Os Ruins Somos Nós?


… que tinham no espírito santo o seu complemento de sobrevivência?

E é este tipo que está ligado aos cortes nas pensões e outras coisas assim com argumentos da treta?

Claro que ele tem toda a legitimidade para ganhar a vidinha como bem entende. Mas, assim sendo, porque veio ele meter-nos agora as mãos nos bolsos enquanto governante? Não estava satisfeitos?

Porque, neste caso particular de alguém que foi trabalhar para uma empresa que desconhecia pouco tempo antes, é difícil acreditar em amor à coisa pública.

Governante recebia 20 mil euros da Ongoing

Secretário de Estado da Segurança Social recebia 20 mil euros por mês da Ongoing Brasil.

… sobre os que menos se podem defender.

Pub11set13

Público, 11 de Setembro de 2013

Ulrich: “A salvação nacional parece-me uma boa solução para aqueles que entendem que o País precisa de ser salvo”

Desde 2011, com a diminuição média de 5% nos salários repetida nos anos seguintes e avalizada duas vezes pelo Constitucional, passando pela retenção de dois subsídios em 2012, também permitida pelo TC, funcionários públicos deram, sozinhos, mais de cinco mil milhões para combate ao défice. Este é um dos assuntos em destaque na edição de hoje do DN.

Nos tempos que correm, na ausência de referência na Wikipédia, usa-se o Facebook:

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Reparem como com efeitos a 1 de Fevereiro de 2012 já se apresenta(va) como técnico superior do Ministério das Finanças.

Embora a indignação seja agora mais forte do que já foi quando o agravamento da carga fiscal se fez – em nome de um alegado corte da “despesa” – só em cima dos rendimentos de alguns.

IRS agrava tributação de famílias de mais baixos rendimentos

As simulações parecem inequívocas. As mexidas no IRS para 2013 penalizam todos os rendimentos, mas agravam mais as famílias de menores rendimentos, aumentando as desigualdades sociais. Vai ser um tema polémico. Se o IRS não contribui para combater as desigualdades sociais, não será contrário ao espírito da Constituição?

Cavaco: «Equidade dos sacrifícios deve ser melhorada»

Para Cavaco Silva «só se podem considerar para acréscimos sacrifícios aqueles que não os suportaram até este momento»

E se assim não for? Estará o senhor Presidente – Excelência! – disponível para fazer alguma coisa? Piquinina que seja?

Gosto do respeito do PM pelo:

  • Discurso de Jerónimo de Sousa que acabou pouco depois das 19.00.
  • Jogo de Portugal na RTP1.

Não é para devolverem nada, apenas para expressar o meu ciúme social e, através do seu exenplo de vida, poder vir a ser como eles quando crescer.

Governo. 131 assessores receberam subsídio de férias já em 2012

Se fizerem o favor, basta o nome, o ministro empregador e a função exercida. Não preciso saber os quantitativos. Que façam bom proveito, como a mim faria.

Governo não impõe encerramento. Só vai ter a última palavra sobre as que dependem directamente do Estado. Pode é cortar benefícios.

Passos: “Não há direitos que não cedam” numa emergência

Mas pelo menos percebe-se que não andam por aqui quaisquer convicções firmes num Estado de Direito.

… sem subsídio de férias.

As contas hão-de ajustar-se em algum momento. Basta esperar…

E aqui? Ninguém fala em interesse nacional? São só privilégios adquiridos?

É que eu também tinha um contrato com o Estado e ele está farto de ser quebrado.

As indemnizações são apenas para os futuros empregadores?

TGV é o princípio. Governo arrisca 1700 milhões em indemnizações

O pedido de indemnização de 300 milhões de euros pelo fim do TGV não será o último processo de grupos privados contra o Estado. À medida que as obras param, os contratos são suspensos ou anulados, os bancos exigem reembolsos e a renegociação das rendas excessivas e das PPP (parcerias público privado) marca passo, o Estado é confrontado com pedidos de indemnização e de compensações por custos assumidos e reequilíbrios financeiro.

