Os Pobres São Burros?


A crise no BES e os pobres

(…)

Afinal quem mente, os pobres do RSI ou o governador do Banco de Portugal? Que mentiras provocam mais estragos ao país, as mentiras dos pobres ou as mentiras dos poderosos respeitáveis da alta finança? Afinal não existia no BES nenhuma almofada financeira para tapar os buracos do crédito malparado; afinal a crise no grupo sempre afectou o funcionamento do banco; foi necessário afastar da gestão do banco Ricardo Salgado; os testes de stress ao banco, afinal não provaram solidez financeira nenhuma.

A maioria dos desempregados em Portugal não tem acesso a qualquer apoio económico no período de desemprego. As escolas públicas continuam a funcionar com menos professores e técnicos para dar apoio a crianças com necessidades educativas especiais, os centros educativos não têm vagas para acolher mais jovens condenados, um grupo de organizações não governamentais, entre as quais a Amnistia Internacional e a Caritas Portuguesa, considera que não existe estratégia nem políticas sociais consistentes para combater a pobreza em Portugal.

O Avillez Figueiredo não deve ter dúvidas… as mentiras dos pobres que comem bifes-jonês são muito mais daninhas…

… porque ganham imenso.

Só nestes casos é que não somos suecos.

Hourly labour costs ranged from €3.7 to €40.1 across the EU28 Member States in 2013

CustoHoraE depois gosto imenso do argumento demográfico da quebra da natalidade, quando Portugal até mantém uma taxa acima da maioria dos países da UE:

Fertility

Gráfico retirado daqui.

Que é quem poupa mais com este recurso ou est’outro sobredotado acha que as pessoas devem pagar para mexer no seu dinheiro, com o qual os bancos podem fazer quase tudo o que entendem, incluindo investimentos erráticos, estupidamente especulativos e quantas vezes desastrosos?

Vitor Bento propõe imposto sobre levantamentos no Multibanco para aumentar receitas do Estado e combater figa ao fisco

A parte da “figa” não me parece ser gralha… é mesmo uma figa que lhe fazem:

PubOn4MAr14

Salários em Portugal ainda deveriam baixar entre 2% e 5%, defende Bruxelas

Cerca de 80% dos pensionistas recebem reforma média de 364 euros

Mais de quatro meses depois de apresentar o OE, o Governo publicou o “Orçamento Cidadão”. Onde é gasto o dinheiro dos contribuintes? Como se distribuem as pensões? Síntese das Finanças dá algumas pistas.

Novos cortes nas pensões entram em vigor em Abril

Governo espera que a nova Contribuição Extraordinária de Solidariedade comece a aplicar-se a partir de Abril.

 

JCN

César das Neves: Aumentar salário mínimo «é estragar vida aos pobres»

… é aquilo que o biotecnólogo JoãoMiranda (assim sem espaço entre os nomes para dar originalidade) acaba por sugerir de forma bastante clara como resumo para a campanha que o Blasfémias tem desde ontem feito, com sinergia de recursos humanos e muiitops gráficos a comprovar e demonstrar, em defesa do financiamento directo do ensino privado.

Claro que a teoria só funciona se os pobrezinhos ficarem encerrados nas suas escolinhas más (que assim não devem fechar) e as privadas os mantiverem longe.

Isto não é um debate Esquerda/Direita como querem dar a entender, embora à superfície possa parecer.

É entre duas concepções de sociedade e uma delas provoca-me um certo nojo, pois abandona os mais desfavorecidos à sua sorte e compensa os que já estão bem. Uma delas é aquela concepção muito características de alguns líderes religiosos fundamentalistas americanos que consideram a pobreza como um sinal de desagrado divino e sintoma de pecado. Como se o insucesso fosse ferrete demoníaco.

É a concepção da maioria dos defensores “liberdade de escolha” que temos entre nós. Nem por acaso alguns deles bem devotos. por fora.

Há muitos anos, o falecido professor Cordeiro Pereira, nas nossas aulas de 3º ano de História de Portugal dizia que havia marxistas de 1ª, 2ª e 3ª categoria e que o problema é que os marxistas portugueses eram quase todos de 3ª categoria.

Digo o mesmo dos nossos “liberais” de aviários. Só nos saíram praticamente liberais de 3ª categoria.

… é bom que pensem mais umas quantas vezes em truques melhores.

João Almeida quer suspensão total das subvenções a políticos

É bom lembrar que este foi o gajo que o PSD deixou pendurado a defender o novo corte nas pensões de sobrevivência.

A proposta agora feita faz lembrar uma habilideza imaginada por assessores saídos directamente da blogosfera insurgente, dos 31s ou parecida

Portugal só cria empregos com salários abaixo de 310E

Atacaram os mais qualificados e houve quem se sentisse a salvo.

