Pecadilhos


Combater a riqueza rende mais do que evitar a pobreza.

Não é de agora, não é resultado de nenhuma teoria eduquesa, não é por causa das competências e dos valores que os professores são obrigados a atribuir às atitudes.

É mentira.

Até é com boas intenções, mas…

É aquela tendência para, em várias paragens, engordar a nota com que os alunos vão aos exames. Tal como os 8 se transformam em 10, também os 10 se transformam em 12 ou 13 e os 13 em 15 ou 16 e por aí acima.

Como disse, não é prática de agora, conheço-a desde os tempos de alunos.

No meu 12º ano, há quase três décadas, assisti ao vivo à inflação de notas no final do 3º período (ler estórinha no fim do post). Na altura a justificação era o numerus clausus e o empurrão que se devia dar aos alunos para ver se entravam na Faculdade. Coitadinhos, é melhor ajudá-los.

Ninguém falava em eduquês, não havia competências a valorizar. Ainda era a pré-história disso tudo. Do tipo Mesolítico. Chumbava pessoal que nem tordos até ao 9º ano, mesmo com a água-benta.

Por isso, não se venha agora dizer que as diferenças por vezes pasmosas entre avaliação interna e resultado em exames é resultados do espírito dos tempos e dos obstáculos colocados pelas teorias pedagogentas que infestaram o sistema de avaliação.

É mentira!

Um aluno de 12 não passa a ter 15 ou 16 por causa das atitudes. Na maior parte das escolas, as atitudes e etc valem 20-30, no máximo 40% da nota final. Um aluno de 12, com boas atitudes chega ao 13, 14 no máximo (70% x 12 dá 8,4, 16 x 30% dá 4,8, tudo junto dá 13,2 valores). Não dispara para um 16 ou 17. Deixemo-nos de tretas.

E é uma perversidade, em que os fins não justificam os meios.

E pode ser usada contra os professores, se algum dia um modelo de ADD se basear, mesmo que em parte, nos resultados dos alunos.

E também não vale a pena dizer que os alunos não se esforçam nos exames e por isso descem a nota. Se assim é, não há razão para valorizar as atitudes, correcto?

Portanto, deixemos de culpar o sistema por tudo e mais alguma coisa. A culpa também é nossa.

Estórinha final: fui aluno mediano (13-14) no 10 e 11º ano de Filosofia. Professores fracos (um gostava muito de anedotas, outra ia provar um ponto de vista para as aulas), desinteresse parcial meu. No 12º ano fui acolhido em outra Secundária com um 9,5 no primeiro teste, cortesia de um professor (colega alguns anos depois quando comecei a leccionar, para meu enorme embaraço) que hesitou em ficar-se pelo 9 que eu talvez merecesse. Deu-me um puxão de orelhas. Disciplinei-me e, era o arranque dos anos 80, não havia net, despachei vários volumes da agora empoeirada História da Filosofia do Nicola Abbagnano e vários livrinhos monográficos fininhos das Edições 70 (graças à biblioetca da escola e à da Gulbenkian na minha santa terrinha) sobre diversos filósofos. Desgostei Descartes e degustei Kant. Passei a ter sempre ou 18-18,5 até final do ano. A generalidade da minha turma do 3º curso ficava-se até aos 15-16. Na aula final de (já na altura) auto e heteroavaliação, eu era dos últimos, letra P numa sala com larga maioria de gente a começar por A, J e M. A certa altura percebi que alguém (não vale sequer a pena explicar as especificidades do caso) ia ter um 18 na disciplina. Fiquei descansado. Quando chegou a minha vez, disse que, atendendo ao que passara e embora eu achasse que merecia 17 no máximo, seria necessário ao professor dar-me 21. E sorri. Levei com um 19, para meu embaraço, pois sabia não o merecer em absoluto, mas apenas por tabela. Mas sai do exame com 19, na mesma, fruto de mais um par de semanas a engolir o que pudesse ler e entender sobre Kant, Fichte, Hegel, até o Nietzsche. Os 18 de colegas caíram para 12, quanto muito 14, por excesso de confiança. Já em História e Geografia não foi bem assim. O desastre foi maior. Mas nessa altura percebi que muitas vezes a injustiça na avaliação nasce do desejo de ajudar… E desperta reacções desencontradas. Entende-se a boa intenção, mas está errado.

Aceitar voos era difícil por causa dos media e dos “esquerdistas” dentro do PS

… até que ponto a permeabilidade entre vida política local e vida escolar está a aumentar.

Mesmo em cima das eleições autárquicas recebi um mail com uma longa lista de professores que deram a cara e o apoio a um candidato do PS a uma autarquia alentejana (que por acaso perdeu para um grupo de independentes).

Entretanto outras informações vão chegando, como a longa e reverente lista de apoiantes à candidatura vencedora, pelo PSD, no concelho da Maia, incluindo interessantes transferências.

