O Espírito Dos Tempos


… ouvir à porta fechada o tipo que sabe quem mandou fazer e como foi feita a tramóia.

Ricciardi a triturar Salgado na Comissão Parlamentar é um espectáculo de tal calibre que até o deputado Miguel Tiago parece ficar sem saber o que dizer, pois o inquirido dá toda a impressão de querer ir à jugular do primo com mais fome do que qualquer empedernido comunista pela manhã.

TheBoldAndTheBeautiful

… de todos aqueles que são obrigados a (ver) interrogar quem encaravam como futuro patrão ou patrocinador ou…

How To Rip Off A Country, Espirito Santo Style

O tio Aníbal já se esqueceu de todas aquelas coisas bacocas sobre boa e má moeda… agora já só usa notas do Monopólio.

13 de Julho:

Passos avisa que contribuintes não podem pagar pelos erros dos bancos

2 de Agosto:

EXP2Ago14

Expresso, de de Agosto de 2014,

Pois é, meu caro André, bem dizia eu que a insurgência já teve melhores dias… é cada tiro, cada melro…

Não existe qualquer capacidade (não vou ser mau ao ponto de dizer que é vontade) de se ser objectivo quando – apesar de uma boa carreira – se almeja algo mais (e pimba, esta foi para devolver a outra picadela) e isso é, no fundo, quase a razão de ser de certos bloggers (que não o andré, mas por vezes quase parece…).

E digo isto porque, se deixei de ter qualquer respeito pelas vocalizações do PM, ainda há no seu “círculo” quem eu preze pela inteligência que sempre aparentou ter…

 

ofuscaram-se as ladainhas que cessaram

agora como memória incerta sob leds das chinas

que eram demasiados lugares e outras sinas

que com outros verbos se finaram

A única explicação para tantos filhos de (boa) família andarem há este tempo todo a cortejar as migalhas que o Miguel Ouvistos Relvas pode deixar-lhes cair do Orçamento para o regaço ávido.

Quanto ao vicentinos fi-de-puta andam sempre à babuge, não há que admirar.

Antero26

… está como nunca esteve.

Banca é quem mais vai beneficiar com corte da TSU

Os bancos serão os mais beneficiados pela descida da taxa social única (TSU). Segundo o estudo do Governo e do Banco de Portugal, os serviços financeiros e seguros serão os sectores cujos custos directos e indirectos com remunerações mais vão descer.

Isto é tipo duplo R na Comissão de Ética.

Fiscal das contas públicas certificou irregularidades no BPP

O presidente do grupo de trabalho para criar a comissão encarregue de fiscalizar as contas públicas, António Pinto Barbosa, certificou durante cerca de dez anos as contas do Banco Privado Português, que foi intervencionado no final de 2008 pelo Banco de Portugal, para evitar a sua insolvência imediata.

Esperemos pelas decisões finais, mas este é o worst-case scenario colocado a circular (com ajuda da OCDE, de uns artigos na imprensa e de uns opinadores próximos do PSD), para depois não ser mesmo e parecer alívio e que o Governo até foi de uma bondade que nossassenhora.

Governo avança com subida de impostos e corte de salários

As orientações para reduzir o défice público que o Governo hoje discute em Conselho de Ministros consagram aumento de impostos e corte de salários da função pública, apurou o Negócios. Há medidas que vão ser tomadas já, para terem efeitos no Orçamento deste ano o que exige aprovação da Assembleia da República.

Caixa de texto da peça de hoje de Isabel Leiria e Joana Pereira Bastos na p. 26 do Expresso:

O que diz a lei

Os alunos que concluíram o secundário através devias de formação que não preveem a atribuição de notas (como os Cursos de Educação e formação de Adultos do programa Novas Oportunidades) e que pretendem aceder à universidade concorrem apenas com as classificações que obtêm nos exames exigidos como prova(s) de ingresso no curso que querem. Dispensam todos os restantes exames nacionais. A nota que obtiveram na(s) prova(s9 de ingresso vale como nota de conclusão do secundário. Por exemplo, como Tomás teve 20 no exame de Inglês, foi-lhe atribuída “administrativamente” essa classificação como média do secundário. Outro regime excecional de ingresso é o que abrange quem tem mais de 23 anos: os candidatos que não precisam de ter concluído o secundário e dispensam realização de qualquer exame nacional. A diferença é que, neste caso, o concurso tem vagas próprias (fora do concurso nacional) e cada instituição fixa os critérios de entrada.

