Novas Oportunidades


Novas Oportunidades (10)

OCDE pede ao Governo expansão do modelo Novas Oportunidades

Deve ser por causa da auto-estima. E para o pessoal emigrar com certificados.

Acabar com programa Novas Oportunidades é “opção ideológica”, diz Seguro

António José Seguro vai defender as Novas Oportunidades nas ruas (!!!) e no parlamento… mas faz uma pausa no Carnaval… e dá uma sugestão.

Os CNO e o erro de Crato

    Os Centros de Novas Oportunidades (CNO) foram criados para reconhecer, validar e certificar competências e atribuir aos adultos que estavam há muito tempo divorciados da escola certificações parciais ou certificados equivalentes à conclusão do ensino básico e secundário. Creio bem que a ideia de reintegrar numa inovadora embora discutível filosofia de escola adultos que, por condicionalismos diversos da sua vida, perderam precocemente o contato com o sistema educativo, não deve ser glosada e desaproveitada. Muitos desses adultos abandonaram cedo a escola por dramáticas razões de ordem económica e social, a saber: graves dificuldades financeiras dos pais e/ou uma consciencialização deturpada sobre o valor real da escola, mas também uma desestruturação das suas famílias originada por divórcios, acidentes, doenças ou mortes precoces dos seus progenitores. E os CNO vieram proporcionar a esses adultos uma nova experiência académica que, em muitos casos, despertou os seus interesses culturais e reforçou os seus níveis motivacionais.

    Porém, desde o seu início, o funcionamento dos CNO ocorreu no meio de grande polémica. Ou porque foram desmedidamente usados como propaganda eleitoral pelo histriónico PS de José Sócrates, que, na educação como noutras áreas, deu sempre mais importância à mediatização espetacular das estatísticas do que ao valor intrínseco e à avaliação efetiva das suas medidas políticas. Ou porque admitiram adultos demasiado jovens e sem experiência socioprofissional, que perceberam que os CNO lhes permitiam concluir o ensino secundário dispensando todas as dificuldades do ensino tradicional (a maçada das aulas a diversas disciplinas, as duras avaliações contínuas e sumativas, os difíceis exames, etc.). Ou ainda porque a multiplicação desregulada destes centros por todo o país, muitas vezes criados por entidades privadas e servidos por recursos humanos manifestamente impreparados e pressionados, no plano político e financeiro, pela vertigem do sucesso estatístico, simplificaram e banalizaram o que deveria ter sido um complexo e rigoroso processo de certificações.

    Criou-se, assim, na opinião pública, a ideia risível de que estes centros se transformaram em verdadeiras fábricas de produção indiscriminada de diplomas do ensino básico e secundário. E que as «novas oportunidades» constituíam uma imerecida alternativa para os jovens adultos mais oportunistas, providos de currículos medíocres e de conhecimentos muito limitados, concluírem o 12º ano e até se candidatarem com êxito ao ensino superior. Generalizações perigosas, mas, porventura, compreensíveis, face à forma desastrada como este processo foi conduzido.

    Terá sido também esta a interpretação do ministro da Educação Nuno Crato, do governo PSD/CDS, que por isso resolveu entretanto — e neste caso bem — repensar e reformular os CNO. Todavia, decididamente, neste país, nada se faz com racionalidade, método, transparência e uma atitude prospetiva. Muitos dos CNO promovidos por entidades privadas mas também a funcionar nas escolas públicas estão a ser abruptamente fechados, sem que, em alguns casos, sejam apresentados os fundamentos que sustentaram tais decisões. Assim aconteceu com o CNO da Escola Secundária de Oliveira do Hospital, no passado dia 1 de Fevereiro.

    Esse organismo educativo tem desenvolvido, desde 2008, em condições difíceis, um trabalho rigoroso e frequentemente reconhecido pelas avaliações ou considerações externas de que já foi alvo, bem como pelos avaliadores externos que integram os seus júris de certificação. Nenhum dos seus formadores — aliás, na maior parte dos casos, com longos anos de experiência de ensino — se encontra vinculado a esse CNO em regime de exclusividade, continuando por isso contratados ao serviço da escola secundária, pelo menos até finais de agosto de 2012. Os quatro elementos da sua equipa técnica foram readmitidos em meados de dezembro de 2011, para cumprirem um contrato, suportado pelo POPH, com termo em 31 de janeiro de 2013, na sequência de um concurso público que o anterior governo deferiu e o atual governo nunca suspendeu (!).

