fazer a conta. Mas ainda mais grave é que ninguém conseguia atingir o resultado correcto, fosse qual fosse a abordagem.

A minha colega de Matemática explicou-me então que a Aritmética passou a ser ensinada há uns anos de um modo inovador e que ela própria tinha ficado abismada ao ver as novas abordagens no sentido de facilitar (???) a compreensão dos alunos.

Sendo que na verdade a inovação mos deixou sem:

  • Fazer a operação.
  • Alcançar o resultado.
  • Sentir que é importante fazer as duas coisas acima de forma correcta e, se possível, aos 12-13 anos já de modo automático, mentalmente ou no papel.

Quanto à obra que se segue, comprei-a há uns meses por puro prazer. Fica aqui para todos os colegas que por aqui passem da área da Matemática, com destaque para o Américo Tavares que, por certo, a achará algo elementar. Mas, para mim, destreinado há 30 quase anos da Matemática curricular, já é mais do que suficiente.

L’école en morceaux

Orchestre. A Rueil-Malmaison, une association fait répéter un conte musical à des élèves de milieux modestes pour les ouvrir à la musique.

On s’attendait à un vacarme. On a finalement eu droit à une agréable symphonie. Ce vendredi matin, à l’école des Buissonnets à Rueil-Malmaison (Hauts-de-Seine), 48 élèves de CM1 s’apprêtent, comme chaque semaine, à répéter le conte musical Jason et la Toison d’or d’Anita Hewitt-Jones. C’est l’un des 530 orchestres scolaires formés en France à l’initiative de l’association Orchestre à l’école.

(…)

Comprei ontem este livrinho por um euro nos saldos da Bucholz. É uma publicação de 1977 e simboliza muito do que foi um movimento pedagógico típico dos anos 70 que, depois das denúncias da década anterior (Bourdieu, Althusser e não só) acerca do papel da educação formal e da escola na reprodução das desigualdades e da ordem social, económica e política do capitalismo, avançaria de forma destemida em defesa de pedagogias de carácter emancipatório contra os aparelhos ideológicos do estado liberal, burguês e – obviamente – capitalista e ainda algo colonialista.

Sou sincero: ler Illich e Freire é sempre algo que, mesmo para os não crentes, lava a alma pelo seu vigor, pela dignidade dos objectivos, pela grandiosidade de algumas passagens e – confessemo-lo – pelo carácter inovador destas abordagens naquele contexto histórico.

E é aqui que radica parte do problema. Em especial em relação a Freire há uma parte da sua teorização que mantém sempre alguma actualidade e outra que é muito o fruto de um contexto histórico, cultural e mesmo geográfico localizado.

É uma pedagogia claramente virada para países terceiro-mundistas e para classes sociais oprimidas, afastadas do acesso a qualquer tipo de cultura mais erudita em tempo real, com défice de informação e muitos outros handicaps.

O problema é que a validade de parte destas abordagens caiu em larga escala com a evolução tecnológica e cultural vivida nas últimas duas décadas. Actualmente, ao contrário de quem afirma que há uma homogeneização cultural opressora, o que se constata é que graças às novas tecnologias, nunca foi tão fácil manter ou (re)criar culturas minoritárias de resistência.

Se ainda há zonas do mundo e bolsas sociais desfavorecidas nos países mais avançados onde esta pedagogia da emancipação e exaltação do self-empowerment faz algum sentido, como teorização pedagógica para consumo global o freirismo acaba por transforma-se ou num multiculturalismo vulnerável a muitos equívocos ou numa das modalidades mais daninhas do eduquês, quando não mistura tudo num caldinho de cultura herdado do é proibido proibir e daquelas experiências teóricas algo psicadélicas (com grande popularidade naqueles Fóruns Sociais Mundiais em que o nosso B. S. Santos é um dos maiores gurus) em que a mezinha do indígena da Amazónia vale tanto como a penicilina.