Finanças confirmam que CGD não corta salários este ano

… é para os escolhidos.

CIP congratula-se com utilização da “almofada” no défice para pagamento de dívidas do Estado

Repito o que já escrevi: é um bocadinho coiso andar a falar em estímulo da economia com base no dinheiro por conta dos futuros aposentados…

Uma crítica recorrente aos professores do Ensino Básico e Secundário é que eles beneficiam de uma enorme estabilidade laboral e que têm um emprego para a vida e não se querem ralar com mais nada.

Às vezes até pode ser assim e sei que houve gerações douradas que alcançaram – agora se percebe que de forma transitória – uma estabilidade rápida, passando por agruras menores do que outros grupos de colegas.

Mas o que não é dito com clareza por muita gente é que a larga maioria não alcançou essa pseudo-estabilidade de mão beijada. Muitos foram e são os que andam e andaram de casa às costas, percorrendo dezenas e centenas de quilómetros, mudando de local de trabalho a cada ano que passa(va).

Eu nunca me afastei muito do domicilio, mas conheci uma dezena de escolas até assentar em termos relativos em duas delas. Mas isso foi feito à custa de salário e meio a três salários por ano, juntando os meses que não recebia (Setembro e parte de Outubro ou mesmo, em certos casos, até Novembro, mais os avos dos subsídios que me eram descontados). Foi sempre uma opção que deixei clara perante toda a gente. Antes perder 2 meses de ordenado do que fazer turismo à força. Perdi dinheiro e tempo de serviço, mas nunca foi esse o valor essencial.

Mas muita gente, por questões e temperamento ou necessidade, optou por arriscar para acumular tempo de serviço e fez da instabilidade e precariedade o seu modo de vida.

Quantos professores, por exemplo, do ensino superior e politécnico passaram por isso? Porque é desses que me custa mais ouvir as críticas, estranhamente mais distantes dos professorzecos em certas posturas do que outras profissões? Andaram em mini-concursos para docentes universitários? Entrando numa instituição, quantas vezes mudaram? Em quantas leccionaram que não fosse por acumulação e convite?

Custa ler e ouvir certos dislates, disparates mesmo, de quem está há 20-30 ou mais anos de rabo repimpado no mesmo sítio a lançar anátemas sobre os outros.

Isto não é uma generalização, porque há de tudo em todo o lado. Do excelente ao fraquinho-fraquinho. Da humildade com qualidade à presunção medíocre.

Os professores do Básico e Secundário só tiveram uma enorme vantagem até recentemente: não precisavam de inventar cursos e disciplinas e dar notas interessantes para manter o seu público e garantir o seu crédito horário. Mas até isso entrou em extinção, bastando ver a riqueza conceptual de certos cursos profissionais  e efa’s que quase conseguem fazer inveja a certas cadeiras bolonhesas.

Estamos a alinhar por baixo. Estamos a imitar certas práticas poli-superiores. Não todas, porque há excelentes instituições do ensino superior, com brilhantes profissionais. Mas esses, por definição, são inteligentes e sabem quando e como falar.

… não posso aceitar a lógica implícita no tira o que o outro deu a mais, se não for para aplicar a todos.

Escreve hoje o JMF no Público:

Desculpem-me os funcionários públicos, mas quem não achou estranho, ou até aplaudiu, um aumento de 2,9 por cento em plena crise e num ano de eleições, algum dia teria de também pagar a factura. Ela chegou agora, com juros.

Eu não estranhei, nem aplaudi, porque sabia que aquilo era uma tentativa de compra, como outras foram feitas por aqueles tempos. José Sócrates ganhou, mas perdeu a maioria. A compra, com dinheiro do Estado, não funcionou.

Mas… pela parte que me toca já tinha levado um congelamento de mais de dois anos em cima.

