O Comuna Que Há Em Mim


mas a meio da ponte.

Quais medievos de riste em lança!

 

Fiquei a saber que os alunos de cursos de formação inicial de professores são dos mais pobrezinhos do Ensino Superior e que isso explica que escrevam com erros, tudo de acordo com um “investigador” de quem tenho discordado muito mas a quem dedicava alguma consideração intelectual.

Percebi, por fim, graças a ele, o objectivo das políticas governamentais de proletarização da classe docente.

Da pobreza vieste, para a pobreza caminharás!

(queriam salários líquidos de quase 2000 euros no fim de 40 anos de carreira, ó malandragem? ide lavar escadas como vossas mães ou estivar e varrer ruas como vossos pais e avôs!)

How To Rip Off A Country, Espirito Santo Style

O tio Aníbal já se esqueceu de todas aquelas coisas bacocas sobre boa e má moeda… agora já só usa notas do Monopólio.

13 de Julho:

Passos avisa que contribuintes não podem pagar pelos erros dos bancos

2 de Agosto:

EXP2Ago14

Expresso, de de Agosto de 2014,

Pois é, meu caro André, bem dizia eu que a insurgência já teve melhores dias… é cada tiro, cada melro…

Não existe qualquer capacidade (não vou ser mau ao ponto de dizer que é vontade) de se ser objectivo quando – apesar de uma boa carreira – se almeja algo mais (e pimba, esta foi para devolver a outra picadela) e isso é, no fundo, quase a razão de ser de certos bloggers (que não o andré, mas por vezes quase parece…).

E digo isto porque, se deixei de ter qualquer respeito pelas vocalizações do PM, ainda há no seu “círculo” quem eu preze pela inteligência que sempre aparentou ter…

 

O combate a Sócrates produziu muitos encavalitados de ocasião. Da Educação à Economia, passando pelos escribas nas várias áreas mais friccionantes.

A passagem do tempo, vai revelando quem andou por lá por convicção e quem andou a fazer fretes ou, se o não foi, apenas a mostrar-se bem informado quando o não estaria. e, sim, muitos fomos enganados pela “assertividade” demonstrada em sucessivas análises que, percebe-se agora com escasso esforço, estavam bastante truncadas no seu insight.

Tinham razão no que diziam, mas estavam longe de dizer tudo o que era já então verdade. Acreditando que, como aqueles jogadores compulsivos, os seus ídolos conseguiriam um golpe de asa final que os faria continuar a apresentar-se como modelos de sucesso e não como madofes da periferia? Só que eles já eram multados, lá fora e até cá dentro, por muitas das manigãncias que iam fazendo, mas que praticamente ninguém, incluindo JGF, pareciam interessados em fazer saber com clareza.

José Gomes Ferreira faz hoje um auto-elogio em nome do Jornalismo Económico (assim com maiúsculas) que é algo que ele confunde com opinião sobre a Economia e as Finanças, por causa do caso espírito Santo.

Os problemas com o grupo eram conhecidos, mas pelos vistos apenas no estrangeiro, desde 2011. as necessidades financeiras do grupo e do banco foram sendo ocultadas do “grande público”, só chegando à superfície pequenas ondas da grande agitação.

As culpas pela crise financeira foram sempre atribuídas aos gastos com o Estado Social, ao “peso do Estado”. A “pura ficção” de que JGF falava em 2011 era já extensível aos heróis privados de opinadores económicos como ele, Camilo Lourenço ou Medina Carreira. E a defesa que ele sempre fez do actual Governo, circunscrevendo os males à “despesa pública” e fazendo, acredito que por inépcia, um voo rasante sobre os problemas da dívida privada dos bancos, é muito pouco abonatória da profundidade dos seus conhecimentos sobre o que se passava efectivamente no país, como um todo.

