Não Os Assustem Agora!


Nada de novo. Apenas revisão da matéria dada.

Há um governo, cujo grande líder e respectivo séquito acham que se pode manter o poder através de uma prática demagógica de investimentos públicos para encher o olho, mesmo que com escassa utilidade. Para isso, para assegurar que tudo bate certo com calendários eleitorais, estabelecem-se relações preferenciais com alguma banca, mesmo que à custa de contratos muito pouco vantajosos para o interesse público, sempre com a confiança de que, trocando-se favores, tudo se resolverá.

Na banca, entre os negociadores privados desses contratos, entre aqueles que entram no sistema de troca de favores há gente próxima do partido da oposição que pretende chegar ao poder. A informação circula, o potencial futuro PM é informado, conhece os buracos antecipadamente, denuncia o descalabro, mas nem sempre de forma completa.

Chegado ao poder, na constituição do novo governo premeiam-se alguns daqueles que antes facultaram a informação, que serviram de conselheiros, que sabem estar aqui e ali, negociar dos dois lados da barricada, servir todos os deuses e diabos. Alguns vão tendo de ser sacrificados, mas outros permanecem e reforçam o seu poder.

Os que serviram as negociatas do governo anterior sabem de tudo, sabem dos truqyes, de quem os fez, que contrapartidas existiram, mas não podem falar muito, pois também têm as impressões ditais espalhadas pelos contratos escritos e pelos apenas falados. Há demasiado em jogo para se arriscar um confronto em larga escala, mesmo quando está em causa um novo período eleitoral.

Como antes, tudo fica pelas denúncias vagas ou por alguns casos pontuais, pois esperam que – como no final de ciclo anterior – o poder lhes caia no colo, em virtude do total desgaste dos que estão.

Ao redor, alguns pretensos desalinhados, esperam por algumas fatias do bolo, por alguns foguetes da festa, esta ou aquela. Antes, eram as SCUT, o utópico TGV, o aeroporto que se anunciava como absolutamente necessário, a permitir estudos, consultorias, mais valias imobiliárias, expropriações oportunas. Eram autarquias de cores berrantes a encenar oposição sistémica mas apoio localizado às medidas que traziam remanescentes para as suas tesourarias. Limianos mais ou menos meridionais.

Agora, são lugares em empresas públicas para destruir e vender em bloco ou às fatias, em empresas com capital público enquanto há dividendos a colher ou distribuir, em empresas ditas privadas mas que vivem quase em exclusivo dos contratos com o Estado que se diz gordo. A prioridade é desmontar os serviços públicos para depois contratualizar com as empresas de onde saíram ou para onde esperam ir, concluída a fase de desmantelamento da “concorrência injusta do Estado”. Tudo feito com muita endogamia de apelidos e brasões de heráldica fraca.

Penso que é isto que se designa, em boa parte, como este belo pântano à beira mar prantado.

E assim fica a prosa, no terreno não-charlie, não ad hominem, que é para não chocar aqueles que são todos a favor da liberdade de expressão, da coragem da imprensa, desde que não se  coloquem os seus nomes nos espaços em branco.

Currículos locais
Com a transferência de competências previstas nestes contratos de autonomia, as autarquias vão gerir 25% do currículo de todos os níveis de ensino, podendo alterar até o calendário escolar, desenhando-o em semestres, e vão poder criar disciplinas que se adequem ao contexto regional. Esta gestão pedagógica será transferida em Setembro de 2015, por forma a vigorar no próximo ano lectivo
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crazy lady

 

com os meus pupilos. Portaram-se como gente.

 

Adenda: Fizemos uma vaquinha, cada um pagou seis aéreos p’rá visita de estudo porque, como se destrata de uma escola pública, o mini-histérico não tem verbas dos nossos impostos.

 

 

Há não poucos meses o MEC mandava fazer saber que:

Colégios vão ter de reduzir 64 turmas com contrato de associação. Se não conseguirem cortar tantas, terão um financiamento mais baixo por turma.

(…)

O financiamento a estes contratos, que em 2009/2010 estava nos 239 milhões por ano, tem vindo a cair e neste ano lectivo 2013/2014 já se fixou nos 149 milhões de euros. “Este acordo, tendo por base a indicação dos serviços para a racionalização dos recursos existentes, permite ao Ministério da Educação e Ciência cumprir o objectivo de redução da despesa com contratos de associação, uma das componentes da redução de despesa inscrita no Documento de Estratégia Orçamental”, explica o Ministério em comunicado esta segunda-feira, 9 de Junho.

Com que então, 149 milhões de euros?

Vamos lá ver a proposta de OE para 2015…

OE2015Prop1

Reparem lá nos valores… em 2014 o total das transferências foi de 240 ME. Podem sempre dizer que não são tudo verbas para contratos de associação, que os há simples e de patrocínio, mas os bolsos para onde vão são os mesmos.

