Obediências


… para assegurar a realização da PACC.

O MEC manda os directores das escolas seleccionadas assegurar a realização. Os directores convocam os professores e…

… é esperar para ver como muita prosápia se desmorona.

… do comentador pestanudo. A menos que exista net com ligação à tugalândia lá pelas bandas.

Em comunicado, o Ministério da Educação e da Investigação da Alemanha refere que a conferência, que decorre na segunda e terça-feira, em Berlim, foi convocada pela ministra germânica da Educação, Annette Schavan, e vai juntar os responsáveis pelas pastas da Educação e do Trabalho de Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Letónia e Eslováquia.

Pessoalmente, acho que poderiam copiar sem grandes problemas e escusavam de gastar dinheiro com as passagens. Nem percebo bem porque foram convocados, como se fossem meros assessores da ministra Anne. Pensando bem… se calhar já percebo.

Aposto em como nos dias 7, 8 e 9 de Setembro não haverá qualquer greve do Metro, da Carris ou da Transtejo.

Ministério não quer provas e exames com questões demasiado simples

 

O facto de haver perguntas é que é complicado, o GAVE não tem acertado em todas.

Hum!, parece que é hora de medir as metas…

O nível de endividamento gerado pela empresa pública Parque Escolar já ascende a 1,98 mil milhões de euros, entre dívida directa e apoio do Estado, e nos primeiros meses do próximo ano pode mesmo ultrapassar a barreira dos 2,25 mil milhões, segundo os números inscritos no Relatório e Contas de 2009 a que o Diário Económico teve acesso.

Há uns dias Helena Matos escrevia, erradamente, no Público que os alunos eram carne para canhão nas lutas entre sindicatos e ME.

A verdade é que a carne para canhão é a dos docentes, como se fossem marionetas manipuladas por dois bonecreiros em disputa. É contra isso que nos devemos insurgir e não ter receio do epíteto de corporativos (acenada antes pelo ME e agora por alguns comissários sindicais destacados aqui para o blogue).

Pensava-se que ao aceitar ser ministra iria romper com a conflitualidade entre professores, sindicatos e ministério. Conseguirá que os professores pendam para o ministério e não para os sindicatos?

Até tenho uma ambição maior: queria que houvesse uma harmonia de forma a que tivéssemos um entendimento, embora com divergências. Mas não podemos viver com divergências e sem conflitualidade permanente porque é péssimo na relação humana. É preciso que as pessoas dialoguem, que possam mostrar que há pontos de vista que são divergentes e que, quando se chega à decisão, que prevaleça a decisão mais benéfica para o país, para os que estão no sistema educativo e para os alunos.

A ver se nos entendemos: o conflito no mandato anterior foi entre a classe docente e a tutela, sendo que os sindicatos são os representantes institucionais à mesa das negociações.

Pelos vistos, neste mandato teremos de seguir o mesmo caminho, se necessário à cotovelada. De novo. O que já cansa.

Fabulosa pirueta de Alexandre Ventura, a quem parece faltar qualquer coisa, algures na sua anatomia, para se demarcar da resposta que o órgão a que preside deu à Minsitra da Educação:

Parecer do Conselho Científico não chega a dizer se apoia  o prolongamento do ‘simplex’, já anunciado pela ministra, mas o presidente desta estrutura defende que o processo deve prosseguir sem pausas.

O presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), Alexandre Ventura, disse ontem ao DN ser “claro” que esta estrutura se opõe a uma eventual suspensão do modelo de avaliação dos professores, ou dos seus efeitos nas carreiras.

“Não defendemos, de maneira nenhuma, que se termine de forma abrupta o que está a ser feito em termos de avaliação”, assegurou Alexandre Ventura, acrescentando que o CCAP também não é favorável à criação de um novo modelo de base, porque isso significaria perder “o que de bom foi feito” .