Agora vão em busca dos pequeninos e a imprensa divulga-lhes o spin, como antes.

Maioria dos funcionários públicos ganha mais do que no privado

Cargos de menor responsabilidade são mais bem pagos no Estado. Mas quem tem cargos de topo sai a ganhar se trabalhar no privado.

Isto é tudo tão previsível, tão mecanicista, tão frete, que já provoca indignação, apenas desdém.

Diz o genial Borges, ecoa o cordato Pedro e rejubilam os activistas insurgentes:

Portugal tem o salário mínimo mais baixo da Zona Euro

SalMin

Fonte: Pordata

 

Reparem como chutam a bola para as escolas e nada mais fazem do que isso. Mas há um “coordenação nacional”, ora pois…

Exmo.(a) Sr.(a) Diretor(a) / Presidente da CAP,

O processo de generalização do Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA) atingiu um número significativo de alunos que apresentam carências desse apoio.

Encontram-se hoje abrangidas a quase totalidade de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas que acederam à plataforma electrónica do PERA.

Sugere-se aos agrupamentos e escolas não agrupadas que ainda não receberam produtos alimentares para os alunos, que, até estarem criados todos os meios que permitam distribuir os pequenos-almoços em todas as escolas que carecem deste apoio, que o mesmo seja fornecido aos alunos identificados, com base no art.º 24º do DL 55/2009, o qual refere que as escolas podem fornecer um suplemento alimentar aos alunos com menores recursos económicos, mediante utilização das verbas decorrentes de proveitos de gestão dos serviços de bufete escolar e das papelarias escolares.

Todos os agrupamentos e escolas não agrupadas que necessitem de recorrer, transitoriamente, a este mecanismo, serão contactados para posterior ajustamento ao Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA).

29 de novembro de 2012

A Coordenação Nacional do PERA

… o que é apenas um certo enjoo relativamente aos ulricos.

Correio da Manhã

Isto parece uma aplicação das teorias dos republicanos americanos mais radicais (do tipo Tea-Party e Fox News) e defensores dos job creators (traduzindo… gajos que metem muito ao bolso com o trabalho dos outros…):

  • Menos impostos para as empresas.
  • Mais impostos para os trabalhadores privados.
  • Mais impostos para os trabalhadores do sector público, que engolirão a reposição de um subsídio.
  • Continuação da perda dos dois subsídios para os pensionistas.

Aguardemos Cavaco. Só por curiosidade, que não com grande esperança.

Quanto ao inseguro a margem de manobra para se abster é nula.

Adoro pessoas a falar do regresso aos exames da 4ª classe, quando elas nem sequer têm idade para ter feito a 4ª classe. Eu já vou nos 47 e não fiz exame da 4ª classe! Deve ser por isso que não fiquei traumatizadozinho com o “fascismo”.

Se os exames não resolvem os problemas da “Educação Nacional” e da “Escola Pública”, a verdade é que a sua ausência contribuiu, e muito, para uma certa bandalheira e falta de rigor que se instalou no sistema educativo nas últimas décadas.

E depois queixam-se quando o privado tem melhores resultados. Não é só o dinheiro, meus amigos, porque os pobrezinhos não são necessariamente estúpidos e burros.

Esse é o pior preconceito, enraizado até à medula numa certa esquerdinha parada no tempo. Para eles, os pobres precisam sempre de ajuda para chegar onde chegar os ricos.E um determinismo social materialista profundamente preconceituoso, que amesquinha quem afirma querer defender.

Uma coisa é destacar que os alunos provenientes de meios económicos e sociais desfavorecidos precisam, às vezes, de algum apoio adicional para enfrentarem a escola em condições de alguma equidade, outra é tratá-los como inevitáveis idiotas.

Nesse aspecto, esquerdinha e direitinha partilham preconceitos oitocentistas: a arraia-miúda e as classes perigosas são estados de patologia social que é preciso curar. Só divergem na medicação.

Que raios, o meu pai era pobre e comunista, mas orgulhava-se dos resultados que tinha nos exames. Os betinhos chics da esquerda actual até me arrepiam quando abrem a boca sobre isto. Ainda não tenho a certeza se eles percebem que, na prática, ofendem quem vem do meio social que eles repetidamente apresentam como sendo formado por um bando de inevitáveis imbecis.

Será que esta esquerda, velha, velhíssima nas ideias, não entende que o dinheiro não compra tudo e que a inteligência não é apanágio dos filhos de alguém com muitos apelidos e consoantes dobradas no nome? Isso é o que certa direita sempre nos quis fazer crer. Pelos vistos, conseguiu.