Escreveu mesmo um livro – tal como outros – em que, parasitando o ambiente de crise, fez um retrato parcial da realidade, não abordando o descalabro financeiro da banca privada nacional, esse sector de sucesso a que ele deu sempre espaço, de forma reverencial, nos seus programas televisivos de entrevista a “notáveis”. Falar sobre o chumbo nos testes de stress feitos em meados de 2011? Só de passagem e sempre tudo envolvido em garantias que não era nada de grave.

JGFerreira deveria ter a humildade de admitir que, se não sabia do que se passava, então é porque falhou enquanto “jornalista”, pois estava mais preocupado em ser comentador de sucesso, bem relacionado com os “rich and famous”.

O que eu gostaria mesmo é o que pensará o seu actual colega no Expresso, Pedro Santos Guerreiro, sobre esta forma de auto-branqueamento daquele que ainda é um dos pseudo-gurus mediáticos (com o insuportável Lourenço ou o paradinho no tempo Medina) da análise da situação económica do país, na perspectiva-joné  “os ulricos&salgados é que são os maiores e os portugueses uma cáfila de preguiçosos à cata de prestações sociais logo que ficam, desempregados e viciados no feicebuque e nos bifes do lombo macio”.

 

Lembram-se daquela enorme guerra que nos anos 80 e 90 se centrou na necessidade de garantir aos funcionários públicos a “liberdade” de escolher a instituição bancária onde o Estado lhes deveria depositar o salário?

Como sabemos todos, era uma guerra destinada a assegurar o redireccionamento de boa parte desse dinheiro para as instituições privadas que se desenvolviam em Portugal e que não olhavam a meios e argumentos para demonstrar o “sucesso” da sua gestão.

Após estes anos, o que temos?

Na maior parte dos casos, instituições falidas, quantas vezes a partir de negociatas de dentro, a necessitar que seja a “Caixa” a meter-lhes dinheiro para se safarem, a mesma Caixa que ao longo dos tempo fizeram os possíveis por erodir, sacando-lhes clientes e metendo-lhe administrações altamente partidarizadas para assegurarem os financiamentos “certos” aos negócios “certos”. E, claro, nem é bom falar na imensa tramóia do BPN que muita gente enriqueceu, mas que nada tem a ver com o seu declínio…

Agora, depois de lhe privatizarem as áreas de funcionamento mais lucrativas, como os seguros, também insistem no argumento da privatização, num processo que faz lembrar um BCP ou BES (ou mesmo Banif) às avessas. Ou seja, meter na Caixa os privados que interessam, como naqueles bancos se meteram os emissários políticos certos a partir do poder político público.

O que interessa é, com a malta bem presa pelos mecanismos actuais de funcionamento das finanças privadas quotidianas, colocar os gestores certos onde eles podem gerir o dinheiro alheio, com escasso risco de serem efectivamente responsabilizados por toda a porcaria que façam.

E ter um bento (mas não paulo) na SIBS a pressionar por mais taxas pela utilização de serviços que embaratecem as operações bancárias, ao mesmo tempo que escreve sobre ética nos negócios.

Ide roubar para a estrada que é mais honesto…

O PCP apresentou na Assembleia da República um voto de condenação do golpe de estado consumado na Ucrânia levado a cabo pelos sectores mais retrógrados e revanchistas da oligarquia ucraniana com o apoio dos Estados Unidos da América e da União Europeia e de alerta para o perigo do avanço de forças xenófobas e de cariz fascista e neonazi naquele país.

Faltou o reaccionário, a denúncia, a defesa intransigente da democracia e da Constituição de 1976 1982 1989 1992 1997 2001 2004 2005.

