O Dia Seguinte


Dickens Boz – assustei-me de novo com a sua clarividência sombria.

Hoje foi o Juvenal, colega e amigo irrepreensível.

A minha escola ficou mais pobre, os alunos pior servidos, nós menos acompanhados.

Mas festejámo-lo, apesar do esbulho feito aos direitos que só parecem adquiridos para outros, apesar de ter atingido o limite de idade legalmente estabelecido pelos senhores das vida alheias.

da Grécia.

 

[não permito comentários]

5 de Junho é dia D-1

… com a nossa pontualidade, o fim do mundo a nós só chega em 2012.

BCE quer proteger Portugal do FMI até final de 2012

Setembro Está Próximo, Temei Como Eu Temi.

… com um rumo claro, sem mudanças a cada seis meses, acima de calendários eleitoralistas. As mudanças radicais nem sempre são bem o que se pensa, nem o que se anuncia. Tomara que o debate não estivesse tão contaminado por clichés

Só mudanças radicais podem aproximar Portugal da Finlândia

Pequeno artigo para a edição de hoje do jornal I, com as vírgulas no sítio certo, que alguém andou a mexer nelas, logo na primeira frase.  😉 

As expectativas eram muitas, por vezes irrealistas, e a ansiedade também. O maior desejo da generalidade da classe docente, para lá da sua filiação partidária, era que os resultados eleitorais terminassem com as políticas desastrosas do anterior governo no sector da Educação e para com os professores.

A noite eleitoral começou de forma desanimadora com as primeiras projecções de resultados, mas com o passar das horas o cenário suavizou-se. A termos fé na dignidade da política e das promessas dos seus protagonistas – vamos fazer esse esforço e ter esperança por uma vez – qualquer solução maioritária de governo implicará fortes mudanças neste sector da governação.

Por vezes as vitórias não são óbvias ao primeiro olhar.

Seja qual for a solução governativa, encontra-se no Parlamento uma larga maioria de deputados de forças partidárias que se comprometeram com o fim do conflito aberto entre o anterior governo e a classe docente.

Mais do que um interesse corporativo, esse é um interesse nacional.

A bem de todos, é bom que se pacifique a Educação em Portugal e que as reformas sejam feitas de forma participada e mobilizadora.

Afinal, é essa a essência da democracia.

Esquerda do PS recusa acordos com o CDS/PP

Ferristas do PS admitem, no limite, um entendimento com o PSD, mas excluem em absoluto qualquer acordo de legislatura com o CDS. Mas a pressão sobre Sócrates não está limitada ao Largo do Rato. Ontem mesmo, os patrões exigiram ver a esquerda fora do Governo, sob pena de um adiamento dos investimentos. Exactamente o contrário do que pede a CGTP

A ala esquerda do PS já começou a pressionar publicamente José Sócrates para que este evite governar na base de entendimentos com o CDS. Os resultados das eleições de domingo ditaram que só há duas alianças maioritárias bipartidárias passíveis de serem formadas no Parlamento: ou do PS com o PSD ou do PS com o CDS. Todas as restantes passarão, necessariamente, por mais do que duas formações. Por exemplo: PS + BE + PCP.

Ontem, quase a terminar o Prós e Contras, um Santos Silva suave dizia que a dramatização empolada na campanha eleitoral deveria dar lugar a uma maior responsabilidade por parte de todos.

Por acaso acho que essa deveria ser a norma, não o recurso em tempo de vacas, digo, maiorias magras.

Ou seja, da verdadeira essência da democracia que a tantos assusta, não se percebe sempre bem porquê. Será que é porque, deste modo, se nota mais a falta de qualidade de muitos dos parlamentares eleitos para votarem como e quando as lideranças o mandam fazer?

Sócrates repete estratégia de governação à vista de António Guterres

Com um governo de minoria e sem coligações formais, o Parlamento terá o papel principal na próxima legislatura.

Por Ana Sá Lopes:

PS à janela. Quem quer casar com a carochinha?

A política florentina no seu esplendor: Sócrates até admite as coligações impossíveis. A oposição vigia-se.

