Opiniões


Yanis Varoufakis: No Time for Games in Europe

Seja a favor ou contra. Convém é não ler apenas aquilo com que se concorda e dizer amén ou ler o que se discorda e dizer vade retro, sem pensar mais nisso.

In Defense of Annual School Testing

E já agora acrescento, repetindo o que deixei num comentário mais abaixo… eu não sou populista igualitário e assumo sem problemas que a avaliação dos alunos e dos professores não pode ser feita pela mesma labita, porque essa coisa de meter tudo no mesmo saco como se fosse igual só serve para quem gosta de tudo ao molho e fé nos deuses de ocasião.

O examinador foi ao exame

Sacudir a água do capote

 

É tão fácil e ingénuo, e ao mesmo tempo malicioso e destruidor, pôr em grandes parangonas na primeira página de um jornal que “Professores chumbam em exame por erros básicos de português”, ou ouvir o Ministro Crato dizer “Não faz sentido que um professor dê 20 erros ortográficos numa frase”. Estas 2 frases, que não têm mais que sensacionalismo, enfermam dos mesmos problemas: (1) quem realizou a prova não foram Professores, foram candidatos a Professor. (2) Esta pequena nuance ilustra bem o mal que se pode fazer a uma classe inteira, aquela que tem nas mãos a formação da sociedade Portuguesa do futuro. É mais uma machadada no prestígio dos Professores, que se vai reflectir até na sala de aula (onde o Ministro Crato não se atreveria a entrar, e muito menos leccionar), quando o aluno for corrigido por escrever com erros ortográficos, e este se desculpar afirmando que os Professores (todos, como maliciosamente está subjacente à parangona) também escrevem mal. (3) Não se diz na parangona, que é o que vai ficar na memória das pessoas, qual a representatividade daquele problema no universo dos (de facto) Professores Portugueses.

Chama-se a isto manobra de diversão, a qual tem como objectivo desviar a atenção dos verdadeiros culpados para um bode expiatório. Em vez do sensacionalismo, aquele resultado devia levar-nos à reflexão que devia obrigatoriamente ser feita: porque é que os agora candidatos a Professor escrevem da forma que escrevem, tal e qual como a grande maioria das pessoas hoje em dia? Há 2 respostas possíveis para esta questão: (1) os jovens passaram todos a ser “burros” (opção arrogante muito própria de Governante que quer sacudir a água do capote), ou (2) as pessoas hoje têm o mesmo grau de inteligência que tinham os seus antecessores há 50 anos, mas o sistema de Ensino piorou dramaticamente. A resposta óbvia é que estes candidatos a Professor não são “burros”, são apenas o fruto do Ensino que em Portugal prevalece desde há, pelo menos, 30 anos. As parangonas atiram a culpa para cima dos Professores, quando os verdadeiros culpados são os MEs que sucessivamente têm destruído o Ensino em Portugal.

Afirmações gratuitas e destruidoras como esta do chumbo na PACC surgem regularmente nas parangonas dos jornais. São bons exemplos “a geração rasca” e “os jovens deixaram de ler”. A dita “geração rasca” não existe (só existe na mente de uma pessoa arrogante e mal formada), mas existe uma geração “à rasca” para enfrentar o mundo deixado pela geração anterior como herança envenenada. A geração do Ministro Crato, por exemplo. Já dizia Einstein que “a única forma de ensinar é pelo exemplo”, o que nos leva a uma questão fulcral mas sempre convenientemente ignorada: quantos filhos entram em casa e vêem os pais a ler um livro, em vez de estarem colados a um televisor ou a brincar com as ditas novas tecnologias? A resposta a esta questão explica em grande parte porque é que “os jovens deixaram de ler”.

Numa situação tão comum (mas tão instrutiva!) como a de deixar cair e partir um copo, percebe-se logo a diferença entre uma pessoa educada e responsável e … o oposto: a primeira de imediato assume a responsabilidade e garante a reposição da perda. A irresponsável (infelizmente tão mais comum e reflexo da Educação desde o berço) diz com o maior desplante: “olha, o copo partiu-se!”, atirando desta forma e sem pejo a culpa para um objecto inanimado, o copo. É tão fácil atirar com as culpas para cima de terceiros … mas não é honesto … nem que seja para cima de um copo de vidro!

O que todos nós Pais e Professores gostávamos de ver do Ministro Crato era: (1) soluções inteligentes para os graves problemas no Ensino. (2) Mais respeito por uma classe que tem nas suas mãos o futuro de Portugal – as nossas crianças. Infelizmente, vai ser mais um ME que não fez mais do que dar mais uma machadada no Ensino e no prestígio dos Professores. O País “está à rasca” com Governantes destes.

            Texto escrito propositadamente não seguindo o Acordo Ortográfico.

Fernando Ornelas Marques

Professor na FCUL

CV em: https://sites.google.com/site/fomarques/

Português dos redactores da PACC não cumpre os requisitos mínimos

A estupidez à solta

A minha experiência com a prova

Identidade e pertenças

“Eu sou Charlie, judia, muçulmana, cristã, hindu…”, ouvimos, por estes dias, reclamando, simbolicamente, pertenças comuns. Percebemos bem o que está em causa, mas convém ter presente a complexidade do que significa partilhar valores e construir identidades.

Pode acontecer que, amanhã, tudo continue como até aqui, quem não cumprimentava o vizinho da frente ou fechava a porta à diferença, continue a fazer mesmo; e os que acreditavam na abertura e no diálogo entre as diferentes comunidades e culturas continuem a construir passagens e a promover encontros.

Somos quem? O que nos identifica como seres humanos? O que partilhamos com outras pessoas? O que preservamos em redutos privados, inacessíveis para os outros, mas decisivos para nós?

Somos seres humanos, livres e iguais. Temos uma identidade legal que nos confere direitos e deveres de cidadania, na sociedade a que pertencemos, mas que não esgota o que somos. Temos outras pertenças, de natureza cultural, religiosa, ideológica, profissional, desportiva…, com influência distinta naquilo que cada um é e escolhe ser, onde aspetos de sentimento e de emoção ganham relevo.

Pertenças que configuram uma identidade pessoal múltipla, umas vezes, em equilíbrio e harmonia, outras vezes, em desequilíbrio e desarmonia, podendo levar a relativismos ou a radicalismos vários, com desintegrações, desfiliações, novas filiações…Ou seja, parece existir, naquilo que somos, uma instabilidade permanente, entre o individuo e o cidadão, entre o espaço público e o privado, entre as diferentes escolhas de realização pessoal e as leis dos Estados.

Assim, o ponto não é saber como anular as tensões individuais e coletivas, elas são da ordem do facto; o ponto é saber como tornar possível a convivência, entre os indivíduos e os diferentes grupos de pertença, em sociedades organizadas, livres e democráticas, onde há valores que não podemos alienar. A questão continua a ser de abertura e diálogo, mas requer compromissos políticos sérios, a diferentes níveis e instâncias, para que todos se sintam parte e participantes.

Maria Rosa Afonso

Avaliação dos professores

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