A de Cavaco é que sempre foi uma pessoa honesta. Pessoalmente honesta. Pessoalmente impoluta. Pessoalmente incapaz de uma pequena malfeitoria. Os dois mandatos com maioria absoluta é que estragaram tudo porque deram para muita gente se aproveitar dele e à sombra dele cresceram as ervas daninhas. Tudo bem. Só que isso não explica a permanência dos diasloureiros e oliveiraecostas na sua órbita muito depois do exercício das tais maiorias, quando deles já não precisava e tal só se explica por opção própria. Mau avaliador da natureza humana? Pessoalmente… posso acreditar que sim, mas…

A de Guterres foi a de um pântano alegadamente percebido só ao fim de 6 anos, quando em entrevista muito recente na SICN o agora quase esquecido Manuel Monteiro contou os esquemas e tráficos de influências dessa segunda metade dos anos 90 em que um tal portas se ocupava a negociar posições nas empresas públicas e cargos de chefia na administração para os seus fiéis seguidores. Desconheceria ele que tal se passava? Era ele mais um dos que, pessoalmente, nunca prevaricou, nem aceitou que com o seu conhecimento se prevaricasse? Pessoalmente… posso acreditar, mas…

A de Barroso foi de se safar logo que arranjou melhor. Nem chegou a novela, foi mero episódio duplo de folhetim. Folhetim que continuou em tons paródicos com o Santana que, justiça lhe seja feita, era mais ao modelo republicano francês, mas com bandana em vez de capacete.

A de Sócrates, tal como lavrada em autos numa revista do Expresso com prosa emplumada de Clara Ferreira Alves e polvilhada de vernaculares expressões para dar mais densidade ao testemunho, é que teve de enfrentar as aristocracias do PS para se chegar ao poder e que isso implicou compromissos e outras coisas assim, incluindo um passeio à Tróia para implodir torres com o empresário preferido até deixar de o ser. Não é que tenha dito isso tudo, mas percebe-se. chegado ao poder, elevou ao pariato e armou cavaleiros aos varas, silvaspereiras, campos e outras inanidades carreiristas de tão escasso ou menor calibre, que fizeram trigo limpo do aparelho de Estado. Pessoalmente… diga ele o que disser… acho que pessoalmente mais valia ter um mínimo de pudor…

A de Passos Coelho, afilhado de um ângelo em vez de uma estrela, é a de que veio salvar o país e está a salvá-lo, a pulso e com muita coragem, que o salgado assim o incumbiu e o relvas congeminou, fora o resto da malta que é liberal que se farta desde que o estado lhe pague. O meu problema é que não percebo em que parte da história entram os branquinhos, relvas de segunda extracção, e mais os agora periféricos carrapatosos, catrogaspintelhentos, nogueirasleites ou os recadeiros televisivos como o sempre jovem mendes, mais aquela ganga toda de imberbes de mba por causa do apelido ou recrutada nos blogues “de referência”. Passos Coelho chegou ao poder para limpar a governação do lixo mas no lixo se vai comprazendo em enterrar. Pessoalmente… também pode ir falando o que bem entender… que já nem consigo ouvir, apenas vejo os fios que puxam a marioneta e a mão que faz a boca mover-se.

Todas as narrativas, em especial as mais longas, assentam na alegada honestidade ou probidade do Grande Líder, atraiçoado por gente menor, não representativa dos Altos Desígnios e Alta Obra feita.

É treta. Pura treta.

Dos que se afirmaram sempre independentes das pressões (Cavaco) aos que afirmam ter-se emancipado dessas pressões (Sócrates) desaguando neste que agora temos, que já se percebeu ser guiado pelas altas pressões, a verdade é que tudo se resume a uma rotação de clientelas sempre a sacar para si e as suas cliques o mais que podem, negando sempre tudo com o maior dos dislates e culpando “o Estado” pela “crise”, pelo “défice”, pelo “desequilíbrio das contas”, tudo culpa de cantoneiros e oficiais de justiça, professores e enfermeiros, juízes e polícias.

E o que é mais chato?

A porcaria de narrativa que está à espera que esta termine.

Ouvi no rádio e li depois a peça sobre o novo comunicado da troika, com os seus inenarráveis avisos, tudo com a complacência da miséria de governantes que temos e que alinham alegremente na prática (pois o discurso já é mais intermitente) do empobrecimento da generalidade da população.

Com o pretexto de se ter vivido acima das possibilidades.

Mas quem, afinal?

Quem é que ganhou nos últimos 20 anos com o que se passou em Portugal?