O que está aqui em causa não é a cor partidária, nem sequer o direito dos cidadãos expressarem as suas simpatias políticas.

O que está em causa é saber de que forma isto influirá na vida das escolas, em especial ao nível das lutas pelo poder nos Conselhos Gerais e nas pressões sobre os directores.

gatos

Excelente peça dos gatos esmiuçadores sobre as contradições do discurso de José Sócrates sobre a relação entre um primeiro-ministro e a comunicação social.

Foi mesmo pena que as gravações não tivessem sido achadas a tempo de, com elas à mão, confrontarem o visado.

Quanto à entrevista a Manuela Ferreira Leite foi engraçada, mas tão só, quer porque MFL demorava muito tempo a preparar as respostas, quer porque RAP acabava sempre a dizer Muito bem.

Será que se seguem outros líderes partidários ou ficamos pelo mundo bipolar defendido pelo universo empresarial que acolhe o programa?

Univ. Coimbra abre inquérito a João Pedroso

A Universidade de Coimbra abriu um inquérito para avaliar se o seu docente João Pedroso, ex-dirigente socialista, cometeu alguma “falha disciplinar” ao celebrar um contrato com o Ministério da Educação.

Fonte da reitoria da UC adiantou que se pretende averiguar se a encomenda de um estudo do ME é incompatível com o regime contratual de exclusividade com a instituição. Caso sejam detectadas falhas disciplinares de João Pedroso, será o próprio reitor, Seabra Santos, a decidir uma eventual sanção. João Pedroso, escusando-se a tecer comentários sobre a situação, apenas declarou que “a legalidade será lá demonstrada”. Pedroso assinou um contrato com o ME para a compilação de leis e normativos na área da Educação, mas o mesmo foi rescindido pela tutela em Novembro por “incumprimento definitivo”.

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Correio da Manhã e Público, 29 de Janeiro de 2009

E só descobriram isso agora? Então farol vital da legalidade, nem de propósito uma das maiores luminárias da UC deu por nada? Curioso…

OS SETE PECADOS MORTAIS DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Chegados ao clímax de incompatibilidade entre a Ministra da Educação e os professores, por óbvia culpa da primeira, urge equacionar o que nos parecem ser as razões desta cisão irreversível. Abordamo-las de uma forma tipificada que resulta da contínua e persistente tendência pecaminosa de Maria de Lurdes Rodrigues no que respeita à sua política de Educação. Enunciamos assim aqueles que têm sido os seus recorrentes pecados, embora dificilmente condensáveis em apenas sete:

A Pesporrência: no discurso com que se arma quando fala dos professores, como se de seres menores se tratasse, quer do ponto de vista intelectual, quer do ponto de vista profissional. Não se trata uma das classes profissionais mais qualificadas deste país da forma soez como o tem feito, ainda mais se pensarmos que dela depende o futuro deste país. No entanto, apoda-os de desleixados sugadores do Orçamento de Estado e dos preciosos impostos dos Portugueses. Assaca-lhes inteira responsabilidade do estado deplorável a que chegou o ensino nacional.

A Iluminação: considera-se a iluminada, qual “cavaleira do futuro”, nas palavras de Antero; aquela que vê para além do seu tempo, uma incompreendida, como tantos génios o foram no passado, mas a quem o futuro dará total razão. Esquece-se de dizer que no futuro, quando o resultado das suas políticas de facilitismo e de prémio pela incompetência vier à tona, já estará asilada numa qualquer instituição financeira ou estatal ao abrigo de críticas e imputações de responsabilidade.

A Presunção: presume na teoria que é superior àquilo que milhares de professores experimentam na prática diariamente. Se a avaliação é burocrática, os professores não sabem o que estão a fazer; se é infrutífera e não serve para premiar a excelência e a qualidade dos docentes, então as escolas ainda não perceberam o que devem fazer; se é kafquiana e inexequível, os professores desconhecem; se os professores estão contra este modelo de avaliação, é porque não querem ser avaliados de modo algum. Pobres docentes, não sabem, não percebem, desconhecem. Obviamente, já todo o país percebeu quem ignora e quem está completamente isolada, a falar para o seu umbigo.

A Estatísticolatria: nunca como neste governo a política educativa obedeceu a um, e a só um objectivo: apresentar sucesso estatístico. Para isso, recorre-se às medidas mais inusitadas com laivos de maquiavelismo de que há memória nos últimos tempos: fazem-se exames de Matemática ridiculamente fáceis; despenalizam-se os erros ortográficos nas provas de Língua Portuguesa do 9º Ano; e, sobretudo, congemina-se um modelo de avaliação que incorpora uma forma velada de burla aos docentes: elevem as notas dos alunos e nós dar-vos-emos mais uns euros ao final do mês. E assim se dá a ideia de que o ónus do sucesso dos alunos cabe inteiramente ao professor, de que os alunos são todos iguais, de que o grau de dificuldade das matérias nos diversos anos de escolaridade é imutável. Tudo isto ao serviço da estatística, nunca da qualidade das aprendizagens, porque o que interessa é o cumprimento cego das metas da O.C.D.E. para gáudio dos nossos governantes.