E o seu maior perigo foi a instrumentalização a que foram submetidas as suas abordagens, algo que foi feito de modo muito consciente a partir de meados dos anos 70, como os autores explicitamente admitem:

Para lá deFreire e Illich , o que nos interessa é a elaboração de uma pedagogia política. As críticas que formulámos não significam que tenhamos, em relação a eles, opções ou um quadro teórico mais bem definidos. O que pretendemos simplesmente sublinhar é que, graças a Freire e a Illich, a pedagogia não pode continuar a fechar-se dentro da escola. É chamada a revelar as suas opções políticas, isto é, a definir-se em relação às forças produtivas, ao poder político e à ideologia dominante. (pp. 55-56)

Esta forma de combater a instrumentalização da pedagogia com mais instrumentalização da pedagogia tem dado resultados muito nefastos. A apropriação da pedagogia pela política, seja pelo chamado neoliberalismo, seja pelo neomarxismo, tem sempre efeitos perversos e não é nada de espantar que um Sócrates e um Chávez confluam em torno do Magalhães, esse pequeno aparato democratizador que Freire – como um Bono antes do tempo – não hesitaria em considerar uma ferramenta emancipatória poderosa.

Aliás, se olharmos sem sequer ser necessário muito de perto, o entusiasmo que transborda de uma prosa de Carlos Zorrinho ou outro apologista do novo tecno-mundo não difere muito desse outro entusiasmo que animou tantos dos nossos eduqueses (Benavente, Stoer, Magalhães, Pacheco) da geração de 70.

Desenganem-se aqueles que olharem para as actuais políticas educativas e nelas só encontrarem traços de Direita. De uma forma enviesada, mas nem sempre assim tanto, neste esforço nivelador que é transversal às políticas educativas das últimas décadas, de promoção do sucesso a todo o custo, do discurso virado para a escola para todos e a tempo inteiro, é fácil encontrar o fruto desta sementes de uma Esquerda bem-pensante que, cheia de boas intenções, tornou a escola, em algumas situações, uma antecâmara do inferno (salvo as devidas proporções para o de Dante).

Será mesmo do estado em que estou ou só encontro coisas destas?

School Using Lap Dances to Treat ADD Closed, Your Tax $ Involved, But Will It Re-Open?

Are lap dances an effective therapy for attention-deficit hyperactivity disorder or drug addiction? It doesn’t seem like a question that should require a serious answer—but a state investigation of Oregon’s Mount Bachelor Academy (MBA) has substantiated allegations made by students and staff that such “therapy” was part of the school’s “emotional growth” curriculum and forced an emergency shutdown of the campus.

Just this June, the Supreme Court had decided in favor of a couple who sued for payment of MBA’s tuition to treat their son’s ADHD and marijuana problem. The Court determined [pdf] that parents of disabled children do have the right to seek such taxpayer support from a school district, even if they haven’t tried public special education first.

Sou um conservador, não me incomodando as mesas, ainda prefiro as bed-dances, metafóricas ou literais.

Fafe, é a tua vez de concordar.

Na revista Gingko deste mês:

O que mudou entre os pais e os filhos nos últimos 40 anos?

As crianças não mudam.

Mas a educação mudou…

Sim, a educação mudou e está a surtir resultados diferentes. E os pais também mudaram. Porque a sociedade mudou, transformando-se numa sociedade de abundância que segue a lógica de consumo, onde é importante consumir e incentivar toda a gente a consumir, porque cada um de nós tem direito a tudo. E a partir do momento que temos direito a tudo, para que havemos de nos esforçar? Dissemos aos pais que as crianças precisavam de fazer coisas que lhes dessem prazer para se sentirem amados. Mudámos a conformação que existia antes, quando os filhos deviam esforçar-se por agradar aos pais. Hoje os pais dizem que os amam e oferecem escolhas múltiplas, condenando o filho a uma posição de juízo muito angustiante porque ainda tem a personalidade em bruto e necessita de orientação para saber em que direcção caminhar e como lutar contra os obstáculos que encontra.

Essa abundância de que fala retirou o sentido da vida às nossas crianças?

Sim, podemos dizer isso. Mas temos de dizer que também retirou o sentido da vida aos pais.

A nossa sociedade é uma sociedade do prazer. É o prazer como recompensa?

Sim, só que é preciso compreender que é recompensa, que não é de graça. Os jovens pensam que é de graça, e por isso temos de lhes mostrar que só terão o prazer se se esforçarem.

Denunciou a existência de uma infantolatria. A sociedade esqueceu os pais?