Olho para o meu recibo de salário em 1993 e agora e, em termos líquidos, sendo na altura contratado e estando agora a meio da carreira e recongelado, ganho mais do dobro do que ganhava então, talvez mesmo duas vezes e meia mais.

E sou dos mais visados, enquanto professor, pela retórica dos encargos excessivos do Estado.

Vou ver os meus recibos de encargos fixos com a vidinha e o que encontro?

Facturas de electricidade umas 5 a 10 vezes acima do que eram, sobrecarregadas com taxas e mensalidades das mais variadas origens. Sendo que continuo, onde vivo, numa situação de monopólio da EDP, mais grave agora pois quase tudo depende da luz para funcionar. Só o contador custa quase tanto quanto a conta antiga.

Facturas do gás nem sei quantas vezes mais altas, pois na altura usava bilhas, duas por mês no máximo, podendo escolher – na vilória suburbana atrasada – entre quatro fornecedores diferentes, bastando mudar aquela peça de encaixe (redutor?), que ficava minha e pela qual nada pagava todos os meses.

A água ainda se mantém a factura menos abusiva no crescendo, pois por aqui as autarquias do PC – honra lhes seja feita – não fazem da água o maior dos negócios, mesmo se abusam quando há algum incumprimento, por pequeno que seja.

E depois há o que não havia, a necessidade de se ter banda larga para aceder a serviços essenciais para a própria profissão, porque agora tudo é online e o serviço vem sempre acoplado com mais isto e aquilo, pois simples é quase o mesmo preço. A televisão generalista passou pela negociata da TDT e tudo o que nela antes existia de melhor (séries, desporto, música) foi transferido para canais pagos.

Ficámos mais ricos ou passámos a receber mais para pagar o excedente directamente a essas grandes empresas que funcionam em situação de monopólio?

Foi o povinho que passou a gastar de forma desvairada ou foram-lhe impostos consumos cada vez mais caros e exigentes?

E nem vale a pena falar na compra de casas, pois raramente alguém vai acabar por pagar menos de três vezes o preço real do imóvel, entre o lucro ganancioso dos construtores e os juros gulosos cobrados pela banca que preferia emprestar mais do que menos e se prontificava para fazer todo o tipo de trafulhices para que o cliente comprasse o carro dos seus sonhos (é verdade, foi ver uma avalanche de pategos a comprar carros alemães tdi e gti e jipes e coisas assim a armar ao pingarelho) e ficasse a dever ainda mais.

Ainda me lembro da minha idiotice de ir a um banco privado pedir um empréstimo, usando como argumentos que só precisava de 65% do preço total e responderem-me que o que lhes interessava não era isso mas sim emprestar muito.

Portanto… quando ouço o camelo do Lourenço dizer aquelas barbaridades, ainda por cima com ar de risota fácil, apetece-me chamar-lhe parasita,pois ele só existe enquanto personagem mediática porque existe uma crise económica e social terrível que ele vampiriza nos seus ditos e escritos. Para não falar do César das Neves, a única criatura a quem a estrita moral sexual da Igreja parece deixar bem humorado ou todos aqueles liberais que estão bem encostados ao Estado ou em posições de confiança do poder político em empresas participadas ou influenciadas.

Isto para não falar do ex-governantes que se tornaram consultores ou empreendedores com negócios privados feitos com o sector da governação que tutelaram?

Foram os funcionários públicos, professores, enfermeiros, polícias, juízes, que enriqueceram ou os carrapatosos, as cardonas, os nogueirasleites, os mexias, os zeinais, até mesmo os frasquilhos, mas muito em especial os seus empregadores e mandantes, ulricos&salgados, amorins&belmiros.

Por serem empreendedores? Ou porque beneficiaram de condições especiais de protecção dos seus negócios por parte de uma elite política de terceira categoria, sempre de olho no emprego privado a seguir ao cargo público?

Quem é que ganhou com o crédito ao desbarato? Os depositantes com dívidas ou os bancos?