E podemos confirmar com os dados da dotação inicial do orçamento do MEC para 2014:

OEMEC2014

A verdade é que desde 2009/20, o valor das transferências para o sector privado se mantém praticamente igual, enquanto os cortes impostos à rede pública (que se afirma excessiva, pelo que poderia incorporar muitos daqueles que implicam despesa adicional para o Estado) são na ordem das centenas de milhões de euros por ano…

 

 

pinto da costa, mst e o que mais se saberá pelas comadres.

 

 

Nuno Crato está cada vez mais socratizado.

“Problema” da incompatibilidade entre direcção de escolas e exercício de mandatos autárquicos “está resolvido”

Na sexta-feira, o MEC anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisar a questão da incompatibilidade de funções. Nesta quarta, o dirigente da Associação Nacional de Municípios, Manuel Machado, garantiu que já existe um despacho que assegura a compatibilidade, o que o ministério confirma.

Hoje marquei tpc’s. Se podiam fazê-los em proveito próprio? Ó geadas, evidentemente!

… para tentar que o homem das cervejas chegue a ministro?

Em tempos as birras eram por causa do Nobre Guedes… que sempre tinha um ar mais de flâneur

… é aquela que produz doutores assim:

“Exames da 4ª classe só podem ser bons para os psiquiatras”

Rui Armando Santiago, doutor em Ciências da Educação, defende que os exames do 1.º ciclo do ensino básico que se realizam esta semana provocam nas crianças uma angústia desnecessária.

Eu poderia desenvolver o que penso em relação a isto e repetir-me, mas… sinceramente acho patético, seja pelos paralelismos, seja por tanta outra coisa que me faz pensar que deveríamos abrir uma conta para ajudar quem ironiza.
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“Quando estava no quarto ano de escolaridade fiz uma série de exames. Para além do exame da quarta classe, que até íamos fazer de gravata ou laço, havia o exame de admissão ao liceu ou à escola técnica. Isso não me trouxe muita vantagem para a minha vida”, recordou ao Expresso.

“Estão de volta os exames e imagino a angústia que as crianças estão a sentir. Ao fim de quatro anos de escolaridade, fazer estes exames só pode ser bom para os psiquiatras. Daqui a alguns anos podem ter mais alguns clientes”, ironiza Rui Santiago.

“Para os miúdos nem sempre são experiências positivas. Faz lembrar o Estado Novo”, acrescenta.

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É que eu aceito argumentos racionais contra os exames, não meros anátemas baseados em problemas pessoais, ainda para mais retorcendo os factos.

Numa interpelação ao Governo por parte do PCP, ver o Lacão e o Zorrinho a assumirem o papel de crítica ao pedido de demissão do Governo.

Já se percebe ao que vem o engenheiro

Está na ordem do dia. O truque está em só confiarmos uma vez, ou nem isso, e identificar os canais e os colaboradores, voluntários ou enganados, para os ver falar, mas não ouvir.

Ao lado das tácticas mais agressivas de borginhos e relvettes, temos as dos ex-bloguinhos ou ex-outra coisa (que é feio falar do passado das pessoas, em especial quando embaraçoso), muito inteligentes em si mesmos, divertidíssimos a espalhar a confusão de forma cirúrgica.

… e o seu cruzamento com o novo regime de avaliação do Ensino Básico ainda o torna mais assim, em tudo o que envolve o encaminhamento das situações de falta (injustificada) de assiduidade e posteriores consequências, nomeadamente no que se relaciona com os alunos que fiquem retidos em anos de escolaridade não terminais.

Tentem, por exemplo, articular o artigo 21º da Lei 51/2012 com a alínea f) do nº 3 do artigo 9º do despacho normativo 24-A.

Mas não é essa a única situação menos clara.

O que chateia é que, no fundo, a maior parte das pessoas anda a remendar soluções de recurso em cima de legislação feitas com escassos entido e quase nenhuma ligação à realidade terráquea.

Com o devido respeito por quem lá trabalha, se o Estatuto de Aluno, no que à assiduidade e comportamento diz respeito, fosse devidamente respeitado, as CPCJ implodiriam, explodiriam e entrariam em órbita em poucas semanas.

Mas a verdade é que professores, directores de turma e escolas andam a tresler e a reinterpretar a legislação para não encontrarem o que lá está, para evitar que tudo isto desabe.

Confesso que não percebo bem porquê, pois o MEC não merece que se ande a encobrir a porcaria que vai fazendo com assinalável regularidade.

Passos Coelho: “O Governo não está para cair”

Só assim se entende que seja representado no Parlamento por um ministro imaginário, que se mantém no cargo pelas razões que se foram descobrindo. Desde os tempos do espião até às descobertas da formação.

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, deixou nesta quinta-feira, na Assembleia da República, o que pareceu ser um recado às bancadas da maioria e ao ministro Paulo Portas, ao afirmar que não há espaço para “estados de alma” nem para “países imaginários”.

Por acaso ouvi parte do discurso e garanto que foi um dos conjuntos mais memoráveis de chavões, vacuidades, inanidades e coisas equivalentes de que há memória no Parlamento português que, já de si mesmo, não é avaro em tais coisas.