A Ignorância: demonstrou nas suas palavras após a manifestação de 8 de Novembro que desconhece a mais basilar cultura democrática ao apodar aquele gigantesco movimento de indignação docente como uma intimidação. Não era esse certamente o propósito dos professores para com a Sra Ministra, mas estes
inquestionavelmente não se sentirão intimidados pelo tom salazarento do seu discurso. Desconhece assim que a manifestações de rua são normais e merecedoras de respeito em qualquer democracia sólida e em pelo funcionamento.

A Misantropia: a Srª Ministra desconhece o que é uma escola. Poucas visita, e quando o faz é durante o tempo de aulas, fora dos intervalos, para não ser importunada por um qualquer docente que a venha confrontar com a realidade. Pensa que avaliar uma escola é o mesmo que avaliar uma empresa, como se nas
escolas se produzissem carros ou presuntos. Cada vez mais isolada, disfarça com um sorrido trémulo mas algo cínico, um discurso que em tudo nos recorda, a figura patética do ministro iraquiano da informação que quando tudo estava irremediavelmente perdido, ainda se iludia com a vitória.

A Inverdade: compulsivamente, falta à verdade num discurso demagógico, populista, sempre evocando o superior interesse do Estado. Não é verdade que a avaliação docente seja apenas a produção de duas folhas que se fazem em duas míseras horas; começa sim pela produção de duas folhas, mas que resultam de
horas e horas de aturada preparação, de leitura e consulta de legislação e documentos internos de infindáveis e estéreis reuniões e de uma profunda reflexão prévia; não é verdade que os avaliadores sejam os mais capazes de avaliar os restantes professores, quando nunca foram sujeitos a este modelo de avaliação, quando muitos nem são da área científica dos avaliados ou só porque a idade é sinónimo de sabedoria. Falta à verdade, conscientemente, quando diz com alarde que os professores não querem ser avaliados, quando o que eles não querem é este modelo de avaliação; falta à verdade quando diz que este modelo promove a qualidade e a excelência, por isso foi decalcado de um país modelar ao nível de sistema de ensino: o Chile; falta à verdade quando diz que houve negociação deste modelo de avaliação com os professores, quando o que houve foi uma imposição superior e em que a única alteração à proposta inicial foi a passagem da avaliação dos pais dos alunos de obrigatória para opcional, de acordo com a vontade do professor; ignora a verdade quando insiste que a avaliação está a decorrer normalmente nas escolas, quando está definitivamente suspensa na grande maioria dos estabelecimentos de ensino; falta à verdade quando invoca o interesse dos professores que querem este modelo de avaliação, quando ficou demonstrado à saciedade que a esmagadora maioria não o quer.

Em conclusão, o que fizemos no dia 8 de Novembro, foi um direito inalienável dos cidadãos em democracia, o direito à indignação e o direito de resistência à opressão. Em face do comportamento assumido pela Sra Ministra, parafraseando o imperador da literatura portuguesa, “não hei-de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade de quem não pede favor, senão justiça”. A causa não é só nossa, é dos nossos filhos, alunos e do nosso país, pelo que “razão é que peça só razão, justo é que peça só
justiça” (Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda).

Lia Ribeiro

Escola Secundária do Entroncamento

Numa troca de comentários em post anterior, levantou-se a questão da utilidade da criação de turmas de nível.

Por acaso sou um pouco contra esse tipo de medida, em especial agora que se podem constituir turmas de PCA e CEF com bastante facilidade.

Mas desgosto das turmas de nível por outros motivos, alguns dos quais até por achar que será uma medida prejudicial para todos os envolvidos, sejam os eleitos, sejam os coitadinhos. Porque isso é negar, logo à partida, o conceito de Igualdade de Oportunidades. Opção apriorística que não aceito, em coerência com a recusa da a obrigação da Igualdade de Resultados. E partilho, em grande medida, desta perspectiva que aponta as turmas de nível como um passo claro para «trabalhar o sistema» em favor de alguns.