Quem ganhou com “a liberalização dos mercados energéticos”? Os consumidores  ou os accionistas e administradores?

Qual é a estrutura actual de encargos fixos das famílias e qual era há 20 ou 25 anos? E isso aconteceu porquê?

Porque enriqueceram?

Ou porque empobreceram, na ilusão de se sentirem a imitar os sinais exteriores de “sucesso”?

 

 

A tua morte é sempre nova em mim.
Não amadurece. Não tem fim.
Se ergo os olhos dum livro, de repente
tu morreste.
Acordo, e tu morreste.
Sempre, cada dia, cada instante,
a tua morte é nova em mim,
sempre impossível.

E assim, até à noite final
irás morrendo a cada instante
da vida que ficou fingindo vida.
Redescubro a tua morte como outros
redescobrem o amor,
porque em cada lugar, cada momento,
tu estás viva.

Viverei até à hora derradeira a tua morte.
Aos goles, lentos goles. Como se fosse
cada vez um veneno novo.
Não é tanto a saudade que dói, mas o remorso.
O remorso de todo o perdido em nossa vida,
coisas de antes e depois, coisas de nunca,
palavras mudas para sempre, um gesto
que sem remédio jamais teve destino,
o olhar que procura e nunca tem resposta.

O único presente verdadeiro é teres partido.

[Adolfo Casais Monteiro] in excerto de À memória de Raquel Moacir

O motivo ou pretexto imediato para este post é prosaico: mantenho alugado o velho apartamento dos meus pais, de que pago as respectivas contas pelo método tradicional (via postal), com consumos mínimos. Nem sempre lá passo, a caixa de correio exterior do prédio é comum e não me deram chave, pelo que dependo de me colocarem a correspondência na caixa interior. Não é de espantar que me falhe este ou aquele pagamento. Aconteceu-me com a conta da água em Dezembro de 2012 e durante as férias deste ano, em Agosto. A dívida ascendeu a algo na ordem dos 8,70 euros, sendo que este mês recebi a conta de Outubro com o valor do mês e o total da dívida, coisa de 13,05 euros. Com data de pagamento para dia 31. Ao que parece, ontem, dia 24, foram cortar a água e retirar o contador.

Os serviços alegam que me mandaram um aviso. Não dei por isso. Eu alego que me mandaram uma factura para pagar e cortaram o serviço antes de eu regularizar a situação. Alegam que eu já falhara 2 pagamentos e que sejam 8 ou 80 euros vão lá e cortam.

Não estive para entrar em diálogo longo com a burrocracia dos procedimentos e larguei perto de 30 euros para religarem a coisa, mais o total em dívida, Felizmente, pude fazê-lo no momento, sem dramas de maior, para além da irritação.

Mas imaginei quem não pudesse, que tivesse deixado passar os dois pagamentos em falso por necessidade e agora tivesse ficado sem água e sem o dinheiro para pagar a nova ligação.

E lembrei-me de tudo aquilo que se tornou negócio para o Estado ou a quem o Estado concessionou serviços ou a quem ganhou o direito a exercer um monopólio por um serviço antes gratuito. Ou que ganhou o poder de impor multas e coimas que podem ser várias vezes o valor de uma dívida em falta.

Sheriff_of_Nottingham

E lembrei-me da aldrabice da TDT em que as pessoas foram obrigadas a pagar para ter um serviço alegadamente universal e em sinal aberto.

E lembrei-me da composição da factura da electricidade, cheia de parcelas decididas em gabinetes e votações na generalidade ou na especificidade, promulgadas com assinatura de cruz.

E lembrei-me do que aconteceu com a instalação do gás canalizado, com os pagamentos, as cauções, os aluguers mensais do raio do contador que serve para saber quanto lhes pagamos.

E lembrei-me dos serviços a que agora quase só se pode aceder via net de banda larga, implicando pagar um pacote que, apesar das maravilhosas promoções, sai sempre muito mais caro do qe a publicidade, caso queiramos que aquilo funcione.