Vamos lá por partes:

  • Isto, ao contrário do que alguns afirmam, não é uma consequência de uma política ou ideologia de esquerda ou direita. É apenas uma consequência de uma política sem vergonha, da qual está ausente qualquer ideologia no sentido nobre do termo, seja qual for a sua filiação. Isto é, aliás, a negação de qualquer ideologia que se preze.
  • Estes regimes, ditos de excepção, por isso mesmo excepcionais no duplo sentido do termo, são uma forma de demonstrar aos alunos que se esforçam que não passam de uns tansos, pois o que se transmite é uma poderosa mensagem desmotivadora. Deixem-se de andar  a cansar pelo ensino regular, metam-se numa via rápida e o sucesso está garantido. Então se tiverem dois dedos de testa, ainda melhor. Aliás, o melhor mesmo é ir dizendo a quem tenha acumulado umas retenções no 1º ou 2º ciclo, que se deixe andar, se meta nas NO ou espere pelos 23 anos porque, se tentar seguir o curso normal das coisas, se calhar só chegaria à universidade com esses 23 anos e muito mais trabalho. O aluno em causa fala em discriminação positiva. Mas discriminação positiva com base em que critério? Uma coisa é defender minorias desfavorecidas, grupos portadores de handicaps de saúde, etc. Outra é isto…
  • Ao mesmo tempo, esta forma de driblar qualquer noção básica de mérito e esforço é uma mensagem profundamente simbólica de um espírito de facilitismo, de truque, de atalho, que atravessa a nossa sociedade de cima abaixo. O que se procura é o efeito rápido para consumo estatístico e elevação cosmética das qualificações. Só que um sistema educativo não pode ser concebido com alçapões destes para o sucesso, como se de uma carreira política se tratasse. Parece que demasiado tarde muita gente começa a acordar no mundo comunicacional para a mistificação imensa que são as NO. Já aqui o disse, no lançamento do livro da anterior ministra, ouvi figuras do mundo jornalístico cuja inteligência prezava, tecerem loas imensas ao modelo NO. Ora o modelo NO é o modelo da licenciatura por fax ao fim de semana, com trabalhos em papel timbrado. Só que agora de forma legal, para evitar chatices. Tenham apenas cuidado com a data do diploma.

Que quase todos validem isto, até a própria Presidência da República que se deixa passear em inaugurações, é apenas um sinal de que os tempos não estão para grande coisa.

  • Ver o investigador biotecnólogo, tão histamínico sempre que cheirou a manifestações das classes baixas, a apelar à manif, só faltando pedir para cercarem o Parlamento.

Se eu viver mais uns tempos, ainda acabo a ver uma bicicleta a andar de porco.

Vi na televisão todos os tiques da pessoa pública construída ao milímetro e ao segundo para consumo geral. Há quem me diga que o homem é mesmo assim. Duvido. Mas se é realmente tão plastificado. Uma coisa é controlar a exposição pública para efeitos comunicacionais, outra tornar-se uma espécie de holograma corrigido de si mesmo, liberto de impurezas e arestas.

Serei anacrónico, desgosta-me ver aquele rosto a querer mostrar a emoção que não sente, a lágrima insinuada do actor consumado. O agradecimento ao jovem/cidadão/eleitor que nem está na direcção do gesto, mas que é feito atendendo à posição das câmaras.

Aceito que é profissionalismo. Aceito que é eficaz. Aceito que seduz. Até seduz aqueles que seduziram, muitos incautos há uns meses.

José Sócrates terminou o seu discurso a agradecer aos músicos que tinham participado na festa da juventude, com especial destaque para Zé Pedro dos Xutos e Pontapés. Esta banda tem uma música (Sem Eira nem Beira) que foi apadrinhada por sindicalistas e insatisfeitos com as políticas do Governo como um hino contra o primeiro-ministro. Sócrates, porém, optou por citar a letra de outra música dos Xutos, Aqui há Luar. “Aqui ao luar, ao pé de ti, ao pé do mar”, citou o líder socialista.

Compreendem agora a minha falta de entusiasmo com o pseudo-hino e com eventuais concertos musicais a apelar a solidariedades?

Uma notícia do semanário “Sol” desta semana levantou o véu que o Governo procurava manter por mais algum tempo depois de Manuel Lobo Antunes – secretário de Estado dos Assuntos Europeus -, há outro membro do Governo que vai sair do elenco até ao mês Setembro. Provavelmente mais cedo que isso. Trata-se de João Figueiredo (na foto), o homem que está hoje precisamente a negociar com os sindicatos um dos últimos diplomas da reforma da Administração Pública, referente às carreiras e vínculos.

