Património


Património de Origem Portuguesa no Mundo

Imaterial?

Só quem nunca entrou, em devido tempo, numa daquelas casas de fado que fechavam a porta quando se começava a cantar o fado. Ai Jesus, que um dia me aconteceu e ainda hoje sinto um trauma no tímpano aqui deste lado.

Isto sim é povo!

Site oficial.

Petição em defesa, salvaguarda e reabilitação do Alambor Primitivo Norte (Séc. XII) do Castelo Templário de Tomar

Imóveis das direcções regionais do Centro e do Algarve também foram comprados pela PE

Ministério vende edifícios geridos pela Parque Escolar

Os imóveis que o Ministério da Educação (ME) vendeu, em 2010, à Estamo, a entidade pública criada para comprar e vender património imobiliário estatal, estão sob gestão da empresa pública Parque Escolar, que entretanto já se tornou proprietária de vários deles.

[Almada Negreiros]

Onde vivi 33 anos, como Cristo. Onde muito do que é memória é sistematicamente arrasado, enquanto se ergue o mamarracho e a coisa mais sem gosto e sem jeito, desde que pareça ser lucrativo, embora envergonhe quem tenha vergonha para sentir. Alhos Vedros de seu nome, vila ao lado da outra onde lecciono. Parente pobre de um concelho pobre. Não apenas de matéria tilintante, mas principalmente de espírito, de que muito carece a política do local.

Acho que já aqui mostrei o que vai (cada vez menos) restando de uma quinta antiga onde me habituei, em pequenino, a ir buscar o leite à vacaria que aí existia. Ao lado sempre ia rodando, para meu deleite, uma nora que hoje está reduzida ao que se vê e à espera que qualquer empreendedor, comprado e retalhado o terreno, a arrase para dar lugar a um qualquer coiso.

A sua preservação e salvamento não custariam muito. Quase só algum tempo, atenção e escasso investimento. Mas a visão é míope, mesmo entre quem bate no peito os valores do amor à terra.

Fotos tiradas com telemóvel, por entre o restolho molhado e sob observação de senhora curiosa nas imediações, com cachorro defecante.

O Mosteiro dos Jerónimos visto em 3D.

Depois de ter passado toda a década de 90 a guiar por lá visitas, a escolas do interior do país, nos finais das semanas de Março a Junho, confesso que este tipo de visita é muito menos desgastante.

1998

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2001

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2009

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Hoje faltei à sessão da minha acção de formação sobre História e Património Local no Ensino da História (o título é mais ou menos assim) em que se fazia uma visita de trabalho pelo concelho do Barreiro. O que significa que também faltei ao almoço de convívio, mesmo se prometeram (Ventura, esta é contigo) que me guardavam uma foto do prato que não comi (falaram-me num bom bife, mas até preferia um belo peixe grelhado, especialidade daquela casa, não por acaso chamada Grelhador-Mor).

Mas nem por isso quero aqui deixar de apresentar serviço, pois estou a arrumar fotos minhas dos últimos 10-15 anos, nem sempre tiradas de modo sistemático, mas mesmo assim o suficiente para ir acompanhando a degradação de algumas estruturas emblemáticas de um passado que os poderes locais se desinteressam de preservar, mesmo dizendo que os vão preservar.

Neste caso temos a involução do Moinho Pequeno, junto à avenida Miguel Pais, no Barreiro, fotografado em três momentos, e com três perspectivas de 1997 até há coisa de duas semanas.

Como este caso há muitos. Tempos para os fotografar é que nem sempre, mas a ideia é fazer um mosaico dos moinhos de maré e vento do antigo concelho de Alhos Vedros (actuais Moita e Barreiro) no sentido de mostrar tudo o que lhes tem acontecido e que, por cada recuparação, há meia dúzia de derrocadas, fora as lixeiras e entulhos ao redor

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Moinho de vento ao abandono. Alto do Carvalhinho (Moita)

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Igreja de S. Lourenço (Alhos Vedros), fotografada ontem por mim pela enésima vez, durante a visita integrada numa acção de formação sobre Património Local.

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Hoje é dia de visita de trabalho de uma acção de formação. Eu sei que tem almoço em aldeia ribeirinha típica da zona, mas isto acaba por contar como horas extra de trabalho, mesmo se com companhia amiga.

Ontem andei a recolher imagens da completa degradação a que têm sido votados os moinhos de maré da margem sul do Tejo, neste caso do concelho do Barreiro e Seixal, da zona de Coina a Palhais.

Há coisa de 12 anos, quando fiz um anterior levantamento fotográfico, quase todos tinham salvação. Agora…

Mas tão mau ou pior ainda é o entulho que é deitado para a zona de sapal com a passiva complacência, ou activa anuência, dos poderes todos, locais, centrais e os mais que se queiram apontar.