O professor universitário veio assim esclarecer posições do conselho sobre o processo de avaliação, depois de ontem ter sido divulgado um documento que não permitia perceber se eram favoráveis à manutenção do actual modelo.

ng1169435

Acontece em muitas casas de família. É um problema nacional. Dificuldade na compreensão de textos escritos, em particular aqueles que estão em idiomas da estranja, mesmo que seja em inglês, a língua que o nosso primeiro decretou universal desde a mais tenra idade.

Só que as gerações mais antigas não beneficiaram de tal medida e depois é o que se vê. Frequentaram cursos acelerados de Inglês Técnico e a coisa fica difícil.

Vejamos o caso do editorialista de hoje do Diário de Notícias, ao tentar analisar as conclusões do relatório da OCDE. Quanto às opiniões dele(a) nem vale pena falar muito. Concentremo-nos na parte factual:

Em suma, a OCDE concorda com uma estratégia incremental de maior exigência e complexidade do modelo em vigor, passo a passo, à medida que se criarem as condições técnicas e a qualificação humana para o fazer.

Para já gosto do incremental, que é uma palavra gira. Mas o que me preocupa mesmo é a parte que avivei para maior destaque.

Vejamos o que diz efectivamente o relatório da OCDE na  versão original em Inglês, e não na súmula disponibilizada no site do ME, que por qualquer razão não coloca a ligação para o relatório completo.

Comecemos pela página 45:

Lighten the current model for use as predominantly career-progression teacher evaluation, mostly internal to the school but with an external element, based on common national-level criteria across schools, and with consequences for career advancement.

Pronto, pronto, o editorialista do DN não é obrigado a saber o que significa lighten. Pode pensar que é qualquer relacionada com luz e pode ter pensado que o modelo era iluminado. Acontece. O inglês é assim, uma linguagem malandra. Nunca se percebe bem o que estão a dizer, daí as subtilezas do humor britânico. Lighten the current model poderia querer dizer iluminem o actual modelo, na perspectiva de o tornar mais claro, quiçá mais incremental, exigente e complexo.

Mas infelizmente não é porque mais adiante, na página 48, se escreve acerca da aplicação do modelo que a equipa que fez o estudo:

(…) recommends pursuing its implementation with three main adjustments. First, it would seem sensible, given the time needed to develop expertise on teacher evaluation and the current burden placed on school actors, to proceed with some simplifications to the current model. These, in particular, could involve reducing the frequency of career-progression evaluation and simplifying evaluation criteria and instruments.

Aqui é que é o caraças. Então não é que aparece o proceed with some simplifications to the current model e o symplifying evaluation criteria and instruments.

Ó cum camandro, como é que um tipo consegue traduzir simplifications e simplifying por maior complexidade?

Só mesmo com muita falta de atenção ou na base daquela perspectiva pacheco-pereiriana de que os políticos (e por extensão os jornalistas) se expressam tão mal na sua língua materna (?) que aquilo que dizem não é bem o que querem dizer, mas outra coisa conforme as circunstâncias.

Portanto, a modos que é assim: o relatório da OCDE recomenda explicitamente a simplificação do modelo de avaliação e dos seus critérios e instrumentos mas o editorialista diz que recomenda uma maior complexidade.

Alguém mais desconfiado do que eu poderia acusar o escriba de má-fé, distorção objectiva dos factos, de escrever por encomenda ou para satisfazer desígnios mais altos do que os seus.

Eu apenas acho que é alguém que, ao não beneficiar da introdução do inglês desde o primeiro ciclo, ficou marcado para a vida por um défice na compreensão da língua do P. G. Woodehouse, John Cleese, Rowan Atkinson ou mesmo do Benny Hill.

E no fundo, tudo isto é uma enorme comédia. O editorialista de hoje do DN é apenas mais um figurante inocente.

liar

… ou talvez não.

Como é que Comissões Administrativas Provisórias nomeadas pelo ME, que tanto afirma que «a lei é para cumprir», e que vieram substituir órgãos de gestão com essa base teórica, agora aceitam a entrega de OI fora do prazo anteriormente definido a nível de escola/agrupamento?

