Ou Vai Ou Racha!


Uma crítica recorrente aos professores do Ensino Básico e Secundário é que eles beneficiam de uma enorme estabilidade laboral e que têm um emprego para a vida e não se querem ralar com mais nada.

Às vezes até pode ser assim e sei que houve gerações douradas que alcançaram – agora se percebe que de forma transitória – uma estabilidade rápida, passando por agruras menores do que outros grupos de colegas.

Mas o que não é dito com clareza por muita gente é que a larga maioria não alcançou essa pseudo-estabilidade de mão beijada. Muitos foram e são os que andam e andaram de casa às costas, percorrendo dezenas e centenas de quilómetros, mudando de local de trabalho a cada ano que passa(va).

Eu nunca me afastei muito do domicilio, mas conheci uma dezena de escolas até assentar em termos relativos em duas delas. Mas isso foi feito à custa de salário e meio a três salários por ano, juntando os meses que não recebia (Setembro e parte de Outubro ou mesmo, em certos casos, até Novembro, mais os avos dos subsídios que me eram descontados). Foi sempre uma opção que deixei clara perante toda a gente. Antes perder 2 meses de ordenado do que fazer turismo à força. Perdi dinheiro e tempo de serviço, mas nunca foi esse o valor essencial.

Mas muita gente, por questões e temperamento ou necessidade, optou por arriscar para acumular tempo de serviço e fez da instabilidade e precariedade o seu modo de vida.

Quantos professores, por exemplo, do ensino superior e politécnico passaram por isso? Porque é desses que me custa mais ouvir as críticas, estranhamente mais distantes dos professorzecos em certas posturas do que outras profissões? Andaram em mini-concursos para docentes universitários? Entrando numa instituição, quantas vezes mudaram? Em quantas leccionaram que não fosse por acumulação e convite?

Custa ler e ouvir certos dislates, disparates mesmo, de quem está há 20-30 ou mais anos de rabo repimpado no mesmo sítio a lançar anátemas sobre os outros.

Isto não é uma generalização, porque há de tudo em todo o lado. Do excelente ao fraquinho-fraquinho. Da humildade com qualidade à presunção medíocre.

Os professores do Básico e Secundário só tiveram uma enorme vantagem até recentemente: não precisavam de inventar cursos e disciplinas e dar notas interessantes para manter o seu público e garantir o seu crédito horário. Mas até isso entrou em extinção, bastando ver a riqueza conceptual de certos cursos profissionais  e efa’s que quase conseguem fazer inveja a certas cadeiras bolonhesas.

Estamos a alinhar por baixo. Estamos a imitar certas práticas poli-superiores. Não todas, porque há excelentes instituições do ensino superior, com brilhantes profissionais. Mas esses, por definição, são inteligentes e sabem quando e como falar.

Como diz o Calimero, assim não faço amigos em lado nenhum.

😳

… deve significar sair do activo. Só pode.

Será grave?

Há laranjada entornada:

De regresso a Portugal e à miséria maior…

Há a quem não se lhe possa tocar nos cristalinos…

Fraldiqueiros

Coitarados!
Meninos, tiveram pouca mamã.
Carências afectivas afunilaram-nos psiquicamente
desde a impoética infância até este corrimento senti-
[
mental
em que, grandinhos, se compensam, comprazem.
Continuam a gotejar.

Coitarados!
Gulosos de pontas de dedos,
perdem-se em beijoqueirices, diminutivas ternurinhas.
Têm sempre rebuçadinhos d’alma para as mulheres.
Falam freud ao colo das amigas.

Fraldiqueiros. . .
Vailevar-lhes isso a nojo, machão?
MuIheres gostam. Riem, prazidas.
«Venha cá à mamã!»

O golpe do coitadinho (não confundir com o golpe
do irmãozinho, esse na base do esquema da alma gémea)
é o que estás a ver: saltar para o regaço e pedir nhém
[nhém

em nome do Sigismundo, daquele que dizia, salvo erro:
A alma? Geme-a…

Fraldiqueiros
a mandarem beijinhos por teleférico!
[de saliva

Engatinhantes, tiram do estojo complexos em forma
[de saxofone

e tocantam-lhes a pingona freudista canção do bandido

,

Fraldiqueiros. . .
Mulheres gostam. Até onde?

[Alexandre O’Neill]

Viciados!

Já por aqui, há algum tempo, várias vezes aqui evoquei Eduardo Lourenço e a forma como ele, no seu Labirinto da Saudade, descreve o estado de representação  de si mesmos em que os portugueses gostam de viver, em especial em alguns momentos mais traumáticos do próprio destino colectivo.

É um forma de fingimento pessoano em que cada um se refugia numa desresponsabilização pessoal pelo que está a acontecer e se lança nos braços de uma representação que descola progressivamente da realidade objectiva, social, económica, política.

Estamos a atravessar um desses momentos de solipsismo e desresponsabilização quase gerais.

O país está em crise económica e financeira por erros próprios, de muita gente. Certamente dos governantes, com o actual primeiro-ministro à cabeça com o seu discurso permanentemente irrealista, mas também de muitos outros, seja de grupos de interesses económicos que procuraram alimentar-se dos negócios que surgiam, sem grande sustentação, com o objectivo do ganho chorudo imediato, seja dos particulares que, em tempos de vacas menos magras, se lançaram em consumos desenfreados, esquecendo-se que as bolhas rebentam quando atingem um limite.