E percebi até que ponto sou afortunado porque (ainda) faço isso sem pensar muito, mas que existem cada vez mais pessoas sem capacidade para suportar muito daquilo que as elites político-económicas decidiram que deveriam deixar de ser serviços universais e com pagamentos justos e transparentes para se tornarem negócios em que se esbulha o máximo ao maior número para satisfazer os “accionistas” e agradar “aos mercados”.

Se calhar acordei com o meu pé comunista ao relento ou então foi porque levei uma justificação mercantil e despersonalizada por parte dos serviços de uma autarquia que clama contra a mercantilização e a despersonalização da vida actual e da rendição dos governantes à lógica neoliberal. Mas que se sente bem a cobrar taxas várias vezes acima ao tal montante em dívida e aplica-as da mesma forma ao grande e ao pequeno, ao rico e ao pobre. É capaz de ser em nome da Igualdade. Mas não é da Justiça ou da Equidade.

Sheriff_of_Nottingham

Mas o que está em causa e mais profundo do que uma regulamentação municipal cega, porque chamar-lhe asinina é ofender os burros legítimos.

O que está em causa é que parece que tudo aquilo de que as pessoas precisam para sobreviver com alguma dignidade ou para satisfazer obrigações que lhes foram impostas passou a ser objecto de negócio, de cobrança, de estipêndio a pagar à organização, pública ou privada.

Sou contra a privatização das águas. Mas também sou contra quem é contra a privatização das águas mas, no seu quintal, aplica regras similares às da gestão privada das águas, em busca de receitas em tudo o que pode.

Serei irremediavelemente “esquerdista” ou utópico ou atávico partidário de uma forma difernete de encarar as pessoas como cidadãos e não apenas como utentes ou consumidores, explorados até ao tutano por quem pode, acusando-se erradamente “o Estado” (entidade abstracta) por tudo aquilo que pessoas concretas e grupos de interesses específicos concordaram em impor aos cidadãos como pagamento “justo” por “serviços” que se diz serem “pesados” para quem os presta, sabendo-se o quanto lucram com isso, Sejam os accionistas, sejam os aparatos burocráticos instalados.

Sheriff_of_Nottingham

Há quem viva bem com isso e considere que é essa a ordem natural das coisas e dos “mercados” (outra entidade abstracta que é inimputável, encobrindo os actos concretos de pesssoas bem reais). Que só devem sobreviver os melhores. Que a eficácia se deve sobrepor a qualquer lógica. Os borges, os bentos, os catrogas, os camilos, os gaspares de 1ª e 2ª ordem, os rosalinos e os monteiros, os piresdelima e os frasquilhos, e os salgados e ulricos que mexem os cordelinhos, todos esses economistas e empreendedores de enorme nomeada internacional, acham que é assim que deve ser.

Para eles as pessoas são fontes de receita enquanto consumidores e despesas enquanto funcionários que prestam serviços públicos.

Os xerifes de Nottingham estão em alta e os candidatos a Robin Hood não passam, na larga maioria dos galambas, de salcedos troca-tintas à espera da sua vez para saquearem as aldeias da floresta.

Sheriff_of_NottinghamSheriff_of_NottinghamSheriff_of_Nottingham

Mas parece que é condição básica pró sucesso à escala europeia e tal.

Pub19Out13

Público, 19 de Outubro de 2013

Pronto, vou ser frontal como o engenheiro, mesmo sem a Clara a ajudar: já viram os estupores de filhos da mãe que nos calharam em sorte como primeiros-ministros?

A merda dos partidos do centrão ou arco da governabilidade – ou lá o raio que parte que é – só produz este tipo de défice humano e político?

Prontosssss….. ah… senti-me frontal e de esquerda bués.

se nem umas gravaçõezitas conseguem…

 

 

Pá!

… porque é algo com que não apetece brincar, nem fazer ou tolerar comentários parvos.