Listarei apenas três, embora a discussão fique aberta a outros contributos:

  1. Como professor, compreendo que seja mais atractivo trabalhar com turmas mais homogéneas do ponto de vista do rendimento. No entanto, acho que esse tipo de metodologia acaba por encerrar os alunos, em especial os de maior rendimento, em «casulos» e por os afastar do contacto e trabalho com os colegas menos dotados, digamos assim. Sei que a presença de alguns alunos disruptores – mas nesse caso trata-se de problemas disciplinares – pode perturbar imenso o ambiente de aprendizagem de uma turma. Mas também sei que as chamadas «turmas de nível» podem transformar-se simplesmente numa guetização inter-turmas, beneficiando alguns alunos em detrimento de outros e desistindo de estratégias de trabalho cooperativo em que os melhores alunos ajudam os que têm maiores dificuldades, o que é muito importante para a sua formação pessoal. Aqui talvez seja parcial, porque a minha estória como aluno, em especial no equivalente aos actuais 2º e 3º CEB, foi a de pertencer a várias turmas que pareciam condenadas ao fracasso, principalment porque os alunos eram da periferia da sede do concelho e ficavam para os «restos». Já como professor, tenho exemplos bem sucedidos de turmas muito heterogéneas que funcionaram bem, em especial quando se impedia que os bons se agrupassem sozinhos, deixando os outros entregues a si mesmos.
  2. Uma outra reserva às turmas de nível passa por um aspecto que pode parecer contraditório com o anterior e é o da avaliação. Até que ponto é justo usar a mesma escala de avaliação para turmas com perfis de aprendizagem completamente diversos? Até que ponto é justo que um aluno bom numa turma XPTO tenha nível 4, enquanto um aluno que lhe seria inferior, em confronto directo, pode tirar esse mesmo nível 4 ou mais só porque está numa turma sobre a qual as expectativas são menores? Isso já acontece actualmente com as turmas de Currículos Alternativos e mesmo com os CEF, mas esses já sabemos que se regem por regras diferentes, enquanto com as turmas de nível isso se torna mais difuso.
  3. Por fim, uma questão prática elementar: onde se traça a fronteira para dividir as águas? O que fazemos aos alunos que ficam nos limiares? Os chamados borderline? Empurramo-los em que sentido? Para baixo ou para cima? Depende das vagas? Do poder de reivindicação do(a) EE? Complicado. Pouco transparente.

No fundo é transferir para o interior do sistema público de ensino uma estratégia discriminatória de que se acusa muitas instituições privadas de praticarem. E que admito que também já existe em vários estabelecimentos públicos. Mas que ainda não é a regra. Felizmente. Acho eu.

O primeiro-ministro decidiu acusar os críticos das suas fumaças sobre o Atlântico de serem «calvinistas morais radicais».

Não sei se a ideia de usar um conceito tão redundante é da sua lavra, se foi alguém que lhe soprou esta fórmula engraçada.

Porque ao conceito «calvinista» está subjacente e é inerente a fórmula de «moral radical». Mas isso é coisa para os estudiosos de Teologia e das Ciências Humanas Desnecessárias, tipo História e História das Religiões.

É, contudo, possível que o Primeiro-Ministro, conhecendo o défice de conhecimentos e competências nestas matérias do povo português quisesse explicitar melhor o seu lamento com uma expressão tripla, para dar-lhe assim mais consistência conceptual.

Mas o interessante é que José Sócrates terá acabado por converter-se a esse «calvinismo moral radical» ao pedir desculpas por um acto que, ao que parece, até não acharia de início condenável, e ao fazer promessas e juras de agora ir mesmo deixar de fumar for ever and ever.

Só que em matéria de calvinismo não adiantam muito as manifestações públicas de arrependimento – coisa de católicos que os reformadores calvinistas abominavam – ou sequer as juras de amor eterno ao Divino (Anti-Tabágico e Saudável ou outro) porque a predestinação não perdoa.

As únicas boas novas de tudo isto é que o calvinismo historicamente se instalou em zonas da Europa que vieram a ter um desenvolvimento económico bem melhor que o nosso (desde logo a radical Suiça), mesmo se na Escandinávia (adorada Finlândia incluída) os calvinistas levaram uma tareia dos luteranos em 1593 no sínodo de Uppsala.

Portanto, até pode ser que possuído por um «calvinismo moral radical» Portugal se arranque às trevas do sempre adiado desenvolvimento convergente e se torne uma espécie de Suíça pré-tropical.

Afinal, pode ser que nem todas as consequências das críticas aos vícios encobertos do Primeiro-Ministro sejam perniciosas ou fúteis para o nosso Grande Desígnio Nacional.

Quanto a mim, mais em particular, se por «calvinista moral radical» se define alguém que não concorda que um político advogue e implemente publicamente políticas e medidas que depois em privado desrespeita, nâo há nada a fazer: sou mesmo um parente remoto (no tempo e espaço) do João e do Huldreich.

Mas por mim o Primeiro-Ministro até pode fumar três maços de tabaco por dia. Ou mandar fumar por ele. Ou fumar por fax. E até pode ser Tabaco Técnico.

Já estamos habituados.