Tal como acontece com Lobo Antunes, que vai aproveitar a próxima movimentação diplomática para assumir a representação portuguesa junto da Comissão Europeia, também João Figueiredo tem agora uma “oportunidade de carreira” que os seus mais próximos nas Finanças dizem “imperdível”. Trata-se de um lugar a que concorreu em Janeiro de 2007, para juiz-conselheiro do Tribunal de Contas, que agora se abre após o anúncio da passagem à reforma – em Março – de três dos juízes do TC.

Para Figueiredo “é uma oportunidade única”, tendo em conta que ele próprio é funcionário público há mais de 30 anos e que abdicar do lugar será perdê-lo definitivamente, explica ao JN fonte do Ministério, garantindo que enquanto “não chegar qualquer decisão formal” o assunto será afastado pelo Governo. (Jornal de Notícias)

E já agora a vela era latina, porque eles falavam latim. E quem sou eu para dizer que não lhes ensinei mesmo isso?

Agradeço o recorte ao PD.

Adolescentes enviam em média 236 sms por semana

(…)
Questionados sobre a posse de telemóveis, a grande maioria dos pré-adolescentes (93,3%) afirmaram ter um, enquanto no grupo de colegas mais velhos todos possuíam telemóvel. Curiosamente, em ambos os grupos, os aparelhos tinham, na sua maioria, câmara (78% nos pré-adolescentes e 87,4% nos adolescentes). Por outro lado, a maioria dos alunos de ambos os grupos já possuía telemóvel há muito tempo 69% dos pré-adolescentes tinham começado a usar antes do ano de 2006, enquanto os adolescentes já os usavam desde antes do ano 2002.
Curiosamente, 36,5% dos alunos do 6.º ano de escolaridade já tinham tido mais de três telemóveis. O mesmo acontecia a 77% dos adolescentes.
Quanto ao envio de sms, os investigadores apuraram que os pré-adolescentes enviavam uma média de 84,2 por semana. Já os colegas mais velhos, superavam as 235 sms por semana.

Isso não chega a 35 por dia, não é quase nada. Se tirarmos as horas de sono, dá para aí duas por hora. Eu acho pouco. Por observação directa que mandam 236 por dia. Mas é a tal história da média. Há uns quantos info-excluídos que não mandam nenhuma, mais os que ficam sem saldo logo na 2º feira.
Como há umas semanas um conhecido especialista e opinador sobre hábitos da adolescência, explicava que este método tinha vindo substituir a troca de mensagens em papel, vejam o lado bom da coisa: são florestas inteiras que se poupam graças a este método.

Agora a mim resta-me ainda um desconsolo adicional: ou esta malta tem uma mesada superior ao meu salário mensal ou é urgente que eu mude de tarifário, porque ao preço que pago os sms isto dá quase para pagar uma mensalidade do crédito à habitação.

Não é nada que não se saiba e não atinge apenas Presidentes de Câmara, mas igualmente vereadores e Presidentes de Assembleias Municipais. E em alguns casos gente muito activa no aparelho dos respectivos partidos que até já passou de forma quase sempre cinzenta e anónima por outras cadeirinhas do poder existente, sendo que esse poder é de todas as cores. E na maior parte dos casos aproveitaram todos os bónus previstos ou previsíveis em todos os regimes excepcionais da lei. Mas é sempre tudo legal, eu sei.

De acordo com estes dados, entre os aposentados cerca de 40% até estão abaixo dos 55 anos e eu sei, de conhecimento directo, dos que assim ficaram livres da carga do trabalho, antes mesmo dos 50 anos.

Por isso, poderá ser que com a municipalização dos serviços educativos – que entre nós será um triste simulacro de uma efectiva territorialização das políticas educativas – os professores possam aprender algumas estratégias de sobrevivência. Ou então, graças à maneira hábil como muitos souberam aproveitar-se de todas as reentrâncias das leis, ficaremos na chamada camisa de onze varas porque eles já a sabem toda e não gostam de partilhar a boa vida.

Porque isto não é demagogia, mas pura e simples observação dos factos: não há notícia de Presidente de Câmara com um par de mandatos que não tenha ficado acomodado para o resto da vida, seja num cargo qualquer numa espécie de empresa (inter)municipal, num organismo intermédio do Estado ou (os que ainda não se safaram, previsivelmente numa estrutura decorrente da disfarçada regionalização administrativa do país.

Demagogia é, isso sim, alguns destes senhores aparecerem a reclamar competências sobre um sector acerca do qual pouco conhecem ou já se esqueceram (sim há Presidentes que já foram professores) e que apenas querem ter sob a sua alçada para melhor estenderem os tentáculos dos polvos partidários locais e exigirem obediências variadas.

Há excepções, claro que há excepções e conheço até algumas, mas são isso mesmo, excepções.

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