As opções para a formação do novo governo

Quando logo à noite forem apurados os votos e estabelecido um resultado eleitoral, o país ficará a saber quem ganha e quem perde estas legislativas, mas também o quadro parlamentar que terá de ser lido e interpretado pelo Presidente da República para dar início ao processo de formação de Governo.

Esse processo reserva muito pouca margem para improvisos e para a autonomia de decisão por parte de Cavaco Silva, já que a sua acção está determinada no “livrinho” que contém as regras que estruturam o sistema democrático português, a Constituição. Aí, o artigo 187.º indica que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”.

Professores baixam as armas nos seus blogues

Convencidos de que depois das eleições os motivos de contestação podem desaparecer, os docentes prometem manter “a pressão”.
Quando, ironicamente, louvaram a ministra da Educação, Maria Lurdes Rodrigues, por ter conseguido unir uma classe tradicionalmente desunida, os autores dos blogues sobre Educação e os representantes dos movimentos de professores independentes dos sindicatos não estavam a brincar. É por isso mesmo que levam a sério o vazio que, acreditam, será gerado pela perda desse factor de união a partir de dia 27. E que se preparam, desde já, para o dia seguinte às eleições. Com um aviso: venha quem vier a governar o país poderá contar com uma vigilância “activa” de quem não tenciona “perder o cheiro a balneário”.

Paulo Guinote fez encher uma caixa de comentários com agradecimentos e despedidas emocionadas quando, anteontem, anunciou no seu blogue A Educação do meu umbigo que, a partir de Outubro, em vez de uma dúzia, passará a escrever dois ou três textos por dia. Ramiro Marques fez acender vários alertas quando no seu blogue Profavaliação decidiu lançar o debate sobre aquilo que, após as eleições, poderá acontecer aos blogues e aos movimentos de professores.

Ambos se basearam na convicção de que, se nada ficará como antes de 2007 – “era uma pasmaceira”, descreve Guinote – “também não será fácil voltar a assistir-se à erupção” que varreu a blogosfera, arrastando 120 mil professores para a rua, em finais de 2008. “O mérito desse movimento impressionante – que, aliás, mantém o meu blogue entre os 20 portugueses mais vistos – é todo de José Sócrates e da sua equipa ministerial”, ironiza Guinote.

Ramiro Marques concorda, mas sente que o momento de viragem já se deu, que “o fim de ciclo antecedeu a mudança de Governo”. “No dia em que foram conhecidos os resultados das eleições europeias, os professores consideraram ganha a guerra contra uma nova maioria absoluta”, acredita.

Guinote admite que sim e diz ser justificada esta “descompressão” dos professores: “Ainda que o próximo governo minoritário seja liderado por José Sócrates, a oposição, de acordo com as promessas feitas, bastará para fazer cair dois dos motivos de muita insatisfação: as quotas previstas neste modelo de avaliação e a divisão da carreira entre titulares e não titulares”.

Correm, então, o risco de verem pulverizados os respectivos blogues? De maneira nenhuma, reagem Paulo Guinote e Ramiro Marques, que não escondem, até, o alívio por poderem trocar a contestação pela reflexão e construção de propostas alternativas. Consideram, ainda, que terão sempre um papel de “pressão e de vigilância sobre o poder político. E, deste, também os movimentos independentes de professores não abrem mão.

“Em relação aos sindicatos, temos esta enorme vantagem de sermos verdadeiramente independentes, de termos uma estrutura bastante ágil e de mantermos o “cheiro a balneário” de quem vive o dia-a-dia das escolas. Se houver motivos para tensões, a nossa capacidade de mobilização mantém-se inalterável”, avalia Ricardo Silva, da APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino).

Tal como Octávio Gonçalves, coordenador do movimento Promova (Professores Movimento de Valorização), Ricardo Silva está disposto a, para além de manter a vigilância, colaborar na construção de soluções. E ambos recusam liminarmente a possibilidade levantada nalguns blogues de os movimentos se virem a juntar para formarem um sindicato independente. “Não somos profissionais de luta, mas de ensino”, justifica o dirigente da APEDE. “Entrámos nesta luta como professores e dela sairemos como professores”, reforça Octávio Gonçalves.