Lobo Antunes sai do MNE, Carrilho na UNESCO

O caso de Carrilho é absolutamente notável. O homem consegue uma das piores performances políticas do PS em Lisboa. Entra em recolhimento. Vem à superfície com um punhado de artigos que alguns acham ser «críticos» e, qual Cravinho-paladino do combate anti-corrupção, vai de malas aviadas para uma das prateleiras douradas que o regime tem para oferecer às vozes críticas ma non troppo, a mesma que permitiu durante uns anos polir um Ferro muito desgastado.

O resto, bem, o resto é apenas a habitual dança das cadeiras a um ano de novas eleições. A vitória é previsível, mas nada como ir acautelando a vidinha.

Ministra garante mais 10 mil horas de matemática

No final do segundo ano do Plano de Acção para a Matemática, Maria de Lurdes Rodrigues diz estar «optimista» em relação aos resultados do programa e explica que «os chumbos são um mecanismo retrógrado e antigo» com elevados custos financeiros para o Estado.
Nove milhões de euros, mais de 10 mil horas de trabalho para a Matemática, cerca de 400 mil alunos e mais de 70 mil professores envolvidos. São os números com que se fazem as contas do Plano de Acção para a Matemática, iniciado em 2005.
Quase no final do segundo de três anos lectivos consagrados à iniciativa que visa tirar Portugal dos últimos lugares nos rankings europeus de Matemática, a ministra da Educação faz um balanço positivo.
«Estou optimista. Acho que os resultados só podem melhorar», garante Maria de Lurdes Rodrigues que encontra a fórmula para o sucesso numa adição: «Não há outra forma de ultrapassar as dificuldades a não ser estudando mais, fazendo mais».

Maria de Lurdes Rodrigues anuncia uma cornucópia de números para tirar a Matemática do fundos dos rankings, mas depois baralha toda a argumentação, não percebendo ainda, e vão lá três anos, que é incompatível no contexto em que nos movemos, com o lastro de 15-20 anos de absoluta desresponsabilização dos alunos pelo insucesso, afirmar que é preciso estudar mais e ao mesmo tempo anunciar aos quatro ventos que os «chumbos são um mecanismo retrógrado», mas depois não justifica isso com qualquer argumento pedagógico mas economicista.

«Chumbar» é mau porque custa dinheiro ao Estado.

Lindo argumento!

Já vejo hordas de alunos agarrados às sebentas de Matemática, sensibilizados com a força do apelo ministerial.

Estudai e poupai dinheiro aos cofres do Estado, juventude do nosso país!

MLR insiste em falhar redondamente no seu registo sobre esta matéria. Há que ter um discurso positivo: enaltecer uma ética de trabalho e esforço. Puxar pelo orgulho de todos e não – sistematicamente – envenenar tudo com os amoques do costume.

Caramba, há formas mais ou menos legais, de uma pessoa ficar efectivamente sorridente e simpática quando se fazem declarações deste tipo.

Não há necessidade de ser sempre igual a si mesma.

Apre…

Foi o comentário de Marcelo Rebelo de Sousa mesmo a finalizar o programa de hoje, ao referir-se à forma jurídica encontrada pelo ME para sair do imbróglio evidente de ser incapaz de dar cumprimento ao DR 2/2008.

Disse aquele que por acaso é professor de Direito Constitucional que tinha dificuldade em explicar aos seus alunos esta forma de legislar em que, perante uma lei promulgada e que não se vai cumprir, em vez de a revogar ou substituir, se faz uma outra lei para explicar que aquela não vai ser cumprida nos termos  em que foi redigida.

Pois. Afinal sempre há mais gente a achar que o DR 2/2008 deveria ter sido alterado e não ser-lhe aposto apenas um outro DR com normas transitórias que ele não continha.

Mas eles é que sabem, eles é que têm os cadeirões…

Movimento acusa sindicatos de ‘manipulações estatísticas’

O Movimento de professores PROmova desafia os sindicatos a revelarem o número exacto de professores que aprovaram o memorando de entendimento com o Ministério da Educação. Fenprof garante que 90% dos docentes aprovam o documento.
Para este movimento cívico, o entendimento «precipitado» com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues empurrou os professores «para a desmobilização e para o desejo de não participarem num DIA D esvaziado de sentido».

É por isso que o PROmova põe em causa as declarações da plataforma sindical, que garante uma aprovação de 90% relativamente ao acordo. Números que os professores deste movimento consideram ser fruto de «manipulações estatísticas».

Em comunicado enviado às redacções, o movimento desafia os sindicatos «em nome do rigor e da transparência de procedimentos, a publicar nos próximos dias o número exacto e realde professores que, em cada escola, votou favoravelmente o entendimento».

«Quer-nos parecer que a forma que muitos docentes encontraram para manifestarem o seu desânimo,e desacordo,foi a falta de comparência. Provem-nos o contrário» , dizem os responsáveis pelo PROmova, que se dispõem a pelos seus próprios meios fazer um «levantamento escola a escola».