Trata-se daquelas pessoas que, por uma série de circunstâncias da vida pessoal e profissional, sabemos terem deixado de ter a capacidade para enfrentar 3-4 turmas por dia, 6 horas de aulas, sem risco para a sua saúde e, admitamo-lo sem tretas, para o próprio normal decurso de uma aula em tempos de exacerbamento do desafio aos que se sente estarem mais fracos.

São pessoas de idades muito variadas que o quotidiano esgotou, quebrou em alguns aspectos, mas continuam a ser válidas numa escola em outras funções que não as lectivas e cujo destino não pode ser decidido por fórmulas de merda de crédito horário feitas por imbecis a mando de imbecis maiores.

Eu sei o que acho que deve ser feito nestas circunstâncias, no caso da autonomia não ser uma palavra .

Não falo de quem não faz porque não quer ou porque se encostou e usa todos os artifícios para justificar a falta de brio e carácter.

Falo de quem merece o apoio da comunidade educativa e não o encaminhamento para a aposentação precoce. Falo de quem até exerce a docência com gosto e a quem uma requalificação apenas acentuaria o desânimo e a desmotivação. Falo de quem tem créditos a haver em relação à sociedade e não pode ser apresentado como um peso, uma gordura.

Em tempos, eu acreditava que por caminhos filosóficos diversos, quer a Esquerda quer a Direita concordariam no tipo de solução a dar, pois em qualquer dos casos estaria em primeiro lugar o valor da dignidade humana do que a eficácia economicista.

Sei que de um lado se sublinharia o papel do Estado na defesa dos direitos dos mais fracos e do outro se destacaria o papel solidário da chamada Sociedade Civil.

Mas agora está tudo muito baralhado e desde há uns anos percebemos que o darwinismo social se tornou a regra.

Sabemos que nos últimos anos a solução da “máquina” ao serviço da “lógica da eficácia” da “gestão dos recursos que são limitados” que tem sido transversal aos últimos governos (e é meramente patético ouvir e ler alguns socráticos exaltarem as virtudes que nunca praticaram) é responder que “só se tiver crédito horário” como se aquela dignidade humana e também profissional tivesse um valor de mercado a partir do qual a pessoa é dispensável, independentemente do seu destino.

E esta é uma daquelas questões que mexem um bocado com os meus equilíbrios racionais e emocionais pois tendem a derrubar as minhas barreiras de cortesia em relação aos ramirílios, relvettes e borginhos e sua forma moral e eticamente abjecta de argumentar. Até porque há quem use o aparelho de Estado para compensar amigos em final de trajecto ou em situação crítica, mas o negue a quem está lá longe, no abandono do relativo anonimato. Ainda tenho o decoro necessário para não apontar a dedo os casos publicamente reconhecíveis.

Mas a questão essencial é… qual a solução que deve ser dada a situações críticas de quem não pode ou tem condições sair com um mínomo de dignidade, mas não está em condições de continuar?

Não são os privilégios laborais de não-corporações de funcionários públicos em número abaixo da média europeia que provocam buracos sucessivos e cumulativos de milhares de milhões de euros mas uma camarilha de gestores de empresas públicas que, na sua maioria, se afirmam grandes liberais, assim como os escritórios de advogados que preparam estas negociatas e os seus parceiros na banca que os empregou ou há-de empregar.

O Estado não está falido por causa do pouco “social” pago ao que deles precisam mas por causa da ganância dos que dele se alimentam de forma alarve, enquanto dizem dele desdenhar.

Um gestor público liberal consegue produzir mais danos ao orçamento do que mil funcionários acusados de comodismo.

Isto não é preconceito ideológico, é descrição factual.

Este é o meu dois milésimo – ou bimilésimo – poste.

Se existisse…

Eu posso perceber os objectivos e algumas das razões, mas é impossível concordar com a forma indigna com que se tratam as pessoas e, em especial, o prazer evidente em certos seres, que de humano têm apenas a forma, tão satisfeitinhos consigo por tarem a fazer a purga da sua vida.