Já Ilídio Trindade, do Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), deixa no ar que o MUP “pode vir a assumir uma forma que lhe permita ser mais interventivo”. “Caso os motivos de insatisfação se mantenham, será necessário garantir mais eficácia e capacidade de negociação”, explica. Mas não confirma que o movimento se vá constituir num sindicato, nem dá a certeza de que se virá a verificar alguma alteração. Diz que a estratégia ainda está a ser definida e que será anunciada antes das eleições.

E uma vitória de José Sócrates? Será uma derrota dos professores? Todos dizem que não, mas Ricardo Silva é o mais enfático. “Não precisamos de ir mais longe: há um ano alguém imaginava que hoje não se pudesse conceber outro resultado que não o de uma maioria relativa? Alguém calculava que a Educação tivesse tal peso nos programas eleitorais de todos os partidos? Não e, nesse aspecto, a vitória já é nossa”.

Em todas as configurações possíveis, seja no plano nacional, seja em relação á Educação?

Porque há muitas configurações para a vitória e para a derrota, conforme os interesses em jogo.

E há que saber o que fazer no dia seguinte, naa semanas seguintes, nos meses seguintes.

Por si só, as eleições – seja qual for o resultado – não resolvem tudo. E há fanatismos que toldam o raciocínio sobre o dia seguinte. Há medos que se acenam de vários lados, visando provocar ruído e acirrar os ânimos contra esta ou aquela solução.

E há que pensar que muito será diferente, mas não mudará em horas ou dias e que é necessário perceber que o tempo da contestação precisa ser substituído pelo da construção de alternativas. Não chega ter criticado, é preciso mais.

E este é um assunto ao qual será necessário voltar.

Em matéria de Educação, o PSD perdeu demasiado tempo ao longo destes anos. Parece que as pessoas ligadas a esta área funcionam de forma desgarrada. Desde os primeiros meses de 2008 que ouço falar em que vai ser criado um grupo de trabalho para isto, um gfrupo de trabalho para aquilo, mas a verdade é que é preciso algo mais do que disparos para o ar.

Organizem-se, se querem alguma credibilidade nesta matéria. Não chega serem reactivos. Negociar com tempo é uma boa ideia, mas convinha terem algo para colocar em cima da mesa a seguir à suspensão deste modelo.

E a sinceridade é uma coisa boa, mas neste caso soa a muita ingenuidade…

PSD: novo sistema de avaliação de professores pode levar um ano a alcançar

Pedro Rodrigues, presidente da Juventude Social democrata, JSD frisou, em declarações à Rádio Renascença, que, tal como Manuela Ferreira Leite já afirmou, se o partido ganhar as eleições o actual sistema de avaliação dos professores é para suspender “o mais rápido possível”.

“Ainda não temos modelo alternativo a apresentar, porque o Partido Social-Democrata está a reflectir sobre ele e a discutir com os parceiros de educação”, disse Pedro Rodrigues.

Segundo a Renascença, o programa eleitoral do PSD sugere outros modelos internacionais como fonte de inspiração. Paulo Mota Pinto, coordenador do programa eleitoral, acrescenta que o partido vai fomentar o diálogo com as partes envolvidas para definir um modelo de transição, reconhecendo que não há uma estratégia definida e que tal pode levar um ano a alcançar.

Após a manifestação do passado sábado, após o conhecimento que em centenas de escolas e agrupamentos foram aprovadas ou estão em processo de aprovação diversos documentos assinados pela esmagadora maioria dos docentes contra este modelo de avaliação, aconselharia o bom-senso mínimo que em vez de uma insensata crença no valor da «determinação», a Ministra da Educação e o seu Primeiro reconsiderassem o caminho e dessem sinal de alguma abertura ao diálogo, não trilhando o caminho das declarações factualmente erróneas.

A verdade é que a avaliação não está a avançar em todas as escolas. A verdade é que não se trata de preencher apenas um impresso. A verdade é que existem alternativas a este modelo de avaliação que não a «simplificação» de um modelo mau. A verdade é que dificilmente podemos considerar 100-120.000 docentes como chantagistas de si próprios ou como medrosos de uma avaliação.