    Estando, por conseguinte, criadas condições humanas, financeiras e logísticas para que esse CNO continue a laborar, dando com isso continuidade a um trabalho credível que tem vindo a desenvolver com muitos adultos (quase 200) que aí se encontram inscritos e numa fase inicial, intermédia ou terminal do seu percurso, pergunta-se: porquê esta decisão extemporânea da tutela de indeferir e fechar este CNO neste exato momento, sem pelo menos prever um período de transição até à sua eventual extinção ou reformulação?

    A pergunta é tanto mais pertinente porque se sabe que outros CNO, a funcionar em concelhos com características demográficas e socioeconómicas mais ou menos idênticas ao de Oliveira do Hospital, vão permanecer abertos. Mais: a pergunta é tanto mais pertinente porque o fecho imediato e definitivo deste CNO conduz a uma outra trágica questão que não parece preocupar o ministério da Edução deste Governo: se os cursos de educação e formação para adultos em Oliveira do Hospital estão também em vias de extinção, como poderão, futuramente, os adultos deste concelho aceder ao ensino básico e secundário?

    Um dos muitos problemas da nossa democracia continua a ser o abismo colossal que separa os políticos com responsabilidades de governação do mundo real. A incapacidade desses nossos políticos para abandonarem a platónica «caverna» onde vivem (leia-se os seus gabinetes climatizados e, presumo, repletos de secretários zelosos e dossiers cheios de orientações macroeconómicas neoliberais, localizados nas zonas privilegiadas da velha e presunçosa «capital do império») e mergulharem no «mundo das ideias» – esse mundo real e bem difícil de enfrentar onde todos os dias labutam arduamente os cidadãos comuns de um Portugal profundo, desertificado, esquecido e abandonado pelos «estadistas» de Lisboa.

Luís Filipe Torgal

Confesso que não encontro outro aspecto da realidade nacional que tanto pareça incomodar os herdeiros de Sócrates:

PS denuncia encerramento de Novas Oportunidades

Ainda não percebi bem o que pretendem com isto… deve ser alguma coisa…

30% dos Centros Novas Oportunidades vão fechar

PJ visitou sede no Largo do Rato para recolher papéis sobre as eleições na distrital de Coimbra

No Correio da Manhã, do qual o ps não gosta – nem de avental – e mandou aqui dizer pelos idiotas do costume.

… e com gosto pelo exercício do poder musculado. Não fique triste, emigre já!

Director de Escola (M/F) – ANGOLA

Empresa nossa cliente bastante conceituada em Angola, procura um Director de uma Escola básica e secundária.
Descrição da função:
– Coordenação global da actividade do agrupamento escolar nos diversos campos de actuação enquadrados na política global do organismo;
– Gestão global do Agrupamento Escolar, designadamente nas áreas: gestão e controlo orçamental, planeamento, recursos humanos e infra-estruturas;
– Planeamento da oferta de formação Inicial e Contínua;
– Representação institucional da escola no meio envolvente e desenvolvimento de parcerias.

Perfil do candidato:
– Pretendemos uma com disponibilidade imediata;
– Experiencia mínima de 5 anos nesta função;
– Espírito de iniciativa e autonomia;
– Gosto por desafios;
– Bons conhecimentos de inglês;
– Bons conhecimentos de programas/software pedagógico;
– Dinamismo, rigor e grande capacidade de organização;
– Boa capacidade de relacionamento interpessoal e gosto pelo trabalho em equipa;
– Forte grau de responsabilidade.

Oferta:
– Excelente ambiente de trabalho;
– Remuneração 3000 dólares líquidos;
– Despesas pagas – alimentação, casa e motorista para deslocações.

Observações:
– Angola – Luanda;
– Full Time.

Novas Oportunidades, 14 centros vão encerrar por incumprimento das metas e 6 fecham por pedido dos promotores.

Este sai um bocado fora de tudo: Armando Vara e a médica.

Governo acaba com nove centros Novas Oportunidades

(…)
Segundo o Diário da República de hoje, são extintos os centros Novas Oportunidades promovidos pelo Instituto Politécnico de Leiria (Leiria), pela Escola Secundária de Montemor-o-Novo (Montemor-o-Novo), pela Escola Secundária com 2.º e 3.º Ciclos Gil Vicente (Lisboa), pela Escola Superior de Educação de Portalegre (Portalegre) e pela Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico de Sacavém (Loures).

Além destes, são igualmente extintos os centros Novas Oportunidades promovidos pela Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico de Madeira Torres (Torres Vedras), pela Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Leça do Balio (Matosinhos), pela Agrupamento de Escolas de Pampilhosa e pela Escola Secundária da Moita (Moita).