Ou como é que alguns órgãos de gestão em rota de (re)colagem ao diktat situacionista já aceitam a entrega de OI uns segundos antes da entrega da ficha de auto-avaliação?

Já vale tudo, mesmo tirar olhos?

O homem da Educação Integrada, mas ainda vazia, surgiu em defesa dos 93% do orçamento, desculpem, da sua dama, desculpem, do seu Ministério:

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) pediu ontem “bom-senso” aos sindicatos no 2.º período de aulas, que hoje arranca. Mas a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) duvida que a paz regresse às escolas nos próximos três meses e aponta o dedo ao Ministério da Educação, que acusa de “deitar mais achas para a fogueira”, em vez de procurar soluções.

Em declarações ao DN, Albino Almeida disse “não esperar facilidades” nas questões que têm afectado o sector, até “por estarmos num ano com três eleições, em que as lutas políticas dificilmente passarão ao lado das questões da Educação”.

No entanto, defendeu que o Ministério da Educação tem “procurado responder” aos problemas do sector: “O decreto-lei que agora foi promulgado pelo senhor Presidente da República [simplificando a avaliação deste ano] veio responder à generalidade das questões que foram colocadas nas escolas”, considerou, defendendo ainda que a equipa ministerial “mostrou abertura” ao aceitar discutir, em negociações que serão calendarizadas hoje num encontro com a Plataforma Sindical, aspectos como a avaliação futura e a divisão da carreira em categorias.

“No primeiro período, o impacto [do conflito] nas aprendizagens não foi muito significativo, mas se continuarmos a ter greves e protestos, numa fase decisiva, o próprio ano lectivo pode ser afectado”, avisou.

Ainda gostava de saber como é que ele mediu o impacto nas aprendizagens. Deve ter sido com um impactómetro.

Só pode.

Ou isso ou há uma tranche por chegar…

Defino pastar como o resultado de se contratarem pessoas que foram educadas para serem obedientes e de se lhes darem trabalhos idiotas e incutir a dose de medo necessária para as manter na linha.
(…)
Mecanizámos o que podíamos mecanizar. O que sobra é para reduzir o custo do trabalho manual que tem de ser feito por humanos. por isso elaboramos manuais de instruções e vamos até ao fundo em busca da mão-de-obra mais barata possível. E não é de estranhar que quando contratamos mão-de-obra, procuremos pessoas que foram treinadas para não sair do rebanho. (Seth Godin, Tribos, pp. 90-91)

O que tem aborrecido algumas pessoas é que os professores decidiram não pastar como se esperava e optaram por sair do rebanho obediente em que os queriam transformar.

Atendendo a isso, porque nada fica ao acaso, já estão em formação novas fornadas de candidatos a professores que se espera sejam bem mais obedientes e baratos.

Pode ser encontrado aqui, com todas as iniciativas legislativas e demais informações úteis facultadas pelos serviços ministeriais. Se bem percebi, só 2 links não remetem para organismos centrais e regionais do ME ou outros organismos governamentais. Em boa verdade só uma ligação remete para informações próprias do movimento que publica o boletim. E outra é para a OCDE.

Pois…

Lendo apenas o título podemos ser enganados:

Escolas poderão atribuir máximo de 10% de “Excelente” e 25% de “Muito Bom” na avaliação desempenho

O resto é ligeiramente mais complicado. Atenção, em especial, ás partes destacadas:

As escolas vão poder atribuir um máximo de 10 por cento de classifições de “Excelente” e 25 por cento de “Muito Bom” no âmbito da avaliação de desempenho dos professores, mas só se tiverem nota máxima na avaliação externa.

De acordo com uma proposta de despacho conjunto do Ministério das Finanças e da Educação a que a Lusa teve hoje acesso, apenas os agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas que obtiveram “Muito Bom” nos cinco domínios que compõem a avaliação externa poderão atribuir aquelas percentagens.