Colocou os pais ao serviço dos filhos e a isso chamo infantolatria. Esqueceu o lugar dos pais, dessacralizou-o. Como as crianças são postas em primeiro lugar, os pais são desviados para lugar oculto. Não há lugar para o casal, e quando o casal enfraquece passa a haver dois apartamentos, duas frigideiras…

É necessário recuperar esse lugar?

Absolutamente. É fundamental dizer que a condição parental é magnífica.

Também é necessário reeducar os pais, antes de eles educarem os filhos?

Não. Os pais foram bem educados, mas para educarem os filhos têm de estar de acordo com a educação que receberam. A maioria compreende o ressentimento que tem dos seus pais. Mas precisam de perceber que, independentemente do que façam, estão condenados a ser amados pelos próprios filhos porque são eles que forjam a sua identidade. Mas também estão condenados à ira porque os filhos precisam da ira para se afirmar. Daí a necessidade de os seduzir. A partir do momento em que damos esta explicação aos pais, não precisamos de os educar. Eles sabem como proceder com os filhos. No geral, e em caso de necessidade, os pais entendem qualquer recomendação simples como substituir o slogan “a criança primeiro” por “o casal primeiro”. Se os casais fizerem isto não há necessidade de os educar.

No seu entender, o problema surge quando os casais tentam distanciar-se do papel que os seus próprios pais tiveram, quando querem ser diferentes deles.

Sim. Mas a partir do momento em que percebem que eles fizeram o que puderam e que não existem pais perfeitos, e não existem filhos perfeitos, as coisas vão correr muito melhor.

Pedido de divulgação

O Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e a Associação de Professores de Português (APP) organizam um seminário sobre Metodologias e Materiais para o Ensino do Português como Língua Não Materna, a ter lugar nos dias 29 e 30 de Outubro de 2009 no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian.

O seminário contará com a participação de especialistas nacionais e estrangeiros no domínio do ensino de uma língua não materna.

Para mais informações, consultar www.iltec.pt ou enviar mail para divling@iltec.pt.

A Comissão Organizadora

TPC: boa prática ou sobrecarga?

Teaching assistants don’t boost pupils’ progress, report finds

Pupils supported by teaching assistants do no better than those who are left alone, but TAs do improve classroom discipline and reduce teachers’ stress levels.

Teaching assistants do not boost pupils’ progress, though they do help to reduce teachers’ stress levels and improve classroom discipline, research shows.

Primary and secondary pupils supported by teaching assistants (TAs) actually make less progress than those of similar ability, class and gender who do not get such assistance, a study by the Institute of Education has found. But the students are less distracted and disruptive, leaving teachers free to work with the rest of the class.

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Texto já com algumas semanas, mas que o autor me enviou agora:

Grito pela liberdade no ensino

Esta preocupação de tudo regulamentar e dirigir, a partir do centro do poder, a actividade dos professores, controlando passo a passo todos os seus movimentos, atitudes e acções, com leis, decretos-lei, decretos regulamentares, despachos, ofícios, circulares, regulamentos e orientações, está a destruir a liberdade, a criatividade e até a própria produtividade na educação (Esperemos pelos resultados do Pisa). Pior, a educação está a tornar-se numa tirania asfixiante e limitadora da actividade docente.

Pretende-se fazer dos professores autómatos acéfalos, meros executantes de medidas impostas por decreto ou despacho como se fossem obedientes robôs comandados por um qualquer controlo remoto, a partir de um centro nevrálgico. Ao decretar-se, minuciosamente e ponto por ponto, como o professor deve fazer a sua aula, que recursos deve usar, como deve avaliar os seus alunos, como deve, ou não, dar o apoio individualizado, como deve vigiar um exame ou como deve fazer uma reunião, etc., etc., retira-se ao professor a iniciativa, a criatividade e a liberdade, roçando os tiques da hiper-regulamentação típicos do fascismo e do nazismo. Tudo isto acontece, ironicamente, em nome da “democracia”, do “poder democraticamente eleito”, da “legitimidade democrática”, etc., etc.

Começo a ficar preocupado quando observo que os “velhos” paladinos das “liberdades democráticas” e das “liberdades individuais” se mantêm calados, quando assistimos, há já demasiado tempo, a uma teimosia ditatorial técnico-burocrática e a um quase neo-fascismo nas políticas educativas.