Há pelo menos um caso que conheço que vai dar imenso jeito à escola privada que funciona perto.

Novas Oportunidades, abertura de novas turmas suspensa.

Pronto… a insurgência passista-relvista para o ano já poderá fazer as contas sem as NO a atrapalhar.

Como várias (demasiadas!) vezes escrevo as NO foram um embuste que precisava de uma grande revisão. Mas não sei se é bem isso que se vai passar.

E espero que, suspendendo os cursos, não fiquem – apesar disso – os cargos de chefia ocupados por cristãos-novos.

Serviço ao público! [lá para os 08:20] Isso misturado com os ah-ha-hum-ha.

O que eu gostava de saber é quanto custo a não certificação.

Centro Novas Oportunidades da EHTA não certificou qualquer adulto entre 2007 e 2011, diz o CDS/PP

O centro Novas Oportunidades (CNO) da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve (EHTA) “não certificou profissionalmente qualquer adulto entre 2007 e setembro de 2011”, entre os 235 que iniciaram a formação, revelou a comissão política distrital do Algarve do CDS/PP.

A estrutura regional dos centristas respondeu, em comunicado, às críticas do deputado socialista Miguel Freitas, que no início da semana revelou que mais de mil pessoas ficariam afetadas com a extinção do CNO da escola algarvia, decretada pela secretária de Estado do Turismo.

Miguel Freitas crítica encerramento de Centro de Novas Oportunidade em Faro

O anúncio do encerramento do Centro de Novas Oportunidades (CNO) da Escola de Hotelaria e Turismo de Faro foi recebido com indignação pelo deputado socialistas, Miguel Freitas. O encerramento está previsto para o final de janeiro e ocorrerá simultaneamente com os CNO de Lisboa e Coimbra. Importa referir que este CNO é o único com sede em Faro e o único a fazer o reconhecimento profissional na área da hotelaria e turismo no Algarve.

Escolas de Hotelaria: PS questiona fecho dos centros de novas oportunidades

O deputado socialista Mário Ruivo é um dos subscritores de um requerimento ao Governo onde se questiona o encerramento dos Centros Novas Oportunidades (CNO) das Escolas de Hotelaria e Turismo, onde se inclui a de Coimbra.

“O CNO da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, que contava com mais de 700 pessoas em reconhecimento de competências e formação, num orçamento de aproximadamente 180 000 euros, deixa sem formação e qualificação um sector que estava a melhorar significativamente os seus níveis de qualificação, colocando em causa a vida profissional de 10 colaboradores que ali estavam a exercer a sua actividade”, refere o parlamentar, líder distrital do PS.

PS questiona Governo sobre extinção de centros de Novas Oportunidades

O PS quer saber os motivos que levaram o Governo a extinguir três centros de Novas Oportunidades do Instituto de Turismo de Portugal que funcionam nas escolas de Hotelaria e Turismo de Coimbra, Lisboa e Faro.

Novas Oportunidades: Associações exigem “esclarecimento imediato”

Três associações de desenvolvimento local do Baixo Alentejo e Algarve, promotoras de Centros de Novas Oportunidades, exigiram esta terça-feira o “esclarecimento imediato” do Governo sobre o futuro do programa, alegando que as incertezas estão a causar uma “insuportável indefinição”.

Indefinição em quem? Na arquitectura burocrática?

Soou-me estranhamente, em especial quando no masculino. Tenho as minhas costelas alentejanas, sei que ninguém tem culpa dos apelidos patuscos que são comuns na região (tive sorte, saiu-me Alves), mas um tipo até se esquece da conversa fiada sobre as Novas Oportunidades e das saudades que parece estar a deixar o mecanismo certificador de Lemos & Capucha.

Deputados do PS e PCP preocupados com o futuro das “Novas Oportunidades”

As indefinições em torno do futuro das “Novas Oportunidades” preocupam os deputados Pita Ameixa, do PS e João Ramos, do PCP. Os deputados exigem explicações ao Governo.

Pita Ameixa, deputado do PS eleito por Beja, questionou os ministros da Educação e da Economia sobre o programa Novas Oportunidades.

Se os CNO estão inseridos em escolas básicas e secundárias, como surgirão essas escolas profissionais?

E porque é o ministério da Economia a decidir isso?

Governo vai converter parte dos Centros Novas Oportunidades

O Governo vai redireccionar a rede de Centros de Novas Oportunidades e parte do seu financiamento para o Ensino Profissional, mantendo apenas alguns destes centros com as actuais funções e com financiamento limitado aos que tiverem melhores notas.