Neg7Dez12

Jornal de Negócios, 7 de Dezembro de 2012

No entanto, é compreensível, os filhinhos dos que se sentem despojados de outrora precisam do seu cantinho no Estado que tanto proclamam abominar:

CM6Dez12

Correio da Manhã, 6 de Dezembro de 2012

… é que salvo excepções que são realmente excepcionais (Mandela, será um caso…), os refundadores são fanáticos e dogmáticos, considerando que todos os que se lhe opõem são impuros, devendo ser expurgados do caminho.

Ainda em regra são portadores de uma mensagem que se pretende revolucionária, iluminada, que consideram não perceptível para a maioria, devendo a sua imposição ser feita por uma vanguarda minoritária, seja ela da tradicional esquerda radical, pregadora de uma falsa igualdade, seja de uma nova direita que se pretende liberal, mas do conceito só aprendeu a enunciação e uns chavões.

Os refundadores foram, historicamente, gente vingativa e com instintos sanguinários, seja no sentido mais literal, seja no sentido mais metafórico. São herdeiros de ideologias ou modos de estar totalitários, seja por herança directa, seja por reacção (e neste caso julgam-se ainda mais justos, por julgarem estar a reagir a uma injustiça anterior).

Tentam passar por firmes quando apenas são autoritários.

Enquanto se movem fora da esfera do poder ou apenas nas suas franjas, tentam passar por livres pensadores, inovadores, gente que só quer salvar o interesse comum. A verdade é que praticamente todos apenas pretendem dominar o aparelho de Estado e, usando dos mecanismos (olá Foucault, que alguns leram em novos, mas só uma ínfima parte percebeu para além dos maneirismos) da violência legítima (literal ou metafórica) proceder ao silenciamento ou extermínio físico ou social daqueles que ousaram opor-se à sua ascensão para além da coreografia.

Em tempos mais recentes, estes herdeiros de benitos ou maos, de fidéis ou anastácios tachos optam por abordagens menos estridentes e ostensivas na sua ânsia de exercer a sua acção revolucionária, digo, refundadora e de varrer do mapa quem os atrapalha, evoluindo da sedução e aliciamento para a intimidação e chantagem, tudo para que o silenciamento aconteça.

A História está cheia de exemplos de salvadores que quase acabaram, ou acabaram mesmo, com aqueles que afirmavam ir salvar.

É verdade que os re3fundadores que agora encontramos entre nós são de estirpe mais débil e duvido que soubessem responder de forma cabal a qualquer inquirição mais séria sobre aquilo que verdadeiramente querem dizer e fazer. Mas não é por serem mais ignorantes que são menos perigosos porque não há pior fanático do que o fanático que só tem uma ideia e tanto pior se a conhecer apenas a traço grosso. Basta recordar como muitos cristãos-novos se tornaram ferozes delatores inquisitoriais dos antigos companheiros.

A História, não sendo um eterno retorno, permite-nos, contudo, identificar os traços da máquina quando ela se coloca em movimento e a retórica começa a avançar, procurando terraplanar a contestação com falsos argumentos, deturpando as palavras alheias, tentando transformá-las na intolerância intelectual que os próprios praticam.

Aliás, nem sequer é por acaso que um dos ideólogos da actual Situação seja um historiador que crismou de segunda fundação (= refundação) a um período da História de Portugal que evidente e explicitamente abomina.

Porque as refundações, de novo por regra e com raras excepções, são quase sempre resultado de tentações e derivas autoritárias, para manter a semântica suave.

Mas… como em tempos recentes me preocupava a deriva solipsista e autoritária do engenheiro, agora aterroriza-me o delírio dos borginhos, relvettes e outros assessores de aviário que, repito-o sem problemas, apenas pretendem vingar-se de todos aqueles que julgam ter-lhes retirado (ou aos seus ascendentes) outrora os seus legítimos privilégios ou de todos aqueles que, por via de um escassa redistribuição que apelidam de socialista, provocaram a diminuição o que antes era uma calma acumulação de proventos numa oligarquia.

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