Com quatro classificações de “Muito Bom” e uma de “Bom” os estabelecimentos de ensino poderão atribuir um máximo de nove por cento de “Excelente” e de 24 por cento de “Muito Bom”. Com três classificações de “Muito Bom” e duas de “Bom” ou quatro de “Muito Bom” e uma de “Suficiente” só poderão dar oito por cento de “Excelente” e 23 por cento de “Muito Bom”.

Na pior das hipóteses, com uma classificação de “Muito Bom” e quatro de “Bom” ou duas classificações de “Muito Bom”, duas de “Bom” e uma de “Suficiente”, as escolas poderão dar seis por cento de “Excelente” e 21 por cento de “Muito Bom” aos docentes avaliados.

Segundo a proposta, a classificação de “suficiente” na avaliação externa nunca se poderá referir aos domínios dos “Resultados” e da “Prestação do serviço educativo”.

As escolas cujos resultados na avaliação externa sejam diferentes dos previstos no despacho, bem como as que não foram objecto de avaliação, poderão aplicar um máximo de 5 por cento de “Excelente” e 20 por cento de “Muito Bom”, as percentagens mais baixas que estão previstas.

Estas percentagens aplicam-se nos establecimentos de ensino cujo relatório final de avaliação externa seja tornado público até à validação das propostas de avaliação de desempenho pela Comissão Coordenadora da Avaliação

As percentagens previstas neste despacho aplicam-se aos professores titulares que exercem funções de avaliação, com excepção dos coordenadores de departamento ou dos coordenadores dos conselhos de docentes, aos restantes professores titulares, aos professores e ao pessoal docente contratado.

Aos coordenadores de departamento curricular ou dos conselhos de docentes poderá ser atribuído um “Excelente” e um “Muito Bom”, se no agrupamento ou escola não agrupada o número de coordenadores for igual a quatro.

Quando este número foi igual a cinco podem ser atribuidos dois “Muito Bom” e um “Excelente”. Se o número de coordenadores for igual ou superior a seis podem ser atribuidas duas classificações de “Excelente” e duas de “Muito Bom”.

Este despacho será negociado ainda esta semana entre o Governo e os sindicatos de professores.

O Estatuto da Carreira já previa que “por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da educação e da Administração Pública são fixadas as percentagens máximas para a atribuição das classificações de Muito Bom e Excelente, por escola não agrupada ou agrupamento de escolas, as quais terão por referência os resultados obtidos na avaliação externa da escola”.

E um agradecimento especial à Maria Ema pela rapidez no envio da notícia.

Desempenho das escolas vai beneficiar professores

Quotas de Excelente e Muito Bom irão variar entre estabelecimentos
O resultado da avaliação externa das escolas, que o Ministério da Educação está a conduzir, vai ter consequências na carreira dos professores que ali leccionam. Isto porque, segundo anunciou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, os estabelecimentos que registem melhores desempenhos serão discriminados positivamente na percentagem de classificações de “Excelente” e “Muito Bom” que poderão dar aos seus docentes, sendo que estas notas permitem progredir mais rapidamente na carreira.
A revelação de Jorge Pedreira surgiu no final da primeira reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, que inclui o Ministério e representantes de doze estruturas sindicais. O secretário de Estado explicou que as quotas para atribuição das melhores notas serão “muito aproximadas” das que se aplicam na generalidade da administração pública. Ou seja: os valores deverão situar-se nos 5% para as classificações máximas e 20% para as imediatamente inferiores. O governante admitiu, no entanto, que “haverá também, neste caso, majorações para as escolas que tenham melhor avaliação externa”.

Se é verdade que eu consigo achar uma pequena lógica neste tipo de raciocínio, que será a de compensar de forma mais ampla quem consegue obter melhores resultados, não é menos verdade que existe um conjunto de perversidades associado a este tipo de solução.