De acordo com dados do Ministério da Economia, a que a Lusa teve acesso, o Executivo pretende transformar estes Centros de Novas Oportunidades (CNO) em Centros Nacionais para o Ensino Profissional, no âmbito de um plano mais vasto para apostar no ensino profissional, que elege como “uma nova prioridade” em Portugal.

Novas oportunidades para Xufre

A ANQ tomada de assalto pelo aparelhismo. Sai Capucha, entra Xufre. Muda o cartão, estranha-se a qualificação (tese em Aprendizagem Automática por Redes Neuronais de Unidades Locais).

Curiosamente mantém-se a ligação a Vila Franca de Xira.

E ao ISCTE. Talvez ligeiramente menos eduquesa, mas mesmo assim.

Porque há muito dinheiro envolvido. As coisa não podem implodir assim, antes de retirada a seiva.

Hoje no Expresso temos uma prosa de Valter Lemos em defesa das Novas Oportunidade e atacando Nuno Crato por ter mandado fazer uma avaliação do projecto. Diz Valter Lemos que a Universidade Católica (leia-se a equipa de Roberto Carneiro que descobriu a elevação da auto-estima com único grande argumento em defesa das NO).

Não me interessa nada a disputa política, mas sim a conceptualização que Valter Lemos faz em torno das críticas à NO.

Sim, a conceptualização… nada de (sor)risos malandros.

Porque Valter Lemos repete o argumento de ser o ciúme social uma das principais razões para as críticas feitas às NO.

Sim porque Valter Lemos e Luís Capucha (para além de lídimos exemplos de uma certa postura capilar)  são os principais representantes e arautos do conceito de ciúme social, um conceito inovador que ainda não entrou nos digest e reference handbooks da Teoria Social mas que para lá a passos largos.

O conceito é de uma desarmante e arrasadora simplicidade: as pessoas criticam as NO, porque nelas há quem consiga certificados de níveis de escolaridade de forma rápida e com base num processo que valida competências sem que existam produtos a comprovar, na prática, essa mesma competência. Os críticos das NO são, portanto, ciumentos da enorme escalada social que tais certificados (em papel) permitem aos certificados (pessoas).

O aspecto mais curioso desta teorização hiper-pós-moderna é que atribui esse ciúme social não pessoas sem certificação, que não têm o que as pessoas certificadas têm, mas sim a quem já percorreu o trajecto normal de certificação académica, obtendo-a em muitos casos com distinção. Ou seja, atribui a licenciados e doutorados um ciúme social pelo facto de milahres de pessoas passarem a dispor de um certificado da escolaridade obrigatória ou do 12º ano.

Isto é uma conceptualização que empurra os nossos paradigmas epistemológicos até aos seus limites, porque contraria toda a lógica que estamos a habituados a seguir, ou seja, que o ciúme ou inveja parte de quem não tem relativamente a quem tem algo.

Até ao momento, poderia acreditar-se que seria o ciúme social a ditar que algumas mentalidades tacanhas e traumatizadas pelo seu próprio passado desenvolvessem um projecto de obtenção de diplomas fast lane de modo a acederem ao patamar daqueles que sentiam ter ascendido a uma posição de privilégio, invejável.

Mas não, Valter Lemos conduz-nos num temerário trajecto com contornos ontológicos insuspeitados, em que o ciúme social funciona – penso estar a usar o termo correcto, mas hesito, porque este campo teórico é extremamente complexo e a terminologia muito sofisticada – às arrecuas: é quem tem algo que tem ciúme de quem não tinha e passou a ter, mesmo que esse algo nem se aproxime do que já tem.

Na sabedoria convencional, as críticas às NO seriam encaradas como uma forma de tentar perceber se os enormes quantitativos de dinheiro envolvidos no aparato certificador e propagandístico se justificam, se os seus efeitos na sociedade são mensuráveis, assim como na elevação do nível de vida (via melhoria da condição laboral) dos novos diplomados.

Mas no novo paradigma Lemucha (em homenagem aos seus criadores) as críticas às NO não passam de ciúmes de elitistas licenciados e doutorados que querem manter o povo na ignorância e detestam que sejam obtidos certificados de 9º e 12º ano à paletes, pois agora estes certificados são todos coloridos e impressos com belos equipamento a laser e vistosos logotipos, enquanto antes os certificados equivalentes eram em vetustas folhas de papel azul pautado e carimbados com um selo branco que mal se via.

O mundo pula e avança, como o sonho de uma criança. Valter Lemos compreende isso. Os ciumentos sociais, não!

Nota final: a ilustração que acompanha a proa de Valter Lemos, só por si, de um sarcasmo demolidor.

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