Ou Há Moralidade Ou (Não) Comem Todos!


João Carlos Espada (i. e. o sumo apóstolo de Popper na Terra para desgosto da alma do próprio) está muito preocupado com a aproximação de alguns partidos, movimentos ou governos europeus à Rússia.

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Público, 16 de Fevereiro de 2015

Eu é que devo andar distraído, que não o li tão preocupado com a subserviência económica de alguns governos, a começar pelo nosso, em relação a Angola ou à China.

Aliás, o que li em relação à China – esse farol vibrante da democracia – foi muito instrutivo a propósito do Dia Mundial da Democracia, em 2008:

Em segundo lugar, esse clube não visa excluir ou subverter, ou derrubar pela força regimes não democráticos. A China, aliás, compreende isso muito bem e está a integrar-se com bastante compostura na comunidade internacional.

Ou em 2012, quando depois de visitar o Brasil, decidiu erigir a China como um dos exemplos do empreendedorismo internacional:

Foi uma sociedade civil vibrante, em perpétuo movimento, com uma energia empreendedora que só tem paralelo nos EUA (e talvez na China e na Índia, mas devo admitir que não senti aí a mesma energia).

 

… porque eles têm que colocar os rodriguinhos nos lugares certos para ganharem currículo e umas coroas, antes de irem para consultores lá fora… ou vice-versa.

Dispara gasto com salários de boys

Mesmo com o corte salarial no Estado, o ganho médio mensal dos políticos atingiu 6483 euros, mais 20,7% do que em outubro de 2011.

uroboros

em que momentos da sua carreira, foi Hélder de Sousa avaliado com uma qualquer prova que permitisse conhecer as suas capacidades e competências?

(…) a classe docente quer considerar-se à parte destas exigências, que são comuns às profissões mais qualificadas? É que se quer, de certa forma pode ser até uma forma de desqualificação.

Porque isto é tudo muito interessante, mas quem certificou o senhor Iavé como avaliador-mor do reino? Ou como sabemos nós que quem elabora e classifica estas provas têm competência para tal?

Porque a mim quer parecer que quem mais clama pelo rigor, pela cultura da perfeição é exactamente quem fez carreiras sem que seja perceptível a que avaliação foi sujeito. Porque uma coisa é ter cargos, outra ter sido avaliado por mais do que a fidelidade aos senhores que passam.

Vamos lá a tentar saber… que provas fez Hélder de Sousa, quem o avaliou, quem foram os júris das suas provas?

Porque isto de mandar fazer, quase todos sabem mandar. Fazer é que é o caraças…

O senhor até pode ser o mais competente entre os competentes no reino de Iavé, mas a verdade é que o seu trajecto académico e profissional é… aquilo que é e não mais do que isso.

E percebemos o quanto a coisa é curta quando lemos tiradas como estas, cheias de ausências de detalhes específicos ou conhecimentos concretos.

As provas são semelhantes, não há aqui nenhuma invenção. Agora os modelos são todos diferentes. As provas normalmente têm uma componente comum e outra específica, mas desconheço em pormenor se são classificadas separadamente. Sei, por exemplo, que as linhas de corte entre o ser aprovado e não aprovado são variadas. Nuns casos são mais exigentes, noutros menos.

Provas “semelhantes”, modelos “diferentes”… linhas de corte “variadas”… nuns casos “mais exigentes, noutros menos”.

Phosga-se, pá… isso até eu seria capaz de dizer e não percebo nada do assunto.

 

 

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Público, 24 de Janeiro de 2015

A mim parece-me concorrência desleal – só para usar termos “liberais” e “de mercado” e não entrar por outras áreas mais inóspitas como a ética – e este Rodrigo faz-me lembrar outros quando se trata do encobrimento das más práticas evidentes dos seus associados.

Aliás, foi em espaço público que ouvi alguém – quando as reportagens da TVI sobre os colégios do GPS estavam na actualidade – dizer que aquilo não era nada de especial e que se resolveria num instante.

E depois há aquela justificação peregrina e falsa de dizer que a opção entre um 14 e 15 pode ser uma “estratégia pedagógica” para “motivar” ou “picar” os alunos.