Para avaliar o desempenho dos professores não é preciso confundir o acto de avaliar com o de formar, como sucede com o actual modelo, ferido de morte. Para formar os professores, o Ministério pode e deve recorrer a cursos de formação nas Universidades, a cursos de formação por especialistas nas várias matérias desde o uso das novas tecnologias até ao domínio científico e actualizado das matérias dos programas. Para avaliar os professores, bastaria medir, através de provas de exame equilibradas e credíveis, a progressão dos alunos desde o ano em que o professor os recebe até ao ano em que os deixa, podendo, obviamente, o professor retirar uma ou outra turma que, por razões alheias à sua vontade, não manifesta qualquer motivação para os estudos. Outros factores como a assiduidade, a participação nas actividades culturais da escola, a sua formação e publicação científica e pedagógica também devem fazer parte dessa mesma avaliação. Mas deixem – aqueles que nunca deram aulas, que não conhecem os alunos e suas famílias, nem fazem a mínima ideia do que se passa nas escolas – deixem, dizia eu, os professores trabalhar em total liberdade técnica e pedagógica para preparar os seus alunos não só para as provas de exame (os alunos não têm exame em Filosofia, mas os professores são avaliados!) mas também para a sua formação enquanto cidadãos livres e responsáveis, com-scientes e criativos, capazes de responder critica e solidariamente aos desafios do presente e do futuro.

Deixem, por favor, os professores em paz. Viva a liberdade de ensino e no ensino!

Zeferino Lopes, Prof. de Filosofia na Escola Sec. de Penafiel, em 3 de Junho de 2009.

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Única, 10 de Abril de 2009

A nossa pedagogia esqueceu que os rios sussurram

Há dias em que a voz não te sai assim só porque queres dizer. Este é um desses dias. Foi um dia feito de anos. Preciso escrever porque preciso falar, mas não consigo falar nem consigo calar. A garganta estrangula, a voz encalacra perturbada por uma despedida. Despedida de uma amizade que começou aos dez anos, era sessenta e seis. Hoje tornou-se dia de ontem. Morreu um pedaço da minha memória. Amigo à flor da pele na juventude, em primaveras incensadas de cravos e flor de laranjeiras. Alma gémea em estio tórrido, quando na encosta de urze e giesta e mar ao longe, enquanto nos vendiam a guerra, comprávamos a nossa verdade e a nossa paz.

Durante nove anos nos sentámos nos bancos da mesma escola, quase sempre na mesma turma. Juntos, encontrámos o gozo da escola e do ensino. Fascinaram-nos olhos negros; flamantes de querer saber, entender, resolver e conhecer; de esperança num futuro virgem de independência. Cooperantes na Guiné, naquela escola de quem nada tinha, excepto vontade, vivemos a esperança de ajudar a conhecer, a escolher, e a ler futuros. Ao cabo de um ano regressaste e eu permaneci, acabei baptizado Mamadu. Aqueles olhos que julgavam ter nada e tinham mundo, deixaram-nos reféns e desenharam-nos a vida. Depois andei à procura do mundo e a tactear mundos, e nos desencontrámos. Para me entregar, para continuar a aprender, escolhi regressar às escolas da nossa terra. Nos dias que correm, vivo um país, e vivo escolas, nos antípodas da quimera contida na minha escolha.

Hoje recebi uma lição dos teus alunos que ali estavam, os últimos que te viram. Os que, intrigados, perceberam, que o mesmo não eras naquele dia. Por eles, percebi que ainda tinhas mundo, e generoso, o continuavas a partilhar. Perceberam que eras habitado e ouviam-te. Percebi que também te escutavam. Agora, impotentes, choram-te. Ficas neles e nelas, e com eles e com elas, por cá. Não há tostão que pague. São eles e elas os tostões que nos pagam a vida; quando têm vida. Contaram-me o teu último sumário: entraste, olhaste fixamente todos, sem dizer palavra foste embora.