A ministra-se escuda-se no Memorando do Entendimento e no decreto regulamentar dele saído (11/2008) para afirmar que a lei deve ser cumprida, esquecendo-se que esse foi um dos primeiros momentos de incumprimento do decreto regulamentar 2/2008. Aliás, se alguém começou por não cumprir o regulamentado no seu modelo de avaliação do desempenho docente foi o próprio Ministério da Educação ao isentar de avaliação científico-pedagógica o corpo de avaliadores e coordenadores de departamento que são responsáveis pela avaliação de todos os outros, sendo que chegaram a esse cargo com base no critério que o mesmo ME afirmou ser insuficiente para demonstrar o mérito de progressão na carreira: a antiguidade.

Após a manifestação de unidade na diversidade revelada pelos docentes de forma repetida num espaço de tempo muito curto, aconselharia o bom senso que quem de direito, e de quem se espera a defesa do interesse público acima das partes em confronto, tivesse uma intervenção mais activa no desarmadilhamento de uma situação que, indirectamente, ajudou a criar ao ter, em tempos próximos, aparecido a caucionar iniciativas de propaganda governamental.

Após a manifestação do passado sábado seria bom que alguma comunicação social revisse os seus critérios editoriais que fizeram com que no sábado de manhã parecesse que o único problema nacional era a gestão danosa e fraudulenta do BPN, problema para o qual o Governo se apressou a arranjar 700 milhões de euros para resolver num breve pestanejar e em poucos dias, sem que o sacrossanto défice tugisse ou mugisse.

Em conversa com diversas pessoas exteriores à classe docente, mas com contactos regulares com as escolas, notei o espanto com que registam a profunda animosidade que marca a atitude dos professores para com esta equipa ministerial. É um epanto com razão de ser, mas com explicação simples: tudo isto poderia ter corrido de outra forma, não tivesse sido aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa qualificou ontem como a atitude «intolerante, arrogante e pesporrenta» de Maria de Lurdes Rodrigues. Que é evidente.

Aconselharia o bom-senso que quem não é parte da solução, pelo menos deixasse de ser parte do problema. Maria de Lurdes Rodrigues não consegue esconder a sua desafeição para com 99% dos professores, reagindo de forma não raras vezes incompatível com a natureza institucional do cargo que ocupa, nisso seguindo de perto a atitude do primeiro-ministro.

Aconselharia o bom-senso, igualmente, que do lado dos sindicatos houvesse a habilidade indispensável para fazer render esta força criada por duas vezes em tão pouco tempo, não recaindo em velhos jargões e apresentando com clareza a sua disponibilidade e boa-vontade para negociar sem condições ou pressões adicionais. Para ficar com o crédito do seu lado. Anunciar uma greve de um dia é apenas mais do mesmo, algo com uma imensa falta de imaginação. Para a próxima voltem às escolas e perguntem-nos o que querem os seus representados, para não terem de voltar a ser empurrados como foramd esta vez.

A razão está do lado dos professores e já quase todos o sabem, salvo José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, Emídio Rangel, este ou aquele director de órgão de comunicação social e um ou outro aparelhista do PS destacado para fazer o serviço de tropa fandanga. neste contexto, até Vital Moreira quase emudece, o que é coisa de monta. Pensando bem, até estes já perceberam quem tem razão, só que não têm a grandeza de alma ou a capacidade para admitirem que erraram.

Os dias seguintes ao 8 de Novembro, como os dias seguintes ao 8 de Março serão, por necessidade de quem precisa de salvar a face, de aparente acalmia e indiferença.

Mas não há que ter ilusões, esta equipa ministerial já não comanda o que se passa nas escolas por mero decreto, nem o conseguirá fazer pela via intimidatória. Reconhecer isso seria um acto de caridade pela Educação Nacional, que tão maltratada tem sido.

E o cumprimento da lei, por si só, não é um valor. Tudo depende da lei. Neste caso é uma má lei. Revogue-se, e não se fala mais nisso.

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