Ó Rodrigo, pá, vai gozar com outro, porque estamos a falar da nota de final de ano, de final de escolaridade não-superior, da classificação final e definitiva que serve para fazer a média de acesso à Universidade. Essa treta que dizes só será válida em outros anos e no 1º ou 2º período. Percebeste ou queres que te faça um desenho? Porque ou és parvo (e tudo indica que és bem espertalhão) ou disseste aquilo mesmo só para enganar os distraídos.

E assim foi e assim se vão confirmando muitas suspeitas sobre a opacidade do “negócio da Educação” em que uns se lambuzam e os outros definham, uns mantêm financiamentos incólumes à media década e outros sofrem cortes de 20-25%.

Por isso, é impossível existirem relações de confiança nesta área da desgovernação, em que o que está em causa é arrebanhar o dinheiro público, tendo a distinta falta de vergonha de dizer que o fazem em defesa das famílias e dos contribuintes.

(e que venham agora dizer que isto é ad hominem e tal, que é necessário colocar os nomes aos bois desde que não os coloquemos, somos todos Charlie e o raio que os parta…)

 

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Expresso, 10 de Janeiro de 2015

Verdade se diga que por 52 euros a compra das almas e dos corpos anda muito barata.

(e ao que parece ainda está por saber quanto recebeu o Jacinto Leite Capelo Rego)

Manuel Fernando Espírito Santo, antigo chairman da Rioforte, admitiu ter sido um dos cinco ramos da família Espírito Santo, em representação do clã Moniz Galvão, a receber uma comissão de um milhão de euros no negócio dos submarinos comprados pelo Estado português a um consórcio alemão. “Tivemos uma retribuição especial”, apelida o ex-administrador não executivo do BES.

Não me consigo lembrar de duas coisas… se MST teve esta forma de encarar as coisas em relação ao BPN (parece que não) e ao governo de Sócrates e se ele disse ou escreveu alguma coisa sobre não dizer ou escrever nada sobre um assunto de família.

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Expresso, 13 de Dezembro de 2014

Numa altura em que já era público o mal estar entre Nuno Crato e o secretário de Estado João Casanova de Almeida, devido à polémica da contratação de professores, acaba por sair o mais improvável elemento da equipa do Ministério da Educação. João Grancho, secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, pediu ontem a demissão invocando “motivos pessoais”. Ou seja: a acusação de ter plagiado vários académicos, numa apresentação sobre a “dimensão moral” dos professores, que fez em 2007.

Por causa da densidade da relação intelectual estabelecida e não sei quê. Não percebo é tamanha justificação, se era para demitir-se horas depois.

Mas, pelo menos, há alguém que parece ter um mínimo de vergonha na cara, até porque a coisa era sobre a “dimensão moral” e tudo isso.

Pelo contrário, há quem pareça inamovível e talvez tenha maiores esqueletos no armário. Tem é maior facilidade em relacionar-se.

Ou quem seja promovido lá para fora.

Estado contrata mais 63 guarda-costas para proteger ministros e juízes

… porque ganham imenso.

Só nestes casos é que não somos suecos.

Hourly labour costs ranged from €3.7 to €40.1 across the EU28 Member States in 2013

CustoHoraE depois gosto imenso do argumento demográfico da quebra da natalidade, quando Portugal até mantém uma taxa acima da maioria dos países da UE:

Fertility

Gráfico retirado daqui.

Eis os dados mais recentes disponíveis na DGEEC para os alunos nos ensinos público e privado (2011/12):

Alunos Regular

No ensino básico há 13,6% de alunos regulares no ensino privado, valor que sobe para os 22,3% no ensino secundário.

Agora vejamos a distribuição dos alunos com NEE no ano lectivo de 2012/13, a partir de dados com a mesma origem.

AlunosNEE

Pois… no ensino básico apenas 4,6% dos alunos com NEE estão em escolas privadas e no ensino secundário apenas 5,2%.

