O Fripor


De Elia Kazan. Não existe outro.

Claro que se poderiam fazer imensas piadas com esta do relator

Freeport: colega de Sócrates é relator de processo

Júlio Castro Caldas responsável por proposta de arquivamento ou de pena a aplicar aos procuradores do processo Freeport, Vítor Magalhães e Paes de Faria.

Júlio Castro Caldas foi ministro da Defesa entre 1999 e 2001, sentando-se no Conselho de Ministros ao lado de José Sócrates, ministro do Ambiente.

Os factos investigados no processo Freeport, de resto, remontam a essa época.

Júlio Castro Caldas, advogado de profissão, foi nomeado em 2005 pelo Governo de José Sócrates para o Conselho Superior do Ministério Público, cargo que ainda ocupa, agora com mandato da Assembleia da República.

Mas num país em que gente que se quer séria acha que a constitucionalidade das leis do Governo é uma questão de pormenor, quase uma irrelevância, quem se preocupa assim tanto com uns atropelozinhos nas investigações, sejam eles quais forem? Não acabou tudo arquivado como estava na matriz genética do processo?

Inspectores da PJ cometeram ilegalidades, diz Ministério Público

Os inspectores da PJ cometeram ilegalidades na investigação do processo Freeport e os procuradores violaram o dever de zelo, considera o inspector do Ministério Público. A actuação de Cândida Almeida terá de ser avaliada por um magistrado mais antigo.

Este assunto está já a provocar-me uma anómala e morosa descontinuidade cognitiva…

PGR quer explicação para dificuldades no caso Freeport

Num despacho datado do dia 2 de Agosto, Pinto Monteiro nomeou um Procurador-Geral Adjunto para averiguar «todas as anomalias, eventualmente ocorridas na tramitação do inquérito, desde a sua instauração até ao seu encerramento».

E depois do encerramento?

E aproveita para explicar o que é aquilo do Mistério Ministério Público.

Jornal Nacional

O lapso foi quando comparou no mesmo nível sindicatos a sério com os dos “professores”.

No Público de hoje. Helena Matos é quase sempre excelente quando não escreve a partir da limitada experiência que parece ter tido como professora, algures no tempo:

Os freeportus usam o Estado em seu proveito até ao limite e conhecem trilhos e atalhos onde caem os demais, particularmente os que não fazem parte da tribo dos freeportus, que por eles não são protegidos, ou, pior ainda, quando deixam de o reconhecer como seu aliado. Para os apreciadores da caça é um exercício fascinante ver como os freeportus se coordenam para atacar uma pessoa, um poder ou uma estrutura que a dado momento passam a identificar como um obstáculo. Raramente falham o alvo.

Não há memória de um freeportus ter sido alguma vez punido, até porque após uma situação de risco imediatamente os freeportus detectam o que os levou quase a serem apanhados e logo corrigem a legislação e mudam quem tem de ser mudado.

Os freeportus nunca deixam verdadeiramente o Estado, pois, mesmo quando partem para regiões inóspitas, como o sector privado, tal só acontece porque levam consigo o seu conhecimento do ecossistema estatal que os torna valiosos aos olhos de quem os convida.

Convém esclarecer que não basta usar o Estado como coisa sua para se ser freeportus. E é aqui que entra a outra parte do aparelho reprodutivo que gera os freeportus: os aparelhos partidários. Factos ocorridos nos últimos anos permitem dizer com relativa segurança que um partido conseguiu realizar este cruzamento com o Estado com grande sucesso. Todos tentaram o cruzamento com o aparelho estatal, mas só um foi capaz de produzir um homem verdadeiramente distinto dos de mais. E que se orgulha disso. Pois tal como no caso dos pretéritos cruzamentos entre os neanderthalensis e os sapiens que até ao aparecimento do Menino do Lapedo eram uma coisa envergonhada, logo desmentida e negada, também até ao aparecimento do Homo freeportus se negava que existisse cruzamento ente o Estado e os partidos. É claro que aqui e ali havia uns seres cujo estilo de vida tudo indicava que tivessem nascido de tal união, mas ou as criaturas conseguiam negar tal possibilidade ou acabavam um tempo votadas a um distanciamento higiénico pelos da sua tribo.

Com o Homo freeportus tudo isso é passado. O Homo freeportus é o que é e tem orgulho disso. A grande irmandade dos freeportus tem como princípio base que não interessa o que faz um freeportus. Interessa que é freeportus e o homem freeportus é melhor que os outros só por ser freeportus. O Homo freeportus vive em comunidades, tem forte sentido gregário e protege sempre e até ao limite o chefe da tribo. Tudo o que o chefe diz está bem.

Alguns estudiosos dizem que os freeportus ao sentirem-se verdadeiramente ameaçados optam por destruir tudo à sua volta, procurando, no meio do caos, garantir rotas de fuga ao chefe. Outros garantem que existem casos de tribos de freeportus que se sacrificaram para salvar o seu chefe.

Freeport: sindicato fala na «maior crise de sempre» do MP

Prazos impostos pela hierarquia para o fim do processo não permitiram que Sócrates fosse interrogado

Freeport: Procuradores quiseram ouvir Sócrates mas não tiveram tempo

Afinal, José Sócrates não pode afirmar “finalmente”, como fez anteontem, numa declaração à imprensa a propósito de uma nota difundida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal sobre o despacho final do inquérito ao licenciamento do centro comercial Freeport, em Alcochete. O seu papel no processo está longe de estar esclarecido, entendem os procuradores do Ministério Público (MP) que dirigiram o inquérito, e foram apenas os prazos impostos pela Procuradoria-Geral da República para o fim do processo que impediram que ele fosse interrogado.

Investigação perdeu o rasto a muitos milhões de euros no caso Freeport

Se dúvidas havia, dúvidas há. O despacho final do Ministério Público no inquérito ao licenciamento do Freeport manda arquivar os autos no que toca a eventuais crimes de corrupção e tráfico de influência, mas deixa claro que não foi encontrado o destino de avultadas verbas que passaram pelas mãos de alguns arguidos.

Três comentários apenas sobre isto tudo:

  • Como é possível que, ao fim deste tempo todo, qualquer cidadão médio fique com a sensação de que nada foi verdadeiramente esclarecido?
  • Como é possível que, ao fim deste tempo todo, qualquer cidadão médio fique com a sensação de que houve mais do que tempo para ouvir a população portuguesa sobre este assunto, menos…
  • Entre nós, mesmo na melhor das hipóteses, o rasto dos milhões, mesmo quando brilha no escuro, raramente é achado.

Ministério Público deu por concluído o processo Freeport

Pinocchio procura-se

A identidade de um homem referido nos documentos por ‘Pinocchio’ ou apenas por ‘P.’ é uma das chaves para deslindar a trama de corrupção em torno do Freeport.

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Ou a ascensão de um anjo…

para a rábula do coitadinho. Sobre o assunto leiam-se hoje na revista Sábado as crónicas de Pacheco Pereira, Nuno Rogeiro e Alberto Gonçalves, em especial a deste último que termina assim:

Sei que o homem teve o azar de nascer num País em que um indivíduo acorda chefe de Governo para seu próprio espanto, o que o impede de evitar ou retocar um passado no mínimo trapalhão. E sei que teve a sorte de nascer em Portugal, onde as tão discutidas trapalhadas não significam nada em última instãncia e geralmente nem chegam à primeira.

Lapidar!