Alguém te recordava sem angústias, nem depressões aparentes. Recordaram-te ainda bem parecido, elegante, de bem com a vida e desafogado. Fica uma mãe sem filhos; ficam dois filhos sem pai, um deles é uma criança. Era impossível imaginar esta decisão na tua cabeça. Quando te encontraram no carro à porta de casa, chamaram para avisar que te estavas a atrasar, quando não respondeste perceberam que estavas a antecipar. Não repararam que tinhas saído e voltado. Passavam minutos da última aula. Ao lado tinhas uma carta de renúncia, a um papel que te atormentava na escola. Não chegaste a entregá-la. Preferiste a coragem de um revolver enferrujado, apontado à raiz de pensamento sombrio. Depois, foi uma semana de vida suspensa por um fio de morte cerebral, e enfim, voaste.

Hoje na capela, a tua presença era a tua ausência, não era um soco, era um nó, era uma fotografia perturbante que não olhava, inquieta teimava cair no chão. Eras os escritos dispersos, com palavras que vestiste e povoaste, palavras com que te vestiram, e sonhos que te descreveram. As palavras que nos custavam, incredulidade e soluços, olhos raiados e olhos escondidos, lenços, e convulsões. E os olhos que não te conseguiram ver.

No instante em que te pegaram para virar cinza, fez-se real, cheguei tarde demais para te abraçar. Faltaram palavras que se perderam. Os três que ficamos, dos quatro cúmplices de ontem, abraçámos o que era possível, de madeira escura envernizada com escritos grudados. Vimos, olhos nos olhos, o regresso instantâneo ao presente e a lembrança do futuro, e lemos nas lágrimas o nosso dantes comum decepado. De um escrito, que levava uma parte do mundo que te habitou, fiz desvanecer uma frase, onde lia: “luto por uma pedagogia que não se esqueça que os rios sussurram, que as aves gritam…”. Desculpa as letras salgadas, Fernando. Há ausências que estrafegam.

Ainda atordoado, lembrei-me de outro ser, muito vistoso por fora, mas aos meus olhos, oco, desprovido de ponta de seriedade, honestidade e consistência por onde se lhe pegue. Este não tem mundo, quer o mundo. Faça por isso. Não à custa da minha pele, nem à custa da minha dignidade. Não o admito. Atropela e não respeita a formação e educação dos outros, tal como não respeitou a sua. Não é um homem com palavras, é só caumbersa. É uma ausência, presente e perigosa, absoluto e pai natal. [Não se sente homem mas Deus / Criador da paz e da guerra / Um milagre lhe atribuem os meus / O de criar inferno nesta terra.] Não é palavra em que se acredite, não é verbo, só conhece e conjuga primeira pessoa do singular, é substantivo impostor, adjectivo falacioso, e advérbio de modo fanfarrão. Não vale uma resignação! É palavroso, de um palavreado enganoso, para mim odioso, vazio, exterior, nem fálico nem encefálico. E o pior, não é um Homem de Palavra. Imagino a dor de quem o legitimou. Da ausência presente, no prometido que acreditou.

O momento é delicado para exteriorizar este facto, para exorcizar publicamente esta dor, mas não fui eu quem determinou a hora, muito menos este destino. Que não se retirem ilações, aqui não há acusações. Ninguém sabe Nada! Só que, do momento, não consigo varrer o que há no horizonte:

– Morte de inteligência colectiva;

– Liquidação de células cerebrais, que se tornam preguiçosas, ou mesmo inúteis, porque dispensáveis no percurso formativo. Contudo, indispensáveis ao património comum;

– Genocídio intelectual;

– Estagnação cultural e social, de gerações vindouras de pobres e remediados. Percurso regressivo, rumo à estratificação social por descendência.

Ou seja, olhando para o prejuízo: limitação da base de selecção. Um cérebro nasce por ter nascido, desenvolve estimulado, fertilizado; merece revelar-se por ser, não por ser filho de… Conjecturas e preocupações, que resultam do que vivencio, à luz da minha observação enferma de intolerância: à astúcia, à manipulação, ao vexame da inteligência alheia.

Hoje

Mais que nunca

Mais que demais

Faz sentido a faixa negra, com que tenho andado por aí.

Estou em luta,

Estou de luto.

Da próxima vez que levar a faixa pelo braço, ela leva-te no coração.

Teodoro Manuel

16/12/2008

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