Excluindo os alunos que levantam maiores problemas de insucesso e implicam maiores encargos é mais fácil “gerir”, subir nos rankings, apresentar custos médios mais baixos.

Mas este tipo de comparações escapa muitas vezes à agenda comunicacional. Alguém me indica o último artigo de fundo sobre este assunto?

Para além de isto demonstrar, mais uma vez, que Nuno Crato é perfeitamente incapaz de se impôr aos verdadeiros interesses corporativos em presença. Só é “forte” com os do costume…

Esta acumulação de funções é da mais daninha no actual modelo de gestão das escolas públicas.

Ministério recua na incompatibilidade entre a gestão escolar e exercício autárquico

Afinal, talvez os directores de escolas possam ser vereadores, membros das assembleias municipais ou presidentes das juntas de freguesia.MEC criou grupo de trabalho para estudar o assunto, o que satisfez socialistas e sociais-democratas, que avisam que há muitos dirigentes escolares entre os eleitos.

Um dia depois de ter confirmado a incompatibilidade entre a função de director de escola e o exercício de “qualquer cargo resultante das eleições autárquicas, seja o de vereador, de membro de assembleia municipal, de vogal de junta de freguesia ou outro”, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) recuou. Na noite desta sexta-feira, na sequência da notícia de várias situações de suposta incompatibilidade envolvendo autarcas do PSD e do PS e de pareceres contraditórios sobre o assunto, anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisar a questão.

Mas tudo continuará como sempre foi, pois apenas fez o que outros fizeram. O azar é que calhou ser apanhado por alguém que não terá recebido o devido memorando com os números fiscais a evitar nestas coisas ou a esquecer depois de os ver.

Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de ações

O Fisco detetou vendas ilegais de ações da Isohidra feitas por Marques Mendes e Joaquim Coimbra, em 2010 e 2011, e que terão lesado o Estado em 773 mil euros. As ações foram vendidas por 51 mil euros, mas valiam 60 vezes mais: 3,09 milhões.

O giro é que recadeiro tão bem informado e sempre com tudo à mão, afirma não se lembrar de tal coisa.

Que as exigências para dispensa do período probatório para quem entrou pela vinculação extraordinária sejam as mesmas do que para ser dispensado da PACC?

Nada contra as primeiras, tudo contra as segundas.

E é este tipo que está ligado aos cortes nas pensões e outras coisas assim com argumentos da treta?

Claro que ele tem toda a legitimidade para ganhar a vidinha como bem entende. Mas, assim sendo, porque veio ele meter-nos agora as mãos nos bolsos enquanto governante? Não estava satisfeitos?

Porque, neste caso particular de alguém que foi trabalhar para uma empresa que desconhecia pouco tempo antes, é difícil acreditar em amor à coisa pública.

Governante recebia 20 mil euros da Ongoing

Secretário de Estado da Segurança Social recebia 20 mil euros por mês da Ongoing Brasil.

Será que haverá coragem em seguir-lhes o rasto? Que por sua vez vai paralelo aos do dinheiro e exercício de cargos com um pé nos interesses privados e outro nas decisões públicas?

Mas muita gente sabe quem são, que canais usa(ra)m, os defendes que interessem, as lealdades que verdadeiramente seguem, em nome de uma alegada “liberdade” que, basta ver alguns comentários do post anterior, significa a apenas a liberdade de alguns, porque para os outros fiquem a rua, os “ofícios” ou a tropa.

Ulrich: “A salvação nacional parece-me uma boa solução para aqueles que entendem que o País precisa de ser salvo”

Concordo, cara Sofia Galvão:

Advogados à mesa do “ajuste directo”

… e o jovem (certamente liberal) João Miguel é nomeado para um cargo de especialista no acompanhamento da implementação das medidas do memorando?

Entre junho e agosto de 2011, João Miguel Leal realizou um estágio de verão no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego.
Anteriormente, em junho de 2009, já havia efetuado um estágio de verão no departamento de Marketing e Vendas da Empresa José Maria da Fonseca.
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Foi nomeado para servir um moscatel de honra nas visitas dos enviados da troika?
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Se possível, no Verão?

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