Isolemos rapidamente apenas alguns dos efeitos indesejáveis deste modelo:

  • O poder da IGE para condicionar o funcionamento das Escolas aumenta desmesuradamente pois, em última instância, é da sua avaliação que dependerão ao quotas para a classificação dos docentes. Claro que este tipo de mecanismo, não previsto na legislação em vigor, é perfeitamente contestável juridicamente, mas já sabemos que isso nunca impediu que o ME despachasse como bem entende e depois logo se vê se alguém se queixa e se os Tribunais lhes dão razão. Fazer depender as quotas de classificação dos docentes – já sendo esse um mecanismo injusto – da avaliação da IGE é compensar ou castigar os docentes de acordo com algo que lhes escapa por completo. Um docente pode ser excelente no seu trabalho individual, ou mesmo um grupo de docentes, mas globalmente a escola funcionar mal.
  • Para além disso este tipo de lógica não se afasta muito de uma situação de pressão mal encoberta sobre as escolas para que funcionem á imagem daquilo que a IGE e o ME pretendam, cortando margens de autonomia e liberdade e conduzindo todos para o mesmo rebanho de conformismo á força para com as ordens dos pastores. Ou seja, as Escolas poderão passar – em especial com o modelo de Direcção Executiva – a funcionar apenas para o «retrato» que a IGE lhes vai tirar. Este tipo de lógica teve resultados funestos, por exemplo, na Inglaterra.
  • Por fim, constata-se que, cada vez mais, os docentes serão classificados com base em critérios que não dependem em nada da qualidade do seu desempenho profissional. As classificações dependem dos resultados dos alunos, da avaliação externa das escolas, de observações de aulas baseadas apenas em questões formais, estando praticamente ou mesmo totalmente ausente qualquer preocupação com a qualidade científica dos conhecimentos transmitidos. O que significa que cada vez mais a tendência será para um simulacro de rigor, para a ficção da qualidade, para uma pura e simples representação administrativa e estatística do sucesso.

… que revejo o meu velho amigo naquilo que mais o faz mover na vida, colocar-se em biquinhos de pés ou acomodar-se aos cadeirões do poder. Entretanto parece que, ao que consta por aí, foi aconselhado a não me processar. Faz bem, que os dinheiros das organizações não devem servir os interesses particulares dos seus representantes. Quanto à pretensão que está expressa no ponto 2 deste documento até quase que a acho razoável.

E, sinceramente, espero que o ME aprove tudo o que decorra deste Plano de Actividades, para que os subsídios não faltem e a Confap possa continuar a não temer a «controvérsia, dialéctica e debate» e, pelos vistos, igualmente a redundância.

Mas vou ser justo: há muito boa e mesmo excelente gente no MAP e na própria Confap. Só é pena que, na ausência de um regime de quotas, que promova a progressão com base em critérios meritocráticos, qualquer um possa chegar a general e lá ficar estacionado com o apoio de uma diminuta parte dos Pais e Encarregados de Educação deste país.

O presidente do Conselho de Escolas faz uma espécie de auto-crítica pública com o apoio do Gabinete de Comunicação do Ministério da Educação.

Curioso, tudo isto.

 deles.jpg

Público, 5 de Março de 2008, p. 7.

ME e Conselho das Escolas analisam concretização de medidas de política

A equipa governativa da Educação reuniu-se hoje com os membros do Conselho das Escolas para analisar condições de concretização de medidas de política, como o Estatuto do Aluno e a avaliação dos docentes.

A ministra, Maria de Lurdes Rodrigues, e os secretários de Estado, Jorge Pedreira e Valter Lemos, apreciaram com os presidentes dos conselhos executivos que integram este órgão consultivo do Ministério da Educação também outros temas, como as propostas de transferências de competências para as autarquias locais e as mudanças na gestão das escolas.