Dizem que a guiar a visita pelos locais que conheço desde que nasci (concelho da Moita) vão técnicos municipais. Alguém vai ficar com que contar aos que mandam…

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… mas o olhar também parece andar atraído pelo lado mais negro e decrépito da memória colectiva.

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Ali à beira da estrada, assim como quem sai do Montijo para Alcochete, dois velhos moinhos de vento completamente ao abandono, a poucas centenas de metros de um devidamente restaurado. O entulho e o lixo que se acumulam nesta zona, incluindo restos de queimadas ou de um incêndio são uma tristeza profunda.

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Para o portefólio da formação sobre património e história local. E dos desmandos e degradação a que a maior parte das memórias locais vai sendo votada.

Publico tal como me chegou por mail:

Caríssimos,

Muitas vezes, damos a nossa opinião mas não somos consequentes. Acho que o estado em que se encontra o Terreiro do Paço justifica o empenho de todos. Por isso, resolvi fazer o que me era possível enquanto cidadão. Acabo de lançar a petição: O Cais das Colunas faz falta. Para que possamos defender o que verdadeiramente faz falta, peço a ajuda de todos para a divulgação da petição cujo texto é:
O Terreiro do Paço é uma das mais bonitas praças do mundo. Não é preciso ser lisboeta para admirar a sua imponência arquitectónica e fantástica ligação ao Tejo, através do Cais das Colunas, seu elemento identitário. Infelizmente, de há alguns anos a esta parte estamos privados dessa ligação. São imperdoáveis, todos os erros que fizeram arrastar as obras do Metro naquela zona da cidade. Mas pior, é o facto
de tendo estas terminado, continuarem por fazer os arranjos à superfície e a requalificação do espaço. O aterro e as grades que agora existem, divorciam a cidade do seu rio, criando uma barreira deprimente. Qualquer calendário de obras teria de restituir o Cais das Colunas à cidade de Lisboa, pelo menos, até ao Verão. Nesse sentido, os cidadãos abaixo-assinados solicitam à Assembleia da República que
recomende ao Governo a imediata reposição do Cais das Colunas e a requalificação do Terreiro do Paço.

Assine em: http://www.petitiononline.com/CColunas/petition.html

 

Não sou um fundamentalista de tudo o que tenha relação com a História, apesar da deformação académica, resultante de gosto pessoal e mesmo de alguma prática.

Não posso dizer que sou o maior frequentador de museus e exposições, ou visitante e estudioso atento de tudo o que é vestígio arqueológico ou fortificação mais ou menos coeva. Tenho mesmo uma relação com a Arqueologia muito atípica, pois reconhecendo-lhe interesse, nunca me interessou pessoalmente a prática, mesmo como finalista convidado para escavar algures nesta ou aquela campanha.

Só que, apesar desse relacionamento pouco afável com a poeira, os cacos e as pedras (com o devido respeito, por quem gosta claro, e ressalvando que até fui co-autor de estudos que afloram o tema), fico sempre um pouco mais espantado com o estado em que encontro alguns locais que deveriam ser emblemáticos da nossa História, da nossa Memória Colectiva, de um Património cuja preservação acarreta muito menos dispêndio que alguns estádios de futebol, sendo que até existem fundos comunitários também para este efeito.

De passagem por Aljezur, espreitei o antigo castelo, actualmente bastante arruinado, resultado do pouco cuidado que mereceu desde o final da Idade Média, facto agravado com os efeitos do terramoto de 1755 e as fraquíssimas intervenções de restauro no século XX, quase todas provocadas pelo afã comemorativo do Estado Novo.

A edificação tem uma história remota e até algo sui generis, tanto pelas origens como pela localização e habituais lendas associadas. A sua originalidade merecia um outro cuidado mas, apesar de algumas promessas e de estar classificado há décadas como Imóvel de Interesse Público, a verdade é que está ao completo abandono.

No acesso encontra-se uma placa daquelas que a CEE/UE manda colocar em todas as obras que co-financia, que afirma que foram feitas obras de conservação num valor próximo dos 100.000 euros, o que é uma quantia irrisória para qualquer tipo de intervenção digna desse nome numa construção deste tipo. Intervenção essa cujos sinais são claramente invisíveis.

Num momento em que este Governo anuncia investimentos de milhões sobre milhões no turismo algarvio, com destaque para Lagos, ali mesmo ao lado, fico sempre espantado com a total e completa ausência de cuidado em garantir que parte desses rios de dinheiros possam ser canalizados para a recuperação do património, pois 1% que fosse das quantias miliardárias que se anunciam dariam para imensa coisa que não se faz.

Mas claro, agora estamos no tempo do Homem Novo, do Homem Moderno, do Homem Tecnológico, esse homem sem memória e sem interesse por pedrarias milenares, amontoadas sem nexo e provavelmente até atrapalhado a instalação de umas novas antenas para as operadoras de telemóveis, quiçá mesmo interferindo na boa recepção da net wireless nas imediações.