«A plataforma sindical não veio garantir a tranquilidade dos alunos, veio, como é público e notório, assegurar a tranquilidade ao Governo e ao Ministério da Educação, administrando-lhes o ‘calmante’ que há muito lhes faltava» , criticam os membros do movimento cívico, que reclamam a suspensão do processo de avaliação do desempenho e o fim da figura do professor titular. (Margarida Davim).

Se querem saber os números exactos, que tal pedirem-nos directamente à fonte (espero que o tenham feito) e não em comunicado às redacções dos órgãos de comunicação social?

É que este tipo de atitude parece revelar que o principal adversário não é o ME e sim os sindicatos. Não me parece correcta tacticamente nesta altura este tipo de atitude.

Da mesma forma, e logo escreverei sobre isso, também discordo da análise feita hoje por Santana Castilho no Público.

Realmente parece que há quem queira dividir os professores e há os que se prestam a isso.

Posição da CONFAP face às alterações à proposta legislativa de gestão escolar

A CONFAP analisou as alterações ao diploma sobre gestão e administração escolar, anunciadas ontem pelo Governo, considerando que as mesmas correspondem às propostas enunciadas pelas associações de pais durante a discussão pública e pela própria CONFAP, quer nos debates em que participou, caso do Conselho Nacional de Educação, quer junto do próprio Ministério da Educação.
A CONFAP mantém a sua posição de defesa do reforço da participação das famílias e comunidades na direcção estratégica da Escola, assim como o reforço da sua liderança e autonomia. Neste quadro, e tendo em conta a alteração a nível do Conselho Geral, propomos que se crie a figura do vice-presidente neste órgão, cargo a ser ocupado por um pai sempre que este não ocupe a presidência do órgão, ou por um professor, caso nenhum dos seus representantes seja eleito presidente do Conselho Geral.
(…)

A verdade é que a Confap, sabe-se lá porquê, nunca divulgou o seu parecer sobre o novo modelo de gestão escolar, mas não se coíbe de assinalar que as modificações agora introduzidas correspondem às suas posições, assim como antes já declarara que o novo regime era inspirado nas suas opiniões

Quanto a pecado de soberba, estamos conversados. Assim como em relação a quem se posiciona como o «grande vencedor» desta jogada legislativa, sendo curioso tratar-se de uma organização que só existe porque o ME financia na quase totalidade o seu funcionamento, para isso sendo necessário que aprove o seu plano de actividades.

Mas eu sou teimoso e continuo na minha: esta participação – por muito politicamente correcta que seja do ponto de vista do discurso dominante – é contrária à LBSE. E então a obrigatoriedade do Presidente ou Vice-Presidente do futuro Conselho Geral ser um pai (parece que a Confap não concebe outro tipo de Encarregado de Educação, o que é no mínimo estranhíssimo para quem fala tanto em novos paradigmas) é um completo abuso de confiança

Desperto por uma nota local na revista Visão fui confirmar os critérios de admissão no mui bem colocado nos rankings e opinião publicada Colégio São João de Brito.

A tabela de pontos é clara, mesmo se faz lembrar a espaços as grelhas de avaliação dos docentes ou, pensando melhor, a tabela usada para a ocupação de cargos públicos, se substituirmos jesuítas por outra congregação conhecida. A parte dos parentes e etc pode ficar na mesma.

Destaco claramente os pontos extra para todos os familiares de jesuítas. Mas compreendo porque é um colégio gerido pela congregação.

Já outros critérios me deixam um certo sabor a ressequido.

É que os irmãos de alunos já matriculados no Colégio têm direito a 55 pontos se forem filhos dos mesmos pais, mas apenas 30 pontos de forem apenas filhos de um dos progenitores, ou seja, se forem meios-irmãos.

Será que a Escola Pública deve seguir este modelo de «boas práticas»?

E da tentativa de fazer crer que afinal até se seria a favor do referendo, não fossem as pressões dos tubarões, lembrei-me de uma passagem de Jonathan Swift sobre a forma de descarregar a culpa sobre o próximo, desde que a oportunidade surja. Não é a teoria da culpa morrer sempre solteira, mas mais de a culpa morrer em concubinato com o “outro”.

Se for possível nunca digas uma mentira ao teu senhor ou senhora, a menos que tenhas algumas esperanças de que não possa ser descoberta em menos de meia hora. Quando um serviçal é denunciado, todas as suas falhas devem ser contadas, mesmo que muitas delas nunca tivessem sido do conhecimento do senhor ou senhora, e todos os enganos feitos por outros devem ser-lhe imputados. E quando te perguntarem por que é que nunca desteantes conhecimento deles, a resposta é: Senhor, ou senhora, na realidade eu estava receoso de vos fazer zangar, e para além disso poderíeis pensar que fosse malícia minha. (Jonathan Swift, Directions to Servants. London, Hesperus Press, 2003, p. 16, edição moriginal de 1745)

Uma coisa complicada de combater, principalmente porque dói na carteira. Mas algumas até são suportáveis (a Esquire espanhola é excelente e custa menos de 3 euros), enquanto outras são irresistíveis.