E os 2,9% não repunham, nem de perto, o que já perdera.

Mas agora levam-me, de forma directa, cerca de 17% do meu rendimento anual durante dois anos, o que (em cálculos grosseiros) equivale exactamente ao mesmo valor do aumento anual de então.

Mais a redução salarial que já vem de trás. Dos mesmos que deram os 2.9%, mas depois tiraram e3m média 5% e ninguém parece lembrar-se!

Mas o ponto nem é esse.

O ponto é que, se entramos nessa de agora-têm-de-devolver-o-que-receberam-e-não-deviam, não são só os funcionários públicos a terem de devolver dinheiros que escasseiam nos cofres do Estado…

O que dizer dos milhões do BPN que ninguém devolverá, muito menos a BICada que vai ficar com os despojos?

O que dizer das ruinosas negociações em tornos das PPP (não só das estradas, mas também na área da Saúde), de que ninguém agora é responsável e não há accountability que lhes chegue e, em matéria de políticos, já temos o presidente do STJ a dizer que não pode ser?

O que dizer da banca, que quer ser recapitalizada por negócios em que entrou sem nenhuma arma apontada à cabeça? Não acharam estranhos (e quiçá aplaudiram) certos negócios em que se meteram? Alguém os obrigou a comprar dívida grega ou italiana, sendo agora os clientes a terem de pagar comissões e spreads obesos para compensar as péssimas análises de risco que fizeram?

Se NÃO HÁ DINHEIRO como escreve JMF no final do seu artigo de opinião, como é que só não há dinheiro para a arraia-miúda, mas há para outros?

E não falo dos trabalhadores do sector privado, mas dos patrões e afins desse mesmo sector, que continuam a beneficiar das prebendas do Estado e têm uma capacidade de enfrentar os transitórios ocupantes do poder executivo, porque sabem que os têm (e virão a ter) nas suas mãos.

… há o resultado da entrega dos país a criançolas políticas, a engenhocas, coelhones, a relvas, macedos e a alguns bem intencionados que não encheriam o Inferno, mas seriam capazes de o merecer.

Porque são os seus erros, pelos quais nunca são devidamente responsabilizados embora ergam a accountability como arma contra os outros, que levaram ao desperdício de milhares de milhões de apoios comunitários, ou melhor, à sua canalização de um modo que só aumentou as desigualdades e enriqueceu uma minoria de instalados à mesa do Orçamento (e não falo dos funcionários públicos que ganham 1000 ou 2000 euros por mês, que isso são casquinhas de amendoim para alguns).

Escolas têm cada vez mais alunos mal alimentados a quem ajudar

Chegam sem a refeição da manhã, rondam sistematicamente o bar, mas nada compram. As escolas identificam assim cada vez mais alunos com carências alimentares, aos quais procuram dar resposta, apesar de os seus orçamentos também estarem em crise.

Governo abre a porta a semana de 48 horas

Ministro Álvaro Santos Pereira rejeita qualquer compromisso nesta fase das negociações, mas está “disponível” para negociar tudo com os parceiros. Corte no número de dias de férias também deverá ser analisado.

Corte de subsídios não foi inscrito como medida temporária

O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais alerta que a suspensão dos subsídios da administração pública não foi inscrita no Orçamento como medida “one-off”.

“Se é uma medida temporária, devia ser contabilizada como medida ‘one-off’ [temporária] no relatório do Orçamento do Estado, mas a única medida ‘one-off’ é a integração de fundo de pensões [da banca na Segurança Social]”, afirmou hoje o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de António Guterres.

No II Fórum da Fiscalidade, que se realizou no Porto, António Carlos dos Santos defendeu que “há um discurso interno para o pessoal e sobretudo para o Tribunal Constitucional e um discurso externo que transparece dos quadros enviados para Bruxelas de que [a suspensão dos subsídios de férias e de Natal da administração pública e dos pensionistas] é uma medida para ficar, de corte puro e duro”.

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