O Trabalho É Uma Chatice?


João Grancho terá copiado com assinalável rigor passagens de outros autores num colóquio em Múrcia (ao qual, caraças, estive quase para ir por sugestão do professor Rogério Fernandes, que na altura tinha sido meu orientador de tese).

A defesa que agora faz do acto é um bocadinho patética, porque afirmar que num documento de trabalho não se citam as fontes ou se incluem referências é tão ou mais grave do que o plágio. E um “seminário académico” é um seminário académico, não uma conversa de boteco em que se cita a crónica d’A Bola ou uma mexeriquice da CarasNovaGenteVipLux como sendo sua.

Num dos casos, o autor copiado decidiu “não se alongar”. Não me admira, pois foi autor que a ANP contratou (e terá pago) para fazer uma obra sobre a deontologia na docência (declaração de interesses: tenho o livro em causa, enviado pelo actual SE, que desconheço em pessoa). O outro reage de forma menos simpática.

Eu colocaria as coisas assim, que escrevinho que me farto e procuro atribuir sempre o seu ao seu dono ou dona, embora nem sempre seja recompensado do mesmo modo, encontrando nacos de prosa, ideias e outras coisas em prosas públicas alheias com um alegre despudor: o plágio ou cópia sem referenciação é a manifestação maior de um complexo de inferioridade e incapacidade, típico de quem não consegue escrever por si ou revelar onde colheu a transpiração, mesmo quando a pose é pavoneante. Pelo que acaba por ser uma homenagem ao que foi feito por terceiros.

Em tempos assisti a uma comunicação de uma docente universitária de nomeada mediana e trajectória em parte horizontal na fase de arranque, que plagiava descaradamente a conclusão da minha tese de mestrado (era daquelas coisas que dificilmente se poderia atribuir à coincidência, pois tenho a certeza de não sermos almas gémeas e até frequentámos o mesmo mestrado, embora em anos diferentes). Ao que percebi era daquelas comunicações automáticas, apresentadas sempre da mesma forma, seja o colóquio sobre o feminismo no início do século XX ou acerca das guelras dos carapaus manteiga fritos com arrozinho de tomate.

A pessoa em causa não estava mesmo à espera que eu ali estivesse, pelo que, no final, quando eu lhe dirigi o mais cínico dos sorrisos, baixou a cabeça e seguiu para bingo.

Acabei por usar, salvo casos excepcionais de falta de vergonha no corpinho todo, esta estratégia de “deixa-andar que hádes ir na mesma com os pés para a frente”, até porque, se insistisse em apontar o dedo, quinzena sim, quinzena não, lá teria de me meter em trabalhos e ser profusamente adjectivado como tendo uma noção de posse animalesca em relação ao que escrevo.

Mas lá que é feio andar-se a pilhar a escrita alheia, acreditando-se que se escapa, seja por desconhecimento, seja por intimidação, é feio.

 

 

das fórmulas é não serem elegantes.

 

 

… porque assim nada se espera del@s, nada se dá de complicado a fazer e o que se dá, quando é mal feito, tem sempre desculpa.

O chato mesmo é alguém passar por saber fazer alguma coisa e não arranjar justificações da treta para fazer asneira atrás de asneira.

E não é que por vezes aquel@s lá de cima ainda levam com cargos honoríficos que é para elevarem a pobre da auto-estima e fazerem ainda menos do que antes?

Mas, afinal, quais são as gorduras do estado que não se devem cortar?

João Bilhim, presidente da CReSAP não se compromete a ter os 800 concursos concluídos no final de 2013.

A menos que se aplique aos políticos também. Checklist de promessas… à terceira por cumprir ou desrespeitada, sai fora…

Governo propõe despedimento por não cumprimento de objectivos ou quebra de produtividade

E quem define os objectivos? Em vez de Projecto Docente um projecto Laboral? Com grelhas e cruzinhas? Individual ou em equipa?