As coisas vão-se conhecendo e desfiando, a pouco e pouco. Subitamente irrompem na imprensa notícias que dão conta da forma como o poder – como todos os poderes de passagem pela mesa do Orçamento e nisso fazem justiça ao passado republicano e monárquico – recompensa os seus através de trabalhos vários ou da preparação de eventos comemorativos destinados a cristalizar uma certa – “a” certa – memória do passado. E a prever a distribuição de verbas (confirmar final do ponto 11 deste comunicado do Conselho de Ministros que criou a Comissão de que adiante se falará.).

Trata-se, neste caso, da «Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, constituída pelas seguintes personalidades: Vital Moreira que presidiu, Joaquim Romero Magalhães, Inês Pedrosa, Madalena Torres, António Reis, Francisco José Viegas e David Ferreira», como se pode ler no já citado Portal do Governo.

A presidência da comissão é estranha pela manifesta inadequação do sapato ao pé que se pretende calçar e o resto da composição da comissão é de tal forma curiosa que me coíbo de a comentar, visto conhecer e estimar pessoalmente duas das personalidades em causa, maçonarias à parte.

Mas o mais divertido é o tipo de enredos que surgem a propósito da eventual remuneração do trabalho feito, que o Presidente da Comissão desmente. Assim como a Comissão em causa parece ter, certamente sob uma energia voluntarista algo transbordante, extravasado claramente do seu mandato com algumas propostas estimáveis mas algo fora do contexto como a promoção de legislação sobre o casamento entre gays. Isto para não falar em propostas comemorativas verdadeiramente patuscas como a realização de uma Taça do Centenário em futebol.

Só que, neste afã de tudo propor, apesar da notória qualidade de alguns dos elementos constituintes da Comissão, parece ter faltado um certo cuidado na redacção final do texto do relatório e deparamos com uma passagem como esta (p. 60) que nos faz descrer dos próprios olhos:

vital1.jpg

É verdade, Vital Moreira parece ter-se auto-submetido a uma operação de reconstrução da memória e, por entre tiradas com rigor histórico duvidoso e propostas de actividades que mais parecem ter saído directamente de uma reunião maçónica, acaba por localizar em 1976 a revolução que restabeleceu a democracia em Portugal.

Podem dizer que Freud explica e eu até posso acreditar. Ou que é uma malfadada gralha, como aquelas que eu tão bem distribuo nos meus escritos bloguísticos e não só. Mas eu acho que isto vai mais fundo e que o intelectual Vital do socratismo entrou mesmo numa fase de completo descolamento da realidade, seja a quotidiana, seja a histórica e, como Bob Woodward aplicou a Bush Jr. quanto ao fracasso da guerra no Iraque, está em completo estado de negação quanto ao passado de que ainda (infelizmente para ele, ao que parece) nos lembramos.

Ele pode argumentar que se está a referir ao estabelecimento da ordem constitucional democrática, e que também localiza a revolução que institui a I República em 1911 (data da assinatura da primeira Constituição republicana). Mas essa é uma leitura, no mínimo dos mínimos admissíveis, bastante bizarra.

E nesse caso não usaria o termo “revolução” para 1976, como que apagando dois anos de história efectivamente revolucionária.

E depois ainda eu fui dos que me chateei porque a comissão presidida por António Costa Pinto por ocasião dos 30 anos do 25 de Abril (nomeada pelo governo PSD de então) decidiu arrancar o R à Revolução, tendo-a amputado em Evolução.

Caramba. Nada como um fogoso ex-revolucionário convicto para reescrever, da forma mais puramente estalinista, a História. Só falta mesmo apagar-se a si mesmo das fotografias tiradas durante o PREC. Ou, pensando bem, se calhar… até já o fez porque na net não achei nada de jeito. E ainda perdi uns minutos a procurar.

Porque pode ter interesse em termos de divulgação mediática: como estão a chegar os livros e materiais aos vossos alunos?

Eu tenho três turmas muito diferentes: uma é formada por repetentes (PCA) e já todos têm os livros de outros anos, mesmo que nas minhas disciplinas quase tudo seja feito com materiais meus extra-manual. Uma outra é de alunos com um estatuto socio-económico médio, com poucos casos de subsídios. Já a outra turma, com um número razoável de alunos carenciados, tem ainda 3 ou 4 que não receberam os manuais, por exemplo, de HGP, agora que estamos a um mês do final do 1º período. Parecendo que não, são 15-20% da turma e quase metade dos subsidiados. E não é sempre por atrasos na papelada entregue pelas famílias.