Nos tempos bons, quiseram embelezar a representação de si mesmos, enquanto agora, nos tempos maus, parecem querem fingir que não é bem assim e que a culpa é toda do Sócrates. Não é.

Desde logo porque se em 2005 a escolha estava muito limitada e contaminada pela deserção de Barroso e o desvario de Santana, já em 2009 as desculpas praticamente já não podiam existir.

Sócrates está lá porque prometeu, qual vendedor de banha-da-cobra, um futuro de optimismo desenrascado, muito português, mas que não tinha qualquer fundamento. E acreditaram nele ou quiseram acreditar. Foram menos do que em 2005, mas ainda foram os suficientes para o lá manterem a mandar.

E não finjam que o aproveitamento do crédito barato para aquisição de bens claramente acima das necessidades e possibilidades se deveu apenas ao entusiasmo voluntarista do chico-espertismo de Estado, que caracterizou boa parte do guterrismo e agora deste cretinismo que dura desde 2005.

Agora não finjam que a culpa é sempre dos outros e só dele, em especial se estiverem prontos para arranjar desculpas para não votar em outros.

Vejo milhares a anunciarem rumo a sul e para fora na Páscoa e espanto-me. Vejo muitos outros a continuarem fascinados por ecrãs planos e télélés cheios de botãozinhos e interrogo-me: o tempo está para isto?

  • E estará o tempo também para visões alternativas, mas igualmente solipsistas, da realidade em que se buscam exemplos de coragem numa Islândia com 320.000 habitantes que decidiu não pagar os depósitos que os estrangeiros (ingleses e holandeses) tinham nos seus bancos, como se isso equivalesse a não pagar a dívidas do país aos credores institucionais estrangeiros? E em que se fazem circular mails com umas ganas tais, como se isso salvasse seja o que for? Por vezes com informações ultrapassadas, erróneas e parcelares?
  • Estará o tempo para acreditar que os nossos credores estarão dispostos a aceitar exigências de quem deve e se endividou voluntariamente?
  • Estará o tempo para o regresso a discursos completamente anacrónicos sobre os malefícios do capitalismo financeiro, quando se conviveu com ele muito bem durante anos a fio, enquanto a bolha crescia?
  • Estará o tempo (à esquerda) para atitudes de nano-arrogância por parte de quem defende um modelo de desenvolvimento assente nos piores erros do passado recente?
  • Estará o tempo (à direita) para requentar fórmulas de liberalização de uma economia frágil e dependente, que se sabe terem dado maus resultados algures?

Mas será que estamos todos a viver no mesmo país, no mesmo tempo, perante as mesmas realidades?

“São más notícias para o país, mas podem ser positivas para Sócrates”

O economista do RBC Capital Markets, Gustavo Bagattini, diz que imposição de medidas mais duras que o PEC IV beneficia Sócrates.

Bruxelas deverá obrigar Portugal a tomar medidas de austeridade mais duras que as previstas no PEC IV, chumbado na Assembleia da República. Para o banco de investimento RBC Capital Markets, estas “são más notícias para o país, mas poderão muito bem ser positivas para o primeiro-ministro Sócrates”.

Sócrates decidiu declarar na entrevista de hoje que, caso seja reeleito, retomará a ADD, a menina dos seus olhos, ele que sabemos como apreciou uma boa avaliação no seu percurso escolar e académico.

Tornou isto, portanto,  uma quezília pessoal. O que é sempre uma má decisão. Há, portanto, que agir de forma a que não se leve para o poder quem o viabilize como qualquer coisa.

Punhados De Deseuros Em Cartão

Umbigo Contra A Crise, Tenha-O Sempre

O animal feroz está quase a chegar e vai disparar raios e coriscos:

“Vou guardar a minha impaciência para Lisboa”
José Sócrates admitiu hoje ter alguma “impaciência” em comentar aos últimos desenvolvimentos partidários no país – em concreto, o anúncio de aumento do IVA pelo PSD e a suspensão da avaliação de professores, com base num projecto social-democrata – mas adiantou que só irá fazê-lo dentro de portas.

“Nem calcula a vontade que tenho de comentar isso. Mas tenho que conter a minha impaciência, porque acho que o meu dever neste momento é defender Portugal. Quando chegar a Lisboa, terei muitas ocasiões de falar da oposição, de falar disso e de falar da avaliação dos professores”, afirmou aos jornalistas, nacionais e internacionais.

Sócrates zanga-se e garante que Portugal não precisa de ajuda externa
O primeiro-ministro português ralhou de dedo em riste com jornalistas portugueses e estrangeiros e bateu no tampo da mesa para reforçar uma ideia.

Isto sim é um recibo a merecer uma reclamação em papel selado. É que nem se deram ao trabalho de fingir que há um estipêndio ilegal. Abateram e prontossss….

É de uma Secundária a norte do Tejo.

Fica aqui: Manifesto_APEVT_2011.

… assim é que é!

Beijão para ti e uma tanganhada (não sei se conheces o termo…) para o petiz…

Cecília Honório pretende esclarecimentos sobre critérios de integração de criança hemofílica

O Bloco de Esquerda recebeu a denúncia de uma criança de 10 anos, hemofílico A grave – aluno do 2.º ciclo de uma escola pertencente ao Agrupamento Soares dos Reis, no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto – que viu inicialmente recusada a prática de Educação Física e que hoje frequenta a disciplina sem enquadramento no quadro legal ajustado.

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