Do Mestre Gil, alguns idiotas, todos do século quinze e seguintes, diriam que coiso.
Mas não disseram, veja-se o seguro como exemplo.

Não estou a falar do fenómeno das pessoas lindonas e gostosas por tudo e nada. No outro dia acho que uma senhora com 112 anos, uma desdentadura digna de Guiness (livro ou cerveja) e um bigode à cossaco recebia elogios qual Ava sem Adão.

Mas não é isso que aqui me ocupa.

Ocupa-me o facto de, sem ter mexido um dedo, me ter visto metido numa série de grupos de professores em luta por isto e aquilo. E vocês sabem o quanto não me pelo por uma luta. Mas tudo bem, desde que seja virtual aceito-me minimamente gregário. O que me espantou foi a profusão de declarações de vitória e de vamo-nos a eles e de não desistimos nunca, que me fez quase pensar estar num balneário de equipa de futebol, felizmente sem a parte dos odores e tudo o mais. A menos que seja feminina. A equipa.

Mas é verdade. Acho que é o local ideal para um tipo do Sporting estar, mesmo em tempo de pré-época. O problema é que anda por lá sempre uma espécie de Luís Filipe Vieira a incitar a tudo e mais alguma coisa. E eu não aprecio muito ser incitado.

Isso e notar que quem há uns anos gozava com a superficialidade dos blogues agora promove estas coisas, em forma de bem preparado sucedâneo espontâneo.

A vida dá destas voltas. A luta também.

Agora até já prometem plataformas. Só espero que se lembrem de colocar água na piscina antes de atirarem os laikes, que são coisas frágeis e resistem mal ao impacto com a realidade.

Vice-presidente do PSD/Porto defende saída de Relvas

Presidente da Distrital do PSD Porto não se revê nas palavras de Firmino Pereira

António Borges vai liderar equipa que supervisiona as privatizações

Acho que muita gente já reparou que nos últimos tempos, quer em círculos políticos próximos do governo, quer na blogosfera alaranjada, quer ainda em algumas criaturas comentadeiras, renasceu aquele discurso anti-profes que caracterizou a permanência do engenheiro no poder.

Começam a notar-se demasiado as semelhanças. Aquelas que eu vi, em devido tempo, no lançamento do livro da pseudo-Pasionaria da Educação cá do burgo. As afinidades mal (in)confessadas. Houve momentos em que pensei que talvez tivessem compreendido o erro mas, já se sabe, com umas quantas viagens à Órópa há quem se deslumbre e pense que se elevou acima de. O deslumbramento provinciano é pior que o provincianismo assumido.

Mas voltando à postura acintosa anti-profes…

É um erro.

Poderia desenvolver, mas fica a ideia para que a possam digerir. Uma simples tentativa para que percebam que ou resolvem os vossos demónios ou acabarão consumidos. Como o(s) outro(s).

Quem é amigo, quem é?

Passemos então das coisas propriamente demográficas para as educacionais. Procuremos a arma fumegante que demonstra a desnecessidade de mais professores porque os portugueses andam a procriar menos.

A fonte é oficial.

Eu sei que dizem que esta é uma série curta, mas é aquela que está acessível com desdobramento de dados, em particular com os processos RVCC, vulgo Novas Oportunidades, que permite melhor analisar a evolução.

Vejamos então… em 2005/06 existiam 1.648.588 alunos matriculados. Em 2007/08 tinham subido para 1.701.482. Quase mais 53.000 alunos. E em 2008/09 sobrem para 1.952.114. O salto é realmente muito forte. Mais 250.000 alunos…

Salto quântico devido às NO, dizem os demógrafos negativos.

Então somemos os processos RVCC em 2008/09: 472 no 1º CEB, 8831 no 2º CEB, 100.688 no 3º CEB e 98.129 n0 Secundário. Total 208.120 alunos devidos às NO.

Mas o acréscimo foi de 250.632. O que significa mais 42.500 alunos matriculados, sem contar com as NO.

Pois… e agora?

Há mais ou menos alunos nas escolas?

Há mais! Deu agora para entender?

Podem não esticar muito mais mas, neste momento, é errado dizer que há menos alunos. Errado! percebem o conceito? Há coisas certas e outras erradas. A menos que ainda sejam pós-modernos ou então sejam relativistas tipo BSS.

Podem martelar a Demografia Negativa nos dados, evocar mais algumas teorias, mas não conseguem que ela desminta os factos.

Quanto à evolução comparativa do número de docentes, alunos, rácios, alunos por turma, etc, fica para amanhã, porque isto é feito de borla e se fosse à hora num seminário de apoio à investigação num curso de doutoramento eram umas centenas de euros que seriam cobrados aos alunos para aprenderem coisas básicas de uma licenciatura antanha.

 

Recebi o seguinte mail do Livresco, que é quem anda no terreno:

Depois de publicares o link neste post:

https://educar.wordpress.com/2011/07/13/a-add-os-conceitos/

A Escola Secundária c 3º CEB José Macedo Fragateiro mandou o link abaixo (conforme imagem):

Eu, por acaso, até acho que o documento estava muito bem conceptualizado.

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