A culpa não sei de quem é: das editoras que se atrasam nas entregas? da falta de verba ou pagamento pelo ME? de atrasos nos serviços?

É que isto não é novo e lembro-me mesmo de um ano (2001?, 2002?) em que os dinheiros chegavam a conta-gotas e para fazer visitas de estudo era necessário serem os professores a pagar a deslocação de alguns alunos ou então fazia-se uma distribuição solidária por todos os envolvidos.

De qualquer modo noto que esta não é uma situação única aqui pelos confins do deserto da margem sul. Mas gostaria que, on ou off the record, me dessem uma ideia do que se passa pelas vossas paragens.

Porque isto é tanto mais triste quanto, como de costume, os mais atingidos são exactamente os estratos mais vulneráveis e, depois, existem muitas retóricas sobre o insucesso escolar mas esquece-se este tipo de detalhes ou «dramatismos individuais».

Só agora li com atenção a denúncia feita pela Confap (Sol, p. 12) relativamente a sacos azuis existentes em escolas do 1º CEB, apontando em particular um caso em Gaia e outro em Loures. Esses sacos azuis seriam resultantes do pedido de verbas aos Encarregados de Educação dos alunos dessas escolas, com o pretexto de servirem para aquisição de materiais de desgaste ou outro tipo de equipamentos ou mesmo de eventos (fala-se em “lanches festivos”).

Como ponto de partida, declaro desde já que num sistema de ensino público, centralizado e devidamente financiado pelo Estado – estando a gratuitidade do ensino básico instituída constitucionalmente – estas práticas não deveriam existir, a menos que devidamente acordadas entre os parceiros em presença na comunidade educativa, com a devida fundamentação, objectivos claramente definidos e contas prestadas no final do ano lectivo.

No entanto, e desde o momento que a responsabilidade pela gestão e financiamento dos estabelecimentos de ensino do 1º CEB passou para uma estranha parceria entre Estado Central e autarquias, o que não foi nada melhorado com a criação dos agrupamentos verticais, muitas situações deste tipo seriam previsíveis.

Antes de mais porque as autarquias são (tal como o Estado Central), em muitos casos, más e tardias pagadoras das suas obrigações para com as escolas do 1º CEB. Não conheço os casos específicos citados na peça, mas conheço outros, em que passado todo o mês de Setembro ainda não chegaram verbas, seguindo-se o habitual processo de desresponsabilização com a autarquia a garantir repetidamente que vai transferir as verbas logo no dia seguinte ou que a culpa é da falta da transferência de verbas acordada com o ME.

Veja-se por exemplo o que se passa com o pagamentos das AEC, que tem uma nova (nova, nova, não é, pois tem mais de uma semana) denúncia no Cegueira Lusa sobre o que acontece em Viseu, nem de propósito a autarquia do presidente da ANMP.

A verdade é que muitos estabelecimentos de ensino do 1º CEB com JI ou sem JI vivem os inícios de ano lectivo na corda bamba financeira. E essa é uma situação lastimável que deveria ser combatida e denunciada por todos, identificando-se os responsáveis objectivos e não apontando o dedo, como por vezes acontece, a quem tenta salvar o barco. Há práticas abusivas em algumas escolas? Certamente que as haverá! Mas há muitas outras que fazem milagres verdadeiros para funcionarem de forma regular.

E – acho eu – as Associações de Pais e/ou Encarregados de Educação deveriam ser um elemento fulcral para a resolução dos problemas. Funcionando como grupo de pressão sobre as autarquias ou, através das suas estruturas nacionais, o Ministério da Educação para se saber de quem é a culpa de tais práticas. Mas também estabelecendo acordos de funcionamento com os órgãos de gestão das escolas, mesmo que isso passe por uma quotização anual de 10 ou 20 euros para melhorar as condições educativas do estabelecimento.

Aliás, também passa por aí a autonomia da gestão dos estabelecimentos escolares, a possibilidade de se estabelecerem parcerias com a sociedade civil e de mostrar eficiência na gestão dos recursos.

Percebo a queixa das “famílias” que sentem estar a financiar duplamente o sistema educativo, através dos impostos e desse tipo de contribuição. Mas será essa contribuição, em alguns casos, desproporcionada ou injustificada?

Será mais justificável a prática de bullying institucional sobre professores e escolas que estão na base do sistema e que, na maior parte dos casos, têm menor capacidade de defesa perante ameaças de queixas directas para a 5 de Outubro ou a imprensa?

Em especial quando assentam em manifestos exageros, como a acusação de existirem «dezenas de milhares de euros» nos tais sacos e depois verificar-se que a acusação concreta se refere a um caso de 5.600 euros?

E o que dizer do carácter tardio de certos protocolos estabelecidos exactamente pela Câmara de Gaia e das verbas envolvidas, atendendo ao número de escolas e alunos em causa?

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