Neste último ponto, os governantes ouviram os conselheiros sobre a proposta que irá a Conselho de Ministros na próxima 5.ª feira.

Da reunião saiu o acolhimento da maior parte das sugestões apresentadas, designadamente a possibilidade de o Conselho Geral ser presidido por um professor, o aumento do prazo de duração dos mandatos de três para quatro anos, requisitos mais flexíveis na designação dos adjuntos do director e mais autonomia na forma de constituição e designação das estruturas intermédias, para além dos departamentos curriculares.

Entre as sugestões acolhidas encontra-se ainda a da alteração na composição do conselho pedagógico, criando uma comissão especializada com pais e alunos, mas com as competências técnicas reservadas aos docentes, a mudança da regra do regime de exclusividade dos directores, no sentido de lhes permitir a participação em organizações não governamentais e actividades de voluntariado, e a possibilidade de o mandato dos órgãos de gestão actuais ser prorrogado para facilitar a transição para o novo regime.

Sobre a avaliação, ficou patente durante o encontro a determinação das escolas e dos professores em a concretizar.

Neste sentido, as condições para a concretização da avaliação serão melhoradas, com as escolas a poderem evoluir ao seu próprio ritmo, mas com respeito pelo prazo final.

Da leitura desta nota fico a perceber que o ME cedeu fundamentalmente aos interesses dos detentores dos órgãos de gestão que pensam ficar para Directores Executivos.

Repare-se que, enquanto se faz alarido em torno da presidência do Conselho Geral como grande conquista desta negociação, existem muitas outras alterações, aparentemente menores, mas que vão todas no mesmo sentido: reforço dos poderes do Director Executivo, que passa a poder perpetuar-se 12 anos no poder (fora os que já lá terá estado), a ter maior liberdade na escolha dos adjuntos e «estruturas intermédias» (vai ser o completo regabofe em muitos sítios e adivinho que vai «cair» a regra de certos cargos serem obrigatoriamente ocupados por titulares) e aquela deliciosa concessão que é a excepção à regra da exclusividade para quem quiser participar em organizações não-governamentais e actividades de voluntariado. Desculpem-me, mas isto é tão específico, que parece um fato feito à medida.

Afinal, digo agora eu, os candidatos a futuros Directores Executivos sempre terão percebido que o seu poder não era assim tão discricionário e extraíram umas cedências para si mesmos. Pena que não tivessem conseguido nada de relevante para os outros 95% dos docentes.

Quanto à avaliação nota-se que o Conselho de Escolas sempre é a favor (afinal aquele parecer não era assim tão firme quanto à metodologia), mas logo se trata do assunto melhor e volta a recorrer-se ao discurso da simplificação, como se não tivesse sido o Ministério a querer impor um sistema pesadíssimo e complexo.

ego.jpg

Há quem, entre os docentes, concorde sinceramente com as medidas do Governo. Não serão muitos – umas centenas, um par de milhares – mas existem, por certo, e eu conheço alguns(mas).

Há os adesivos, que eram contra, mas ficaram a favor com o passar de um fim de semana. Parecem antigos esquerdistas depois de um doutoramento nos States ou anarquistas após uma passagem mais modesta pelo ISCTE, que subitamente se tornam liberais, de preferência de inspiração popperiana e, se necessário, a citar Hayek.

Há quem, por questões de necessidade, acabe por desistir de se opor à vaga e siga o rebanho a caminho do matadouro, com receio de levar um tiro antes de chegar ao destino.

E há ainda aquele(a)s que já estão na fase desde-que-eu-me-safe-que-se-lixe-tudo-à-volta- porque-eu-já fiz-muito-e-agora-não-me-quero-aborrecer.

Como sempre, é em alturas de grande pressão que vamos conhecendo a fibra de quem nos rodeia.

Felizmente a grande maioria ainda não aderiu a estas três modalidades.

Agora resta saber que corda certa deve ser tocada para os afastar das óbvias tentações.

Página seguinte »